(Lv 1) Oferta total
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Uma das crises que vivemos, é a crise do compromisso. Entrega total!
Nós vimos na semana passada que o livro de Levítico foi escrito por Moisés enquanto o Tabernáculo era construído, no primeiro ano em que eles foram libertos do Egito. No início do segundo ano, o Tabernáculo finalmente é levantado, e o povo agora precisa saber como usá-lo. Pra isso vem o livro de Levítico.
Vimos que o Tabernáculo era comumente chamado por 3 nomes - Tabernáculo, Santuário e Tenda da Congregação. Cada um desses nomes destaca um aspecto daquele lugar. Este último era muito importante pra Israel, porque ele se referia ao fato de que, Deus não somente habitava ali, mas que o povo poderia se aproximar dele, por isso Tenda da Congregação. Essa tenda era um Monte Sinai portátil, que o povo poderia levar pra lá e pra cá. Por isso a glória de Deus desceu do Monte pra habitar na Tenda. Essa Tenda também era um jardim do Éden no deserto, onde Deus se encontrava com Adão e Eva na viração do dia. O povo desejava voltar ao Jardim. A questão é como? Como podemos nos aproximar de Deus? Então o Tabernáculo não apenas uma casa, mas ele também apresente esse caminho pra Deus. Ele responde as perguntas: Quem subirá ao Monte do Senhor? Quem habitará no seu Tabernáculo? E Quem dentre nós habitará com chamas eternas? O livro de Levítico é uma continuação do Livro de Êxodo, porque Êxodo termina com o Tabernáculo sendo construído, mas com Moisés sendo impedido de entrar lá. E Levítico começa com Moisés sendo chamada por Deus à sua presença.
O povo de Israel almejava ser como aquilo que Moisés viu - eles queriam ser como uma sarça que ardia e não se consumia. Eles queria estar na presença de Deus sem serem mortos. Como isso era possível? Era necessário que alguém morresse no lugar deles. Era necessário expiação pelo pecado. Era necessário derramamento de sangue.
Assim, devemos começar a entender hoje esses sacrifícios prescritos pelo livro de Levítico. Os sacrifícios tratados aqui no livro de Levítico são 5: “holocausto”, “manjares”, “pacíficos” (comunhão), “purificação” (pecado), “reparação” (culpa). Os três primeiros eram ofertas voluntárias, chamadas “ofertas pelo fogo”, de aroma suave; e os dois últimos eram obrigatórios, eram expiatórios por natureza, requeridos como uma solução para pecados particulares. Na prática, um desses dois últimos sacrifícios de expiação vinham antes dos três primeiros, apesar de Levítico começar falando do holocausto, talvez porque o holocausto representava o núcleo, a soma de todo sistema sacrificial, era o mais praticado.
A ordem litúrgica
A liturgia começava na verdade ou com oferta de purificação ou a de reparação, ou as duas, depois vinha a oferta de holocausto [que era acompanhada pela oferta de manjares, que era uma oferta de trigo], e por último vinha a oferta pacífica, também chamada de oferta de comunhão, onde os sacerdotes e os irmãos (ofertantes) comiam de parte da oferta, representando a reconciliação.
O que é enfático para as ofertas de purificação e reparação é a manipulação do sangue que ressalta a expiação e a limpeza do pecado. O holocausto era a única em que todo o animal era queimado, representando consagração total (exceto pela sua pele que era dada ao Sacerdote). A oferta pacífica, a última oferta, era a única em que os adoradores israelitas compartilhavam da carne do sacrifício junto com a família e os amigos numa refeição de comunhão e congregação na Presença de Deus. A ordem dos sacrifícios então era: expiação, consagração e comunhão. Isso significava: justificação, santificação e união.
O sacrifício é o caminho que o SENHOR abriu para a humanidade habitar na sua presença. A adoração por meio do sacrifício era uma jornada até a presença de Deus. A palavra “oferta” no hebraico (corban) significa “aproximar-se”. Esse era o objetivo de Israel.
