(Lv 3) A Oferta de Paz
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Uma oferta pacífica é apresentada e partilhada por inimigos reconciliados.
Essa é a única oferta que é compartilhada por Deus, pelo Sacerdote e também pelo ofertante e sua família.
Uma oferta pacífica pode ser uma oferta de ação de graças, o resultado de um voto, uma oferta voluntária ou uma oferta pela ordenação de sacerdotes. Esse capítulo trata especialmente da parte de Deus na refeição, que é a gordura. O capítulo 7 trata da parte dos sacerdotes, que é coxa e o peito do animal.
A estrutura do capítulo é simples. Ele começa com duas leis principais: ofertas de comunhão do gado (3:1-5) e ofertas de comunhão do gado miúdo (3:6-16). Essas são seguidas por uma conclusão que proíbe comer gordura ou sangue (3:17). Nessa oferta não são mencionadas aves, como no holocausto, talvez porque não fossem comidas por uma família inteira.
A apresentação de uma oferta de comunhão era muito semelhante à de um holocausto. O ofertante levava um animal sem defeito até a entrada da Tenda do Encontro e realizava o ritual de limpeza das mãos (vv. 1-2a; cf. 1:4). O animal era então abatido e dividido, e os sacerdotes jogavam o sangue do animal sobre o altar e queimavam a carne do sacrifício (vv. 2b-5). Havia, porém, uma diferença muito importante: o holocausto era totalmente consumido no altar, enquanto a oferta de comunhão não. Em vez disso, somente a gordura da oferta de comunhão - a melhor parte da carne (veja os vv. 3-4) - era queimada no altar (vv. 3-5). O restante do animal era dividido entre o sacerdote (7:31-34) e o ofertante (7:15-21). Assim, enquanto o holocausto era inteiramente consumido pelo Senhor, a oferta de comunhão era consumida por três partes: o Senhor, o sacerdote e o ofertante. Essa diferença destaca a principal maneira pela qual a oferta de comunhão funcionava: como uma refeição da aliança, expressando a comunhão da aliança entre os ofertantes e o Senhor (veja 3:11).
1-2. Enquanto o holocausto tinha de ser macho (1:3), as ofertas pacíficas podem ser sacrifícios de machos ou fêmeas. Isso torna a oferta menos restritiva e, assim, permite uma participação mais ampla. Talvez seja o que acontece com o batismo. Enquanto que na circuncisão apenas os machos eram circuncidados, no batismo homens e mulheres participam.
Apesar de não ser uma oferta de expiação, ainda assim havia um aspecto expiatório na oferta de comunhão, assim como na oferta de holocausto, por causa da imposição de mão e do sacrifício do animal. Esse aspecto existia em praticamente todas as ofertas, porque ninguém pode achegar a Deus sem expiação. Mas a oferta de comunhão em si não se concentra na expiação, mas no seu resultado. O resultado da expiação é a paz.
Romanos 5.1–2 “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.”
Nós aprendemos na Introdução dos sacrifícios no livro de Levítico que a ordem lógica dos sacríficos era a seguinte: expiação-consagração-comunhão (justificação-santificação-união). Nós começão pela consagração (holocausto), hoje estamos tratando da comunhão (oferta pacífica) e depois trataremos das ofertas de expiação (oferta pelo pecado e pela culpa).
3-4. Ao contrário do holocausto, que era totalmente queimado no altar, a única parte da oferta de comunhão a ser queimada era a gordura. O restante da carne deveria ser dividido entre o sacerdote (7:31-34) e o ofertante (7:15-21).
Por que toda a gordura deveria ser queimada? Aparentemente, ela representava a melhor parte da carne - o filé mignon - e, portanto, era a mais digna de ser oferecida ao Senhor. Gordura então significa “melhor parte”.
