A IMPOSSIBILIDADE DA LEI DE LIBERTAR O CRENTE DO PODER DO PECADO

A JUSTIÇA DE DEUS EM CRISTO JESUS  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O sermão "A IMPOSSIBILIDADE DA LEI DE LIBERTAR O CRENTE DO PODER DO PECADO" aborda a incapacidade do ser humano de se libertar do pecado através da Lei, destacando a fraqueza da carne. Baseando-se em Romanos 7.14-25, o apóstolo Paulo explica que, apesar de os crentes estarem sob a graça, ainda enfrentam a luta contra o pecado, pois a carne está vendida ao pecado e não consegue cumprir a Lei de Deus, que é espiritual. Paulo usa metáforas como a escravidão e a habitação do pecado para ilustrar essa batalha interna, enfatizando que a libertação total só ocorrerá na ressurreição. O sermão conclui que a salvação não vem pelo cumprimento da Lei, mas pela graça de Jesus Cristo, e que a verdadeira obediência é alcançada por meio do Espírito Santo, que habita no crente. Portanto, o foco deve ser em viver em obediência a Deus, reconhecendo a própria fraqueza e a necessidade de dependência do Espírito para resistir ao pecado.

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A IMPOSSIBILIDADE DA LEI DE LIBERTAR O CRENTE DO PODER DO PECADO

Introdução: Existem algumas coisas que são impossíveis para o homem, como voar sem ajuda de um dispositivo, respirar debaixo d’água, viver sem oxigênio, contar até o infinito, etc. Teologicamente falando, há outra coisa que é impossível ao homem: libertar-se do poder do pecado, que está na sua carne, por meio da Lei. Pensar: “Agora que estou na graça, irei cumprir a Lei de Deus para não pecar mais.”
Lição: A Lei Não Pode Libertar O Crente Do Poder Do Pecado Devido À Fraqueza Da Sua Carne.
Texto: Romanos 7.14-25.
Do capitulo 5 ao 8, Paulo está tratando da certeza da salvação que tem aquele que crê em Jesus Cristo. Nos capítulo 6 e 7, ele aborda a tensão vivida pelo crente com relação ao pecado e à Lei. No capítulo 6, ele mostrou que crente morreu para o pecado por meio do corpo de Cristo e agora obedece somente a Deus. No início do capítulo 7, apóstolo Paulo afirma que o crente morreu para a Lei por meio do corpo de Cristo (vv. 1-6). Ele comprova isso ao mostrar que a Lei só leva o homem a pecar ainda mais e a concretizar sua morte (7.7-13). Agora, nesses versículos que acabamos de ler, Paulo demonstra que o crente, que está na graça, não tem como cumprir a Lei de Deus, por causa da fraqueza da carne.
A questão, para Paulo, é que não fomos transformados por completo; ainda falta a transformação do corpo, que será futura (Fp 3.20-21). Se já tivéssemos sido totalmente transformados, poderíamos cumprir perfeitamente a Lei de Deus; no entanto, ainda não somos. Paulo quer mostrar que, mesmo sob a graça, não devemos procurar cumprir a Lei, pois não conseguiremos, e também porque a salvação é pela graça (Rm 3.24; Ef 2.8).
Como Paulo já deixou claro, nós morremos para a Lei por meio do corpo de Cristo (Rm 7.4), e o pecado usa a Lei para nos fazer pecar ainda mais (Rm 7.8). Agora, ele deixa bem claro que a Lei não pode nos libertar do poder do pecado devido à fraqueza da carne.
Paulo retrata essa fraqueza da carne com algumas figuras de linguagem.
Comércio de pessoas: A carne está vendida ao pecado (14).
A Lei é espiritual.
14a Porque bem sabemos que a lei é espiritual;
Todos os que conhecem a Lei (Rm 7.1). A Lei é “espiritual” porque é sobrenatural e de Deus (ex. 1Co 10.4).
Nós somos carnais.
14b eu, todavia, sou carnal,
Ser “carnal” significa ter o corpo afetado pelo pecado. Ou seja, Paulo quer dizer que é limitado pela carne. O homem é constituído de carne e espírito/alma, e esses foram atingidos pelo pecado, fazendo do homem completamente depravado. Na conversão, o homem, em seu lado espiritual/interno, é liberto do domínio do pecado; ou seja, ele pode fazer a vontade de Deus por causa do Espírito Santo que habita nele. Porém, em seu lado carnal/exterior, ele está vendido ao pecado (um exemplo desses dois lados é 2Co 4.16; Gl 5.17); ele será liberto apenas no arrebatamento (1Co 15.42-44).
