Romanos 1.8-15
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· 22 viewsO apóstolo manifestação sua gratidão ao SENHOR pela operação do evangelho que conduz a igreja ao testemunho e à confirmação/edificação.
Notes
Transcript
“A justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé” (Rm 1.17).
Pr. Paulo U. Rodrigues
Introdução
Introdução
Após a apresentação de sua carta, na qual desenvolve previamente qual será o conteúdo de sua epístola, tendo esboçado o evangelho como uma obra trinitária concebida na eternidade, prometida pelos profetas e cumprida pela designação de Cristo Jesus como matéria do evangelho do Pai que visa, por sua vez, a salvação para a obediência da fé, que redunda na confirmação do chamado dos cristãos para pertencerem ao Senhor Jesus sendo santos, Paulo agora publica sua ação de graças (vv. 8-15) na qual também aborda os aspectos relacionados ao evangelho que o leva a alegria e ao contentamento no Senhor a partir da fé daqueles irmãos em Roma.
Dois pontos destacam-se na presente seção: a alegria de Paulo em ver o evangelho gerar nos cristãos em Roma frutos tais, ao ponto de “em todo o mundo [ser] proclamada a vossa fé” (vv.8-10), e o forte desejo de, através dessa mesma fé, ser consolado e consolar aqueles irmãos, mediante a oportunidade de vê-los, e assim, poder também “anunciar o evangelho” (vv. 11-15) tendo em vista tais objetivos.
A ação de graças do apóstolo, neste caso, desdobra-se em duas ações que, por sua vez, exibem dois aspectos do tema central de sua carta (qual seja, o evangelho de Deus em Cristo, que revela a justiça do SENHOR na salvação pela fé) correspondentes às subseções supracitadas: o aspecto externo, sendo este o testemunho público da fé dos cristãos em Roma, e o aspecto interno: o fortalecimento e consolo mútuo gerado pelo mesmo evangelho, do qual o apóstolo deseja participar mediante o anúncio do mesmo entre aqueles irmãos.
Em vista dessas considerações prévias, o texto de Romanos 1.8-15 sintetiza a tese da frutificação do evangelho em razão de sua centralidade na vida da igreja.
Elucidação
Elucidação
No texto Aos Romanos, a ação de graças de Paulo serve ao propósito de introduzir os pontos que desenvolverá em seu escrito, como já aludido à luz da análise anterior relacionada à saudação apostólica (vv.1-7). Todavia, ligado a esse propósito, o autor também expressa seu desejo de visitar aqueles irmãos, e as razões para isso são desenvolvidas na presente seção, estabelecendo os pontos argumentativos mencionados; todos girando em torno dos efeitos gerados pelo evangelho nos qual aquela igreja crê, os quais passaremos a analisar.
1. (vv. 8-10) Aspecto externo dos frutos do evangelho: testemunho público.
1. (vv. 8-10) Aspecto externo dos frutos do evangelho: testemunho público.
A grande motivação do apóstolo tanto para a redação de sua carta quanto para a menção de sua intenção de visitar aqueles irmãos, é o testemunho notório da fé destes. Como salienta, R. C. Sproul: “Paulo está expressando alegria pelo fato de que as pessoas, por todo o mundo mediterrâneo, estavam comentando a respeito da fé existente nos cristãos romanos; sua fé havia produzido um impacto” (SPROUL, 2011, p. 21).
Naturalmente, esse efeito positivo não se deve a qualquer esforço humano ou perspicácia dos cristãos romanos, pois, é a Deus que o apóstolo dá graças, isto é, a operação do testemunho do evangelho por meio daquela igreja, deve-se diretamente ao poder de Deus, e assim, a publicidade de sua fé é mérito do Senhor. Isso, ao contrário de causar-lhes qualquer decepção deve, sobretudo, lhes servir de confirmação quanto a genuinidade do evangelho que receberam e da salvação para a qual foram chamados (como aludido na seção anterior).
Em todo o mundo conhecido, a fé dos cristãos romanos tornara-se evidente. É digno de nota que, esse cenário de crescimento e difusão da fé dos crentes em Roma, ocorre num contexto bastante adverso: o paganismo e imoralidade que se difundiram por todo o império, possui sede exatamente ali. No coração de um reino cuja a fama era a do louvor pela promiscuidade e idolatria, a igreja do Senhor brilhava como luz em meio às trevas. O efeito do evangelho conduz Paulo à expressar seu louvor a Deus pela vida daqueles irmãos.
