Um livro difícil, mas extremamente importante.

Notes
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Deus trabalha na vida do seu povo de maneira muitas vezes silenciosa, mas poderosa.
Ester 1 – 10
Pr. Helton Carlos
Sermão pregado no Culto de Oração e Doutrina, 09 de janeiro de 2025, na Primeira Igreja Evangélica Congregacional, São Vicente do Seridó, Paraíba.
INTRODUÇÃO
Quem já leu o livro de Ester, quem já ouviu essa história quando era criança, ou até mesmo alguma pregação pode achar que simplesmente a história está girando em torno de Ester e Mordecai, mesmo que apareçam como personagens principais a realidade que temos diante nós é bem mais complexa, isso se dá por um dos pontos mais difíceis, que faz com que alguns estudiosos ao longo das décadas de estudo duvidem da própria canonicidade do livro, essa dificuldade está no fato de não encontrarmos o nome de Deus ou qualquer outro aspecto relacionado.
Essa questão é extremamente difícil para qualquer interprete que leve as Sagradas Escrituras a sério, entendo que o livro de Ester assim como os outros 65 livros da Bíblia é a palavra de Deus.
Entendo que uma leitura simplificada de Ester pode nos levar a entender errado este livro que é tão importante, por isso, precisamos ler a história por meio do autor da história, que não é Ester, nem Mordecai o autor dessa história é Deus e seu personagem principal é Cristo, claro que Ester trata de vários temas, que ao longo de nossas exposições serão tratadas, vários comentaristas são unanimes em entender que este livro está dando as bases para origem da festa judaica chamada Purim, ao examinarmos o livro identificaremos vários banquetes que aponta para esse tema de forma geral (Ester 1.3; 1.5; 1.9; 2.18; 5.4,5,6; 5.8; 5.12; 5.14; 7.2; 7.7; 7.8; 9.18,19; 9.22).
Primeiramente vamos dar uma pausa nessa questão dos temas e trazer alguns dados que são importantes sobre o livro, pois como já expliquei estamos trazendo uma introdução a série de exposições que faremos ao livro de Ester, por isso, que estas informações são tão importantes para nossa compreensão.
CONTEXTO HISTÓRICO
Em que época os eventos dessa narrativa estão se passando?
Os eventos do livro tiveram lugar no reinado do Rei Assuero (486 – 465 a.C.) que é mais conhecido pelo seu nome grego, Xerxes. Ele foi sucessor de Dario I Hystaspes, no começo de cujo reinado teve lugar a restauração do Templo de Jerusalém (Ag 2.1-9; Zc 7.1; 8.9).
1. Nos dias de Assuero, o Assuero que reinou, desde a Índia até à Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias, 2. naqueles dias, assentando-se o rei Assuero no trono do seu reino, que está na cidadela de Susã,
Em um quadro maior estão ligados ao contexto anterior aos fatos ocorridos no livro de Esdras e Neemias que se dá o retorno dos judeus para Jerusalém devido ao decreto do Rei Ciro que possibilitava este retorno, no entanto, vários judeus optaram por permanecer na metade oriental do império persa.
A corte de Assuero situava-se em Shushan (Susã), uma das três principais cidades na Pérsia; as outras duas eram Acmetá (a NVI traz “Ecbatana”) e Babilônia. Shushan é um nome hebraico e quer dizer “lírio”.6 O profeta Daniel passou muito tempo nessa cidade (Dn 8), e Neemias trabalhou ali após a época de Ester (Ne 1). Nessa cidade, ocorreram os fatos narrados na história de Ester, começando no ano de 483 a.C. (Xerxes subiu ao trono em 486 d.C.; o cap. 1 inicia-se no terceiro ano de seu reinado, cf. v. 3).
Nossa história se passa em Susã, sede do governo Persa, seu nome moderno é Sus, na província do Cusistão.
Data
Sempre que falamos da data de escrita de livros antigos, encontramos dificuldades devido a não haver o mesmo senso de escrita moderna que temos, no entanto, aspectos linguísticos desses escritos e obras da mesma época tem nos ajudado ter uma datação próxima dos fatos que aconteceram, como sugere Carlos Osvaldo (2014) “O fato de não haver, em Ester, qualquer traço de influência grega sugere que o livro foi escrito antes do início do período helenístico, ou seja, antes de 331 a.C., que seria um terminus ad quem conservador. A composição teria ocorrido, portanto, entre 450 e 350 a.C.”
Autoria
Assim como, temos dificuldades em relação a data também isso diz respeito a autoria, são os elementos internos e externos que são decisivos, no caso de Ester, por exemplo, Flávio Josefo historiador judeu (37 a 100 d.C.) indicou que Mordecai seria o escritor com base em Ester 9.20, “Mordecai escreveu estas coisas” já outros estudiosos pensam que Esdras e Neemias seriam bons candidatos devido a sua proximidade histórica dos eventos ocorrido em Susã.
O que se pode descobrir a respeito do autor vem do próprio livro. A atenção que ele devota à Festa de Purim e à preservação dos judeus em todo o império persa indica que ele era judeu. A ausência de menções a Jerusalém e a Judá sugere que se tratava de um judeu da Dispersão, provavelmente morador da Pérsia, o que também fica evidente em seu conhecimento detalhado de costumes persas, de práticas da corte aquemênida, bem como de seu acesso aos arquivos reais (é provável que ele tenha usado as Crônicas dos Reis Persas como uma de suas fontes, cf. Et 2.23; 6.1; e 10.2).