Salmo 63.5 “Como de banha e de gordura farta-se a minha alma; e, com júbilo nos lábios, a minha boca te louva,”
Gênesis 45.18 “tomai a vosso pai e a vossas famílias e vinde para mim; dar-vos-ei o melhor da terra do Egito, e comereis a fartura da terra.”
Salmo 147.14 “estabeleceu a paz nas tuas fronteiras e te farta com o melhor do trigo.”
É proibido comer a gordura da oferta pacífica, quem o fizer “será eliminado do seu povo” (Lv 7.25).
Os filhos perversos de Eli, por exemplo, exigiam comer a carne do sacrifício antes que a gordura fosse queimada (1Sam. 2:15).
O Senhor teve consideração para com a oferta de Abel porque ele ofereceu as “porções gordurosas” (ḥēlev) do seu rebanho; o termo para gordura em Gênesis 4.4 é o mesmo usado aqui em Levítico.
5. Após a gordura da oferta pacífica ser oferecida, tanto os sacerdotes quanto os adoradores comem o que restou. Esta é a única oferta em que os leigos participam da refeição. Ao se fazer uma aliança, a refeição afirma o vínculo pactual. Comer do mesmo sacrifício unia as partes na aliança. Comer o sacrifício comum significa que ele se torna parte de todos os participantes.
A bênção no reino de Deus é retratada sob a figura de uma refeição.
Salmo 23.5 “Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.”
Salmo 36.8 “Fartam-se da abundância da tua casa, e na torrente das tuas delícias lhes dás de beber.”
Mateus 8.11 “Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.”
6-16. Ofertas de comunhão do gado miúdo. Uma descrição de dois tipos de ofertas do rebanho: as das ovelhas (vv. 7-11) e as das cabras (vv. 12-16).
7-9. Trata de um cordeiro específico de calda longa que tinha muita gordura. Ao contrário de outras ovelhas, que têm uma cauda curta, "a cauda da ovelha de cauda larga é longa e larga, contendo uma massa de gordura que pode pesar até 13 kg", e é mencionada em vários lugares como parte do sacrifício (Êxodo 29:22; Levítico 3:9; 7:3; 8:25; 9:19).
11. A gordura deve ser queimada no altar "como alimento, uma oferta de alimento ao SENHOR" (manjar). A palavra alimento não é usada porque o Senhor está "faminto" (diferente da cultura pagã). Em vez disso, seu uso ressalta que essa oferta funcionava como uma refeição, na qual o Senhor, os sacerdotes e o(s) ofertante(s) participavam.
Salmo 50.9–10 “De tua casa não aceitarei novilhos, nem bodes, dos teus apriscos. Pois são meus todos os animais do bosque e as alimárias aos milhares sobre as montanhas.” Salmo 50.12–15 “Se eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é meu e quanto nele se contém. Acaso, como eu carne de touros? Ou bebo sangue de cabritos? Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo; invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.”
A parte do Senhor representa não apenas que o Senhor era mais digno, porque recebia a melhor parte, mas que o povo havia entrado em aliança com o Senhor. Acontece com Isaque e Abimeleque, que firmaram um pacto e depois confirmaram seu relacionamento de pacto com um banquete.
Gênesis 26.28–30 “Eles responderam: Vimos claramente que o Senhor é contigo; então, dissemos: Haja agora juramento entre nós e ti, e façamos aliança contigo. Jura que nos não farás mal, como também não te havemos tocado, e como te fizemos somente o bem, e te deixamos ir em paz. Tu és agora o abençoado do Senhor. Então, Isaque lhes deu um banquete, e comeram e beberam.”
Depois que os israelitas entraram em um relacionamento de aliança com o Senhor (Êxodo 20-24), Moisés e vários líderes de Israel subiram ao Monte Sinai para comparecer diante dele e comer uma refeição (24:9-11), confirmando assim o relacionamento de aliança. Significativamente, a refeição que eles comeram muito provavelmente veio das ofertas de comunhão que tinham acabado de ser apresentadas.