O Holocausto
Na prática dos sacrifícios havia alguns rituais envolvidos: apresentação, imposição de mão, imolação, manipulação do sangue, holocausto (queima), comunhão, e bênção. Vamos falar dos 4 primeiros.
1) O ritual da imposição de mão
Depois que o animal era apresentado e passava pela inspeção do sacerdote, o adorador colocava a mão na cabeça do animal, pressionando-a fortemente. O verbo em hebraico significava mais do que simplesmente colocar a mão, mas pressionar, inclinar-se. A pessoa colocava muita pressão na cabeça do animal. Isso era pra que o adorador se identificasse com o animal, se unisse a ele. Assim, o animal passava a representar a pessoa.
Levítico 1.4 “E porá a mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja aceito a favor dele, para a sua expiação.”
O animal se tornava um substituto vicário do adorador pra trazer expiação pelo pecado, e o adorador fosse aceito por Deus.
2) O ritual de imolação
Ao identificar-se com o animal, como se dissesse “eu sou esse animal”, o próprio israelita imolaria o animal, cortando a sua garganta.
Levítico 1.5 “Depois, imolará o novilho perante o Senhor; e os filhos de Arão, os sacerdotes, apresentarão o sangue e o aspergirão ao redor sobre o altar que está diante da porta da tenda da congregação.”
O ato demonstrava uma vontade de morrer para si mesmo, e um reconhecimento do juízo de Deus e submissão ao fato de que “a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18:20). Então era uma autoentrega, um autosacrifício. Essa realidade e sentimento era indispensável pra que houvesse verdadeira adoração.
Os sacrifícios animais devem proceder da própria criação de cada um, não de animais selvagens. Não podia ser algo que não custasse nada ao adorador, ou mesmo, que custasse pouco. Posteriormente, quando Araúna desejou dar a Davi um lugar para que ele construísse um altar, Davi recusou: “Não oferecerei ao SENHOR, meu Deus, holocaustos que não me custem nada”, ele afirmou (2Sm 24.24).
A pergunta que essa passagem nos faz é, você já entregou a si mesmo, e tudo o que lhe pertence, ao Senhor? Será que podemos dizer sinceramente, como o apóstolo Pedro disse a Jesus, “eis que nós tudo deixamos e te seguimos” (Mc 10.28)?
MH: “Em muitas coisas, Deus nos deixa decidir o que será gasto em Seu serviço, seja do nosso tempo ou dos nossos bens; no entanto, quando a providência de Deus colocou muito no poder de um homem, ofertas escassas não serão aceitas, pois não são expressões adequadas de uma mente disposta. Sejamos devotados de corpo e alma ao serviço de Deus, independentemente do que Ele nos peça para dar, arriscar, fazer ou sofrer por Sua causa.”
3) O ritual da manipulação de sangue.
O sacerdote agora agia sozinho, sem participação do ofertante. Ele podia aspergir, espalhar, salpicar, derramar o sangue, dependia da cerimônia. Normalmente o sangue seria aplicado a um dos objetos sagrados associado ao santuário e à presença de Deus, seja o altar do holocausto (o sangue podia ser esfregado nos chifres do altar, aspergido no seu lado, derramado na sua base), podia ser no altar do incenso no Santo Lugar (esfregando nos seus chifres), podia ser no véu que separava o Santo dos Santos (aspergindo sobre ele em direção ao chão). O livro de Levítico deixa clara a importância do sangue:
Levítico 17.11 “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida.”
Nós vamos aprender que quando toda a congregação pecava coletivamente, ou quando o Sumo Sacerdote, que representa toda a congregação como mediador, peca, então o sangue devia ser aspergido sete vezes diante do véu no Santo Lugar, e colocado nos cifres do altar do incenso no Santo Lugar, com o resto derramadona base do altar no pátio. No entanto, quando o transgressor é um líder individual ou israelita comum, o sangue não é levado para o Santo Lugar, mas sim colocado nos chifres do altar no pátio, com o resto despejado na sua base. Quanto mais significativo o pecado em relação à posição do transgressor, mais profundamente a poluição do pecado deve ser eliminada do santuária. Então nas ofertas de purificação, o sangue poderia ser aplicado no átrio, no santo lugar ou no santo dos santos uma vez por ano, no dia da expiação.
