O Deus de todo encorajamento
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O consolo e conforto que vem somente do Senhor
O consolo e conforto que vem somente do Senhor
SAUDAÇÃO A IGREJA
LEITURA DO TEXTO: 2 Coríntios 1.3-7
3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, 4 que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por tribulações. 5 Pois assim como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, também por meio de Cristo transborda a nossa consolação. 6 Se somos atribulados, é para consolação e salvação de vocês; se somos consolados, é para consolação de vocês, a qual lhes dá paciência para suportarem os mesmos sofrimentos que nós estamos padecendo. 7 E a nossa esperança em relação a vocês está firme, porque sabemos que, da mesma forma como vocês participam dos nossos sofrimentos, participam também da nossa consolação.
O fato de uma situação ser difícil não significa, necessariamente, que seja uma situação ruim. É fato que situações difíceis nos tiram da nossa zona de conforto, mas também é fato que, quando lidamos bem com uma situação difícil, nós aprendemos coisas muito importantes.
Um britânico, chamado Terry Waite, trabalhou por muito tempo negociando a liberdade de reféns—fez isso no Irã, na Líbia, e em outros países na década de 80. Bem no começo de 1987, ele foi para a Líbia para tentar libertar um homem que tinha sido levado cativo pela Jihad. Em 20 de janeiro desse ano, ele concordou de se encontrar com os captores dos reféns, porque eles tinham prometido segurança para visitar os reféns. O problema é que eles quebraram esse combinado, e mantiveram Terry cativo por quase 4 anos, sendo liberto só em 18 de novembro de 1991. Em 1993, esse homem escreveu um livro sobre o que aconteceu, e um trecho desse livro diz o seguinte: “Eu estava determinado durante meu cativeiro, e ainda estou determinado, a converter essa experiência em algo que será útil e bom para outras pessoas. Eu penso que é assim que devemos abordar o sofrimento. Parece-me que o cristianismo não diminui de forma alguma o sofrimento quando faz isso. O que ele faz é permitir que você o pegue, o encare, se esforce para vence-lo e, eventualmente, o converta em algo bom”.[1]
Nesse sentido, o nosso objetivo não deve ser—e não pode ser—evitar situações difíceis, mas aprender a passar bem por elas. E para lidar bem com qualquer tipo de dificuldade que possa vir sobre você, é essencial que você tenha uma visão correta de Deus e de Sua Palavra. Não existe a menor possibilidade de vencermos dificuldades se não estivermos perto de Deus e da Sua Palavra!
E em meio a tantas dificuldades que temos passado nessa quarentena, e que também passamos em diversos momentos da nossa vida, hoje eu quero conversar um pouco com vocês sobre o desânimo. Não sei se isso tem sido uma realidade para você nessa quarentena, mas para mim e para algumas pessoas que eu tenho conversado, tem sido bastante difícil se manter animado, encorajado e disposto diante de tantas incertezas, de tantas notícias difíceis, de tanto isolamento.
(Aqui um breve parêntesis: eu espero que nesse momento já tenha ficado claro para todos nós o quanto nós precisamos de pessoas! Sim, nós precisamos de Deus, e eu não quero em nenhum momento diminuir isso. Mas nós precisamos de pessoas. Deus usa pessoas nas nossas vidas. Deus nos criou para nos relacionarmos com pessoas. Portanto, invista em relacionamentos!).
Agora, voltando a questão do desânimo e das dificuldades, a pergunta que fica para nós é: Qual a abordagem adequada ao desânimo e as dificuldades? Como nos manter encorajados e consolados?
Pensando nisso, eu quero ler com vocês o texto de 2 Coríntios 1.3–7, e focar principalmente nos versos 3 e 4.
“Louvado seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai misericordioso e Deus de todo encorajamento. Ele nos encoraja em todas as nossas aflições, para que, com o encorajamento que recebemos de Deus, possamos encorajar outros quando eles passarem por aflições. Pois, quanto mais sofrimento por Cristo suportarmos, mais encorajamento será derramado sobre nós por meio de Cristo. Mesmo quando estamos sobrecarregados de aflições, é para o encorajamento e a salvação de vocês. Pois, quando somos encorajados, certamente encorajaremos vocês, e então vocês poderão suportar pacientemente os mesmos sofrimentos que nós. Temos firme esperança de que, assim como vocês participam de nossos sofrimentos, também participarão de nosso encorajamento”. (2 Coríntios 1.3–7)
Como eu disse, nós iremos focar nos versos 3 e 4. Primeiro, nós veremos o que é esse encorajamento e consolo que Paulo está falando. Depois, nós veremos duas verdades importantes sobre esse encorajamento—uma interna e outra externa.
(1) O que é esse encorajamento que Paulo está falando?
