DECIDA AMAR
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Transcript
INTRODUÇÃO
Você já parou pra se perguntar o que é o amor?
Todos os dias somos bombardeados pela sociedade, pela mídia e pelos meios de comunicação com definições antibíblicas do que é amar e do que é amor e talvez o nosso coração esteja pendendo a crer que amor é aquilo que a cultura humana caída reproduz.
Vejam, em um mundo que jaz no maligno (em que o pecado domina a raça humana) a concepção de amor será caída e pecaminosa. Às vezes, as pessoas até têm vislumbres ou pensamentos que se aproximam à definição bíblica do que é amor, porque a Graça Comum de Deus é derramada sobre todos, mas precisamos de um toque do próprio Cristo em nós para entendermos o que é amor segundo Deus.
Existe uma música muito conhecida no cenário artístico de nosso país, que inicia a primeira estrofe com a seguinte pergunta: “quanto tempo o coração leva pra saber que o sinônimo de amar é sofrer?”
Apesar de ser uma frase interrogativa direta (pergunta direta e clara), contém uma afirmação implícita na parte "o sinônimo de amar é sofrer".
Sou obrigado a concordar com os compositores nessa afirmação (“o sinônimo de amar é sofrer"), porém, concordo deles por motivos distintos.
Entendam que Deus é o Senhor de todas as coisas e, até mesmo de uma poesia ou canção de alguém que não serve a Ele, podemos encontrar verdades - vamos tratar disso na próxima EBD sobre Graça Comum.
Se você continua seguindo a letra dessa canção perceberá que, para os compositores, o sofrimento do amor vem de um coração partido por uma mulher, o sofrimento vem da busca em encontrar um “verdadeiro amor” numa companheira, etc; como o compositor não encontra o “verdadeiro amor” em uma mulher, amar é sinônimo de sofrimento.
Eu não creio que o amor é sofrido por conta de uma “paixonite” não correspondida. Eu creio naquilo que a Bíblia nos relata.
Amor não é um sentimento floreado que entra instantaneamente em nosso coração; amor é uma decisão. Nós somos comissionados por Deus a amar.
AMOR (ἀγάπη) é sacrificial – amar e sujeitar-se ao outro, a ponto de sacrificar suas vontades (e sua própria vida) - abnegação, sujeição, mansidão, etc.
Amar é sofrer, pois, como pecadores, nós não queremos amar, ou seja, nós não queremos sacrificar as nossas vontades em favor do outro.
Mas, como disse antes, nós somos comissionados por Deus a amar.
O tema desta noite é “DECIDA AMAR”.
2. CONTEXTUALIZAÇÃO
E vamos tratar desse tema com uma passagem muito conhecida da primeira epístola do apóstolo João.
Embora não haja uma assinatura, esta carta que lemos é atribuída ao apóstolo João (chamado por muitos do apóstolo do amor), principalmente pelas semelhanças de forma, exposição e escrita.
Estudiosos datam esta carta sendo do final do primeiro século (entre 85 e 95 d.C.), em Éfeso.
Ainda que não tenhamos evidentemente quem é o público original desta carta (e das demais), conseguimos identificar que é para cristãos de uma igreja plantada, que sofriam com os falsos ensinos sobre Cristo, pecado e filosofia.
Os cristãos da época, talvez primeira, segunda e até terceira geração, tinham provado e vivido as maravilhas dos ensinamentos do próprio Cristo, dos apóstolos e o início da Igreja Primitiva. Porém, muitos imaginavam que a volta de Jesus seria iminente (breve) e, com o passar dos anos sem a volta de Jesus, muitos crentes foram desanimando e vivendo o cristianismo como hábito – morno, formal, nominal, etc.
Esse “testamento de João”, como muitos estudiosos chamam, são instruções e admoestações para “dar um gás” nesses cristãos e para que entendessem que a vida aqui é para Deus e, ainda que Jesus não voltasse iminentemente, o propósito e os ensinamentos dEle deveriam ser vividos. Ainda, João queria instruir os cristãos sobre falsas doutrinas que estavam assolando a Igreja.
Nesta primeira epístola, João afirma que as marcas do cristianismo genuíno são crer em Cristo e amar a seu irmão (1 João, 3:23), isto implica em dizermos que não existe cristianismo sem AMOR.
O amor é o centro determinante de toda a existência Cristã. É o amor bíblico e genuíno que daria forças para a Igreja enfrentar as perseguições e não sucumbir.
O texto que lemos é o ponto alto da carta, quando João demonstra a essência de Deus e a essência de uma vida cristã condizente com Deus.
João diz aos irmãos do primeiro século DECIDAM AMAR e, da mesma forma, nos diz essa noite DECIDAM AMAR.
3. DESENVOLVIMENTO
Embasado na perícope que lemos, seguindo o tema “DECIDA AMAR", trago a proposição/ verdade teológica AS RAZÕES QUE NOS LEVAM A DECIDIR AMAR.
I. Porque o Amor procede de Deus (vers. 7-8)
Deus é amor. Todo amor procede de Deus. A essência de Deus é o amor. A afirmação é que, fora de Deus, não existe amor verdadeiro.
