DECIDA PERDOAR
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INTRODUÇÃO
Qual é o seu limite? Até que ponto uma pessoa pode errar com você, para que você diga: “cheguei no meu limite”? Até que ponto da dor você consegue aguentar, perdoar e seguir a vida?
Tratar sobre o perdão, para mim, é uma das tarefas mais difíceis, pois o nosso coração é orgulhoso demais e o ato de perdoar ultrapassa todos os nossos limites. O limite da paciência/longanimidade, o limite da bondade, o limite do amor, o limite da paz, etc.
Assim como o amor, o perdão não é um sentimento floreado que ressurge em nossos corações, mas perdão é uma decisão e um ato de gratidão - pelo perdão que recebemos de Deus.
Nós não perdoamos uns aos outros, porque somos bons - ou como muitas pessoas colocam: “seja superior à pessoa que te fez mal e perdoe". Não é isso. Perdoar não nos faz melhores que ninguém, mas demonstra que entendemos o ordenamento de Deus. Perdoar é um ato de gratidão, pois antes de tudo, fomos perdoados por Deus e reconhecemos que, da mesma forma como Ele nos perdoa, devemos perdoar o nosso irmão (Pai Nosso).
C. S. Lewis disse: “todos dizem que o perdão é uma idéia maravilhosa até que elas possuam algo para perdoar”. Em outras palavras, é fácil falar sobre perdão até ter alguém para perdoar.
O perdão não é simples, mas Deus nos incita a perdoar.
Por isso, continuando na série de sermões “DECISÕES QUE PODEM MUDAR A SUA VIDA", hoje à noite trataremos do tema “DECIDA PERDOAR".
2. CONTEXTUALIZAÇÃO
O evangelho de Mateus faz parte dos evangelhos “sinóticos", ou seja, que são conjuntos, podem se ver ao mesmo tempo, cujo conteúdo é semelhante.
Mateus, o escritor desse evangelho, foi testemunha ocular do ministério de Jesus, tendo sido chamado para ser apóstolo. Esse evangelho foi direcionado aos judeus, ou seja, um judeu, que trabalhava para o Império Romano na coletoria de impostos, converteu-se à Cristo e escreve um evangelho aos seus pares para convencê-los que Jesus é o Messias.
Existem algumas peculiaridades no evangelho de Mateus, que o difere de outros evangelhos sinóticos: (a) o direcionamento do texto aos judeus, (b) o interesse pela Igreja, (c) a ideia dominante de Jesus como Rei, (d) o teor doutrinário e de ensino sistemático e (e) o interesse apocalíptico e pela consumação de todas as coisas.
Jesus e seus discípulos estão em Cafarnaum, como relata o Mateus 17.24, quando começa a dar vários ensinamentos para seus discípulos. Jesus paga os impostos; quando questionado, Jesus informa quem é o maior no reino dos céus; fala dos tropeços e dos escândalos; fala da parábola da ovelha perdida; começa a tratar sobre o que devemos fazer quando um irmão erra ou peca contra nós; chegando ao fatídico momento em que Pedro pergunta para Jesus sobre o perdão.
Pedro pergunta a Jesus: “Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?”. Pedro, coloca o número da plenitude, como se fosse alto, indo até o limite para perdoar, talvez achando que Jesus iria parabenizá-lo. Essa pergunta cheira um pouco de farisaísmo ou rabinismo. Pedro queria colocar o perdão como uma mercadora que podemos medir ou contar. Pedro quer definir o tanto de vezes que ele deve perdoar alguém.
Mas Jesus percebe que a visão de Pedro está manchada pelo pecado; é uma visão humana e limitada. Não há como medir o perdão, por isso Jesus responde a Pedro: setenta vezes sete. Jesus estava dizendo: Pedro, Pedro, o perdão está além do limite humano.
Jesus não está ordenando que devemos desconsiderar todas as coisas e viver em desordem (“perdoa tudo e passa pano"); Jesus está querendo nos incitar a agir com perdão, misericórdia, tolerância e humildade com nossos irmãos, sem cultivar sentimentos de vingança, pois fomos regenerados para viver em amor.
3. DESENVOLVIMENTO
Com essa introdução e com base nesses dois versículos, quero tratar AS VERDADES NORTEADORA PARA QUE POSSAMOS DECIDIR PERDOAR.
I. Perdão É Um Mandamento
Depois de Jesus tratar sobre como deveria ser a nossa atitude quando alguém peca contra nós (vers. 15-20), Pedro entende que é necessário perdoar - o que Pedro não entende é o limite do perdão. Mas está claro, na pergunta que Pedro havia entendido que é um dever de todo o cristão perdoar.
