A BENÇÃO DO JUSTO - SALMO 1

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A BENÇÃO DO JUSTO
SALMO 1
INTRODUÇÃO
O Salmo 1 concentra-se no tema da Torá (a revelação de Deus dada no Sinai), sua ênfase é na conduta, nas obras e dá início ao Livro dos Salmos, conferindo um toque sapiencial a toda a coleção. Já o Salmo 2, a ênfase está no reinado do Messias, concentra-se na fé, na graça – ambos temas centrais do Saltério. Alguns estudiosos da Bíblia consideram que esses dois salmos constituem a introdução do livro. Salvação pela Graça, mas julgado pelas obras.
Algumas curiosidades sobre o Salmo 1:
Este é um dos três salmos que começa com a palavra “bem-aventurado”. Os outros são: o Salmo 32 e 41. Bem-aventurado quer dizer: “feliz”, “abençoado”. Quem não anela ser feliz?
Este é o último Salmo da Bíblia tem seis versos. O último é um salmo de louvor e este é um salmo de bênção. Bênção e louvor vão sempre juntos. Não existe bênção sem louvor, e não há louvor sem bênção.
O Livro de Salmos é o hinário de Israel, um compêndio de cânticos, que narra poeticamente a história de uma nação, sem esconder seus altos e baixos.
I – JUSTOS E IMPIOS
VAMOS LER O SALMO 1. Este Salmo separa justos e ímpios, dando destaque aos fiéis filhos de Deus. O justo é “bem-aventurado”, “não anda”, “não se detém”, “nem se assenta”, vencendo a atração e a decadência causadas pelo pecado. Suas ações são corretas, representam a vontade do Senhor e dão bom testemunho.
Como ensina o salmo, o cristão deve ter compromisso com ações corretas, mas precisa ir mais além e ser movido por intenções puras. As ações são importantes para testemunhar aos homens, mas as intenções são fundamentais para ser avaliado por Deus. Ambas precisam estar em equilíbrio. Se não for assim, vamos repetir a história dos fariseus, que eram “perfeitos” por fora e corrompidos por dentro. Se as intenções não forem saudáveis, as ações serão equivocadas. Faremos o que é certo apenas para impressionar, receber aplauso, aprovação, promoção ou até mesmo para tentar garantir a vida eterna.
Por isso, o salmista destaca que o prazer do cristão “está na lei do Senhor” (Sl 1:2). Antes do fazer vem o ser. Antes de aparecer diante dos homens é preciso buscar a presença de Deus e colocar ações e intenções na ordem certa.
Quando você busca a Deus, antes de qualquer coisa, tem prazer nestes momentos e faz deles um hábito que se repete “dia e noite”.
Para que isso se torne realidade em sua jornada ao Céu, permita que Deus molde suas intenções, dirija suas ações e abençoe as consequências de suas escolhas. Só assim você será realmente bem-aventurado.
I – O PROGRESSO DO PECADO
O verso um no adverte dos estágios progressivos da tentação. Devemos evitar “andar”, “deter-nos” e finalmente “assentar-nos” na vereda da impiedade (v. 1, 2). A melhor forma de evitar o pecado é evitando as circunstâncias que nos conduzem a ele. Ficar longe de lugares e pessoas por meio dos quais as tentações nos assediam.
Ninguém está com Jesus e sua Igreja em um dia e no outro é um apostatado. O processo é lento, um passo por vez. Não estuda a bíblia e a lição num dia, não ora no outro, não vai aos cultos da quarta-feira, depois deixa de ir no domingo, passa a chegar apenas no horário do culto no sábado, vai para um aniversário de amigos, toma um copinho de cerveja, acende apenas um cigarro para alguém e dá um trago, de repente está viciado e fora dos caminhos do SENHOR.
II – JUNTO A ÁGUA VIVA
Não há maior estágio de esterilidade do que se manter distante de Deus. Às vezes até ansiamos a prosperidade predita pelo salmista, mas fugimos da conexão com Deus que Ele incentiva. Queremos brilhar, mas, infelizmente, nos avizinhamos da escuridão. Queremos florir, mas mantemos obstruídos os condutos que levam a Água da Vida até nós.
