LONGANIMIDADE (PACIÊNCIA)

Fruto do Espírito  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Não é algo simples, e não nos ocorre naturalmente, por isso precisamos que o Espírito de Deus produza longanimidade em nossa vida. Como podemos compreender e identificar essa postura, podemos ser pacientes, mas ainda sim agir de forma errada? Para saber que estamos demonstrando o Fruto, precisamos conhecer como o Senhor expressa essa característica. Afinal, quando falamos sobre o fruto do Espírito, significa que o caráter de Deus está produzindo fruto em nosso caráter. O discipulado de Deus é a vida dEle operando em nossa vida.

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Transcript
Gálatas 5.22–23 “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.”
A mensagem de Paulo aos gálatas tem por objetivo orienta-los sobre como viver a verdadeira liberdade. Em muitas igrejas a liberdade que Paulo precisa ensinar é sobre ser livre da escravidão da Lei e as obras, por que muitos judaizantes estavam rodeando os cristãos e tentando fazer prosélitos. Apesar dessa mesma situação ocorrer na igreja da Galácia, havia um bom grupo que compreendeu o ensino do apóstolo e tentava combater esses que distorciam o evangelho para levar o povo a idolatria e a vida de escravidão da Lei.
A existência desses dois grupos estava gerando conflitos na igreja, e por isso Paulo faz um apelo a eles para que pudessem vivem em paz e comunhão, para isso, ele ataca a postura de ação deles falando das obras da “carne” e o “fruto” do Espírito. Os judaizantes ainda apegados a antiga aliança estavam em conflito com os que eram fiéis a Paulo, o apóstolo reitera a verdade do Evangelho pela Fé, mas repreende os cristãos maduros pela reação não guiada pelo amor e diz: Gálatas 5.6Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor.
Diante das brigas na igreja, alimentadas por sentimentos de superioridade de conhecimento ou superioridade de lugar dentro do povo de Deus, Paulo pede que o povo escolha: Gálatas 5.13-15Porque vocês, irmãos, foram chamados à liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à carne; pelo contrário, sejam servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: “Ame o seu próximo como a você mesmo.” Mas, se vocês ficam mordendo e devorando uns aos outros, tenham cuidado para que não sejam mutuamente destruídos.”
A leitura atenta aos detalhes dessa carta parece apontar para um alerta de Paulo a uma igreja em conflito, os irmãos precisavam ser pacientes uns com os outros, suportar com fé e perseverar no evangelho. Eles não poderiam fazer isso sendo guiados pela natureza corrupta do pecado, mas sendo fortalecidos na Fé, andarem no poder do Espírito, que nos ajuda a repreender o desejo da “carne”. O resultado do conflito na igreja era que eles apesar de serem resgatados por Cristo, estavam vivendo de maneira a produzir “obras da carne”.
Por isso o Apostolo diz: Gálatas 5.16–17Digo, porém, o seguinte: vivam no Espírito e vocês jamais satisfarão os desejos da carne. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito luta contra a carne, porque são opostos entre si, para que vocês não façam o que querem.
Vejam, o que a igreja precisa não é viver em conflitos internos no corpo de Cristo, mas viver buscando o Espírito para vencer o conflito interno da alma. Quando damos mais atenção as desavenças externas perdemos o foco do amor, reagimos com aspereza e guerra. Assim a Palavra de Deus trata de nos mostrar dentro desse processo como precisamos agir na vida cotidiana e comum, e hoje trataremos de uma característica específica do Fruto do Espírito, a Longanimidade ou em algumas versões, a Paciência.
A situação da igreja na Galácia nos ajuda a entender o por que do apostolo citar essa característica do Fruto, eles precisavam ser pacientes uns com os outros. A palavra usada significa literalmente, “de longo ânimo”. Ela tem um sentido duplo:
a capacidade de suportar por longo tempo qualquer oposição ou sofrimento que a vida traga e demonstrar resistência sem desejo de retaliação;
a capacidade de tolerar as fraquezas e os defeitos de outros (cristãos inclusive) e ser perseverante na caminhada, ter paciência sem se irritar com rapidez ou nos irarmos a ponto de desejarmos revidar.
