Exposições em Gálatas - Sermão 8: O contrato da graça
Exposições em Gálatas • Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 24 viewsNotes
Transcript
Introdução
Introdução
Desde o Éden, o homem vem desejando soberania sobre tudo, governar o mundo à sua forma; apesar de ter sido colocado como dominador de toda a criação, ainda sujeito ao Criador, se entregou ao pecado de desejar usurpar a soberania suprema de Deus. Desde então, esse pecado vem se repetindo, de modo que o ser humano costuma rejeitar um salvador gracioso em troca do desejo de um método para que se salve.
Realmente, possuímos grandes dificuldades em compreeender a dependência da graça divina, como se ela não fizesse sentido algum. Na verdade, um dos principais conceitos humanos é de que tudo possui um preço, de que todos os relacionamentos são baseados em uma troca de favores, de modo que se um lado ganha e o outro não, logo há um conflito e uma quebra do relacionamento. O importante é “eu estar no controle das condições e ser beneficiado por isso”. Vemos isso nos casamentos, nos relacionamentos familiares, nas amizades, nas relações profissionais e, se expandindo ao principal dos relacionamentos, vemos isso na relação do homem com Deus.
Compreender e se deleitar no favor imerecido de Deus requer uma compreensão correta da relação entre a graça divina e seus estatutos; não há espaço para o pensamento, seja sutil ou explícito, de que os estatutos divinos são o motivo para recebermos a graça divina, além de ilógico, trata-se de replicar o pecado que nossos antepassados, desde Adão, são tentados a cair.
Contexto imediato
Contexto imediato
É sobre esse assunto que Paulo expande sua argumetação em defesa do verdadeiro e único evangelho de Cristo. No capítulo 3, ele vem demonstrando como o caminho da fé em Cristo Jesus e em suas boas novas é um caminho que nos direciona à benção e à vida, enquanto o caminho de busca por justificar a si mesmo direcina o homem à maldição e à morte.
Os falsos profetas que perturbavam as igrejas da Galácia evocavam a paternidade de Abraão e a Lei de Moisés como argumentos para perverter o verdadeiro evangelho de Cristo e impor as práticas judaicas aos gálatas.
Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado por justiça pelo Próprio Deus. A justiça não veio do próprio Abraão, nem de nenhum ato seu, afinal, ele ainda não havia recebido a Lei, mas crendo em Deus, ele recebeu sua justiça, pela graça divina, mediante o caminho da fé. Paulo diz, então, que aqueles desejam justificar a si mesmos, evocam para si o julgo que foi carregado por Cristo e que nenhum outro homem foi ou é capaz de carregar, de modo que, aqueles que não praticam todas as coisas da Lei recebem sobre si maldição. Mas aqueles que creem nAquele que cumpriu todas as coisas da Lei e, graciosamente, se tornou maldição em nosso lugar, recebem a justiça pelo mesmo caminho da fé que Abraão trilhou, de modo que se tornam filhos de Abraão e recebem a benção que estava sobre ele.
Paulo continua sua argumentação usando o campo de batalha dos falsos profetas e evocando mais uma vez Abraão e Moisés, agora, declarando que tanto a aliança feita com Abraão, quanto a Lei entregue a Moisés, são feitos graciosos de Deus para com o Seu povo. Abraão e Moisés não estão um contra o outro, mas vivem o mesmo caminho da fé nAquele que É o Deus da Graça.
Divisão do texto
Divisão do texto
Gálatas 3.15-18 - O contrato da graça
Gálatas 3.19-20 - A graça da Lei
Gálatas 3.21-22 - Um Único Deus, uma única graça
O contrato da graça (Gálatas 3.15-18)
O contrato da graça (Gálatas 3.15-18)
Gálatas 3.15 (ARA)
Irmãos, falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta alguma coisa.