Observação: Paulo não está dizendo que o crente vive na carnalidade (ele está morto para o pecado, Rm 6), mas que o pecado ainda está presente em sua vida e que a libertação dele não pode ser alcançada pela Lei, pois Ela é espiritual. Somente, como veremos a seguir, por meio de Cristo (v. 25; e como visto acima em 1Co 15.42-44).
Paulo está dizendo que a carne humana é totalmente contrária à Lei de Deus que é espiritual.
A natureza humana foi vendida ao pecado.
14c vendido à escravidão do pecado.”
O ato de vender traz a ideia de um mercado de pessoas (p. ex. Gn 37.27, 36). A ideia é que o próprio homem se vendeu ao pecado quando pecou em Adão. Estar na graça e querer se libertar do pecado pelo seu próprio esforço em cumprir a Lei é impossível, porque a carne é totalmente contrária a Lei de Deus. A carne continua, desde a queda, vendida ao pecado. Estamos limitados pela carne em relação às coisas espirituais; porém, não somos totalmente influenciados por ela, porque o Espírito de Deus habita em nós.
Habitação: A carne está habitada pelo pecado (15-21).
A nossa incompreensão sobre o nosso próprio modo de agir é a prova da habitação do pecado em nossa carne.
15 Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. 16 Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. 17 Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim.”
Quando não compreendemos nosso modo de agir e não fazemos o que desejamos, estamos concordando com a Lei, que tal modo de agir é errado, contrário a Ela. Isso a prova da habitação do pecado em nossa carne.
As nossas ações indesejadas (más) nos levam a uma conclusão: “O pecado habita em mim.”
18 Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. 19 Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. 20 Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.”
O nosso modo de agir, indesejado, que é totalmente contrário ao bem que desejamos fazer, revela que não existe bem nenhum em nossa carne. Ele nos mostra um poder indomável habitando em nós, levando-nos à conclusão de que é o pecado habitando nossa carne.
A falta de realização do bem que desejamos fazer nos faz descobrir a habitação do pecado em nossa carne.
21 Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim.”
Essa “lei” é a lei do pecado (v. 23; 8.2). Quando queremos fazer bem, não conseguimos chegar à conclusão, porque a lei do pecado nos impede. Com isso, acabamos descobrindo a habitação do pecado em nossa carne.
O pecado habita em nossa carne; esse mal existe em nossos membros e nos leva a fazer o que não desejamos. Esse poder que existe dentro de nossa carne não pode ser vencido por nossa própria força, mas somente pelo Espírito de Deus.
Batalha: A carne está dominada pelo pecado (22-23).
A lei do pecado está constantemente guerreando contra a lei da nossa mente (o nosso desejo de agradar a Deus, de cumprir Sua lei).
22 Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; 23a mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente,
A expressão “homem interior” aparece apenas em 2Co 4.16 e Ef 3.16. O Espírito Santo, em nosso homem interior, nos faz ter prazer na Lei de Deus; ou seja, Ele nos leva a desejar fazer o bem (a vontade de Deus).
Paulo expressa muito bem essa guerra do cristão em Gl 5.16-18.
A lei do pecado consegue dominar a carne.
“23b me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.”
