(Rm 16:1-16) O Amor Real pela Igreja
Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 41 viewsNotes
Transcript
Em “Os Irmãos Karamázov”, Dostoévski fala sobre a reflexão de um monge que conversou com um médico que dizia amar muito a humanidade, a tal ponto até mesmo de se sacrificar por ela, mas que na prática, quando precisava lidar com pessoas reais, com suas imperfeições, fraquezas e comportamentos irritantes, sua paciência e compaixão desapareciam. O monge conclui sua reflexão dizendo: “Quanto mais eu amo a humanidade em geral, menos eu amo as pessoas em particular.” Essa é a diferença entre o amor ideal e o amor concreto. Muitos vezes idealizamos vidas, como a constituição de uma família, amamos a família, falar sobre a família, lutar pela família, mas não suportamos a nossa família…
Isso pode acontecer com a Igreja. Quanta vezes ouvimos que devemos amar a Igreja, que a Igreja é a noiva de Cristo, seu corpo, sua amada. Mas não suportamos aquele irmãos, aquela irmã, não suportamos um ao outro.
Paulo então nos ensino algo precioso, e de maneira muito simples. Ele faz saudações pessoais no final de carta, trazendo nomes, elogios, reconhecimento, gratidão… O que podemos aprender com isso?!
Romanos 16.1–2“Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencreia, para que a recebais no Senhor como convém aos santos e a ajudeis em tudo que de vós vier a precisar; porque tem sido protetora de muitos e de mim inclusive.”
Servindo. Febe foi uma irmã preciosa que se dedicava a Igreja. Talvez fosse uma viúva, que tinha posses. Ela é chamada depois de protetora. Provavelmente isso quer dizer que ela sustentava, recepcionavam os irmãos que precisavam de ajuda, especialmente no contexto de pobreza e perseguição. Paulo reconhece que ela fez isso por ele. A palavra usada aqui pra se referir ao serviço de Febe é diakonia. Não que ela fosse uma diaconisa, como algumas igrejas defendem - isso é um erro; mas a palavra diaconia é usada pra descrever tanto o ofício eclesiástico ocupado por alguns homens, como todo auxílio à igreja feito por qualquer irmão dedicado, inclusive as mulheres. Devemos evitar dois extremos, irmãos: um é a ordenação feminina - a Bíblia não permite isso; o outro é ignorar o valioso serviço das mulheres dedicadas e capazes de ajudar na obra do Senhor. Todos nós fomos chamados pra isso. Todos nós somos chamados para sermos diáconos nesse sentido. Febe, como provável viúva, se enquadra nas recomendação de Paulo em 1Timóteo 5.9–10 “Não seja inscrita senão viúva que conte ao menos sessenta anos de idade, tenha sido esposa de um só marido, seja recomendada pelo testemunho de boas obras, tenha criado filhos, exercitado hospitalidade, lavado os pés aos santos, socorrido a atribulados, se viveu na prática zelosa de toda boa obra.”
Recebais no Senhor. Podemos concluir que foi Febe que, quando partiu para Roma, levou consigo a carta de Paulo e a entregou aos destinatários. Cencréia, o lugar onde ficava a Igreja de Febe, era um porto em Corinto, de onde ela saiu para Roma. O nome dela significava Radiante, ou Brilhante. É um nome da mitologia pagã, que se referia à deusa Diana, uma deusa romana. Isso é importante Febe era uma gentia, que se converteu do paganismo romano ao cristianismo. Agora, ela devia ser recebida como irmã, no Senhor. E Paulo acrescenta que ela deveria ser ajuda em tudo, como ela mesmo ajudou.
Romanos 16.3–5 “Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça; e isto lhes agradeço, não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios; saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles. Saudai meu querido Epêneto, primícias da Ásia para Cristo.”
Priscila e Áquila. Foram personagens importantíssimos na vida de Paulo, e como ele mesmo diz aqui, na vida de todas as igrejas dos gentios. O que eles eram? Mais uma vez, não eram oficiais, eram um casal, que recebiam em sua casa a igreja. Eles foram expulsos de Roma pelo Imperador Cláudio (At18:2) porque eram judeus; e foram pra Corinto, onde conheceram Paulo. Eles também fabricavam tendas como Paulo, e chegaram a morar com ele (At18:3). Talvez tenham se convertido sob o ministério de Paulo. Paulo os chama de “meus cooperadores em Cristo Jesus”. Depois eles viajaram juntos para Éfeso. Paulo ficou ali 3 anos e foi embora, mas Áquila e Priscila permaneram. Eles eram muito sábios. Eles aconselhavam, exortavam. “Certo dia, um famoso e fervoroso pregador, um judeu alexandrino chamado Apolo, chegou a Éfeso. Quando Prisca e Áquila notaram que, apesar de sua eloquência e grande erudição, havia algo que faltava em seu conhecimento do “caminho de Deus”, convidaram-no ao seu lar e deram-lhe mais instrução”
Atos dos Apóstolos 18.24–26 “Nesse meio tempo, chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor; e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão a respeito de Jesus, conhecendo apenas o batismo de João. Ele, pois, começou a falar ousadamente na sinagoga. Ouvindo-o, porém, Priscila e Áquila, tomaram-no consigo e, com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus.”