Paulo, pela primeira vez na epístola aos gálatas, os chama de “irmãos”; até o momento, o apóstolo vinha tratando os gálatas com a rigidez necessária como quem deseja dar um choque de realidade em seus ouvintes, mas, agora, ele se mostra como um emissário da graça que tanto tratara até então, como quem diz: “tudo que já falei em rigor até o momento e tudo que falarei daqui por diante, não é direcionado aos que pervertem o evangelho da graça, pois a estes direciono meu grito de ‘anátema!’; mas é direcionado à verdadeira família de Deus, pois tudo que falo em rigor é para que a graça de Deus volte a ser clara aos olhos daqueles que creem em Cristo, os verdadeiros filhos de Abraão, meus irmãos”. Por maior que seja o rigor de nossa exortação para com aqueles irmãos que se encontram em pecado, ela nunca pode ser desprovida de graça, afinal, estamos tratando com nossos irmãos, filhos de Deus em Cristo Jesus; nosso objetivo deve ser restaurá-los, não humilhá-los, nem mesmo nos sobressair sobre eles.
É, então, que Paulo inicia mais um argumento para que os gálatas enxergasse de forma vívida, óbvia e clara a graça divina em toda a história do povo de Deus. Aqui, ele utiliza o exemplo de “contratos”, “testamentos” humanos como argumento do menor para o maior visando mostrar a verdadeira natureza da aliança abraâmica. No contexto judaico e romano do século 1, não muito diferente de nossos dias, os contratos ou testamentos só poderiam ser alterados ou anulados quando verificava-se a ilegalidade de suas condições, o que deveria ser verificado e atestado por uma autoridade; entretanto, quando o contrato ou testamento fosse “ratificado”, ou seja, tivesse a sua legalidade confirmada pela autoridade competente, ninguém poderia anulá-lo ou alterá-lo.
Gálatas 3.16 (ARA)
Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo.
Pois bem, Paulo segue declarando que Deus fez uma aliança, um contrato com Abraão e seu descendente, cujas cláusulas eram as promessas e a herança futura. Que promessas e herança eram essas? Quando retornamos ao relato de Gênesis, vemos, pelo menos, 3 promessas principais e interrelacionadas feitas a Abraão:
Promessa de uma descendência numerosa:
Gênesis 22.17 (ARA)
que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos,
Promessa de que todas as nações seriam benditas em sua descendência:
Gênesis 22.18 (ARA)
nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz.
A promessa de herdar a terra:
Gênesis 15.18 (ARA)
Naquele mesmo dia, fez o Senhor aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência dei esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates:
A consolidação dessas cláusulas graciosas é exatamente a fundamentação da aliança em Cristo que Paulo argumenta na sequência. Ele declara que as promessas foram feitas ao seu descendente, no singular, e não aos seus descendentes, no plural. Em quem todas as nações foram benditas e quem herdou toda a terra? Por acaso foi Isaque? Jacó? Certamente não, afinal o próprio autor de Hebreus declara acerca destes:
Hebreus 11.12–16 (ARA)
Por isso, também de um, aliás já amortecido, saiu uma posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como a areia que está na praia do mar.
Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade.
Mateus, então declara quem é o descendente da aliança com Abraão, aliança posteriormente reafirmada com Davi acerca do reino estabelecido eternamente:
Mateus 1.1 (ARA)
Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
Cristo é o descendente aguardado, não só desde Abraão, mas desde a queda (Gn 3.15) é aguardado; Aquele em quem todas as nações seriam benditas como descendentes de Abraão pela fé e herdeiros do reino eterno.
Gálatas 3.17 (ARA)
E digo isto: uma aliança já anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a promessa.
Paulo declara então que essa aliança feita por Deus com Abraão e confirmada por Ele mesmo, a maior autoridade legal. Quando vemos o momento específico em que essa aliança foi feita, temos o fundamento para entermos seus termos:
Gênesis 15.1–12 (ARA)
Depois destes acontecimentos, veio a palavra do Senhor a Abrão, numa visão, e disse: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande. Respondeu Abrão: Senhor Deus, que me haverás de dar, se continuo sem filhos e o herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer? Disse mais Abrão: A mim não me concedeste descendência, e um servo nascido na minha casa será o meu herdeiro. A isto respondeu logo o Senhor, dizendo: Não será esse o teu herdeiro; mas aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro. Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça.
Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te por herança esta terra. Perguntou-lhe Abrão: Senhor Deus, como saberei que hei de possuí-la? Respondeu-lhe: Toma-me uma novilha, uma cabra e um cordeiro, cada qual de três anos, uma rola e um pombinho. Ele, tomando todos estes animais, partiu-os pelo meio e lhes pôs em ordem as metades, umas defronte das outras; e não partiu as aves. Aves de rapina desciam sobre os cadáveres, porém Abrão as enxotava.
Ao pôr do sol, caiu profundo sono sobre Abrão, e grande pavor e cerradas trevas o acometeram;
Gênesis 15.17–21 (ARA)
E sucedeu que, posto o sol, houve densas trevas; e eis um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo que passou entre aqueles pedaços. Naquele mesmo dia, fez o Senhor aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência dei esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates: o queneu, o quenezeu, o cadmoneu, o heteu, o ferezeu, os refains, o amorreu, o cananeu, o girgaseu e o jebuseu.
Quando lemos essa passagem, vemos o contrato da graça sendo escrito. Por que da graça?
Em primeiro lugar, porque Deus toma a iniciativa da aliança, não foi Abraão quem a propôs, mas o Próprio Deus;
Em segundo lugar, porque quando lemos os termos da aliança, vemos apenas cláuulas de promessas da parte de Deus, não sendo requisitado, nem prometido nada da parte de Abraão;
Em terceiro lugar, porque a forma da aliança realizada, colocara obrigações apenas para Deus. No contexto histórico de Abraão, quando uma aliança era proposta entre duas pessoas, partia-se os animais, posicionava-se os pedaços um de frente para o outro em forma de caminho e as duas pessoas passavam pelo caminho, como quem diz que aquele que descumprir a aliança, será alvo de maldição, sendo tratado como os animais mortos. A graça na aliança de Deus com Abraão é que Deus faz com que Abraão caia em profundo sono e Ele Própria passa pelo caminho de animais como uma tocha de fogo, deixando bem claro que a aliança que fizera com Abraão colocava apenas sobre Ele as responsabilidades das promessas realizadas, como sendo uma aliana com Ele mesmo.
Por isso se trata do contrato da graça, porque os seus termos são totalmente graciosos, são termos unilaterais da parte de Deus, cabendo a Abraão crer nas promessas que compunham as cláusulas. Aqui vem o ponto do primeiro argumento, se um contrato ou testamento humano, depois de assinado e legalmente confirmado pelas autoridades, não podem ser alterados ou anulados posteriormente, quanto mais a Lei, que veio 430 anos após a confirmação legal da aliança feita com Abraão, quando Deus a revelou a Moisés, não poderia anular aliança feita, assinada e confirmada legalmente pela maior autoridade do universo.
Gálatas 3.18 (ARA)
Porque, se a herança provém de lei, já não decorre de promessa; mas foi pela promessa que Deus a concedeu gratuitamente a Abraão.
Visto que os falsos profetas declaravam que os irmãos da galácia precisavam cumprir as práticas judaicas para serem salvos, Paulo declara que isso seria quebrar a aliança feita com Abraão, porque se a herança do reino de Deus fosse proveniente do cumprimento da Lei, a herança seria dada como salário para com a justiça alcançada e não pelas cláusulas da promessa.
Se Deus requisitasse a Lei como requisito para cumprir a promessa, isso seria quebrar a o contrato da graça anteriormente firmado ao acrescentar novas cláusulas. Certo que Deus não faria isso, de modo que a herança é dada gratuitamente a Abraão e seu descentente pelas cláusulas de promessa do contrato da graça.
A graça da Lei (Gálatas 3.19-20)
A graça da Lei (Gálatas 3.19-20)
Gálatas 3.19 (ARA)
Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador.
