A Trindade em Missão
Fundamentos da Fé • Sermon • Submitted • Presented
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Texto Mateus 28.16-20
Texto Mateus 28.16-20
Os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes havia designado. E, quando viram Jesus, o adoraram; mas alguns duvidaram. Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo:
— Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.
Introdução
Introdução
Estamos iniciando uma nova série intitulada Fundamentos da Fé, que estabelece os alicerces doutrinários da confissão de fé da MOB. Essa série tem como foco central Cristo, o fundamento essencial de toda a teologia cristã, conduzindo-nos a uma compreensão mais profunda de sua obra na criação, queda, redenção e consumação. Por meio do ensino sistemático das bases da fé, buscamos unificar a igreja na verdade do Evangelho, promovendo um testemunho coletivo que reflita a graça de Deus e o senhorio de Cristo.
Hoje, começaremos com a doutrina da Trindade, abordando não apenas sua constituição teológica, mas também sua missão, revelada desde a fundação de todas as coisas. Quem é a Trindade? Qual é sua natureza e propósito?
Embora a palavra “Trindade” não apareça explicitamente na Bíblia, as Escrituras deixam claro que Deus existe eternamente como três pessoas — o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Cada pessoa é plenamente Deus, e ainda assim há um só Deus. Essa unidade perfeita nos revela que, embora diferentes em suas funções, as três pessoas compartilham a mesma essência divina.
Podemos resumir a doutrina da Trindade em três declarações principais:
1. Deus existe eternamente como três pessoas — Pai, Filho e Espírito Santo.
2. Cada pessoa é plenamente Deus.
3. Há um só Deus.
Essas verdades serão aplicadas ao texto que lemos, destacando que a missão não é um conceito criado pela igreja, mas é intrínseca à própria natureza da Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo estão em missão desde a criação, trabalhando para a redenção e a consumação de todas as coisas.
O Contexto do Texto
O Contexto do Texto
O evangelho de Mateus nos conduz desde a revelação de Cristo como a luz que brilha nas trevas da Galileia (Mt 4:16) até o envio dos discípulos, no mesmo local, comissionados pelo Cristo ressurreto.
A Galileia foi o lugar onde Jesus começou seu ministério público, reuniu seus discípulos, realizou milagres e anunciou o Reino. Agora, no encerramento de sua missão terrena, é novamente na Galileia que Ele reúne seus seguidores para confiar-lhes sua obra.
Nesse encontro, Jesus aparece em um monte designado por Ele. Esse detalhe ecoa eventos significativos da narrativa bíblica, como o sermão do monte, onde Cristo apresentou os valores do Reino (Mt 5-7). Aqui, Ele não apenas transmite ensinamentos, mas comissiona seus discípulos a participarem da missão eterna da Trindade.
Nem Todos Estavam Alinhados com o Coração de Cristo
Nem Todos Estavam Alinhados com o Coração de Cristo
“Os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes havia designado. Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.”
Os discípulos estavam no lugar designado por Jesus, mas nem todos estavam com o coração plenamente alinhado. Alguns o adoraram, reconhecendo sua divindade, enquanto outros duvidaram.
A palavra grega δισταζω (distazo), traduzida como “duvidaram”, implica hesitação ou incerteza por duas vezes. Apesar de obedeceram à ordem de ir à Galileia, nem todos reconheceram plenamente a identidade divina de Cristo.
Por isso vemos muitos jovens partindo em missão, porque querem atender um anseio do coração sem serem afetados pela realidade do Deus Triúno, e desta forma, realizam a obra missionária em nome de Cristo, sem que Cristo se reconheça neles.
Isso nos leva a refletir: estamos no lugar certo, mas com o coração certo? Participamos da comunhão, frequentamos os cultos, mas será que nossos corações estão inclinados em adoração plena a Cristo, ou estamos apenas cumprindo um rito?
A Reivindicação de Cristo: Toda Autoridade
A Reivindicação de Cristo: Toda Autoridade
“Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.”
