Primeira Multiplicação dos Pães
Marcos • Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 8 viewsNotes
Transcript
A Galileia viu muitos sinais operados por Jesus. A Galileia era uma região pequena, com cerca de 3.200 km², boa parte ocupada pelo Mar da Galileia. Era uma região agrícola, porém havia muitas cidades, tais como Nazaré, Cafarnaum, Tiberíades, Genesaré, Betsaida, Corazin, Magdala, Caná etc. Jesus já circulava pela Galileia há mais de um ano, faltando apenas alguns meses para terminar Seu ministério naquela região.
Após este milagre, Jesus foi em direção a Tiro e Sidon. Depois retornou a Galileia e rumou para a região de Decápolis, que ficava a leste da Galileia. Depois foi para a Judeia, e finalmente para Jerusalém, onde morreu, ressuscitou e ascendeu de volta à glória.
Nesta primeira multiplicação milagrosa, Lucas (9:10-17), Marcos (6:30-44) e João (6:5-13) falam de cinco mil homens. Mateus (14:13-21) diz que além dos cinco mil homens, havia mulheres e crianças. Provavelmente a multidão foi superior a vinte mil pessoas.
Já estava próxima a Sua ida para a Judeia, e lá Jesus não focou em grandes multidões, mas se preocupou mais em treinar os apóstolos. Portanto, este é um momento muito significativo na vida de nosso Senhor Jesus Cristo. E foi tão expressivo esse milagre, que apenas a ressurreição e a primeira multiplicação de pães e peixes foram registradas nos quatro Evangelhos. João (6:4) identifica que esse milagre ocorreu perto da Páscoa.
O impacto da primeira multiplicação foi tão estrondoso, que João (6:14-15) diz que a multidão tentou fazer de Jesus rei. Mas esse desejo que dominava a maioria da multidão era apenas por bem-estar, que implicava fartura, cura de doenças e poder para derrotar a dominação romana.
Bem, tendo dito isso, eu quero que você veja nesta cena a imagem do Deus provedor, Jeová-Jireh, que é o nome do Antigo Testamento para “o Senhor que provê”. Você vê a divindade de Cristo neste desejo de fornecer o que os homens precisam, não apenas o desejo de fornecer, mas a capacidade de fornecer. Ele é, de fato, a encarnação de Jeová-Jireh, o Senhor que provê.
Marcos 6
30 Voltaram os apóstolos à presença de Jesus e lhe relataram tudo quanto haviam feito e ensinado.
31 E ele lhes disse: Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham.
32 Então, foram sós no barco para um lugar solitário.
A primeira coisa que vemos Jesus fornecendo é descanso. Os apóstolos se reuniram com Jesus, relataram a Ele tudo o que haviam feito e ensinado. Lembre-se que Jesus os havia enviado de 2 em 2 a sair pregando e realizando sinais (Marcos 6:7). Agora, em Marcos 6:30, eles voltaram e se reuniram com Jesus para relatar tudo o que fizeram. E Jesus os chama para um lugar deserto, para que pudessem descansar.
A primeira provisão que Ele dá é uma provisão para descanso. Por Sua humanidade, Ele entende bem que precisamos descansar. Ele mesmo esteve cansado a ponto de adormecer em um barco no meio de uma tempestade (Marcos 4:38). Eles entraram no barco e se dirigiram sozinhos para um lugar isolado, para um momento de descanso. Lucas 9:10 diz que ao regressarem, os apóstolos relataram a Jesus tudo o que tinham feito, então Jesus os levou à parte para uma cidade chamada Betsaida, a cerca de 6 km de Cafarnaum, se através do Mar da Galileia, ou 13 km a pé.
O milagre da multiplicação de pães e peixes
Então, eles seguiram na direção de Betsaida para descanso e alimentação. O Senhor sabia que seria um descanso muito breve. Na verdade, quase inexistente. O único descanso que conseguiram foi no barco. As multidões eram enormes e agressivas. Era difícil fugir delas.
Mateus 14:13 diz que as pessoas vieram a pé.
João 6:2 diz que a multidão foi até lá “porque tinham visto os sinais que ele fazia na cura dos enfermos”.