A ideia de “me faz prisioneiro” é de que “está conseguindo me dominar”. Na batalha entre o desejo da mente e a vontade da carne, o pecado constantemente vence essa guerra e nos leva cativos. Paulo não quer dizer que não temos poder de fazer a vontade, mas que essa é a situação miserável do nosso homem exterior, que, mesmo sendo crente, não tem condições de cumprir a Lei de Deus.
A carne externa está dominada pelo pecado; porém, o nosso homem interno é dominado pelo Espírito Santo.
Escravidão: A carne está escravizada ao pecado (24-25).
O nosso corpo está escravizado à lei do pecado até a ressurreição.
O nosso corpo físico está destinado à morte por causa do pecado.
24 Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
Nossa situação é tão miserável que não sabemos nem orar; é o Espírito Santo que nos assiste e intercede por nós (Rm 8.26). Nossa carne é fraca (Mt 26.41; Mc 14.38).
A carne, escravizada pelo pecado, está destinada à morte, porque, como disse Deus: “tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3.19). Por causa deste corpo carnal, nós merecemos a morte eterna. E quem poderá nos livrar da morte física e espiritual? Jesus Cristo!
O nosso corpo físico será ressuscitado por Cristo.
25a Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.
É por meio de nosso Senhor Jesus Cristo teremos vitória sobre a morte (1Co 15.50-57). Graças a Deus por Jesus Cristo, pois, nEle, temos a salvação da nossa alma e a restauração do nosso corpo. Será que somos reconhecedores dessa imensa graça de Deus?
A que conclusão chegamos, diante de tudo isso, é que o nosso corpo ainda é escravo do pecado.
25b De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.”
Pelo Espírito Santo, em nosso homem interior, somos escravos da Lei de Deus; isto é, temos o desejo de fazer a vontade de Deus. Porém, pela nossa carne exterior, somos escravos da lei do pecado. Isso não quer dizer que não podemos fazer a vontade de Deus; nós podemos, sim, mas não pela carne, e sim pelo Espírito.
Paulo está mostrando a realidade da vida cristã neste mundo caído. O que ele quer demonstrar é que nós ainda pecamos e, mesmo já crentes em Cristo Jesus, não temos condições de cumprir a Lei de Deus por causa do nosso homem exterior, ou seja, nossa carne. Temos uma batalha presente que já foi vencida por Cristo no passado, mas que terá um fim somente no futuro.
Irmãos, nosso corpo ainda está escravizado pela lei do pecado, mas não será assim para sempre (1Co 15.50-57).
Contextualização:
O crente precisa compreender que, mesmo sob da graça, é impossível cumprir a Lei de Deus. É preciso entender a fraqueza da carne, devido à lei do pecado, que a comprou e, por isso, habita, prende e a escraviza. Estar na graça de Cristo não significa estar apto para cumprir a Lei de Deus perfeitamente. O que nós precisamos é manifestar os frutos do Espírito: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gl 5.22-23).
Lições:
Não temos condições de cumprir a Lei, por causa da nossa carne. A salvação não é pelo cumprimento da Lei, e sim pela graça.
Precisamos ser cientes que ainda pecamos. Não somos e nem temos condições de ser perfeitos. O que Deus quer de nós é obediência.
Precisamos reconhecer que não habita bem nenhum em nossa carne. Somos miseráveis!
Não conseguiremos fazer a vontade de Deus por nós mesmos, a não ser pelo Espírito Santo.
Nossa libertação definitiva do pecado será no arrebatamento.
Conclusão: Não devemos buscar a libertação do pecado pela Lei, pois não conseguiremos. É impossível ser liberto do pecado pela Lei devido à fraqueza da carne. Lembre-se que, em Cristo, pela fé, já fomos perdoados dos nossos pecados por Deus. O que Deus quer de nós é obediência. O que devemos fazer é morrer para o pecado e o mundo e viver, pelo Espírito, em obediência a Deus.
Carta aos Romanos - Comentário Expositivo do Novo Testamento Grant Osborne A Lei é Espiritual, Eu Sou Não Espiritual (7.14)