Ambos irmãos, Priscila e Áquila, esposa e marido, amavam a Palavra do Senhor, e a conheciam a tal ponto de corrigir um famoso pregador. É importante notar que por muitas vezes o nome de Priscila vem primeiro que o de seu marido. Talvez ele fosse ainda mais dedicada do que ele, à igreja. Mas ambos amavam a Igreja do Senhor. Coisa linda! Você já conheceu um casal assim? Um marido e esposa, muito amigos, parceiros, preocupados assim com a Igreja de Cristo? Já conheceram Priscila e Áquila? Paulo diz que eles arriscaram a cabeça por causa dele. E eles recebiam a igreja em casa. Alguns dizem que essa igreja a que Paulo se refere era a própria família de Áquila e Priscila. Paulo os chamada de Igreja. Nossa família deve ser uma pequena Igreja, como diziam os puritanos. Outros entendem que a igreja se reunia na casa deles. Talvez fosse um ponto de pregação. E outro lugar também, Paulo diz:
1Coríntios 16.19 “As igrejas da Ásia vos saúdam. No Senhor, muito vos saúdam Áquila e Priscila e, bem assim, a igreja que está na casa deles.”
Se nossa família não é toda crente, não é uma pequena igreja, isso no mínimo nos ensina a hospitalidade. Devemos buscar e orar para que nossa casa seja um lugar em que a Igreja do Senhor possa ser acolhida.
Epêneto… primícias da Ásia. Êpeneto significa “digno de louvor”. Ele é chamado por Paulo de “primícias”, quer dizer, primeiros frutos. Ele é um pioneiro da Igreja na Ásia, um dos primeiros convertidos. Quer dizer que depois dele vieram outros. Certamente, ele contribuiu ali para o crescimento daquela Igreja. Alguns de vocês aqui são primícias aqui em Curionópolis. Louvado seja o nome do Senhor porque permanecem firmes. Deus começa assim, com suas primícias.
Atos dos Apóstolos 19.9–10 “Visto que alguns deles se mostravam empedernidos e descrentes, falando mal do Caminho diante da multidão, Paulo, apartando-se deles, separou os discípulos, passando a discorrer diariamente na escola de Tirano. Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos.” Atos dos Apóstolos 19.20 “Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.”
Romanos 16.6–15 “Saudai Maria, que muito trabalhou por vós. Saudai Andrônico e Júnias, meus parentes e companheiros de prisão, os quais são notáveis entre os apóstolos e estavam em Cristo antes de mim. Saudai Amplíato, meu dileto amigo no Senhor. Saudai Urbano, que é nosso cooperador em Cristo, e também meu amado Estáquis. Saudai Apeles, aprovado em Cristo. Saudai os da casa de Aristóbulo. Saudai meu parente Herodião. Saudai os da casa de Narciso, que estão no Senhor. Saudai Trifena e Trifosa, as quais trabalhavam no Senhor. Saudai a estimada Pérside, que também muito trabalhou no Senhor. Saudai Rufo, eleito no Senhor, e igualmente a sua mãe, que também tem sido mãe para mim. Saudai Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas e os irmãos que se reúnem com eles. Saudai Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, Olimpas e todos os santos que se reúnem com eles.”
Maria…trabalhou. Maria é mais uma irmão que trabalhou em prol do Evangelho, assim como Trifena e Trifosa, que ainda trabalhavam, e a Amada Pérside, que também trabalhou muito no Senhor, como Paulo diz. Talvez Maria e Pérside já estivessem idosas, por isso Paulo diz que elas trabalhavam, enquanto Trifena e Trifosa, provavelmente duas irmãs, ainda cooperavam com a Igreja. Maravilhoso outra parceria familiar, agora não entre um casal, mas entre irmãs, parentes, que se gastavam pela Igreja. Podemos aproveitar e lembrar também de Marta e Maria, em João 11. Paulo também o termo cooperador para descrever o auxílio de Urbano, cooperador em Cristo.
Paulo tinha alguns parentes, como Andrônico e Júnias, que eram não apenas parentes dele, como afirma, mas que foram também companheiros de prisão. Esse era o nível da proximidade desses irmãos. E a gente pode se empolgar em pensar que Paulo tinha parentes. Ele não tinha uma esposa, mas ele tinha família. Mas mais importante do que isso, seus parentes eram seus auxiliadores na obra. Mais ainda, foram companheiros de prisão. E não só isso, Paulo diz que eles foram notáveis entre os apóstolos - apóstolos aqui não entre os doze de Cristo, mas como enviados, que é o que significa a Palavra. Paulo afirma que estavam em Cristo antes dele. Que alegria deve ter sido pra esses irmãos quando souberam que seu parente, Paulo, antes um perseguidor da Igreja, se tornou um Apóstolo de Cristo Jesus.