A palavra que Paulo usa aqui—παράκλησις—traz tanto a ideia de conforto quanto de encorajamento.[2] Mas esse conforto e encorajamento que Paulo tem em mente não tem nada a ver com um sentimento superficial e pequeno de satisfação. Não é uma dose tranquilizadora que apenas posterga as dores. O conforto e o encorajamento que Deus nos oferece é muito mais forte do que isso; ele fortalece o nosso coração e nossa mente. O encorajamento e o consolo que Deus nos concede em si mesmo e em sua Palavra é forte o suficiente para nos sustentar, para nos mover a perseverança e para nos animar, de tal modo que nós consigamos enfrentar os problemas e as dificuldades da vida com determinação e segurança.[3]
Esse é o encorajamento que Deus nos concede—um encorajamento capaz de nos animar e mover em meio as circunstâncias mais complicadas e desanimadoras. E é óbvio que todos nós queremos isso, nós queremos encorajamento e consolo, nós queremos animo para continuarmos firmes… mas onde e como nós podemos encontrar isso?
(2) Não há encorajamento fora de Deus
Eu não quero que você desanime com o que eu vou falar, ou que encare de forma simplista, mas a resposta a essa pergunta é, de certa forma, simples: nós só encontramos consolo e encorajamento em Deus. Não há nada disso fora de Deus. Essa é a primeira verdade que nós precisamos compreender. Não há encorajamento fora de Deus! Ele é o Deus de todo encorajamento e consolo!
Isso é o que Paulo diz nos versos 3–7. Ele enfatiza isso ao usar 3 vezes a palavra “todo/toda”: ele é o Deus de todo encorajamento, que nos encoraja em todas as aflições, para que possamos encorajar todas as pessoas que também passam por aflições. Todo encorajamento vem do Senhor, e ele é suficiente para nos encorajar em todas as aflições. E isso nos leva, consequentemente, a outra verdade. Deus nem sempre remove as aflições que surgem em nosso caminho, mas Deus sempre conforta, nos dando a coragem necessária para enfrentá-las.
Antes de ir para o nosso último ponto, eu quero deixar uma dica bem prática. É uma dica simples, que talvez por isso a gente não dê o devido valor, mas uma dica preciosa. Se o nosso encorajamento e conforto está em Deus, nós precisamos gastar tempo buscando a Ele. Às vezes, quando eu tenho uma tarefa importante para fazer, eu costumo ficar muito tempo sem comer. Quando eu percebo, o trabalho já não está rendendo, minha cabeça não funciona, eu me sinto literalmente fraco. Se nós não nos alimentarmos da Palavra, se nós não saborearmos a Palavra de Deus, nós ficaremos fracos e desanimados. Não troque seu tempo com Deus por nada…
(3) Todo encorajamento deve ser externado
Finalmente, Paulo nos mostra que um dos propósitos de Deus no sofrimento dos cristãos é que eles experimentem conforto direto e pessoal de Deus para que, a partir dessa experiência, possam ministrar o conforto de Deus a outros.[4] O conforto de Deus não tem a intenção de parar conosco. Deus sempre nos dá a mais, justamente porque a vontade dele é que aquilo que nós recebemos transborde para os outros. Deus nos dá não apenas o que precisamos para nós mesmos em nossas situações, mas para nos apoiar na tarefa de fortalecer os outros.[5]
E um detalhe importante: nós encorajaremos outros ao mostra-los Cristo, e não a nós mesmos. É por isso que você não precisa passar exatamente pela mesma situação que outra pessoa para poder encoraja-la. Você foi encorajado por Cristo? Você foi consolado por Cristo? Então você está pronto para encorajar e consolar outras pessoas. Não é porque você sofreu que você pode ajudar; é porque você foi encorajado e confortado por Deus que você pode ajudar.
Esse Deus, que é o Pai de misericórdias e o Deus de todo encorajamento, é digno de toda adoração, independente do que temos passado (2 Coríntios 1.3). E ele não nos encoraja e conforta para nos deixar confortáveis, mas para que nos tornemos confortadores e encorajadores.
Com isso em mente, o desafio que eu quero deixar a todos nós é focar, durante nossas conversas, não nas incertezas que nós temos vivido, mas em Deus—nosso Pai misericordioso e de todo encorajamento—e naquilo que temos aprendido, para que possamos, como Paulo, ser instrumentos de encorajamento e consolo as pessoas que estão a nossa volta.
[1] Terry Waite, Taken on Trust (London: Hodder & Stoughton, 2016), 37.
[2] “Ato de animar outra pessoa em seu curso de ação, encorajamento, exortação; elevação do espírito, conforto e consolo de outra pessoa”. F. W. Danker et al., A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (Chicago: University of Chicago Press, 2000), 766; “Fazer com que alguém seja encorajado ou consolado, seja por meios verbais ou não verbais—‘incentivar, consolar, encorajar’”. Johannes P. Louw and Eugene A. Nida, Greek-English Lexicon of the New Testament: Based on Semantic Domains (New York: United Bible Societies, 1996), 305.
[3] David E. Garland, 2 Corinthians, vol. 29 of The New American Commentary (Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers, 1999), 60.
[4] Scott J. Hafemann, “2 Corinthians,” in ESV Study Bible (Wheaton, IL: Crossway Bibles, 2008), 2223.
[5] Garland, 2 Corinthians, 64.