Como Pedro era metódico e queria respostas pra tudo, pergunta sobre os limites, achando que atribuindo sete vezes, Jesus iria parabenizá-lo.
Talvez Jesus deveria parabenizá-lo por ter entendido que perdão é um mandamento.
Assim como o amor é um mandamento, nós somos ordenados a perdoar. Não é um possibilidade, mas é uma obrigação.
Lembremos do Pai Nosso: “e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;".
Como eu disse anteriormente, perdão é sinônimo de gratidão, pois eu entendo que Deus me perdoou, mesmo não merecendo.
Deixa eu explicar em miúdos: o homem pecou e se afastou completamente de Deus; o homem merecia a condenação eterna; o homem não merecia misericórdia; mas Deus, em Sua infinita bondade, amor e graça, perdoou o homem. Só que esse perdão teve um preço a ser pago. Ora, toda dívida tem de ser paga. E o preço pago pelo nosso perdão foi a morte de cruz por Cristo. Cristo pagou toda nossa dívida, por isso, Deus nos perdoa.
Deus não nos manda perdoar e não perdoa, pelo contrário, Deus nos perdoa e nos incita a sermos como Ele. Deus não é como aqueles charlatões de internet que se utilizam da máxima “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço".
Primeiro, Deus nos perdoa, segundo, Ele nos ordena a perdoar.
E é difícil, irmãos, eu sei. Perdoar não é fácil, mas devemos perdoar. Deus nos manda perdoar.
Quando alguém pecar contra você e você se sentir no direito de não perdoar, lembre-se dos pecados que você comete diariamente contra Deus e, ainda assim, Ele te perdoa.
É extremamente doloroso o processo de perdoar, mas também é extremamente necessário.
Entenda que, quando perdoamos, cumprimos a ordem de Deus, estamos sob a Sua obediência e Ele trabalhará em nosso coração. Não somos nós quem trabalharemos, mas Ele mesmo.
Se Ele ordena que perdoemos, devemos perdoar e deixar que Ele aja.
Assim como Pedro, precisamos ter em mente que Deus nos ordena a perdoar.
A primeira verdade norteadora para que possamos decidir perdoar é que perdão é um mandamento.
II. Perdão Não Tem Limites
Pedro achou que precisava chegar ao limite, ir até sete vezes, para perdoar. Mas Jesus o corrije, não sete, mas setenta vezes sete.
A medida do perdão não tem limites.
O perdão não é um dosador que você vai anotando quantas vezes perdoou até chegar a um máximo e, atingindo esse número, não haverá mais perdão. Não.
O perdão de Deus para nós é ilimitado, então, o nosso perdão para com nosso irmão deve ser ilimitado.
Jesus destrói o argumento de Pedro, que limitava o perdão, pra demonstrar que o espírito do genuíno perdão não tem limites, não tem fronteiras, não pode ser medido nem contato.
Se trata de um estado do coração e não de matemática. Consegue entender? É ter o coração inclinado a perdoar e seguir em frente, da mesma forma que o próprio Deus faz conosco; é ter uma disposição genuína e misericordiosa em se compadecer daquele que nos maltrata.
E não há limites para o perdão - pelo menos, quando houver arrependimento.
O perdão se torna um estilo de vida para nós cristãos.
O comentarista bíblico William Hendrikssen diz: “perdoe sem jamais cessar”.
Da mesma forma que, quando nos arrependemos diante de Deus, temos perdão ilimitado, assim devemos ser com nosso semelhante. Perdoar sem limites.
E para isso, Deus precisa trabalhar em nosso coração, pois nós não conseguimos sozinhos. Precisamos viver uma vida na presença de Deus, em devocional, em oração, em jejum, para aprender a perdoar de forma ilimitada.
No meio do furacão, quando alguém erra contra você, você se pergunta: "será que eu conseguirei perdoar?" Daqui algum tempo, você olhará para trás e verá que Deus te ajudou a perdoar.
A primeira verdade norteadora para que possamos decidir perdoar é que perdão não tem limites.
4. CONCLUSÃO
Qual é o seu limite?
Jesus nos convida a vivermos uma vida de perdão ilimitado: primeiro, perdoando nossos pecados diariamente, segundo, nos incentivando a perdoar sempre.
Sabemos o quão difícil é perdoar, mas, se tivermos a disposição intencional de dar o primeiro passo, Deus trabalhará em nosso coração e conseguiremos perdoar.
O tema dessa noite foi “DECIDA PERDOAR” e, no texto bíblico, Deus falou conosco AS VERDADES NORTEADORA PARA QUE POSSAMOS DECIDIR PERDOAR:
a) Perdão é um mandamento; e
b) Perdão não tem limites.
Que Deus nos ensine a perdoar como Ele mesmo nos perdoa.
Amém!