Personagens principais
Saber quem são os personagens e sua história, nos ajuda a compreender o conteúdo do livro, Ester, Vasti, Assuero, Hegai e tantos outros personagens importantes nesse livro, mas quero dar um exemplo de dois, para demonstrar como conhece-los é importante para compreendermos o conteúdo do livro, temos Hamã o agagita que é descendente dos amalequitas e Mordecai descendente de Quis da tribo de Benjamim, para onde essas informações estão apontando, o que nos vem a memória, se não ao personagem mais famoso da família de Quis, Saul que teve um conflito com o Rei Agage o amalequita, (1Samuel 9.1,3; 14.51) esses fatos apontam para outro conflito em Êxodo 17.8-16 e Deuteronômio 25.17-19 na forma como os amalequitas trataram os Israelitas, que aponta para uma história maior em Gênesis 3.15, os descendentes da mulher versos os descendentes da mulher, o que isso quer dizer? Que não existe um nome incidental na Escritura, eles estão ali com um propósito de comunicar algo a respeito da história de Deus.
A MENSAGEM TEOLOGICA DO LIVRO DE ESTER
Como podemos falar de um theos si no livro não encontramos nenhuma referência ao nome de Deus, o fato é si um livro está na bíblia sagrada, então ele tem alguma coisa a falar a respeito de Deus, e é isso que nos surpreendem em Ester, mesmo não estando escrito o nome de Deus, encontramos Deus em cada circunstância.
A doutrina da providência divina.
Providência é o governante poder de Deus que supervisiona a sua criação e realiza os seus planos para isso. Deus não apenas criou o universo, mas o mantém e o direciona para o cumprimento de seus propósitos. A criação e a providência pertencem juntas como dois lados da mesma moeda. Sem a criação não poderia haver providência, mas a criação dificilmente poderia se sustentar sozinha. O Deus que fez o universo também ordena e governa de acordo com sua vontade.
Encontramos essa doutrina exalando do texto bíblico, na ausência de Deus no texto bíblico encontramos a mão invisível de Deus agindo.
“e quem sabe se para conjuntura como está é que foste elevada a rainha?” (4.14)
Mais à frente temos a declaração de Zerés a esposa de Hamã
“se Mordecai, perante o qual já começaste a cair, é da descendência dos judeus, não prevalecerás contra ele; antes, certamente, cairás diante dele” (6.13)
A ascensão improvável de Ester ao favor real (cap. 2), a casual percepção de um plano assassino por Mardoqueu (cap. 2), o intervalo prolongado entre a concepção do plano e sua execução (cap. 3), a boa vontade real para Ester em uma hora crítica (cap. 5) e uma combinação inesperada de insônia real e de oportuna leitura de crônicas do reino (cap. 6), testemunham que havia a mão invisível a mover a luva da História em favor de Seu povo.
A fidelidade de Deus
Esse livro aponta para fidelidade de para com seu pacto com Abraão de preservar sua descendência A inversão da sorte, motivo comum no livro de Ester, aponta para o cumprimento de promessas abraâmicas de tratamento punitivo ou recompensador para indivíduos e/ou nações em vista do tratamento que dessem à descendência de Abraão.
A vitória de Mordecai sobre Hamã e seus companheiros aponta para fidelidade de Deus que amaldiçoaria aqueles que se levantassem contra seu povo. O Senhor preservou seu povo da aniquilação, assim como tem feito ao longo de sua existência.
Soberania Divina e responsabilidade humana
Claramente o texto enfoca as ações humanas e soberania de Deus de maneira simultânea.
Tornou, pois, Hataque e fez saber a Ester as palavras de Mordecai. Então, respondeu Ester a Hataque e mandou-lhe dizer a Mordecai: Todos os servos do rei e o povo das províncias do rei sabem que, para qualquer homem ou mulher que, sem ser chamado, entrar no pátio interior para avistar-se com o rei, não há senão uma sentença, a de morte, salvo se o rei estender para ele o cetro de ouro, para que viva; e eu, nestes trinta dias, não fui chamada para entrar ao rei. Fizeram saber a Mordecai as palavras de Ester. Então, lhes disse Mordecai que respondessem a Ester: Não imagines que, por estares na casa do rei, só tu escaparás entre todos os judeus. Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha? Então, disse Ester que respondessem a Mordecai: Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci. Então, se foi Mordecai e tudo fez segundo Ester lhe havia ordenado. 4.9-17
PORQUE LER E ESTUDAR O LIVRO DE ESTER?
Porque é a palavra de Deus.
Porque se Deus não tivesse preservado os judeus não haveria o Messias.
Porque nos ensina doutrinas que são fundamentais ao nosso cotidiano
Claramente encontramos no texto o tema do sofrimento e como os personagens lidam com isso.
Como crentes devem viver quando estão em posição de poder
Nos lembra do conflito que há entre nós e os descendentes da serpente, no qual almejam a nossa aniquilação.
Nos lembra que este mundo é um grande banquete, mas que devemos manter nossa fé.
Nos lembra que ainda não chegamos a Jerusalém, estamos peregrinando e correndo risco de vida na cidade de Susã.
Nos lembra de que servimos a um Deus que mesmo que não vejamos no nosso cotidiano milagres espetaculares como abrir o mar vermelho, ele está lá trabalhando naquilo que parece coincidência.
CONCLUSÃO
Finalmente estamos diante de um livro que foi proibido durante o nazismo, pois trazia esperança de que mesmo que pareça impossível o Senhor que governa o universo livra o seu povo, sendo assim, esse livro tem tudo a ver com a época que vivemos, pois ainda não chegamos em casa, mas a mão invisível de Deus continua nos livrando.
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