Lições sobre o Diluvio
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A chave para o entendimento desta história está na compreensão do contraste entre Noé e sua geração.
Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus (Gênesis 6:9).
Que epitáfio! Noé era um homem justo. Seu caráter é descrito por apenas duas palavras: justo e íntegro. A palavra justo (do hebraico saddiq)
... é comumente usada em referência aos homens. Significa que eles se ajustam a um padrão. Uma vez que Noé se ajustava ao padrão divino, ele recebeu a aprovação de Deus. No entanto, o termo é basicamente forense. Por isso, embora haja aprovação divina, esta não implica em perfeição da parte de Noé. Implica simplesmente em que as coisas que Deus busca num homem estavam presentes na vida dele.
Sem qualquer pretensão a ser perfeito, Noé foi um homem que deu crédito à Palavra de Deus. Ele satisfez a expectativa divina para o homem, enquanto o resto da humanidade era vil.
A segunda expressão usada para Noé é “íntegro” (versículo 9). A palavra hebraica é tamim. “Uma vez que a raiz hebraica envolve a idéia de ‘completo’, é justo concluir que somente aquela vida era completa em todos os sentidos, bem estruturada e com todas as qualidades essenciais”.
Abandonando essas duas expressões técnicas, Moisés resumiu a vida de Noé escrevendo: “Noé andava com Deus” (Gênesis 6:9).
Com isso ele deu ênfase ao relacionamento entre Noé e Deus, a intimidade entre eles. Isso também reflete a continuidade daquela convivência. Era um caminhar diário, confiante.
Sem dúvida, esse relacionamento tinha como base a revelação acerca da criação do homem e da sua queda. Mais especificamente, devia incluir a promessa de redenção de Gênesis 3:15. E, com toda probabilidade, alguma outra revelação não registrada por Moisés.
Para mim, a justiça de Noé era baseada mais em sua fé em Deus do que no temor das consequências da desobediência. Pelo que sei, ele não fazia ideia do julgamento divino que ia ser infligido à terra até Deus lhe revelar pessoalmente (versículo 13 e ss). Esta revelação do derramamento da ira divina foi resultado do relacionamento direto de Noé com Deus. Se os homens tivessem sido avisados do dilúvio que estava por vir, eles poderiam muito bem ter obedecido a Deus simplesmente por medo da punição. O relacionamento entre Noé e Deus não era motivado por tal temor, mas pela fé. Fé, não medo, é o motivo bíblico para um relacionamento com Deus (embora deva haver um certo temor respeitoso).
Vamos ser bem claros quanto à justiça de Noé. Era uma justiça que veio pela fé.
Pela fé, Noé, divinamente instruído a cerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa; pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem pela fé. (Hebreus 11:70)
Não foram as obras de Noé que o preservaram do julgamento, mas a graça. “Mas Noé achou graça diante do Senhor” (Gênesis 6:8). Salvação é pela graça, mediante a fé, não por obras, mas para boas obras (Efésios 2:8-10).
Em contraste com a justiça de Noé estava a corrupção do homem: “A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida, porque todo o ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra”. (Gênesis 6:11-12)
Somente Noé era justo em seus dias. “Disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração” (Gênesis 7:1).
Por sua própria natureza, os homens eram depravados e corruptos. O que Deus determinou destruir já tinha se autodestruído. O relacionamento entre o homem e seu semelhante podia ser resumido com apenas uma palavra: “violência”.
Observe como Deus condena esse tipo de atitude:
Então, me respondeu: A iniqüidade da casa de Israel e de Judá é excessivamente grande, a terra se encheu de sangue, e a cidade, de injustiça; e eles ainda dizem: O SENHOR abandonou a terra, o SENHOR não nos vê. Também quanto a mim, os meus olhos não pouparão, nem me compadecerei; porém sobre a cabeça deles farei recair as suas obras. (Ezequiel 9:9-10)
As inclinações perversas do homem pairam sobre as chamas do inferno por causa da sugestão ou crença de que, embora Deus exista, Ele não se preocupa com o pecado, nem intervém na história humana para tratar dele. Esse tipo de pensamento é fatal.
Deus não escondeu de Noé Seus intentos. Ele lhe revelou Sua decisão de destruir a civilização perversa daquela época e de preservá-lo, bem como ao descendente por meio de quem a promessa de salvação seria cumprida. Noé recebeu a revelação de que essa destruição viria por meio de um dilúvio, e que ele e sua família seriam salvos por meio de uma arca.4
Mesmo não sendo necessário para nós o registro de todas as instruções para a construção da arca, é preciso observar que os detalhes fornecidos são específicos, até no que se refere à coleta de alimento. A arca era um barco incrível, 135 metros de comprimento, 22,5 metros de largura e 13,5 metros de altura (6:15). Ela serviria para salvar tanto o homem quanto os animais.
A Preservação do Homem e dos Animais (7:6 - 8:19)
A arca, agora completa, tendo sido construída ao longo de muitos anos de acordo com o plano divino, é ocupada ao mando de Deus (7:1) pelo homem e pelos animais. Antes do início do dilúvio, Deus fecha a porta. Imagino que se não fosse assim, Noé a teria aberto para quem depois quisesse entrar. No entanto, o dia de salvação tinha de chegar ao fim.
