DEIXANDO UM LEGADO
Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 55 viewsNotes
Transcript
2Timóteo 1.8–14 “Portanto, não se envergonhe do testemunho de nosso Senhor, nem do seu prisioneiro, que sou eu. Pelo contrário, participe comigo dos sofrimentos a favor do evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com santa vocação, não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos, e manifestada agora pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus. Ele não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho. Para este evangelho eu fui designado pregador, apóstolo e mestre e, por isso, estou sofrendo estas coisas. Mas não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar aquilo que me foi confiado até aquele Dia. Mantenha o padrão das sãs palavras que de mim você ouviu com fé e com o amor que há em Cristo Jesus. Por meio do Espírito Santo, que habita em nós, guarde o bom tesouro que lhe foi confiado.”
Em 1º de maio de 1994, 30 anos atrás, morreu Ayrton Senna, piloto de Formula 1, Brasileiro muito querido e ídolo do esporte para o mundo. A causa de sua morte foi uma colisão com uma barreira de concreto que fez com que houvesse uma fratura na base do seu crânio, além de outras decorrente a peças do carro que o feriram.
Após 15 anos, em 25 de Julho de 2009, Felipe Massa sofreu um acidente durante um treino classificatório de uma prova de F1. Uma mola solta do carro de Rubens Barrichello atingiu o capacete de Felipe Massa, deixando-o inconsciente, o impacto foi equivalente a 150 kg e furou o capacete do piloto. Massa teve um corte de cerca de 8 cm no supercílio, fratura no crânio e lesão cerebral, ele foi colocado em coma induzido e passou por uma cirurgia para retirar um fragmento de osso do rosto. O piloto só voltou as pistas em 2010, mas afirma em uma entrevista que o capacete salvou a sua vida e que, se o acidente tivesse ocorrido anos antes, o desfecho poderia ser outro.
O que essas duas histórias tem em comum? Além de serem fatos sobre a vida de pilotos de um esporte automotivo?
Depois da morte do piloto brasileiro a 30 anos, muita coisa mudou nas regras do esporte, principalmente sobre a segurança do piloto dos carros. Incluindo mudanças nas pistas, material dos capacetes, proteção para o pescoço do piloto, cockpit do carro melhor projetado e tecnologias que acompanham tudo o que está acontecendo no veículo. Todas essas mudanças ocorreram para proteger os pilotos e 15 anos após a morte de Ayrton, Felipe massa foi salvo por essas seguranças implementadas, fora tantos outros pilotos que em acidentes no mesmo esporte preservaram suas vidas.
O legado está relacionado a história que ele constrói através do exemplo de vida de alguém, quem conhece a história do Senna sabe que nos últimos anos ele lutava por mais segurança no esporte, mas a sua morte evidenciou essa necessidade e construiu um legado de mais proteção após o acidente.
Como cristãos estamos caminhando sob a direção de um legado que preserva vidas, mas muito mais efetivo que as proteções e medidas do esporte de alta velocidade, ele pode salvar os pilotos de muitas circunstâncias, mas não os salva do maior inimigo da humanidade, o pecado.
Aliás, a vida que esse legado preserva nem é a vida terrena, apesar de ser sinônimo de transformação e liberdade, somos guiados a valorizar muito mais a vida como propósito eterno que aponta para O Senhor, e conecta outros nesse mesmo propósito. Mesmo que esse caminho nos faça padecer sobre perseguições, violência, prisões e injustiças. Um caminho que sabe que a jornada para o tempo de paz não está ligada a preservação da carne, mas a esperança da vida eterna na presença de Deus.
Paulo sabia muito bem disso, e essa segunda carta escrita para o jovem Timóteo tinha um cunho emocional de despedida, afinal ele estava preso e vislumbrando sua morte. Os teólogos e historiadores são unânimes em afirmar que a situação na época da carta era trágica: feroz perseguição aos cristãos, heresias assolando igrejas, divisões internas. Há historiadores que sugerem ser possível até imaginar que seria o fim do evangelho.