4) O ritual do holocausto
Depois que o sangue do animal é manipulado, uma parte ou todo o animal é queimado e transforma-se em fumaça sobre o altar. Todos os 5 sacrifícios são queimados. O ritual da queima transforma o animal em aroma suave, transportando o sacrifício para a morada celestial de Deus à medida que a fumaça sobre do altar. Dentre todas ofertas, a que recebia mais atença era o holocausto, em que todo o sacrifício era queimado. Tanto era que o próprio altar de bronze era também chamado altar do holocausto. O holocausto, a oferta central, comunica o grande objetivo de todas as ofertas. Os holocaustos eram oferecidos diariamente, de manhã e à tarde, sustentando todo o dia.
Êxodo 29.38–42 “Isto é o que oferecerás sobre o altar: dois cordeiros de um ano, cada dia, continuamente. Um cordeiro oferecerás pela manhã e o outro, ao pôr do sol. Com um cordeiro, a décima parte de um efa de flor de farinha, amassada com a quarta parte de um him de azeite batido; e, para libação, a quarta parte de um him de vinho; o outro cordeiro oferecerás ao pôr do sol, como oferta de manjares, e a libação como de manhã, de aroma agradável, oferta queimada ao Senhor. Este será o holocausto contínuo por vossas gerações, à porta da tenda da congregação, perante o Senhor, onde vos encontrarei, para falar contigo ali.”
Três coisas importantes sobre o holocausto: 1) Consagração; o animal inteiro, não apenas uma parte, era queimado, representando consagração total, uma vida totalmente dedica a Deus, em plena submissão à sua vontade. 2) Transformação; na queima a oferta não é simplesmente destruída, mas transformada. Ela se transforma em fumaça que subia para a morada de Deus. A palavra traduzida como “holocausto” ou “oferta queimada” vem do verbo que significa ascender. Poderia ser apelidado de oferta de ascensão, embora não seja a única oferta cuja fumaça sobe.
Outra observação importante é que o holocausto era acompanhado da oferta de manjares, normalmente colocada sobre ele, como se tivesse levando um tributo a Deus.
Os animais
Após a introdução dos versos 1 e 2, o capítulo 1 de Levítico é dividido em 3 partes, que correspondem aos animais que poderiam ser ofertados: gado (3-9) animais maiores como novilho; gado miúdo (10-13) animais menores como ovelhas e cabras; e aves (14-17) pombas e rolas. Apenas a oferta de manjares não envolvia sangue, mas mesmo era entregue acompanhando o holocausto. A oferta de manjares era farinha fina, azeite, incenso e sal. Outras informações importantes é que os animais deviam machos e sem defeito. Deus não aceitaria uma oferta defeituosa. O animal devia ser valioso para o ofertante.
Malaquias 1.8–9 “Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E, quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal? Ora, apresenta-o ao teu governador; acaso, terá ele agrado em ti e te será favorável? —diz o Senhor dos Exércitos. Agora, pois, suplicai o favor de Deus, que nos conceda a sua graça; mas, com tais ofertas nas vossas mãos, aceitará ele a vossa pessoa? —diz o Senhor dos Exércitos.”
Essa diferença do tamanho dos animais é por causa do seu valor econômico. Essas ofertas eram de acordo com as posses dos ofertantes. Deus se importou com isso. Ao mesmo tempo que Deus queria que a oferta fosse custosa pra o ofertante, ele queria que isso fosse proporcional. Havia pessoas que só podiam dar uma pomba. Mas o importante é que Deus aceitaria cada oferta como se tivesse o mesmo valor. Esse é o princípio da proporcionalidade. E é o princípio do dízimo. Em que 10% representa a mesma proporção, não importa o quanto você esteja dando, é o mesmo entre uma pessoa de muita posse, e a de poucas posses.