Paul também descreve com expressões de afeto, como por exemplo seu dileto amigo Amplíato, ou seu amado Estáquis. Talvez pessoas por quem Paulo tinha um carinho especial. Talvez pessoas que Paulo não teve muito o que destacar na obra, mas ainda assim era amados, eram irmãos preciosos.
Ele fala de Apeles, que foi aprovado em Cristo. Aprovado talvez se refira ao fato de que Apeles passou por uma provação. Ele estava sendo lembrado pelo sofrimento que venceu. Ele estava firme no Senhor.
Dentre outros irmãos, podemos destacar ainda Rufo, Paulo diz que era eleito no Senhor, e que tinha a mãe de Rufo como sua própria mãe. Incrível irmãos, como Paulo se utiliza de tanta linguagem familiar. Que carinho ele tinha por essa igreja. Rufo, sua mãe é minha mãe também. Paulo se sentiu adotado, talvez provavelmente por ter sido acolhido carinhosamente por ela. Mas quem era Rufo? É muito provável que Rufo seja o mesmo Rufo que aparece no Evangelho.
Marcos 15.21 “E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar-lhe a cruz.”
É provável esse Rufo seja o filho de Simão Cireneu, aquele que ajudou Jesus a carregar a cruz. Talvez aquela experiência tenha trazido grande impacto sobre aquela família. Mas não foi simplesmente uma experiência externa que converteu o coração de Rufo. Paulo faz questão de dizer que ele era eleito no Senhor. Talvez seu irmão, Alexandre, não tenha se tornado crente, mas Rufo sim. Como Jacó e Esaú. Como Jacó Rufo fora eleito.
Romanos 16.16 “Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Todas as igrejas de Cristo vos saúdam.”
Ósculo santo. O ósculo é um beijo, e cumprimento saudável, ele diz - santo - entre irmãos, sem malícia. Em Lucas 7 Jesus diz que seu hospedeiro, Simão, o fariseu, não o receber com um beijo, mas uma mulher entrou ali e não cessava de beijar os pés de Cristo. Algo importante sobre, irmãos, é que não devemos apenas afeição uns pelos outros, mas devemos expressá-la. Você é uma pessoa que tem dificuldade em expressar afeto por seus irmãos, por sua família, e você diz: eu sou assim… Bom, você deve buscar mudar isso. A bíblia nos ensina a expressar nossos afetos. Abraço, beijo, aperto de mão, palavras. Isso de forma santa, como Paulo diz. Porque da mesma forma, nossas expressões de afeto podem ser falsas, como foi o ósculo de Judas, que traiu Jesus com um beijo. O amor não deve ser apenas expresso, mas deve ser real, sincero.
1Pedro 5.14 “Saudai-vos uns aos outros com ósculo de amor. Paz a todos vós que vos achais em Cristo.”
Então nossos afetos devem expressos, devem ser sinceros, santos, devem expressar amor e paz. E isso é para todos nós, todos membros da igreja.
1Tessalonicenses 5.26 “Saudai todos os irmãos com ósculo santo.”
APLICAÇÃO
Nosso amor deve ser real e não abstrato. Você ama a igreja do Senhor? Como? Eu ajudo ali, acolá, de vez em quando faço tal coisa, contribuo financeiramente etc. A questão é, você ama o seu irmão? Jesus foi muito sábio quando ensinou o amor ao próximo, não simplesmente à humanidade. Vejam irmãos, existem movimento ideológicos aí fora que dizem se preocupar com a humanidade. Eles falam sobre meio ambiente, falam sobre os animais, eles têm ongs, se envolvem politicamente, mas impressionantemente, eles odeiam com todas as forças ao seu próximo. Não seja assim. Você deve amar a Maria, Febe, Rufo, Epêneto… você deve amar a Shirley, o Fernando, A Bianca, a Jacira, o Eduardo. Vocês devem a pessoa real. Você devem devem ser diáconos e auxiliadores de muitas pessoas, como foi Febe. Devem arriscar o pescoço e receber a Igreja, como fizeram Prisca e Áquila. Vocês devem trabalhar muito em prol dos irmãos e cooperar, como fizeram Maria, Urbano, Trifena, Trifosa e Pérside.
Lembre-se como Jesus te ama individualmente. Deus te conhece pelo seu nome, ele quer se relacionar intimamente e pessoalmente com cada um de nós. Eu devo sempre lembrar que Cristo ama a Igreja e que ele me ama. Que ele morreu pela Igreja, e que ele morreu por mim. Que suas promessas são para a igreja, e que suas promessas, todas elas, são pra mim. Eu devo me apropriar disso, eu devo me agarrar em Cristo, eu devo viver pra sua glória. Ele morreu por mim. Ele me ama.