Além da feroz perseguição provocada por Nero, a carta cita exemplos práticos de heresias internas como os de Himeneu e Fileto (2.17) que afirmavam que a ressurreição já havia passado. Mesmo em meio a esse clima de insegurança e pessimismo, e com a morte como certeza, Paulo está firme e confiante, tanto pela fé em Deus e nos seus planos, como também porque havia deixado seu legado. Paulo está passando o bastão a Timóteo e a outros (em toda a carta, Paulo cita nominalmente 23 pessoas).
Paulo demonstra saber que havia feito a sua parte, mas que a obra de Deus continuaria através de outros. Havia plantado diversas igrejas em diversas cidades e formado diversos líderes. Não apenas pregou, mas viveu o Evangelho. Estava chegando sua hora de partir, mas estava consciente de que deixava um legado, que Timóteo e outros dariam continuidade.
Nos versículos foco de hoje há uma exortação a fidelidade e perseverança, o verso 8 fala de uma postura que não se “envergonha”, 2Timóteo 1.8 “Portanto, não se envergonhe do testemunho de nosso Senhor, nem do seu prisioneiro, que sou eu. Pelo contrário, participe comigo dos sofrimentos a favor do evangelho, segundo o poder de Deus,” . Paulo não está falando sobre uma postura emocional em situações sociais, não está falando para o jovem pastor sobre uma imaturidade dele, mas sobre o momento que o Evangelho vivia e os confrontos filosóficos da época. Éfeso, cidade que Timóteo estava exercendo seu ministério, era o centro da filosofia grega, em seus conceitos gerais seus ensinos se baseavam na ideia de que toda matéria tangível é detestável. Influenciados por Platão, eles acreditavam que a morte era a libertação da mente de sua prisão carnal. Por isso, na mente grega, a ressurreição - a reunião da mente com o corpo - era um absurdo¹. O encarceramento repetido? Parecia mais uma maldição do que sinônimo de esperança.
Imagine o conflito de ideias na época, para a discussão cultural falar de ressurreição dos mortos era algo vergonhoso, ‘Quem iria querer isso?’, mas Paulo não se envergonha disso e com ousadia prega o Evangelho, o testemunho de Jesus, e sofre por isso. Timóteo é exortado a pregar essa mensagem que levou Paulo para a prisão e sofrimento, que fazia as pessoas caçoarem dele, ‘Timóteo, pregue o absurdo da ressurreição!’. No verso 6 ele já havia falado para o jovem pastor sobre como o Dom de Deus era seu próprio Espírito habitando em nós e Ele não era um ‘espírito covarde’, pelo contrário é Espírito de Poder, Amor e Moderação. Logo a coragem aqui está totalmente ligada a dependência de Deus.
Agora, se o desafio fosse apenas o de pregar, a ousadia talvez fosse mais digestível, porém, há uma chamada a viver essa mensagem, ‘participe comigo dos sofrimentos a favor do evangelho’, e isso corrobora com o contexto direto, não há como pregar e viver o Evangelho sem depender do Espírito Santo. O apóstolo se considerava um escravo de Jesus, a autoridade que apontava o caminho não era Nero, nem Roma ou qualquer outro poder que o pressionasse. Por isso sabia que mesmo o sofrimento que passava tinha propósito no plano de nosso Senhor, e Timóteo precisava confiar sua vida a Deus, ainda que isso implicasse sofrer até a morte.
Afinal, o que era precioso para Paulo? Sua saúde, sua segurança, seu bem-estar, sua vontade? No final do verso 12 o apóstolo fala de um tesouro que foi a ele confiado por Deus, mas que ele confiava em Deus para guardar, 2Timóteo 1.12b “Mas não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar aquilo que me foi confiado até aquele Dia.”, o que lhe era precioso é sua alma, nada mais tem valor. Paulo sabe quem é Deus, entende que sua vida foi presente dEle, que sua Salvação foi Graça dEle, e que seu destino era estar com Ele. O que ele vivesse nesse tempo seria para cumprir o plano eterno desse Deus que o chamou, não há razão para exitar, por isso Timóteo precisava se comprometer a viver o Evangelho e participar de tudo quanto o Senhor o levasse a sofrer, ainda que fosse a morte.
