A HERANÇA DE DEUS PARA TRIBO DE JOSÉ
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INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Irmãos, certamente em algum momento da vida nós fomos frustrados com promessas feitas que nunca foram cumpridas. E um fato histórico que exemplifica isso, é que durante o Mandato Britânico na Palestina (1917-1948), o governo britânico fez promessas contraditórias sobre conceder terras, tanto aos judeus quanto aos árabes, mas não cumpriu plenamente essas promessas. Em uma das declarações de 1917 , foi prometido apoio à criação de um "lar nacional" judeu na Palestina, enquanto os britânicos também garantiram aos árabes a independência e soberania sobre a região, caso apoiassem os aliados durante a Primeira Guerra Mundial. No entanto, após o fim da guerra, as políticas britânicas geraram frustração e conflito, já que tais promessas de terras para ambos os lados não foram cumpridas de maneira justa. Esse fracasso em cumprir promessas de terras contrasta com a fidelidade de Deus, em Josué 16, pois Deus cumpriu a promessa feita aos israelitas. Deus, ao longo da história, tem mostrado ser fiel em entregar a herança prometida ao seu povo, e em Josué, Ele cumpre sua palavra ao dar à tribo de José a terra que lhes foi destinada, a herança que Deus havia prometido.
É isso que veremos na noite de hoje em Josué 16, com base no tema “A Herança de Deus para a Tribo de José". Observaremos três lições importantes no texto. E a primeira lição é sobre a provisão generosa de Deus nos versos de 1-4.
I. A PROVISÃO GENEROSA DE DEUS (16.1-4)
I. A PROVISÃO GENEROSA DE DEUS (16.1-4)
Embora os capítulos 16 e 17 estejam separados, de certa forma eles estão interligados pelo que podemos observar no início do texto, pois ambos os capítulos descrevem a fronteira ao sul de todo o território das tribos de José, tanto a sorte de Efraim quanto de Manassés. No entanto, é destacado somente no início do texto a relação geral das duas tribos juntas Efraim e Manassés (1-4). Nos versos 5-10 observamos os detalhes da porção generosa de Deus à Efraim e as consequências da desobediência de não ter expulsado os Cananeus. Somente no capítulo 17, vemos os detalhes da porção de Manassés.
Quando a Bíblia fala que "saiu a sorte dos filhos de José", isso se refere ao momento em que a divisão das terras foi feita por meio de um sorteio, possivelmente com uma urna. A casa de José, que inclui as tribos de Efraim e Manassés, é tratada como uma unidade, como vemos nos versículos 4 e 17.14, o que está em harmonia com o que é relatado em Gênesis 48, onde José abençoa seus filhos, destacando a unidade da família e o cumprimento das promessas de Deus a Israel.
A fronteira do sul do território de José se sobrepunha à fronteira do norte de Benjamim, revelando como as divisões eram complexas. Embora algumas cidades mencionadas em Benjamim não apareçam na lista de José, podemos ver que a Bíblia apresenta uma lista mais simplificada para José, talvez porque seu território era maior. A menção de cidades como Bete-Horom de cima (v. 5), que não aparecem nas fronteiras de Judá ou Benjamim, nos lembra que, embora o plano de Deus seja claro, a forma como Ele revela esses planos pode ser diferente para cada tribo.
Além disso, o texto descreve detalhadamente a fronteira sul de José, que começava no Jordão, em Jericó. A fronteira de Judá também começava nesse ponto, mas seguia mais ao sul, perto do mar Morto, enquanto a de Benjamim fazia uma pequena faixa ao leste, perto de Jericó. A tribo de Efraim, um dos filhos de José, passava ao norte de Jericó e se estendia até as águas de Jericó. Esses lugares não são apenas marcos geográficos, mas também lembranças da presença constante de Deus, guiando e sustentando Seu povo em cada momento.
O deserto, que aparece ao longo dessa fronteira, é descrito como um lugar difícil, mas também onde Deus cuida e orienta Seu povo. Esse deserto, chamado de deserto de Bete-Áven, simboliza as dificuldades da vida, mas também o cuidado de Deus, que nunca nos abandona, mesmo nos momentos mais difíceis.
Já a fronteira segue de Betel até Luz, duas cidades que, à primeira vista, podem parecer diferentes, mas que têm uma conexão muito importante. A mudança do nome de Luz para Betel nos faz lembrar de um momento na vida de Jacó, quando, fugindo de seu irmão, teve uma experiência com Deus e deu àquele lugar o nome de Betel, que significa "Casa de Deus". Isso nos ensina que, embora lugares e nomes mudem ao longo da história, as promessas de Deus e Sua presença permanecem inalteradas.
A partir de Luz, a fronteira passa pelo território dos arquitas, um povo quase desconhecido, mas que teve seu papel em momentos específicos da história. A menção de Atarote, outro local da fronteira, nos mostra que até as pequenas e aparentemente esquecidas partes da história são valiosas para Deus. Ele se importa com cada detalhe, e até mesmo com aqueles que podem não ser conhecidos ou destacados.