Paulo continua com um questionamento que os gálatas mais críticos deveriam fazer: “qual, pois, a razão de ser da lei”, para que Deus a revelara ao homem, qual seu propósito? Ao que ele mesmo responde que foi “adicionada por causa das transgressões”. A pergunta que fazemos hoje é: que graça existe nisso, em Deus enviar sua Lei por causa das transgressões do Seu povo?
A graça aqui está exatamente no termo “por causa” utilizado por Paulo na forma grega de “charin”, possuindo a mesma raiz da palavra “graça” e significando “em favor de algo”, uma forma pouquíssimo utilizada para expressar algo como “em virtude disso”. O que Paulo está querendo dizer é que a Lei tinha um caráter instrutivo e revelador, algo que a tradução bíblica NVT parece captar bem quando traduz esse trecho como “ela foi acrescentada à promessa para mostrar às pessoas seus pecados”, algo que mais à frente, no versículo 22, Paulo complementa quando diz que “a Escritura encerrou tudo sob pecado”.
Em suma, a razão de ser da Lei é de mostrar que o homem está tão distante de Deus por si mesmo e que por seus próprios méritos jamais poderia salvar a si mesmo, reconhecendo que precisa de alguém que o salve; seu próposito de ser é exatamente quebrar o grito de independência que é proclamado desde a queda e continua sendo proclamado por legalistas, reconhecendo a dependência de alguém que o salve, a saber, aquele que é o descendente de Abraão e de Davi, Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador, somente através dEle as transgressões seriam perdoadas, porque como diz Isaías:
Isaías 53.5 (ARA)
Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Gálatas 3.20 (ARA)
Ora, o mediador não é de um, mas Deus é um.
No final do versículo 19 e no versículo 20, Paulo arremata seu argumento sobre a impossibilidade de a aliança abraâmica ser quebrada. A lei foi entregue e acordada da parte de Deus, mas por dupla mediação, pelos anjos e por Moisés, de modo que “o mediador não é de um só”, ou seja, o acordo da Lei envolvia a parte do povo de Deus, de modo que estava claramente sujeita a não ser obedecida e daí viriam as maldições disciplinatórias, enquanto, quando obedecidas, viriam as bençãos prometidas. Não era assim com a aliança da graça feita com Abraão e que apontava para o evangelho de Cristo; ela foi uma aliança totalmente unilateral e incondicional, feita somente e diretamente por Deus, sem qualquer mediador, impossível de ser quebrada!
Um Único Deus, uma única graça (Gálatas 3.21-22)
Um Único Deus, uma única graça (Gálatas 3.21-22)
Gálatas 3.21 (ARA)
É, porventura, a lei contrária às promessas de Deus? De modo nenhum! Porque, se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade, seria procedente de lei.
Paulo faz mais uma pergunta que poderia vir à tona: se, afinal de contas, a aliança feita com Abraão é inquebrável e é uma aliança de graça, a Lei, ao trazer condenação ao homem, não estaria sendo contrária às promessas? Ao que Paulo responde “de modo nenhum!”. Só há um Único Deus, o Deus de Abraão é o mesmo Deus de Moisés, de modo que a graça manifesta na aliança é a mesma graça manifesta na Lei.
Essa era a contradição que, na verdade, os falsos profetas faziam quando não reconheciam o evangelho na aliança abraâmica, quando pervertiam o evangelho por uma interpretação errada da Lei e, por consequência, pervertiam a aliança abraâmica. Eles diziam “cumpa a lei e você terá vida”, mas não atentavam que para isso, a justiça precisaria proceder da lei e não da fé, contradizendo a justificação de Abraão.
Gálatas 3.22 (ARA)
Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que creem.
De fato, eles interpretavam a Lei de forma errada, não atentando para o que o salmista já havia declarado outrora:
Salmo 14.3 (ARA)
Todos se extraviaram e juntamente se corromperam;
não há quem faça o bem,
não há nem um sequer.
