Um Ministério para Todos

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Introdução: Prezados amigos, permitam-me trazer à vossa reflexão um tema de profunda urgência espiritual e missionária. Vivemos em uma era de prodigioso avanço tecnológico, onde ferramentas poderosas nos permitem alcançar aos confins da terra com uma facilidade que nossos antepassados jamais poderiam imaginar.
Hoje, o Evangelho pode ser proclamado "a todo mundo" com apenas um toque, um envio, uma transmissão. Contudo, observamos com pesar que o cristianismo avança a passos lentos, quase apáticos, enquanto o mundo parece inclinar-se para uma era pós-cristã.
E por que isso acontece, queridos? Não é porque nos faltam recursos. Não é porque nos faltam meios. É, sim, porque nos falta compromisso!
Ao sondarmos as razões desta inércia espiritual, somos forçados a reconhecer que poucos dentre nós têm se dedicado, ativa e conscientemente, a carregar a luz de Cristo às fronteiras do mundo, onde vivem e exercem suas vocações.
Onde estão os embaixadores do Reino, aqueles que, como o apóstolo Paulo, dizem: "Ai de mim, se não pregar o Evangelho"? Onde está a coragem de sermos sal e luz em uma sociedade insipida e que se obscurece?
Há mais de um século, Ellen White dirigiu à igreja uma exortação que, de maneira impressionante, se aplica perfeitamente à realidade que enfrentamos atualmente: “Nem um dentre cem, em nosso meio, está fazendo qualquer coisa além de empenhar-se em empreendimentos comuns, seculares. Não estamos nem meio despertos em relação ao valor das almas pelas quais Cristo morreu.” — Testimonies for the Church 8:148. 
Conta-se que Billy Bray, pregador metodista do século 19, estava sentado ao lado de um moribundo que balbuciou: “Se eu tivesse forças, exclamaria ‘Glorias a Deus’ ao que Billy respondeu: “É uma pena que você não exclamou ‘Glória’ quando ainda tinha forças”. A situação desse homem descreve a experiência de muitos cristãos que não conseguiram entender plenamente qual é o seu papel e sua função no mundo nem qual é a natureza da Igreja.  Edwards, Rex. Um Ministério para Todos, p. 6
I - NÃO SOMOS CHAMADOS PARA SERMOS MEROS ESPECTADORES
Vivemos na era do espectador. Eventos esportivos como basquete, vôlei e claro futebol atraem o interesse e enchem as páginas das revistas e sites de notícias. Apesar das multidões não participarem do espetáculo esportivo, elas não jogam; apenas observam os outros jogar.
O que chama atenção é que a era do espectador migrou do campo esportivo para nossa casa. Somos uma geração viciada em telas.
 