A fronteira segue para o oeste, até o território de Jaflete, um povo mencionado apenas neste trecho. Depois, a fronteira passa por Bete-Horom e Gezer, cidades que tiveram um papel importante na história de Israel. Gezer, especificamente, marcava o limite da fronteira ao sudoeste, e a linha terminava no mar Mediterrâneo, representando o ponto final da conquista de Israel.
É interessante que, enquanto a ordem de Manassés e Efraim, filhos de José, aparece em outros momentos da Bíblia, aqui vemos a ordem invertida, o que pode causar confusão. Mas essa mudança nos lembra que Deus é soberano. Ele tem o controle de todas as coisas e organiza tudo segundo Sua vontade. Mesmo quando não entendemos, podemos confiar que Ele sempre sabe o que está fazendo. A prioridade dada a Efraim, o segundo filho de José, nos ensina que Deus age de acordo com Seu plano, e devemos confiar plenamente nele.
Ao refletirmos sobre essas fronteiras e cidades, vemos que, embora pareçam ser apenas detalhes geográficos, há muito mais por trás disso. Cada cidade, cada fronteira, é um lembrete da presença de Deus, que nunca abandona o Seu povo. Ele é fiel às Suas promessas, e assim como Ele guiou as tribos de Israel, Ele nos guia também. Em nossa vida, podemos confiar que Deus tem um plano perfeito, mesmo quando não entendemos os detalhes. Ele é soberano e está no controle de tudo. Quando passamos por momentos difíceis, podemos lembrar que, assim como Deus guiou Israel no deserto, Ele também nos guia em nossas dificuldades. Podemos descansar na certeza de que Ele nunca nos deixará sozinhos e que Suas promessas são eternas e muito maiores que territórios geográficos.
Em segundo lugar, após observarmos a provisão generosa de Deus, podemos ver os detalhes da herança de Efraim, o recebimento da provisão de Deus dos versos 5-9.
II. O RECEBIMENTO DA PROVISÃO DE DEUS (16.5-9)
II. O RECEBIMENTO DA PROVISÃO DE DEUS (16.5-9)
Irmãos, o capítulo 17 de Josué nos mostra como as terras foram divididas entre as tribos de Efraim e Manassés. A herança de Efraim é descrita de forma mais detalhada, enquanto a de Manassés é chamada de "sorte" (v. 1). A divisão dessas terras foi feita com muito cuidado, e a descrição começa pela fronteira ao sul, que já foi mencionada nos versos 1–3. Nessa região, dois pontos são destacados: Atarote-Adar, que pode ser a mesma cidade mencionada como Atarote (v. 2), e Bete-Horom de cima (cf. v. 3; 10.11). Esses locais são importantes porque nos mostram como Deus planejou a divisão das terras para Seu povo, revelando Seu cuidado em cada detalhe.
A fronteira ao sul de Efraim segue de forma bem detalhada. No versículo 6, há uma dúvida sobre a direção da fronteira. A palavra pode significar tanto “rumo ao oeste” quanto “em direção ao mar”. Em Canaã, essas duas direções eram muito parecidas, mas, o mais importante, é perceber que Deus tinha um plano claro para as terras e para o Seu povo. O ponto de partida dessa fronteira é a cidade de Micmetate, que ficava ao norte de Efraim, perto de Siquém, embora a localização exata dessa cidade ainda seja debatida. A partir de Micmetate, a fronteira de Efraim se estende tanto para o leste quanto para o oeste, com a região leste indo até Taanate-Siló e Janoa.
A fronteira também segue para o sudeste, indo de Janoa até Atarote e Naarate. Jericó, que ficava na área de Benjamim (não em Efraim), é mencionada no caminho, antes da fronteira terminar no rio Jordão, marcando o limite da herança de Efraim.
A segunda parte da descrição foca na fronteira ocidental de Efraim, começando com a cidade de Tapua. A fronteira segue de Tapua em direção ao oeste, até o ribeiro de Caná, e termina no mar Mediterrâneo. Essa grande extensão mostra como a herança de Efraim era ampla e abençoada por Deus.
A descrição das fronteiras termina afirmando que essas terras formam a verdadeira herança de Efraim (v. 5b; 13.23, 28). No entanto, o texto também menciona que algumas cidades foram separadas para os efraimitas dentro da herança dos manassitas. Isso pode refletir o privilégio dado a Efraim por Jacó, quando ele abençoou os filhos de José em Gênesis 48, colocando Efraim à frente de Manassés. Interessante também é observar que, em Josué 17.11, algumas cidades foram dadas a Manassés nas terras de Issacar e Aser, mostrando que a distribuição das bênçãos de Deus segue Seu plano soberano, com detalhes que muitas vezes não compreendemos.
Esses detalhes sobre as fronteiras de Efraim e Manassés, embora pareçam apenas informações geográficas, assim como já vimos na demarcação da herança dos versos 1-4, trazem lições importantes para nós. Primeiramente, vemos que Deus se importa com os detalhes da nossa vida. Ele tem um plano claro para todos os aspectos da nossa jornada e nos guia com precisão. Mesmo que não compreendamos todos os passos de Seu plano, podemos confiar que Ele sabe o que está fazendo.
