Passado, Presente e Futuro
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Oseias 12-14
Oseias 12-14
Introdução:
Estamos chegando ao final da exposição do livro de Oseias, um livro que nos faz refletir sobre nossa relação com Deus. Ele mostra como o povo seguia apenas rituais, sem perceber sua condição diante de Deus. Embora o povo até avaliasse sua situação, faltava o passo mais importante: mudar e consertar sua relação com o Senhor.
No capítulo 11, Deus é apresentado como um pai amoroso que mostrou graça desde o início a um povo que não tinha como se defender. Mesmo assim, o povo não foi grato. Porém, um dia Deus bramará como um leão e reunirá o remanescente escolhido. Nós, como parte desse povo, participaremos dessa reunião para nunca mais sermos separados de nosso amado Deus.
Hoje à noite, temos a missão de comentar os três últimos capítulos do livro. Para cada um deles, daremos um tema que nos ajudará a entendê-lo. Primeiro:
1 - Um passado a ser observado - Cap 12
Nos primeiros versos, Deus destaca a inutilidade das obras de Efraim. O povo deveria cuidar dos animais, mas, em vez disso, "apascentava o vento", ou seja, perseguia coisas inúteis. Judá também não escapou, pois Deus tinha acusações contra eles.
Deus então recorda o exemplo de Jacó. Lembram como Jacó era esperto e enganava os outros? Ele chegou até a enganar o próprio pai.
Mas, ao longo da vida, Jacó enfrentou situações que o levaram a mudar. Essa mudança foi tão grande que ele recebeu um novo nome: deixou de ser Jacó, o enganador, para se tornar Israel, aquele que luta com Deus.
Seus descendentes deveriam seguir o exemplo de arrependimento e humildade de Jacó, abandonando o orgulho que os impedia de corrigir seus erros. Eles precisavam de uma nova direção para o presente.
Mas o povo não entendeu isso e acabou imitando as nações ao redor. Como povo escolhido, não precisavam usar enganos para prosperar, bastava obedecer a Deus. Porém, seguiram o caminho da avareza e ainda negavam que estivessem errados.
No verso 8, diziam que suas ações não eram pecaminosas. Mentira! O povo ignorou os profetas, como está no verso 10, e, por isso, morariam em tendas, uma consequência da desobediência.
No verso 12, Deus relembra Israel e Jacó para que o povo enxergasse o melhor caminho: o caminho da humildade. Não adiantava se orgulhar de nada, pois desde o início ficou claro que o povo só estava ali por causa da graça de Deus.
Aplicação: O fato de estarmos aqui hoje é resultado da graça de Deus. Ele protegeu seus pais para que nada impedisse o seu nascimento. Já parou para pensar nisso? Sua vida é fruto da misericórdia do Senhor. Entender isso nos levaria à arrogância ou à avareza? Claro que não! Tudo foi pela graça de Deus e continuará sendo por todos os nossos dias.
Agradeça a Deus por sua vida e lembre-se de tudo o que Ele já fez. Nada foi por nossos méritos, mas unicamente por Ele.
Já vimos que Deus, no capítulo 12, deixa escrito um passado a ser observado, e, agora, no capítulo 13 temos um:
2 - Um presente a ser lamentado - Cap 13
Deus, neste capítulo, começa relembrando o antigo poder do reino do Norte, um tempo em que a tribo de Efraim era respeitada e temida. Mas, ao se envolver com Baal, o resultado foi a morte espiritual do povo.
Como diz o verso 2, eles afundaram ainda mais no pecado, a ponto de adorarem e beijarem imagens que nada podiam fazer. Pensem nisso: eles adoravam algo completamente inútil! Isso é loucura, mas é o que o pecado faz.
O povo, antes respeitado, agora é comparado a uma nuvem passageira, sem nenhuma duração. Diferente disso, Deus é eterno, e desde o início tinha uma aliança com Israel.
Só Ele merecia o louvor, mas o povo, em sua arrogância, decidiu se colocar como soberano. Por isso, ganhariam Deus como inimigo. A figura do leão aparece novamente para simbolizar o juízo de Deus contra eles.
O que faltou ao povo foi reconhecer que era Deus quem os sustentava. O mesmo vale para nós hoje: a igreja só existe porque Deus a criou e a sustenta. Cristo é o cabeça do corpo, e todo socorro vem d’Ele. Quem somos nós ou quem são os líderes sem o Senhor?
O povo agiu como uma criança desobediente, incapaz até de sair do ventre. Mas, no verso 14, Deus oferece um rastro de esperança. Este verso, citado em 1 Coríntios 15.55, fala da ressurreição dos mortos. Deus mostra que pode trazer a nação de volta para si, se houver arrependimento.
Esse arrependimento virá do remanescente, que será ressuscitado por Cristo no dia de Sua vinda. Aqueles que morreram em Deus esperam apenas um breve tempo para serem reunidos com Ele, agora de forma definitiva, sem mais pecado ou medo da morte.