Na América do Sul, as pessoas passam, em média, quase cinco horas por dia utilizando seu smartphone. Muitos ligam a televisão para acompanhar os noticiários matinais e só a desligam tarde da noite. Durante esse período, permanecem grudados no sofá, mudos e inertes, com a mente neutralizada e as emoções em ebulição.
Os reflexos dessa passividade podem ser vistos em nossa forma de ser como igreja. Acomodamo-nos a um cristianismo espectador, no qual poucos falam e muitos ouvem. Desde os tempos de Jesus até os dias atuais, o chamado para sermos sacerdotes, uma geração eleita, povo exclusivo de Deus, encontrado em 1 Pedro 2:9, nos lembra que não somos apenas espectadores na obra divina, mas participantes ativos no plano de salvação.
Quando Jesus disse: "Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações", Ele não estava falando apenas aos líderes ou aos mais instruídos. Não foi em um concílio de pastores nem em uma sala de seminário teológico que essas palavras foram proclamadas. Elas foram ditas a todos os discípulos.
Cada homem, mulher e jovem que ouvia a voz do Mestre foi desafiado a se tornar um portador da verdade de Deus. Esse foi o início da igreja do Novo Testamento: um movimento leigo, vibrante e ativo, movido pelo Espírito Santo.
Entretanto, ao longo dos séculos, o que começou como um movimento de discípulos dedicados se degenerou em algo que, muitas vezes, se reduz à pregação profissional sustentada por espectadores passivos. Deixamos de lado a essência do sacerdócio de todos os crentes, restringindo a obra de Deus às mãos de poucos, enquanto muitos permanecem como ouvintes.
Mas, irmãos, o chamado bíblico nos desafia a algo muito maior. A doutrina do sacerdócio dos crentes, tão estimada por nós como adventistas do sétimo dia, é um lembrete poderoso de que fomos separados para anunciar as grandezas dAquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz. Porém, precisamos confessar que, muitas vezes, temos entendido apenas uma parte desse chamado. Acreditamos corretamente que cada cristão tem acesso direto a Deus, sem intermediários humanos. Contudo, esse é apenas o início do que significa ser um sacerdote no reino de Deus.
O sacerdócio real não é apenas um privilégio; é uma responsabilidade. Somos chamados não apenas a nos aproximar de Deus, mas a representar Deus diante do mundo. Cada um de nós é chamado a ser um embaixador, uma testemunha viva do amor, da verdade e da graça divina.
Não podemos relegar essa missão àqueles que ocupam púlpitos ou possuem títulos. A obra de Deus é para todos, e a igreja só será completa quando cada membro abraçar seu papel no corpo de Cristo.
Talvez o grupo mais antigo que melhor tenha entendido o conceito de Sacerdócio a todos os crentes tenha sido os Valdenses....
No período da Reforma, o conceito bíblico do sacerdócio de todos os crentes havia sido corroído por uma Igreja hierárquica, centralizada no sacerdote. A reafirmação do princípio por Lutero foi um protesto contra o poder clerical.
É claro que muitos ecos dessa doutrina se espalharam mesmo antes de Lutero. O catarismo, movimento semicristão dos séculos 12 e 13 que se dispersou pelo centro-sul da Europa, era caracterizada por sua ênfase no cristianismo leigo, na pregação leiga e no apostolado leigo.
Durante este período, surgiu um movimento ortodoxo, primeiro na França e, depois, no Norte da Itália, sob a liderança de Pedro Valdo, um comerciante de Lyon. No princípio, o grupo desejava fazer um trabalho missionário apenas dentro da Igreja, mas logo foi afastado dela. Assim, os Valdenses formaram uma entidade separada, com uma ênfase leiga considerável....
Sem dúvidas esse movimento foi um dos movimentos precursores de uma ruptura inevitável e radical de poder eclesiástico católico romano, com o seu status exclusivo do sacerdócio.
Portanto, queridos, o que significa para você ser parte desse sacerdócio real? Como você tem anunciado as grandezas dAquele que o chamou das trevas? Como você tem usado seus dons e talentos para espalhar a mensagem do evangelho?
Hoje, Deus nos convida a sair do comodismo e a nos unir ao movimento que Ele começou com Seus primeiros discípulos. É tempo de reavivar o sacerdócio de todos os crentes, de lembrar que cada um de nós é chamado a ser uma luz para o mundo. Vamos responder a esse chamado com coragem, com humildade e com fé, sabendo que somos uma geração eleita, escolhida para fazer a diferença.
 
2 – SOMOS CHAMADOS PARA SERMOS SUAS TESTEMUNHAS
“Não é somente pregando a verdade, ou distribuindo literatura, que seremos testemunhas de Deus. Lembremo-nos de que uma vida semelhante à de Cristo é o mais poderoso argumento que pode ser apresentado em favor do cristianismo, e que o cristão que não é fiel à sua profissão causa mais dano ao mundo do que um mundano. Nem todos os livros escritos poderiam substituir uma vida santa. Os homens acreditarão, não no que o ministro prega, mas no que a igreja pratica em sua vida. Frequentemente a influência do sermão pregado do púlpito é anulada pelo sermão vivido pelos que professam ser partidários da verdade.” Testemunhos para Igreja, Vol. 09, p.21
      Este texto abriu a minha mente, pois ele não deixa dúvidas: “O TESTEMUNHO CRISTÃO NÃO É ALGO QUE FAZEMOS; É O QUE SOMOS”. DEUS NÃO DESEJA ALGO DE NÓS, É A NÓS QUE ELE DESEJA...
Amigos, Deus nos deu tudo o que precisamos, mas cabe a nós respondermos ao chamado. Que esta palavra desperte nossos corações, pois os campos estão prontos para a colheita, mas os ceifeiros ainda são poucos. Não negligenciemos tão grande responsabilidade. Que o Senhor nos desperte e nos envie, para que Sua glória encha toda a terra. Amém.
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