A multidão queria mais sinais e emoções, era muito superficial, estava em busca de seus próprios interesses. Talvez alguém poderia pensar que Jesus recebeu aquela multidão com alguma rejeição ou desdém, mas não foi isso que aconteceu. Marcos 6:34 disse que Jesus compadeceu-se dela e passou a lhe ensinar muitas coisa. E Lucas registra:
[Jesus] Acolhendo-as, falava-lhes a respeito do reino de Deus e socorria os que tinham necessidade de cura. (Lucas 9:11)
Essa é uma longa lição. Ele, literalmente, começou a instrução do Reino. Ele pode ter repetido as bem-aventuranças, chamou-os ao arrependimento, a crer Nele como o Filho de Deus, o Messias. Ele os chamou para entrar no Reino pela fé Nele, para receber o perdão dos pecados, a vida eterna.
Por que Ele fez isso? Marcos 6:34 diz que Jesus viu aquela multidão como ovelhas sem pastor.
Essa é uma imagem muito dramática. A criação de ovelhas era muito comum em Israel. Todos sabiam que ovelhas sem pastor morrem. Sem o pastor, as ovelhas não podem se alimentar, beber e se proteger. Alguém tem que cuidar delas, conduzi-las para um lugar seguro.
No Antigo Testamento, muitas vezes Deus retratou Israel como ovelhas sem pastor (Números 27:17; 1 Reis 22:17; Ezequiel 34: 5). E muitas vezes, Deus, o verdadeiro Pastor, quis prover Israel. Ele queria proteger, abrigar, ensinar, limpar e nutrir espiritualmente, mas a nação dava ouvido aos falsos pastores.
Jesus havia provido descanso para os apóstolos, nutria espiritualmente a multidão sem pastor e curava suas enfermidades. Mateus 14:14 diz “Jesus viu uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos”. O texto original grego tem o sentido de que Jesus moveu-se de compaixão pela dor e pela alma daquelas pessoas. Ele se compadeceu dos sofrimentos e também pela tragédia espiritual daquela multidão.
Marcos 6
35 Em declinando a tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: É deserto este lugar, e já avançada a hora;
36 despede-os para que, passando pelos campos ao redor e pelas aldeias, comprem para si o que comer.
Agora chegamos à provisão de alimentos. Primeiro, Jesus havia provido descanso, depois alimentos espiritual, depois a cura e agora o alimento para o corpo.
Os discípulos alertaram Jesus de que aquela multidão de mais de 20 mil pessoas precisava se alimentar e que não havia alimentos naquele lugar isolado. Eles sugeriram que Jesus despedisse a multidão, para que todos fossem embora em busca de alimentação.
Mas o Senhor não procedeu assim. Ele alimentou a todos eles. Esse é o testemunho mais excepcional da graça comum no registro do Evangelho. Quando falamos sobre graça comum, estamos falando sobre a bondade de Deus que se manifesta a todos os homens, salvos e não salvos, sem discriminação.
O Senhor faz o sol brilhar sobre justos e injustos, e a chuva cair sobre justos e injustos. Tudo de que o homem usufrui na Terra é resultado da criação de Deus, mesmo que a maioria O rejeite.
A graça comum foi ali manifesta àquela multidão. Jesus alimentou a todos, ensinou a todos e curou a todos, sem discriminação. Mas Sua disposição de dar o alimento físico foi apenas uma demonstração de que Ele também pode conceder o alimento espiritual. No dia seguinte, Ele disse àquela mesma multidão: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (João 6:35).
E então, Jesus, surpreendentemente, responde aos discípulos:
Marcos 6
37 Porém ele lhes respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer. Disseram-lhe: Iremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?
38 E ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver! E, sabendo-o eles, responderam: Cinco pães e dois peixes.
A resposta de Jesus é muito surpreendente: “Dê-lhes de comer”. Os discípulos não puderam entender isso.
§ Em Lucas 9:13, eles dizem: “Temos apenas cinco pães e dois peixes — a menos que compremos alimento para toda esta multidão”.