João está estimulando ao povo que dê prosseguimento ao amor, ou seja, decidam amar diariamente por toda a sua vida, porque o amor procede de Deus.
João não está falando da “paixonite” que logo se apaga, mas está falando de um verdadeiro amor que nos faz darmos a nossa vida em favor do nosso próximo.
E esse amor sacrificial e verdadeiro não é uma possibilidade humana, não provém do homem e nem daquilo que o homem possa construir, mas é uma amor “a partir de Deus”. Isso implica dizer que só conseguimos viver o amor genuíno quando somos transformados por Cristo.
O amor tem início em Deus é derramado na Igreja para que demonstremos o amor genuíno. Deus é tão grande e incomparável, não conseguimos mensurar a Sua grandeza, porém Deus também é relacional e nos revela alguns de Seus atributos; um destes atributos comunicáveis é o amor. Então Deus comunica conosco o amor verdadeiro.
A marca característica do crente, salvo em Cristo, é o amor que Deus revelou. A forma como nós devemos ser vistos pelo mundo afora é pelo amor. O amor expresso por cada filho de Deus é a luz dEle brilhando no mundo.
João traz uma alerta dura dizendo que quem não ama, não conhece a Deus. Isto implica dizer que se eu falo que conheço a Deus, mas não amo, então eu não conheço a Deus.
Muitos gnósticos (explicar brevemente) se achavam superiores aos cristãos da Igreja Primitiva e afirmavam “ter o conhecimento de Deus". João quebra essa afirmação mentirosa desses gnósticos dizendo que, se eles não amassem, eles não conheciam a Deus.
O comentarista bíblico Simon J. Kistemaker diz que “o amor e o conhecimento de Deus são dois lados da mesma moeda", ou seja, se não amamos, não conhecemos a Deus.
O amor é a essência de Deus e procede de Deus, por isso, aquele que diz conhecer a Deus, deve amar.
Nós decidimos amar não por nossas próprias forças, não para alcançar sucesso e nem mesmo por sermos bons, mas nós decidimos amar, porque entendemos que o amor procede de Deus, porque Deus é amor e porque só conheceremos a Deus se amarmos verdadeiramente.
Por mais bonito que seja o nosso discurso, se não vivermos o amor, não conhecemos a Deus.
A sociedade e a cultura pregam que o amor é individual, o amor é egocêntrico, o amor é plural, mas a palavra de Deus nos informa que o amor verdadeiro procede de Deus, na medida em que sacrificialmente amamos uns aos outros.
Por isso que eu, particularmente, discordo da motivação da afirmação “o sinônimo de amar é sofrer"; amor é sofrido, pois eu abdico a minha própria vontade para submeter à vontade de Deus e do meu semelhante; amor é sofrimento, pois a minha carne pecaminosa não quer amar os meus inimigos; amar é sofrer, pois queremos viver segundo a nossa própria vontade, sem conhecer a Deus, mas não devemos.
O amor é “a partir de” Deus, procede de Deus, se não amamos, não conhecemos verdadeiramente a Deus.
Quando Deus nos encontra, nesse momento encontramos verdadeiramente o amor. Quer viver o amor verdadeiro? Somente em Deus.
A primeira razão que nos leva a decidir amar é porque o amor procede de Deus.
II. Porque Deus nos Amou Primeiro (vers. 9-10)
Antes de amarmos a Deus, Ele nos amou primeiro.
O amor dEle por nós se manifestou no plano eterno quando separou Jesus para morrer por nós; e quando Jesus se tornou carne, habitou entre nós e morreu a nossa morte, esse amor foi manifesto. O amor de Deus por nós foi manifesto de forma plena no fatídico momento em que Cristo expirou naquela cruz.
O amor verdadeiro é sacrificial - é um amor que doa ou dá. Deus, para provar que a Sua essência e compartilhar conosco o amor verdadeiro, dá seu Filho unigênito para morrer em nosso lugar.
Antes mesmo de sermos formados no ventre de nossa mãe biológica, Deus já havia nos amado, pois já havia dado Jesus para morrer em nosso lugar.
Jesus é a prova visível que Deus ama os seus filhos.
Nós não merecemos nenhum tipo de graça ou misericórdia, porque nós somos pecadores caídos; mas Deus nos amou, antes mesmo que nós pudéssemos existir, entregando Seu único Filho para morrer pelos nossos pecados. É uma graça imerecida. O amor de Deus é impossível de imaginar, de contar ou de mensurar; o amor de Deus é sem limites. Apesar de Deus comunicar a Sua essência de amor, nós não conseguimos mensurar a grandeza desse amor.
O amor humano é uma resposta ao amor de Deus. Ora, Deus nos amou primeiro e nos mostrou o que é o amor, para que também praticássemos esse amor mutuamente. O amor não é produto do nosso coração humano, mas é uma resposta ao amor de Deus - Deus se comunica através do amor e, em resposta à isso, amamos.
Charles H. Dodd diz belamente: "A energia do amor se descarrega seguindo as linhas de um triângulo, cujos vértices são Deus, a própria pessoa e o próximo".