Não é algo simples, e não nos ocorre naturalmente, por isso precisamos que o Espírito de Deus produza longanimidade em nossa vida. Como podemos compreender e identificar essa postura, podemos ser pacientes, mas ainda sim agir de forma errada? Para saber que estamos demonstrando o Fruto, precisamos conhecer como o Senhor expressa essa característica. Afinal, quando falamos sobre o fruto do Espírito, significa que o caráter de Deus está produzindo fruto em nosso caráter. O discipulado de Deus é a vida dEle operando em nossa vida.
No Antigo testamento Deus se revela para Moisés da seguinte forma, Êxodo 34.6O Senhor passou diante de Moisés e proclamou: — O Senhor! O Senhor Deus compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade;
Esse trecho aparece com frequência nos textos do AT, e ele descreve o que estamos nos referindo em relação ao caráter de Deus, aqui especificamente quando o Senhor se identifica como “tardio em irar-se”, é isso que é longanimidade.
Deus é paciente, e isso era tão conhecido sobre Ele, que Jonas criticou o Senhor por ser tão paciente e perdoador. Jonas ficou chateado e zangado com a qualidade que Deus havia mostrado com tanta frequência a Israel quando essa qualidade beneficiou estrangeiros odiados.
Isaías traz uma imagem mais clara sobre o conceito de paciência no caráter de Deus, no capítulo 43 ele descreve uma discussão entre Deus e Israel, na qual o Senhor diz aos israelitas que Ele não havia colocado fardo sobre eles, pelo contrário, eles é que o cansavam incessantemente com seus pecados. Isaías 43.23–24Você não me trouxe as ovelhas para os holocaustos, nem me honrou com os seus sacrifícios. Não lhe dei trabalho com ofertas de cereais, nem o cansei, pedindo incenso. Você não me comprou cana aromática, nem me satisfez com a gordura dos seus sacrifícios. Mas você me deu trabalho com os seus pecados e me cansou com as suas iniquidades.
A paciência é muito ligada ao que somos capazes de suportar ou carregar. Quando Deus é paciente, significa que Ele escolheu levar o fardo pesado do pecado humano. Algo interessante é que um dos termos hebraicos traduzidos por perdoar significa levar, carregar.
Nas palavras do comentarista Bíblico Christopher J. H. Wright, “quando diz que o Espírito de Deus produzirá paciência em nossa vida como parte de seu fruto, Paulo nos lembra de que o Deus da Bíblia é o Deus que levou sobre si nosso pecado. Ele próprio o carregou, na pessoa de seu Filho, tomando sobre os ombros o peso de sua justa ira contra todo mal e toda perversidade. Esse é o verdadeiro custo da paciência de Deus. E nos leva diretamente a Jesus.
Ao observarmos Jesus, o Deus Filho, vemos que Ele perseverou pacientemente com seus discípulos em meio as suas fraquezas e falhas. João 17.12Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste; eu os protegi e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.
Mas a verdadeira paciência suprema de Jesus foi demonstrada, evidentemente, quando ele suportou a violência, a crueldade e a injustiça da cruz. E ele o fez com o objetivo de “carregar/levar sobre si” nossos pecados, sem retaliação, mas confiando em seu Deus Pai.
O exemplo de Jesus é modelo para nossas vidas, a Palavra de Deus nos aponta essa verdade quando Pedro considera o sofrimento paciente de Jesus um modelo para nossa perseverança. 1Pedro 2.20–21 “Pois que glória há, se, pecando e sendo castigados por isso, vocês o suportam com paciência? Se, entretanto, quando praticam o bem, vocês são igualmente afligidos e o suportam com paciência, isto é agradável a Deus. Porque para isto mesmo vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando exemplo para que vocês sigam os seus passos.”
Conhecendo o caráter de Deus, e compreendendo que o Espírito Sando é o Espírito de Deus que molda nossa vida para sermos mais semelhantes a Cristo, o exemplo de Cristo se torna fundamental, pois vai nos ajudar a identificar como estamos expressando essa característica do Fruto na vida cristã.