§ Em João 6:5-7, Felipe pergunta a Jesus: “Onde compraremos alimentos para essa multidão? E exclama: “Duzentos denários não comprariam pão suficiente para que cada um receba um pedaço!”
§ Em João 6:9, André questiona: “Aqui está um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas o que é isto para tanta gente?”
Eles simplesmente não conseguiram encontrar qualquer solução para que aquela multidão fosse alimentada.
§ Em Marcos 6:38, Jesus pergunta: “Quantos pães tendes?”. Eles respondem: “cinco pães e dois peixes”.
Marcos 6
39 Então, Jesus lhes ordenou que todos se assentassem, em grupos, sobre a relva verde.
40 E o fizeram, repartindo-se em grupos de cem em cem e de cinquenta em cinquenta.
Jesus ordenou aos discípulos que aquela multidão caótica deveria ser organizada. Todos deveriam se assentar na grama, em grupos de cinquenta ou de cem pessoas, para que o alimento fosse distribuído a todos. A multidão e os discípulos certamente ficaram perplexos, não entenderam o motivo daquela ordem de Jesus. A incredulidade impedia a todos de anteverem o que o poder de Deus poderia fazer ali.
Marcos 6
41 Tomando ele os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou; e, partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem; e por todos repartiu também os dois peixes.
42 Todos comeram e se fartaram;
43 e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe.
44 Os que comeram dos pães eram cinco mil homens.
Jesus pegou os cinco pães e dois peixes, ergueu Seus olhos ao céu e abençoou a provisão que Deus havia dado. E a distribuição foi feita. Todos comeram e se fartaram. Eles nunca haviam visto nada parecido. Foi algo além da compreensão humana! Se não bastasse, sobraram doze cestos cheios com os pedaços de pães e peixes.
Jesus ali mostrou ser Jeová-Jiré, o Deus provedor. Todos ali contemplaram o poder divino, o poder da criação, a compaixão divina demonstrada no mundo físico como um símbolo do que Ele queria fazer no mundo espiritual. Eles estavam vendo o controle divino, sem desperdício, atendendo a todas as necessidades. A multidão começou a dizer: “Sem dúvida este é o Profeta que devia vir ao mundo” (João 6:14). Uma referência à profecia messiânica de Deuteronômio 18:15.
Houve um despertar espiritual naquela multidão? Não. Depois de comerem e articularem para proclamar Jesus como rei para satisfazer seus próprios interesses, Jesus se afastou deles, e, então, todos se dispersaram. Jesus e os discípulos voltaram em seu barquinho para Cafarnaum (João 6:13-15). Mas a multidão não desistiu. (João 6:24-27)
A multidão estava lá novamente, ansiosa por mais dádivas. Mas, Jesus queria agora deixar de atender apenas às suas necessidades físicas e chegar à dimensão espiritual. Ele disse:
§ Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna (João 6:27)
§ O Pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo (João 6:33)
§ Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede (João 6:35)
A multidão ficou perplexa, e disse:
Não é este Jesus, o filho de José? Acaso, não lhe conhecemos o pai e a mãe? Como, pois, agora diz: Desci do céu? (João 6:41,42)
Jesus, ouvindo a murmuração, respondeu:
Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. (João 6:48-51)
Porém, a multidão não estava interessada nisso.
Muitos dos Seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Por causa disso, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido. À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele (João 6:56, 65-66)
A multidão ficou escandalizada com as palavras de Jesus e O abandonou. E junto com ela, muitos discípulos de Jesus também foram embora. Jesus, então, interpela os apóstolos: “Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?” (João 6:67). E Pedro responde:
Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus (João 6:68,69)
Jesus ainda os alertou que no meio deles havia um traidor, referindo-se a Judas (João 6:70-71). E Esse é o fim da história da primeira multiplicação de pães e peixes. Esse milagre não criou um despertar espiritual na Galileia. Jesus proferiu duro juízo contra Corazim, Betsaida e Cafarnaum (Mateus 11:21-23), que viram sinais, como esse, e O rejeitaram.
Eles eram o tipo de pessoas que fazem uma espécie de adesão ao evangelho em busca de seus interesses pessoais.