O seguidor de Cristo é livre do poder escravizante do pecado e apto sob o Espírito para derrotar as inclinações da carne, mas o pecado continua usando a lei e a carne para contra-atacar e estabelecer uma base de operações (7.8,11).

Carta aos Romanos - Comentário Expositivo do Novo Testamento Grant Osborne A Lei é Espiritual, Eu Sou Não Espiritual (7.14)

Paulo usa a metáfora da escravidão para hiperbolicamente enfatizar o crescente controle do pecado em momentos da vida de todo cristão. Essa não é a “vida cristã normal” que é vista no capítulo 8. Neste sentido ele desenvolve um “espantalho”, uma figura de crentes que tentam viver a vida cristã em sua própria força. Os versos 7–23 do capítulo 7 de Romanos apresentam o cristão vivendo pela carne; os 1–17 do capítulo 8, o cristão vivendo pelo Espírito. O apóstolo quer que percebamos as forças malevolentes apontadas para nós e os perigos do poder escravizante que podem facilmente nos dominar.

Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento I. O Lugar da Lei na Vida do Cristão (7)

7:14 Até aqui, o apóstolo descreveu sua experiência passada, a crise traumática na qual ele foi profundamente convencido do pecado mediante o ministério da lei.

Agora ele muda para o tempo presente a fim de descrever uma experiência vivida desde o seu novo nascimento, o conflito entre as duas naturezas e a impossibilidade de se libertar, com suas forças, do poder do pecado que reside dentro dele.

Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento I. O Lugar da Lei na Vida do Cristão (7)

O restante do versículo resume o conflito entre as duas naturezas antes de se concretizar o livramento. Com a mente renovada, ou nova natureza, o cristão serve à lei de Deus, mas, segundo a carne (ou velha natureza), é escravo da lei do pecado. O livramento é explicado apenas no capítulo seguinte.

Tradução literal: 14 Porque sabemos que a Lei é espiritual, porém eu sou carnal, estando vendido sob o pecado. 15 Porque, o que produzo, não conheço; pois o que desejo isso não pratico, mas o que odeio isso faço. 16 E, se o que não desejo isso faço, concordo a Lei que é boa. 17 E agora não mais eu produzo o mesmo, mas o pecado que está habitando em mim. 18 Porque sei que não habita bem em mim, isto é em minha carne; pois o desejar está presente em mim, mas não o produzir o bem; 19 pois não faço o bem que desejo, mas o mau que não desejo isso pratico. 20 E, se o que não desejo isso faço, não mais eu produzo o mesmo, mas o pecado que está habitando em mim. 21 Então, acho na Lei, que está desejando fazer o bem em mim, que em mim o mau está presente; 22 pois me deleito na Lei de Deus de acordo com o homem interior, 23 porém, vejo outra lei em meus membros que está guerreando a lei da minha mente e que está me cativando em a lei do pecado que está nos meus membros. 24 Miserável é eu homem! Quem me livrará do corpo desta morte? 25 Mas graças a Deus por meio de Jesus Cristo nosso Senhor. Portanto, então, eu mesmo, por um lado, sou escravo da Lei de Deus com a mente e do pecado com a carne.
Minha tradução interpretativa: 14 Porque sabemos que a Lei é espiritual, porém eu sou carnal, pois fui vendido ao pecado. 15 E a razão disso é que não compreendo o que faço, pois o que desejo fazer isso não faço, mas o que odeio isso faço. 16 Ora, se faço o que não desejo, concordo com a Lei, que é boa. 17 E assim, já não é mais eu que o faço, mas o pecado que está habitando em mim. 18 Porque sou consciente que não habita bem algum em mim, isto é, em minha natureza humana, pois o desejo de fazer o bem está presente em mim, mas não o realizar; 19 e a razão é que não faço o que é bom como desejo, mas somente o mau que não desejo. 20 Ora, se faço o que não desejo, já não é mais eu que o faço, mas o pecado que está habitando em mim. 21 Assim, desejando eu fazer o bem, descubro a lei, que o mal está presente em mim, 22 pois, segundo o homem interior, tenho prazer na Lei de Deus, 23 mas vejo outra lei nos meus membros que está sendo absolutamente contra a lei da minha mente, e que está conseguindo me dominar na lei do pecado, que está sendo os meus membros. 24 Eu sou um homem miserável! Quem me livrará do corpo desta morte? 25 Mas, graças a Deus por Jesus Cristo, o nosso Senhor. Assim, então, eu próprio, por um lado, sou um escravo com a mente da Lei de Deus, mas por outro lado, com a natureza humana, da lei do pecado.
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