Na vida cristã há duas direções as quais a longanimidade deve ser demonstrada, em relação ao nosso relacionamento com as ‘coisas e circunstâncias’ e com as ‘pessoas’.
Em relação as coisas e circunstâncias precisamos nos lembrar que não temos poder para mudar a maioria delas, por isso o senhor nos adverte sobre a ansiedade, que também é um reflexo da nossa falta de longanimidade com esse aspecto da vida, Filipenses 4.6–7Não fiquem preocupados com coisa alguma, mas, em tudo, sejam conhecidos diante de Deus os pedidos de vocês, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.
A longanimidade vai ser demonstrada quando buscamos a Deus para saber caminhar nos trilhos dessa jornada terrena, quando não confiamos completamente em nossas mãos, mas dependemos do auxílio do Espírito Santo de Deus para toda escolha e caminho que seguirmos. Se confiamos em Deus e na esperança de sua volta para restaurar todas as coisas, a paciência é evidente, demonstramos a paz e refletimos a alegria. Se pelo contrário agarrarmos as coisas dessa vida como esperança de satisfação, somos inundados pela ansiedade, ira e revolta, postura que afeta o próximo que está em comunhão conosco. E isso nos leva a segunda direção da qual a longanimidade deve ser demonstrada, as pessoas.
Em relação as pessoas precisamos nos lembrar que o princípio que rege nossas comunhão é o amor, isso significa que precisamos nos esforçar para suportar os outros mesmo quando nos irritam, nos incomodam ou fazem algo pior. É escolher perdoar em vez de guardar mágoa. É aprender a ser paciente, sobretudo porque temos plena consciência de nossas fraquezas. É lembrar que os outros provavelmente também têm de nos suportar!
Lembrem-se que o caráter paciente de Deus tem como evidência o perdão, pois Ele escolhe carregar o fardo que é nosso, e Paulo no capítulo 6 nos alerta sobre essa postura: Gálatas 6.1–2Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vocês, que são espirituais, restaurem essa pessoa com espírito de brandura. E que cada um tenha cuidado para que não seja também tentado. Levem as cargas uns dos outros e, assim, estarão cumprindo a lei de Cristo.
Também falou aos Colossenses 3.13Suportem-se uns aos outros e perdoem-se mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem também uns aos outros.
Tudo por que o princípio que rege nossa longanimidade é a fé em amor, Efésios 4.2com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando uns aos outros em amor,”.
Jesus morreu para que fôssemos perdoados, e isso implica que Ele quer que sejamos perdoadores, e essa disposição é um fruto de paciência, longanimidade.
Ser longânimo é amar a Deus acima de todas as coisas e resistir a qualquer situação, pois confiamos somente e unicamente nEle, mas também é amar o próximo, pacientemente suportando uns aos outros.
A longanimidade como fruto do Espírito e que é o resultado do discipulado de Deus em nossa vida, nos leva a considerar algumas coisas diariamente:
Primeiro que o Fruto do Espírito está no singular não somente por uma questão linguística, mas por uma razão teológica. As características são assim chamadas pois elas não serão demonstradas sozinhas. Se forem consideradas separadas elas estarão cheias de falhas e corrompidas, mas toda vez que uma característica é evidenciada em nossa vida ela vem com a corroboração das outras. Não podemos ser longânimos sem amor, sem ter a paz de Deus que excede todo entendimento, sem ter domínios próprio, e por assim vai.
Segundo o Fruto é resultado de Deus operando em nossa vida, ou seja, da ação do Espírito Santo em nos guiar, ensinar, consolar e convencer. Quando encontramos nEle a força para resistir a natureza pecaminosa. Quando temos uma postura ativa em buscar ser guiados por Deus como filhos amados que confiam em seu Pai.
Terceiro que precisamos constantemente nos lembrar da postura paciente de Deus para conosco, que a paciência do Senhor é perdoadora e misericordiosa. Responder a isso com amor, em obediência e dependência, nos leva a sermos longânimos.
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