O argumento apostólico é didaticamente estruturado, de modo a conduzir seus leitores/ouvintes à compreensão de que o evangelho os conduzira ao cumprimento da missão cristã de serem testemunhas de Cristo em todo o mundo (cf. At 1.8). Como será parte da tese que defenderá ao longo de sua carta, o alcance do evangelho e sua chegada à Roma, evidencia a operação do Espírito Santo que os está chamando à salvação. Há uma correlação direta entre o evangelho e a proclamação da fé daqueles irmãos no mundo inteiro: o primeiro é a causa direta e eficaz do segundo.
Dessarte, o fruto público do evangelho leva o apóstolo a desejar estar com aqueles irmãos, como referencia a partir dos versículos 9-10. Dada a maravilhosa operação do evangelho de Deus naquela cidade, o apóstolo declara seu desejo (sentimento que, sendo já anterior, como ele assevera inclusive tendo Deus por testemunha) de visitá-los com um propósito em mente, que também estriba-se sobre o evangelho e seus efeito, agora tendo em vista o aspecto interno de sua operação naquela igreja.
2. (vv. 11-15) Aspecto interno dos frutos do evangelho: edificação e confirmação na fé.
2. (vv. 11-15) Aspecto interno dos frutos do evangelho: edificação e confirmação na fé.
Tendo expressado seu desejo de ir à Roma, Paulo elabora suas expectativas ao chegar àquela igreja. Apesar de o apóstolo desdobrar essa intenção ao longo dos versículos de 11 à 15, sua ideia central orbita seu desejo de experimentar dos frutos da ação poderosa do evangelho entre aqueles irmãos.
Nos versículos 11, 12 e 13, Paulo ressalta que buscaria, estando na companhia dos cristãos romanos “repartir [com eles] algum dom espiritual (gr. χάρισμα […] πνευματικὸν)” (v. 11) e “conseguir igualmente entre vós algum fruto (gr. “καρπὸν”)”. Ambos os termos destacados possuem uma possibilidade interpretativa ampla, podendo significar desde um dom extraordinário, como aqueles concedidos pelo Espírito Santo às igrejas, quanto a própria convivência generosa entre aqueles irmãos, tendo em vista, por exemplo, o contexto que ele está vivendo durante a escrituração da carta, qual seja, o transporte de donativos (i.e. “dons”) dos cristãos gentios aos judeus em Jerusalém. Nada obstante, os versículos 11b-12 lançam luz sobre a intenção apostólica referenciada por essas duas expressões: “para que sejais confirmados, isto é, para que, em vossa companhia, reciprocamente nos confortemos por intermédio da fé mútua, vossa e minha”. Assim, quer essas expressões signifiquem alguma capacidade extraordinária concedida pelo Espírito, ou a experimentação da comunhão generosa dos crentes, ambas as possibilidades resultarão na consolidação da fé tanto de Paulo quanto dos crentes, mediante a operação do evangelho ali.
Da perspectiva de Paulo, a profusão do evangelho em Roma, produziu frutos não somente servindo ao propósito testemunhal da igreja mediante um significativo testemunho público, mas também efeitos edificadores “intra-muros”. Noutras palavras, Paulo destaca à igreja que sua intenção era a de participar desse ambiente consolidador da fé, que confirmava (gr. στηριχθῆναι) ou fortalecia a igreja, bem como consolava/encorajava-os (gr. συμπαρακληθῆναι) a viverem por modo digno dessa fé, que inclusive seria o instrumento através do qual tal objetivo seria logrado.
Segundo a concepção do autor, o evangelho não apenas concede a igreja o poder necessário para que a fé em Cristo seja divulgada, mas também tem a serventia de fortalecer a própria igreja. O evangelho age nessas duas dimensões, e isso conduz o apóstolo a exultação que agora direciona àqueles irmãos, fazendo-os conhecedores de seu louvor a Deus, como uma forma de encojará-los enquanto ainda não pode experimentar tais benesses no meio deles.
Os versículos 14-15 encerram a seção com uma reafirmação não apenas do desejo de Paulo de ir à Roma, sobretudo baseado em seu sentimento de que era “devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes”, isto é, que via seu ministério como um dever que tinha de anunciar a salvação em Cristo a todos quantos tivesse oportunidade, mas também com a confirmação de que, ao chegar lá, não fará outra coisa senão “anunciar o evangelho”; evangelho esse que é desenvolvido por toda a carta como um prenúncio do ensino que difundirá entre aqueles irmãos.
Síntese
Síntese
O apóstolo Paulo, em sua ação de graças nesta carta, torna a igreja consciente de que o evangelho é poderoso tanto para fazer conhecido o nome de Cristo a partir de um testemunho público notável, quanto para edificar a igreja.