Só a perseverança perto da fonte pode nos manter com vivacidade. Toda vida cristã que desconectou de Cristo abriu processo de falência.
Não é o tempo em que vivemos que tem empobrecido os cristãos, mas a falta de tempo para Deus. O Ribeiro sempre estará lá. Nós é que, como árvores teimosas, nos movemos do lugar.
Mesmo contemplando a nossa própria ruína ou a ruína alheia, ainda não aprendemos que, sem Deus, o fracasso não é acidente, mas destino.
Permaneça em Cristo ainda que isso lhe custe incompreensão. Mantenha-se junto à Fonte ainda que você seja o único. Não há nada maior para sonhar do que se manter ligado ao Salvador. Fora dEle só há sequidão. Escolha ficar lá, ainda que os ventos sejam fortes, ainda que pareça solitário, ainda que, de imediato, os frutos não apareçam.
“É demasiado fraco o apego que os embaixadores de Cristo muitas vezes têm às realidades eternas. Se os homens andarem com Deus, Ele os esconderá no abrigo da Rocha. Assim abrigados, podem ver a Deus tal como Moisés. Pelo poder e luz que Ele comunica podem compreender e realizar mais do que seu finito julgamento havia considerado possível.” (AA, p. 202)
III – PRAZER NA PALAVRA
Em 1 Tessalonicenses 4:3, está escrito: “A vontade de Deus é que vocês sejam santificados.” Deus quer que desenvolvamos o gosto pela santidade. Quem me conhece sabe que eu não gosto de abacaxi. Para mim, o gosto é ruim! Já tentaram me pegar diversas vezes, mas eu consigo identificar o sabor até numa bala. O meu paladar não aceita; não bate com o meu apetite. Minha mulher não entende, meus amigos dizem que é uma fruta saborosa, mas eu não consigo gostar dela.
Já ouvi falar de pessoas que não apreciavam determinada comida, mas por amor, capricho ou mesmo por esforço passaram a gostar daquilo. Deve ser assim nossa relação com a Bíblia. O homem natural não tem prazer na leitura das Escrituras. Devemos comê-la, digeri-la, saboreá-la, até pegar o gosto pela santidade. Quanto mais tempo passarmos com a Palavra de Deus mais conheceremos o coração Dele. Você pode ler sua Bíblia, pode mencionar qualquer verso, pode memorizar, mas, se você não tem prazer no que a Bíblia diz, você não vai praticar o que a Palavra de Deus ensina. Conhecê-la não é o suficiente; você precisa colocar em ação e viver os ensinamentos que ela oferece. Isso significa que você deve ir além de mencionar alguns versos bonitos da Bíblia!
Sabe quando a Bíblia vai começar a ter gosto bom para você? Quando você obedecer a seus ensinos e ver que ela funciona. Quando você for para a faculdade cheio da Palavra, saboreando Suas verdades, cheio do poder de Deus, seus colegas vão notar que você mora na Terra, mas vive como cidadão do Céu. “A apreciação da Bíblia aumenta com o estudo” (Ellen White, Parábolas de Jesus, p. 132).
Muitos jovens estão deixando de ler a Bíblia porque não têm vontade. De fato não é natural gostarmos de ler a Bíblia, mas Deus pode restaurar essa vontade. Se você precisa de motivação e quer que as Escrituras transformem sua vida, faça essa oração cada manhã: “Abre os meus olhos para que eu veja as maravilhas da Tua lei” (Sl 119:18)
IV – RUMINANDO A PALAVRA
O significado literal de meditação é “trazer à tona novamente”. O termo hebraico empregado no Salmo 1, traduzido como “meditar”, evoca a imagem de um boi ruminando. No sentido bíblico, meditação significa viver pensando na Palavra e permitir que ela blinde nosso ser das influências pecaminosas. Você pode ouvir, ler, memorizar e estudar as Escrituras, mas isso não significa que você tenha meditado nelas. Alguns cristãos conhecem a Bíblia de capa a capa, mas não centralizam seus pensamentos no que é certo. Muita gente lê a Bíblia como se tivesse a obrigação de tirar nota 10 para ser admitido no Céu. Não faça isso.