Aplicação: Jesus certa vez criticou os fariseus do seu tempo, ele disse em Lucas 12.54–56: “Dizia ele à multidão: ‘Quando vocês vêem uma nuvem se levantando no ocidente, logo dizem: ‘Vai chover’, e assim acontece. E quando sopra o vento sul, vocês dizem: ‘Vai fazer calor’, e assim ocorre. Hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu. Como não sabem interpretar o tempo presente?’”
O povo pode saber discernir os sinais da natureza, mas não sabe discernir a graça de Deus em suas vidas. O povo em Oseias não reconheceu a ação de Deus ao abençoá-los. Podemos, também, não saber discernir que o tempo presente é passageiro, sendo arrastados pelas coisas que surgem o tempo todo, como novas doutrinas, novas formas de viver, ou sermos influenciados por pessoas eloquentes. Devemos discernir a época em que estamos. Vivemos tempos difíceis, tempos de frieza espiritual, e precisamos rogar ao Senhor para abrir nossos olhos, para que não sejamos levados a viver como se o fim deste mundo nunca chegasse.Analise, como você tem vivido sua vida no tempo chamado hoje?
3 - Um futuro a ser aguardado - Cap 14
Por fim, fechando a ideia central do livro, vemos a promessa do perdão de Deus. O povo é chamado ao arrependimento e a voltar ao Senhor, pois seus erros os levaram às portas do juízo. Deus pede uma entrega sincera e sem fingimentos quando clamamos por misericórdia.
No verso 2, Deus deixa claro que sacrifícios externos não têm valor. Ele quer o "sacrifício dos lábios", ou seja, arrependimento verdadeiro. Aproximar-se de Deus sem entrega total não adianta. Ele rejeita fingimento e formalismo.
O verso 3 reforça isso: Israel deveria abandonar a confiança em provisões passageiras e se reconhecer como órfão, pronto para ser acolhido novamente por Deus, como vimos no capítulo 11.
Os versos 4 a 8 falam de um tempo futuro, conhecido como o reino milenar. Nesse período, Israel será restaurado, como predito pelos profetas em passagens como Isaías 11.5-9, Isaías 65.17-25 e Apocalipse 20.4-6.
No Israel atual, há tanto o remanescente fiel quanto os desobedientes, mas, nesse futuro, o remanescente fiel será maioria. Deus restaurará a nação a um estado muito superior ao dos tempos de Davi e Salomão. O povo viverá em segurança, terá fartura, e amará e será amado pelo Senhor.
É Deus, e não os ídolos, quem cuida do seu povo. Todas as bênçãos virão d’Ele. Ele é a árvore que sustenta os frutos, e, como Romanos 11.17-18 explica, nós fomos enxertados nessa árvore.
Não temos motivos para orgulho, pois corremos o risco de cometer os mesmos erros de Israel. Enquanto aguardamos o dia da plenitude, sabemos que Israel, ao se arrepender, será enxertado novamente na mesma árvore em que estamos agora.
Por fim, Oseias recorda as palavras ditas por Moisés na Lei, em Deuteronômio 30.19: “Hoje invoco os céus e a terra como testemunhas contra vocês, de que coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam.”
Os leitores são chamados a serem sábios, pois os caminhos do Senhor são retos. O sábio é aquele que escolhe o caminho da vida, o caminho do Senhor.
No entanto, os ímpios escolhem o caminho da morte, e é nesse caminho que encontrarão o seu fim. A Bíblia é o livro que nos mostra o caminho da vida; ao seguir a Palavra de Deus, encontraremos esse caminho no fim do nosso caminhar.
Aplicação: O povo hebreu falhou, mas falhar também é possível para nós. Como pessoas pertencentes ao reinado de Deus, o profeta Oseias te diz algo que você nunca deve esquecer: Como uma pessoa justa, escolha o caminho da vida. Esse é o melhor caminho!
Conclusão: O autor John Mackay deixa a seguinte lição sobre o livro de Oseias, em relação a esse verso final: “Nesse caminho ‘reto’ pode haver características que são indesejáveis ou até mesmo inexplicáveis para nós. Porém, há uma garantia: esse é o caminho que ‘conduz à vida’ (Mt 7.13).”
Irmãos, somos chamados a escolher a vida. O caminho para a perdição é largo, mas estreito é o caminho da vida; poucos passam por ele. Não vivamos hoje de forma leviana, sem pensar no amanhã. É necessário refletir sobre a eternidade. Apesar de parecer distante, ela pode nos alcançar de forma inesperada. Somos gratos por Cristo e por seu sacrifício, que hoje nos dá a garantia de uma eternidade ao seu lado.
Lembre-se : O passado deve ser observado, para que os erros não sejam repetidos
O presente deve ser lamentado e mudado quando não vivemos da forma que agrada a Deus
E o futuro deve ser aguardado na esperança de um encontro com Cristo