O apóstolo João sempre traz uma questão negativa e depois uma positiva, como contraponto - assim faz ao dizer: "10 Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.”
O amor de Deus é uma atitude monérgica, ou seja, de Deus para nós. E esse amor nos livra da condenação eterna.
Deus enviou Jesus, ainda que não merecêssemos, a fim de que vivêssemos nossos dias na Terra por Ele e para que gozássemos a eternidade com Ele.
O homem pecou, estava desgarrado e a única recompensa era a morte eterna - a condenação. Mas Deus nos amou, antes mesmo de nascermos, entregando Jesus para morrer pelos nossos pecados e nos conceder a vida eterna.
Não existe maior prova de amor.
Vejam, o amor é sofredor sim, mas pelas causas reais. O amor é sacrificial ao ponto de propiciar a morte de Jesus na cruz como remissão dos nossos pecados.
Amar é sofrer, porém o sofrimento que gera vida; o sofrimento que gera salvação; o sofrimento que gera esperança.
Por isso, a motivação do amor sofredor da música - e que está enraizado na nossa cultura - não é um amor genuíno; o amor sofre simplesmente por não conseguir a mulher amada. O amor sofredor de Deus entrega Jesus como expiação para os nossos pecados. O amor sofredor de Deus não olha para os nossos pecados, mas propicia a purificação, em Cristo. O amor sofredor de Deus, ainda que estivéssemos desgarrados dEle, nos chama pela morte de cruz.
E a nossa resposta a esse amor tão profundo é amar. Nosso amor é a ação esperada após recebermos o amor de Deus. Ame sacrificialmente, porque, antes de tudo, Deus nos amou sacrificialmente e comunicou esse amor verdadeiro através de Cristo.
Deus não precisava, mas Ele toma uma iniciativa drástica, a fim de nos salvar e perdoar, enviando Jesus para morrer em nosso lugar.
A segunda razão que nos leva a decidir amar é porque Deus nos amou primeiro.
III. Porque é um Mandamento (vers. 10)
O apóstolo João enfatiza que o amor é um mandamento de Deus - e mandamento é um imperativo de Deus aos homens para seu cumprimento.
Todo princípio cristão consiste em uma dádiva e uma responsabilidade - um indicativo e um imperativo.
A dádiva é que Deus nos amou e a responsabilidade é que também amemos.
Aquele que experimenta o amor de Deus, deve amar.
Não há como dizer que somos cristãos, que conhecemos a Deus ou que vivemos por Ele, se não amarmos.
Nós nos tornamos devedores do amor de Deus, a partir do momento em que experimentamos - devedores no sentido de que temos de pagar ou cumpri esse amor compartilhado conosco, amando.
Deus nos dá um mandamento com uma obrigação moral. Somos recebedores do amor de Deus e, em troca, somos comissionados a amar.
Se Deus nos ama, nós devemos amar uns aos outros, com vistas à eternidade e ao destino que nos foi presenteado.
João nos ensina que a única forma de provar que amamos a Deus é amar os homens, aos quais Deus também ama. A única maneira de comprovar que Deus está em nossos corações, é mostrar constantemente em nossas vidas o amor aos homens.
Mas não se iluda - o fato de amarmos e cumprirmos o mandamento de Deus não nos torna melhores que ninguém. Por mais que amemos e nos sacrifiquemos pelos nossos irmãos, continuamos sendo devedores do grande amor de Deus. Por isso, é necessário que amemos sempre e cada vez mais.
Nós amamos, porque Deus nos ordena a amarmos. Devemos ser obedientes. Mas isso não nos torna melhores que ninguém. Apenas cumprimos o dever que fomos chamados.
Independente “se o meu irmão torce pro mesmo time que eu”, “se o meu irmão gosta de comer as mesmas coisas que eu”, etc, o amor é um mandamento, uma ordenança e um imperativo do próprio Deus e devemos cumprir. Amar uns aos outros independente de partido ou de preferência - e isso fere o nosso ego, pois nós temos as nossas preferências.
Esse amor é o que gere e permeia a comunhão da Igreja de Cristo; é o que nos faz crescer; é o que glorifica a Deus; é o que demonstra que conhecêmos a Cristo.
E nos fica uma alerta de que, se não amamos, estamos em constante desobediência a Deus - e desobedecer a Deus é pecado.
A terceira razão que nos leva a decidir amar é porque é um mandamento.
4. CONCLUSÃO
O que é o verdadeiro amor?
A Bíblia nos ensina que amor é sacrifício.
Apesar da sociedade e da cultura ter vislumbres do que é esse verdadeiro amor, as causas sempre são erradas e diferentes da Palavra de Deus.
Mas, se há uma decisão que verdadeiramente por transformar a sua vida é “DECIDA AMAR". E AS RAZÕES QUE NOS LEVAM A DECIDIR AMAR são:
a) Porque o amor procede de Deus (vers. 7-8);
b) Porque Deus nos amou primeiro (vers. 9-10); e
c) Porque é um mandamento (vers. 11).
Que Deus nos ensine a amar e viver esse amor genuíno, a fim de glorificarmos a Ele.
Amém!