Medite na Palavra de Deus e permita que a verdade revelada seja implantada no coração. Procure aplicá-la em sua vida até que ela penetre no mais íntimo de seu ser.
BÊNÇÃOS DA VIDA JUSTA
O Salmo 1 compara os justos a uma árvore plantada junto a uma corrente de águas, que produz seus frutos no devido tempo e cuja folhagem não murcha (Sl 1:3; Jr 17:7, 8; Ez 47:12). Essa comparação identifica a fonte de todas as bênçãos, a saber, permanecer na presença de Deus em Seu santuário e desfrutar de um relacionamento ininterrupto e de amor para com Ele. Ao contrário dos ímpios, retratados como joio, sem estabilidade, sem lugar nem futuro, os justos são como árvore frutífera com raízes, tendo um lugar perto de Deus e vida eterna.
A BÊNÇÃO DO JUSTO
O tema de uma vida justa é tão importante em Salmos que esse é o assunto do primeiro capítulo. O texto é dividido em duas seções: a) 1:1-3 – o caminho dos justos; b) 1:4-6 – o caminho dos ímpios. Claramente se percebe a intenção de contrastar os dois caminhos com o recurso literário do paralelismo usado pelo salmista.
Versos
Sujeito
Característica
Foco
Metáfora
Destino
1:1-3
Justo
Feliz
A lei do Senhor
Árvore frutífera
Prosperidade
1:4-6
Ímpio
Infeliz
O conselho dos ímpios, caminho dos pecadores e roda dos escarnecedores
Palha dispersa
Destruição
A metáfora usada ajuda a entender o diferencial entre o justo e o ímpio. O justo é comparado a uma “árvore plantada junto a uma corrente de águas” (v. 3). Corrente de águas é um símbolo do próprio Cristo como a Fonte da Água Viva (Sl 42:1; 63:1; Jo 4:13, 14; 7:37, 38), e “árvore” é um símbolo de pessoas (Jz 9:7-21; Ct 2:3; Ez 15:6; Mc 8:24; Lc 3:9). Uma “árvore” plantada “junto a corrente de águas” é uma clara metáfora do cristão unido a Jesus Cristo (Jo 15:5). Unido a Cristo, o cristão é chamado de “justo” e pode, “no devido tempo”, dar “o seu fruto” (v. 3).
O justo é diferente do ímpio, que é comparado à “palha” e é dispersado pelo “vento” (v. 4). Essa é a mesma linguagem do homem que edificou sua casa sobre a areia, e a casa foi derrubada pelo vento. Edificar sua casa sobre a areia, em contraste com edificar a casa sobre a rocha, é um claro símbolo daqueles que vivem longe de Cristo e serão dispersados por qualquer “vento” de dificuldade.
A diferença está no “caminho” (Sl 1:6) no qual as pessoas estão andando. O “caminho” dos justos é conhecido, sendo esse o único caminho seguro para conduzir ao Céu (Jo 14:6; At 19:23). Andemos todos por esse “Caminho”.
CONCLUSÃO
No Salmo 1, o autor diz que quem Deus abençoa é: (1) separado do mundo; (2) vive satisfeito com a Palavra; e (3) prospera onde Deus o plantou. O segredo é encontrar prazer na Palavra. A Palavra de Deus deve ser a fonte de nossa alegria.
“A Bíblia toda é uma revelação da glória de Deus em Cristo. Recebida, crida e obedecida, ela é o grande instrumento na transformação do caráter. É o grande estímulo, a constrangedora força que vivifica as faculdades físicas, mentais e espirituais, dando à existência a devida orientação.”{EGW, Ciência do Bom Viver, 458.1}
APELO
A Bíblia precisa ser para nós mais do que um livro interessante, mas a Voz de Deus sem a qual perdemos o rumo. Não há como pensar biblicamente sem que nossa mente esteja encharcada da Bíblia. Ter uma mente bíblica jamais será um acidente, mas o resultado de uma busca.
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