Além disso, a separação de cidades para Efraim dentro da herança de Manassés nos ensina a confiar nas bênçãos que Deus tem para nós, sem nos compararmos com os outros. Deus dá a cada um conforme Seu propósito, e podemos ter certeza de que o que Ele nos dá é o melhor para nós. Como as tribos de Israel, devemos viver com confiança na soberania de Deus, sabendo que Ele está no controle de tudo e que Sua direção é sempre perfeita.
A terceira e última lição irmãos, está presente no versículo de número 10, acerca da consequência da desobediência a Deus.
III. A CONSEQUÊNCIA DA DESOBEDIÊNCIA A DEUS (16.10)
III. A CONSEQUÊNCIA DA DESOBEDIÊNCIA A DEUS (16.10)
O capítulo 16 de Josué nos lembra de uma importante lição sobre a obediência a Deus. Aqui, vemos que, assim como aconteceu com Judá (15.63), Efraim também não conseguiu expulsar completamente os habitantes da terra que Deus havia prometido a Seu povo. A razão dessa falha é provavelmente semelhante à de Judá: a desobediência a uma instrução clara dada por Deus. Em Deuteronômio 7.1-5, Deus havia ordenado que o povo de Israel destruísse completamente as nações que habitavam em Canaã, a fim de que não fossem levados a adorar outros deuses ou a cair em práticas idólatras. O fracasso em seguir essa ordem traria sérias consequências para o povo de Deus.
No caso de Efraim, a cidade de Gezer é mencionada. Embora a cidade tenha sido inicialmente derrotada por Josué (10.33), ela não foi completamente tomada. O rei de Gezer conseguiu manter a independência, e a cidade permaneceu nas mãos dos cananeus. Isso nos mostra como, ao não cumprir completamente a vontade de Deus, mesmo uma vitória inicial pode ser comprometedora a longo prazo. Gezer estava situada no extremo sul de Efraim, cerca de 29 quilômetros a oeste de Jerusalém, e, mais tarde, na época do rei Salomão, foi incorporada ao reino de Israel (1Rs 9.16-17). Isso sugere que a observação sobre a falha de Efraim pode estar relacionada ao contexto histórico da época em que o livro de Josué foi escrito, refletindo as consequências dessa desobediência que se estenderiam por gerações.
A desobediência de Efraim ao não expulsar os cananeus de Gezer serve como um alerta para nós hoje. Deus não apenas dá promessas, mas também exige que obedeçamos de maneira completa, sem deixar brechas para que o mal se infiltre em nossas vidas. Quando não obedecemos totalmente, as consequências podem se manifestar de formas inesperadas, afetando até as gerações seguintes. A falha de Efraim em expulsar os cananeus não era apenas um erro geográfico, mas um reflexo de sua falta de compromisso com a plena obediência a Deus.
Em nosso dia a dia, também podemos falhar em obedecer completamente a Deus. Muitas vezes, cedemos em áreas pequenas, pensando que não fazem diferença, mas elas podem gerar grandes consequências. O Novo Testamento nos ensina sobre a importância da obediência. Em Mateus 7.24-27, Jesus nos fala sobre a casa construída sobre a rocha, que simboliza aquele que ouve e pratica Suas palavras. Assim como Efraim foi desafiado a expelir o mal de sua terra, nós também somos chamados a afastar as influências que podem nos afastar de Deus.
Portanto, aprendemos com a história de Efraim que a obediência a Deus não é negociável e que, ao negligenciarmos Suas ordens, nos colocamos em risco de viver consequências que podem afetar não só a nossa vida, mas também a de nossos filhos e comunidade. O convite é claro: busquemos a obediência total a Deus, sabendo que Ele sempre tem o melhor para nós.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Em Josué 16, vemos como Deus cumpriu sua promessa de dar a terra à tribo de José, demonstrando sua fidelidade e providência generosa para com o povo. Contudo, a falha de Efraim em expulsar completamente os Cananeus traz à tona a séria consequência da desobediência. A desobediência de Efraim ao não seguir a ordem de Deus reflete a necessidade de uma obediência total e sem reservas. Essa história nos aponta para Cristo, pois Ele é a verdadeira herança de Deus, a promessa cumprida e a resposta à nossa falha em obedecer. Em Cristo, temos a promessa de uma herança eterna, mas somos desafiados a viver de acordo com essa chamada, obedecendo completamente a Deus.
Essa passagem é um lembrete de que devemos viver de forma íntegra, sem comprometer os princípios de Deus, e obedecer de todo o coração. Não podemos deixar brechas para que o mal se infiltre em nossa vida. Devemos buscar, com a ajuda de Cristo, uma vida de obediência fiel, sabendo que Ele nos guia e nos fortalece para cumprir Sua vontade. Como Jesus nos ensina em Mateus 7.24-27, a obediência é a base de uma vida segura, construída sobre a rocha sólida que é Cristo.