O evangelho da salvação de Deus em Cristo, manifesto pelo poder do Espírito (cf. vv. 1-4) abarca as duas dimensões da vida da igreja (i.e. sua missão e saúde), promovendo a percepção confirmatória necessária para que o povo de Deus creia na sua realidade em seu meio. Em face disso, as seguintes verdades podem ser extraídas do texto bíblico em exame:
Aplicações
Aplicações
1. O evangelho projeta para fora da igreja o testemunho salvador, evidenciando a fé genuína operada pelo poder de Deus.
1. O evangelho projeta para fora da igreja o testemunho salvador, evidenciando a fé genuína operada pelo poder de Deus.
Como já aludido, a fé dos cristãos romanos frutificara num ambiente inóspito. A imoralidade e paganismo da cidade de Roma tanto já havia quanto ainda haveria de criar dificuldades para aqueles que professam a fé no Deus verdadeiro, a partir de fortes e injustas perseguições. No entanto, em razão do que Paulo defenderá adiante, de que o evangelho é o poder de Deus (cf. v.16), o presente texto elucida que não há situação tão conflitante e adversa que o evangelho não possa superar.
É inevitável que a igreja reflita esse poder poder à outros, atestando publicamente a veracidade da obra que em si fora realizada. O constraste moral/ético, a mentalidade renovada, a libertação do poder escravizador do pecado e, mais importante, a operação de todas essas coisas a partir do poder de Cristo em seu Espírito, geram o destaque inescapável que faz com que a fé da igreja seja notada e proclamada no mundo todo.
Nosso testemunho, isto é, nosso comportamento, vocabulário, mentalidade, conceitos, princípios e tudo que nos compõem ou caracterizam como cristãos (i.e. “pequenos cristos” (cf. At 11.26)), não vem do quanto estamos dispostos a nos adequar à uma filosofia ou estilo de vida. Somos o que somos porque o evangelho opera em nós o poder para que nossa vida, integralmente, comunique e reflita o próprio evangelho.
Por vezes, nos questionamos quanto a como transmitiremos o evangelho a outros, buscando metodologias e formas para realizar tal tarefa. Naturalmente, de certo ponto de vista, essa preocupação é boa, pois evidencia que nossa mente tem consciência da missão para a qual fomos chamados. Nada obstante, precisamos advertir nosso coração de que o evangelho não é uma ideia humana, como tantas outras que necessitam de prosélitos e divulgação para que adeptos avaliem a possibilidade de aderirem ou não. É preciso que radiquemos a verdade de que o evangelho é o PODER DE DEUS, em nosso coração, a fim de que vivamos não em vista de um movimento humano, mas à luz do poder de Cristo, e assim, como Paulo, possamos dar glória a Deus por sermos usados como seus instrumentos da proclamação dessa realidade ao mundo.
2. O mesmo evangelho que, por sua notoriedade na vida dos que o professam pela fé, conclama à salvação, também opera a confirmação e consolo de que necessita a igreja.
2. O mesmo evangelho que, por sua notoriedade na vida dos que o professam pela fé, conclama à salvação, também opera a confirmação e consolo de que necessita a igreja.
Ligado ao ponto anterior, ao tomarmos nota de que o evangelho é que opera em nós o testemunho público da fé, por vezes caímos no erro de restringir seu uso apenas à operação da salvação dos perdidos, o que não poderia estar mais distante da realidade.
É pelo evangelho que a igreja de Cristo tem sua fé confirmada, radicada e fortalecida. O evangelho não apenas nos traz para dentro da família de Deus, como também nutre essa família com dons e frutos tais, ao ponto de sermos mutuamente, isto é, reciprocamente abastecidos com a graça do SENHOR para continuarmos nossa jornada nesse mundo como Corpo de Cristo.
O emparelhamento do apóstolo aos cristãos romanos não é uma mera figura de linguagem, mas transmite essa imagem de modo intensamente vívido: ao falar de si mesmo como que crescendo e sendo edificado juntamente com os irmãos em Roma, Paulo nos concede a percepção de como o evangelho opera esse fortalecimento: pela comunhão plena de cada membro com o outro, crescendo o Corpo de Cristo, como ele mesmo diz noutra carta “suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, […] o crescimento que procede de Deus” (cf. Cl 2.19).
O evangelho esteve presente no momento em que nos trouxe à Cristo pelo testemunho público da fé, e continua presente em nosso meio, sendo anunciado constantemente para nossa edificação, pois o mesmo poder e traz da morte à vida, mantém essa vida em nós, confirmando que temos crido naquele a quem damos graças por nossa salvação: Jesus Cristo.
Conclusão
Conclusão
O agradecimento e alegria cristã pela operação do evangelho, deve ser replicado em cada a crente dia após dia, pois isso evidencia o reconhecimento do poder de Deus que tem operado em nós o testemunho notório da fé e o fortalecimento oriundos do evangelho de Cristo.