Êxodo 24.5 “E enviou alguns jovens dos filhos de Israel, os quais ofereceram ao Senhor holocaustos e sacrifícios pacíficos de novilhos.”
A refeição como representação dessa intimidade e confirmação da aliança, também mostra a seriedade da quebra da aliança.
Salmo 41.9 “Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar.”
Uma profecia sobre Judas, que comeu com o Senhor Jesus, e justamente ali o texto diz que o diabo entrou nele.
A parte do sacerdote é tratada no capítulo 7, é o peito e a coxa (Êx 29.26–27; Lv 10.14). São chamadas de oferta movida. A oferta movida era movida pelo Sacerdote em direção ao Santuário. Números 8:13-15 diz que os levitas também foram dedicados como oferta movida ao Senhor.
12-15. Cabra.
16. Todas as três seções desse capítulo estipularam que a gordura do animal deveria ser queimada no altar (vv. 3-5, 9-11, 14-16). Esse versículo deixa bem claro o motivo: toda a gordura é do SENHOR. De fato, Eli é repreendido por fazer exatamente o oposto: ele honrou seus filhos acima do Senhor, permitindo que eles ficassem com a gordura dos sacrifícios (e também comeu da gordura ele mesmo) (1Sm 2:15-17, 29). Lembrem-se disso ao ler a história de Eli e seus filhos, e quão sério foi o seu pecado de honrar mais os filhos do que a Deus. As consequência disso são desastrosas. São a morte.
17. Como a oferta de comunhão era a única oferta da qual o ofertante comia, o capítulo termina destacando as duas partes do animal que o ofertante nunca deve comer, a saber, a gordura e o sangue. Uma das principais razões é que o sangue representava a vida do animal e, portanto, pertencia ao Senhor, o Criador de toda a vida (Levítico 17:10-12). A proibição de comer sangue era tão forte que no NT foi uma das decisões do primeiro concílio da igreja em Jerusalém pra proibir que os gentios comecem sangue, não porque ainda guardavam essas lei rituais que já haviam sido abolidas, mas por causa da consciência dos cristãos judeus. Foi uma condescendência graciosa por causa das consciências fracas.
Conclusão
É muito provável que em Ef 5 Paulo esteja fazendo referência exatamente a esta oferta quando fala do sacrifício de nosso Senhor:
Efésios 5.2 “e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.”
Exatamente porque ele está falando sobre comunhão e paz.
Talvez o profeta Isaías faça alusão a essa oferta quando diz o seguinte:
Isaías 53.5 “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”
Colossenses 1:20 diz que Cristo fez a paz mediante o sangue da sua cruz.
Colossenses 1.20 “e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.”
Então do que estamos tratando exatamente aqui hoje? Dos frutos do sacrifício de nosso Senhor Jesus, que morreu por nós para trazer paz eterna. A paz que o mundo não nos pode dar. Sem ele e sem sua obra vicária na cruz, não haverá. Você jamais terá paz se Cristo e sem confiança naquilo que ele fez por nós. A comunhão da Igreja, representada visivelmente na Ceia do Senhor, nos comunica isso. Ao participar da Santa Ceia nós celebramos essa conquista feita pela cruz, nos achegamos à mesa do Senhor.
Assim como a oferta de comunhão, a Ceia do Senhor serve como um momento para os crentes celebrarem a redenção que o Senhor conquistou para eles, nesse caso por meio da morte sacrificial de Jesus
1Coríntios 11.26 “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.”
E, assim como a oferta de comunhão, essa lembrança impulsiona os crentes a reafirmarem seu compromisso com o Senhor do pacto e com nossos irmãos e irmãs do pacto (
1Coríntios 10.17 “Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão.”
Por isso zele pela mesa do Senhor, se esforce por valorizar o Culto, a congregação dos santos. Não menospreze aquilo que Cristo, pelo seu sangue, conquistou pra nós.