É exatamente isso que Paulo declara quando diz que “a escritura encerrou tudo sob o pecado”. Ela nos mostra as nossas transgressões, nos mostra o quão longe estamos da justiça, ela aponta para quem É Deus e quem nós somos e mede a profundidade, largura e comprimento do vão que separa o homem de Deus e, ao fazer isso, ela nos humilha, nos quebranta e nos direciona à clamar por salvação. É a correta interpretação da Lei que separa a oração do publicano e do fariseu:
Lucas 18.9–14 (ARA)
Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.
O fariseu olhava para a Lei e enxergava aquilo que ele julgava ser, enquanto o publicano olhava para ela e via quem ele sabia que certamente não era. O primeiro não carecia da promessa, enquanto o segundo clamava por ela. Essa é a verdadeira função da Lei, mostrar quem nós não somos e confirmar a promessa e nos apontar para ela tornando-a indispensável para que alcancemos o reino de Deus. Sua função é nos apontar para Cristo como nosso Senhor e Salvador para que pela fé nEle sejamos coparticipantes da justiça de Abraão e da promessa feita a ele, como Paulo declara:
Romanos 4.13–17 (ARA)
Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé. Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa, porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão.
Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão (porque Abraão é pai de todos nós, como está escrito:
Por pai de muitas nações te constituí.),
perante aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem.
Romanos 4.19–25 (ARA)
E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo amortecido, sendo já de cem anos, e a idade avançada de Sara, não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera. Pelo que isso lhe foi também imputado para justiça. E não somente por causa dele está escrito que lhe foi levado em conta, mas também por nossa causa, posto que a nós igualmente nos será imputado, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.
Conclusão e aplicações
Conclusão e aplicações
Irmãos, quantos cristãos, hoje, menosprezam a promessa do evangelho ou superestimam a si mesmos pelas ordenanças da Lei e o fazem porque não compreendem bem nem uma, nem outra; não entendem que não são ferramentas divinas contrárias entre si; não compreendem que o mesmo Deus de Graça que atua em uma, atua na outra:
Aqueles que não entendem o propósito da Lei em nos mostrar que somos incapazes de ter qualquer parte na salvação e que seríamos condenados à maior das misérias sem Cristo, acabam por esquecer a maravilhosa graça do evangelho de Cristo, tornando-o facilmente esquecível, menosprezando o seu valor; vivem a vida religiosa como sendo apenas mais um espaço preenchido em suas agendas superlotadas com os demais eventos realmente importantes e facilmente conformando as suas vidas ao mundo;
Aqueles que não compreendem o evangelho de Cristo como a confirmação da aliança inquebrável de Deus com Abraão, uma aliança que não depende de nós, mas que foi feita de forma unilateral e incondicional por Deus, tratam as ordenanças da Lei, seja explícita ou sutilmente, como algum tipo de moeda de troca para com Deus; ou enaltecem a si mesmos, rabaixando Deus ao nível dos falsos deuses, ou quando enxergam a si mesmos, se sentem paralisados pelo medo pecaminoso, duvidando até mesmo de sua salvação.
Esses são dois pecados compõem dois lados de uma mesma moeda. Mas o que eles têm em comum? Eles tiram Deus do Seu soberano trono de Graça e entronizam o homem: enquanto o primeiro diz “eu tenho que ser servido por Deus”, o outro diz “eu tenho que comprar a Deus de alguma forma”.
Quantos cristãos têm se enaltecido, sem enxergar a sua verdadeira imagem pelo espelho da Lei, e quantos cristãos têm duvidado da sua salvação, sem enxergar a irrevogabilidade da promessa!
Meus irmãos, que hoje a Lei nos mostre o quão pecadores nós somos e que nossos atos de justiça são como trapos de imundícia, mas que isso não venha a nos paralisar, pelo contrário, que o Espírito Santo nos guie para o descendente da promessa, Cristo Jesus, Aquele em quem nossas transgressões são perdoadas. Creia verdadeiramente nEle e tenha a certeza da salvação enraizada no seu coração, pois Deus jamais quebrará a aliança que sustenta a promessa feita àqueles que, pela fé, são justificados em Cristo Jesus, pelo contrário:
Judas 24–25 (ARA)
Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém!