Aqui, Cristo afirma sua soberania absoluta sobre o universo. Ele não é apenas o Rei dos judeus ou o Cabeça da Igreja, mas o Senhor de todas as coisas. Sua autoridade é tanto abrangente quanto eterna, pois inclui tudo o que foi criado — visível e invisível.
Embora nem todas as coisas estejam sujeitas a Ele visivelmente, sua soberania é real e será plenamente manifestada na consumação de todas as coisas (Hebreus 2:8). Ele é o Cristo ressurreto, que triunfou sobre o pecado, a morte e Satanás, e agora envia seus discípulos como portadores dessa verdade.
Não vemos ainda todas as coisas sujeitas a Cristo, porque o mundo ainda desconhece que Ele é o Senhor Soberano que rege com toda autoridade sobre todos os reinos do mundo, inclusive sobre satánas e seus demônios.
A Ordem: Fazer Discípulos de Todas as Nações
A Ordem: Fazer Discípulos de Todas as Nações
“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações…”
A missão nasce no coração da Trindade, não na igreja.
Jesus, portador de toda autoridade, envia seus discípulos para fazerem discípulos de todas as nações. A expressão “Portanto” conecta sua autoridade ao nosso chamado, enfatizando que a missão é um mandato divino.
O verbo central do texto é “fazer discípulos”, enquanto os verbos “indo”, “batizando” e “ensinando”, todos no gerúndio, complementam o processo. Isso nos mostra que o discipulado é uma jornada contínua. Não se trata apenas de eventos missionários ou pregações esporádicas, mas de viver o Evangelho diariamente, formando seguidores de Cristo em todos os lugares — no trabalho, na escola, nos encontros casuais
O Papel da Trindade na Missão
O Papel da Trindade na Missão
“Batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo…”
O batismo é uma imersão na relação com o Deus Trino. Não se trata apenas de um rito de iniciação na igreja local, mas de uma declaração de pertencimento à comunidade universal de Cristo.
William Hendriksen afirma que o batismo reflete a união vital do discípulo com o Deus Triúno, integrando-o à aliança eterna da Trindade. A missão, portanto, é um chamado para imergir outros nessa relação, tornando-os participantes da comunhão divina.
A Trindade está em missão desde a criação, redimindo o mundo para a glória do Pai, por meio do Filho, no poder do Espírito Santo. Como discípulos, somos enviados a continuar essa obra, participando do plano eterno de Deus.
A Ordem é Clara: Ensinar a Obedecer
A Ordem é Clara: Ensinar a Obedecer
“Ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês.”
O discipulado não termina no batismo; ele é uma jornada contínua de aprendizado e obediência. O ensino aqui não é meramente intelectual, mas prático e transformador, baseado na vida e nos mandamentos de Cristo. Eugene Peterson define o discipulado como uma “longa obediência na mesma direção”.
Ensinar a guardar tudo o que Jesus ordenou é ajudar outros a alinhar suas vidas com os valores do Reino, vivendo como Ele viveu, amando como Ele amou e obedecendo ao Pai em todas as coisas.
O Compromisso de Cristo: Sua Presença Eterna
O Compromisso de Cristo: Sua Presença Eterna
“E eis que estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos.”
Jesus promete estar conosco sempre, não apenas em momentos de oração ou comunhão, mas em todo tempo. Sua presença é uma garantia de que nunca estamos sozinhos na jornada do discipulado.
Como Cristo nunca age de forma isolada, sua presença em nossa vida reflete o compromisso eterno da Trindade. A missão do discípulo é, portanto, uma extensão da missão divina, sustentada pela presença constante do Deus Trino.
Conclusão
Conclusão
A Trindade está em missão desde a fundação do mundo, trabalhando para redimir a criação e consumar seu propósito eterno. Como discípulos, somos chamados a participar dessa obra, imergindo outros na comunhão divina, ensinando-os a obedecer a Cristo e vivendo como testemunhas de sua grandeza.
A pergunta que fica é: estamos alinhados com o coração de Cristo?
Estamos participando da missão divina ou simplesmente cumprindo rituais?
Que possamos responder com fé e obediência ao chamado daquele que tem toda autoridade no céu e na terra.