A fonte de água parece sobrenatural. Talvez nunca tivesse chovido (cf. 2:6). Agora a chuva era torrencial. Além disso, as “fontes do grande abismo” (7:11) foram abertas. A água, vinda de cima e de baixo, irrompe durante quarenta dias (7:12). As águas prevalecem durante 150 dias (7:24) sobre a terra, e, em seguida, diminuem ao longo de alguns meses. Cinco meses após o início do dilúvio, a arca pousa sobre o monte Ararate (8:4, cf. 7:11). Leva um tempo considerável para que elas retrocedam e o solo fique seco o suficiente para se andar sobre ele. Noé e sua família passaram pouco mais de um ano dentro da arca. Ao mando do Senhor, alegremente (tenho certeza) eles desembarcam.
O Significado do Dilúvio para as Pessoas de Todas as Épocas
Em primeiro lugar, o dilúvio é um lembrete da graça ímpar de Deus. Enquanto os incrédulos acharam julgamento, Noé achou graça (Gênesis 6:8).
Até certo ponto, todas as pessoas daquela época experimentaram a graça de Deus. Somente 120 anos após sua revelação foi que o juízo de Deus realmente caiu sobre os homens. Esse período foi uma época de graça na qual o evangelho foi proclamado.
A diferença entre Noé e quem morreu no dilúvio foi sua reação à graça de Deus. Aqueles que pereceram interpretaram a graça de Deus como indiferença divina. Eles concluíram que Deus não Se importava nem Se incomodava com o pecado dos homens.
Noé, por outro lado, entendeu a graça exatamente como ela é — uma oportunidade para ter relacionamento íntimo com Deus e, ao mesmo tempo, evitar o desprazer e o juízo divino. Os anos de Noé foram gastos andando com Deus, construindo a arca e proclamando a Sua Palavra.
A graça de Deus é claramente vista nesta promessa: “Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite” (Gênesis 8:22).
Eis a ironia da nossa época. Como nos dias de Noé, o pecador perdido vê a vida como ela é e pergunta: “Como é que Deus pode realmente existir e não fazer nada para endireitar as coisas — para dar um jeito nelas?” Ele conclui que Deus ou está morto, ou não Se importa, ou não consegue lidar com o mundo do jeito que ele é, fazendo pouco da advertência de 2 Pedro 3:8-9:
Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada, pelo contrário, Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.
Como Noé, o crente reconhece que a vida como ela se encontra é reflexo do controle soberano de um Deus gracioso sobre todas as coisas:
Pois, Nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio Dele e para Ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. (Colossenses 1:16-17)
A continuidade das coisas como elas são — dia e noite, verão e inverno, tempo de flores e tempo de frutos — faz o cristão dobrar os joelhos diante de Deus em louvor e submissão pelo Seu cuidado providencial. Os não-crentes, no entanto, distorcem essa promessa como desculpa para pecar:
Tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: Onde está a promessa de sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”. (2 Pedro 3:3-4)
Eles não reconhecem que esse tempo é concedido aos homens para arrependimento e reconciliação com Deus. No entanto, assim como o período da graça terminou nos dias de Noé, assim será para os homens hoje:
Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. (2 Pedro 3:10)
Nosso Senhor ensinou que os dias que precederão a Sua vinda para julgar a terra serão exatamente como os dias que antecederam o dilúvio:
Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem”. (Mateus 24:37-39)
Os homens dos últimos tempos estarão fazendo aquilo que sempre fizeram. Não há nada de errado em comer e beber, casar-se ou comprar e vender. Errado é fazer essas coisas sem Deus, supondo que podemos pecar como quisermos sem pagar o preço por isso. O tempo da graça chegará ao fim. Que saibamos reagir corretamente à graça de Deus.
Em segundo lugar, o dilúvio nos ensina sobre a ira de Deus. Aprendemos que, embora seja tardia, ela não falha. O juízo deve, finalmente, recair sobre aqueles que rejeitam a graça de Deus.
A fé que Noé tinha não era uma fé acadêmica — conceitual, mas uma fé ativa — uma fé prática. Ele passou 120 anos construindo aquela arca, comprometido com o Deus que ele conhecia. A nossa fé, também, precisa ser ativa.
Está escrito que Noé foi um pregador. Não creio que ele falasse com frequência por detrás de um púlpito, mas por detrás de uma tábua e de um martelo. Foi seu modo de vida que condenou os homens da sua época e os advertiu sobre o julgamento por vir. Sua vida inteira foi direcionada pela certeza de que o julgamento de Deus estava chegando.
Quem é cristão como nós sabe que nosso Senhor virá outra vez para julgar o mundo. Fico me perguntando o quanto isso tem afetado o nosso dia a dia. Será que seus vizinhos e os meus podem dizer que estamos vivendo à luz daquele dia quando haverá julgamento e salvação? Sinceramente espero que sim.