A matança dos animais deve ser realizada no “lado norte” do altar, para evitar contato com o refugo despejado no “lado oriental”, no lugar da cinza. O adorador corta a oferta em pedaços para facilitar o manuseio. As entranhas e as pernas (lombos?) são lavadas a fim de serem preparadas para o altar. Todo excremento deve ser removido. Isso está em consonância com a representação de Israel como um povo santo. O manuseio de aves também deve ser de acordo com os demais holocaustos. O sacerdote remove o papo e as penas do pássaro. A palavra para penas (“conteúdo” NVI) se refere aos intestinos da ave. Qualquer coisa que dê a impressão de impureza não tem lugar na Tenda-Santuário, um tema capital em Levítico. Todo excremento, um símbolo de impureza, deve ser removido (Dt 23.14–15). O adorador esfola o animal e dá o couro não comestível para o sacerdote (cf. Lv 7.8). Não é necessário dividir as aves, pois são pequenas. O couro é dado aos que ministram no altar como um tipo de prebenda, ou honorário, por seu serviço. O couro bovino, em particular, é valioso. Os sacerdotes devem colher o sangue em uma grande bacia e aspergi-lo ao redor do altar. Devem arranjar lenha para queimar e para manter o fogo aceso. Os sacerdotes não devem permitir que o fogo sobre o altar dos holocaustos se apague. Portanto, eles devem queimar lenha sobre o altar a cada manhã. O sacerdote, então, troca de roupa e coloca uma vestimenta de linho para remover as cinzas e levá-las para fora do arraial, para um lugar limpo. Ele não deve usar sua vestimenta consagrada fora da Tenda-Santuário. Itens consagrados devem permanecer na Tenda-Santuário. Esse lugar imaculado não deve ser contaminado com nenhuma impureza.
Cristo
Ryken: Quando a pessoa e o sacerdote oficiante conduziam corretamente o ritual, o resultado era um “aroma agradável ao SENHOR” (v. 9,13,17). A expressão “aroma agradável”, no entanto, trazia consigo a certeza da satisfação de Deus ao completar-se a oferta. Por meio dessa expressão, a passagem indica que o Senhor havia aceitado completamente a oferta, com aprovação. Quando Noé deixou a arca, ele apresentou holocaustos que aplacaram a ira de Deus, e, como resultado, o “SENHOR aspirou o suave cheiro” (Gn 8.21; cf. Ez 20.41). O adorador poderia deixar o tabernáculo com a mesma segurança de que o Senhor havia se mostrado favorável a ele e à sua oferta… é a mesma linguagem utilizada pelo apóstolo Paulo ao descrever o sacrifício expiatório de Cristo: “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef 5.2). Ao contrário do animal imolado no lugar do adorador, em Levítico, o sacrifício oferecido pelo nosso Senhor foi totalmente voluntário. Ele “se entregou a si mesmo”.
APLICAÇÃO
É especialmente baseado nessa primeira oferta (holocausto) que o apóstolo nos exorta a oferecermos a Deus nossas vidas como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional. Se era disse que Paulo falava, isso representa, irmãos, uma oferta integral, uma entrega total. Tudo o que você é e o que você tem. Responda essa pergunta hoje aqui. Você é completamente consagrado ao Senhor? Sua vida é dele? Você realmente pertence a ele? Seus pensamentos, seu coração, seu corpo, seus gostos, suas roupas, seu dinheiro, suas músicas, suas amizades… Quer dizer, como você tem oferecido a Deus tudo isso? Como está seu coração? Como você tem usado seu dinheiro, suas roupas… como são suas conversas, suas palavras… tudo, absolutamente tudo é pra ele ou nada é. Que Deus nos ajude!