O verso 9 e 10 reforçam essa mensagem, 2Timóteo 1.9–10 “que nos salvou e nos chamou com santa vocação, não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos, e manifestada agora pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus. Ele não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho.”. Ele finaliza o verso anterior falando que esse desafio só poderia ser enfrentado no Poder de Deus. E agora na continuidade do texto o apóstolo aponta como isso acontecia, ou seja, pela Graça de Jesus Cristo.
Pregar o Evangelho mesmo que isso seja um absurdo, viver o Evangelho mesmo que isso o leve a morte, parece uma missão impossível que não temos motivação natural para cumpri-la. Exatamente por conta disso que Paulo fala ao jovem Timóteo e a cada um de nós, ‘dependa da graça de Deus’, Ele nos salvou da nossa condenação, nos chamou para essa missão, e nada disso foi porque eramos bons demais ou excelentes de alguma maneira, pelo contrário, Deus precisou pagar o preço da morte e em sua Ressurreição conquistar o tesouro da vida, e agora Ele a compartilha conosco. Tudo é dEle e para Ele!
Não esta nas nossas mãos ou em nossa perspicácia o poder para superar e completar a missão, somos participantes de um legado que vai além de nós. Vejam, desde os patriarcas, profetas, apóstolos, pais da igreja, mártires e até hoje, a missão nunca foi sobre nós, mas sobre uma noiva que está sendo reunida. Precisamos confiar nossa vida em Deus para ver o plano ser executado, precisamos depender de um Poder que não está em nossa força para superar os desafios, carecemos de uma sabedoria que nossa mente não pode produzir.
O desafio de Timóteo não era levar sozinho o legado de Paulo, mas assim como o apóstolo participar do legado de Cristo, levando a mensagem do Evangelho com suas palavras e sua vida.
O verso 11 aponta nossa posição nesse legado através do chamado do apóstolo, 2Timóteo 1.11 “Para este evangelho eu fui designado pregador, apóstolo e mestre”. As três funções declaradas por Paulo confrontam a visão cultural daquele tempo:
Keryx - Pregador: Para os gregos política e religião eram inseparáveis, os pregadores eram pessoas enviadas e protegidas pelo país e por Deus. Mesmo que a mensagem deles não seja bem-vinda, eles têm de ser recebidos com Hospitalidade¹;
Apostolos - Apóstolo: Alguém enviado para realizar a vontade daquele que o enviara. Uma autoridade representativa, sua palavra tinha o mesmo peso da autoridade que ele representava¹;
Didaskalos - Mestre: Os gentios e os judeus do século I usavam esse termo para denotar uma pessoa instruída que transmite conhecimento para seus alunos. Aqueles que estabeleciam escolas filosóficas se intitulavam “mestres”¹;
Paulo sabe exatamente como a cultura se comporta e aponta sua autoridade em nome de Jesus Cristo, mas não para apontar para si mesmo, e sim alguém guardado por Deus, enviado por Ele e que ensina sobre Ele.
O legado de Paulo para nós, é vivermos uma vida que implique nesses mesmos desafios que foram dados a Timóteo. Sermos pessoas que confiam sua vida a Jesus, que cumprem a missão de discipular vivendo integralmente o Evangelho e pregando essa verdade em todo lugar e em todo tempo.
Qual legado estamos deixando através do nosso testemunho? O legado de Cristo como cooperadores em sua obra eterna ou o legado da carne que luta para preservar um tesouro terreno que é perecível?
Como está seu coração em relação a realidade eterna? Você crê que ela existe e vive consciente dessa realidade? Ou você vive como se ela não fosse real, mesmo que creia que seja verdade?
Você esta dando o seu melhor para Deus a ponto de gastar sua vida?
Precisamos confiar a Deus o tesouro que nos foi confiado primeiro. Precisamos deixar um legado de fé, pois a salvação é pela Graça mediante a Fé em Jesus Cristo, o nosso Senhor!
¹ Comentário bíblico Swindoll: 1 & 2 Timóteo e Tito.
