(1Co 1:18-25) A Loucura da Cruz
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1Coríntios 1.18 “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.”
Para os que se perdem. “Para os que estão se perdendo”, “perecendo”. É algo que está acontecendo agora, no presente, e uma coisa que de certo modo essas pessoas estão fazendo a si mesmas, ao rejeitarem a mensagem da cruz. É algo contínuo, que vai se consumar finalmente na volta de Jesus, onde se perderão absolutamente. É importante pensarmos na perdição desta forma porque ela algo concreto, é algo que as pessoas que não confiam em Jesus estão provando agora, nesse momento. Elas não apenas provarão da destruição, mas elas já estão vivendo isso de diferentes formas. Já estão provando as angústias, as dores, as aflições do inferno hoje. Saiba que você, que está longe de Jesus hoje, toda sua aflição é uma amostra daquilo que você provará no final caso não se arrependa e se volte pra ele. Então aqui o apóstolo trata a perdição e a salvação como um processo. Ele também diz, “para os que estão sendo salvos”. Assim como o fundamento de nossa fé é a mensagem da cruz, assim também o fundamento da incredulidade é sua rejeição. Mas não apenas isso. A mensagem cruz não FOI o fundamento da nossa fé no passado apenas, mas continua sendo o fundamento de todo o processo de nossa salvação. É importante perceber isso, como Paulo fala de nossa salvação em tempos diferente: passado, presente e futuro.
Passado: Romanos 8.24 “Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera?”
Tito 3.5 “não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,”
Presente: 1Coríntios 15.2 “por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão.”
2Coríntios 2.15 “Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem.”
Futuro: Romanos 5.9 “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.”
Romanos 11.26 “E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades.”
É importante pensar que a palavra da cruz continua sendo sua força, seu poder. Pois é isso que ela para os que são salvos: poder de Deus. Poder aquilo é algo dinâmico, é algo transformador, que influencia, que muda, que impacta, que molda. Se você não se isso em sua vida, se você não foi e não está sendo transformado pela loucura do evangelho, você não o conheceu verdadeiramente. Não é uma teoria, é um poder.
Para os que estão perecendo é apenas uma mensagem desprovida de beleza, de inteligência. Apenas uma opinião, um exemplo de amor que Jesus deu ao se entregar.
1Coríntios 1.19–21 “Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação.”
Está escrito. Essa é uma citação de Isaías 29:14, onde o Senhor ameaça se vingar da hipocrisia do povo de Israel que honrava a Deus com os lábios apenas, mas não com o coração.
Isaías 29.13–14 “O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu, continuarei a fazer obra maravilhosa no meio deste povo; sim, obra maravilhosa e um portento; de maneira que a sabedoria dos seus sábios perecerá, e a prudência dos seus prudentes se esconderá.”
O juízo com que Deus ameaça o povo de Israel é humilhar a sabedoria deles manifestando a sua própria sabedoria. Lá em Isaías o contexto era que o profeta profetizou que Jerusalém seria sitiada, mas escaparia do perigo. Os chamados profetas e os que se consideravam sábios não entenderiam o que o Senhor estava fazendo. Como o coração deles estava longe de Deus, Deus os impediu de compreender seus planos. Paulo aplica a mensagem do profeta aos seus dias, dizendo que Deus determinou frustrar a sabedoria daqueles que afirmam ter conhecimento, assim como fez nos dias de Isaías, uma vez que o coração deles está longe de Deus. Ele faria isso através de uma mensagem considerada por muitos uma loucura: a mensagem do Evangelho. Na verdade, eles é que são os loucos, por rejeitarem a sabedoria de Deus.
Deus mesmo faz perecer a sabedoria daqueles que o rejeitam. É um ato destruidor, um juízo.
Isaías 6.10 “Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo.”
Deus torna louca a sabedoria do mundo! Em outro lugar Paulo diz que os homens desse mundo, inculcando-se por sábios, tornaram loucos. O exemplo mais concreto que ele dá é o homossexualismo. Deixe-me dar mais alguns exemplo de nosso tempo, além do homossexualismo, mas coisas afins: “homens” engravidando, mulheres lutando para não engravidar, filhos matando os pais, gênero como construção social, pessoas que pensam que nasceram no corpo errado, pets ganhando pensão alimentícia, creche, hotel, carrinho de bebê etc, ambientalistas lutando pra salvar os ovos de tartaruga, enquanto lutam pra promover o assassinato de bebês no ventre, pessoas que fingem ser animais, homens ganhando prêmio de mulher do ano, homens competindo contra mulheres em lutas e outros esportes que requer força etc.
Esse é o mundo que rejeita o evangelho. Que fique claro, irmãos, que ao mesmo em que isso é fruto da rejeição da palavra de Deus, da sabedoria do evangelho da cruz, é também o juízo de Deus. Um mundo torto e entorpecido!...
1Coríntios 1.22–25 “Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.”
Os judeus pedem sinais… os gregos buscam sabedoria. Os judeus tinham uma dependência muito forte dos sinais.
Mateus 12.38–39 “Então, alguns escribas e fariseus replicaram: Mestre, queremos ver de tua parte algum sinal. Ele, porém, respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas.”
Mateus 16.1 “Aproximando-se os fariseus e os saduceus, tentando-o, pediram-lhe que lhes mostrasse um sinal vindo do céu.”
João 2.18 “Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Que sinal nos mostras, para fazeres estas coisas?”
João 6.30 “Então, lhe disseram eles: Que sinal fazes para que o vejamos e creiamos em ti? Quais são os teus feitos?”
Se parece muito com a fé da igreja evangélica atual. Se recusam a crer em Deus a menos que vejam os sinais.
Enquanto os gentios buscavam sua redenção nas filosofias desse mundo, na razão.
Atos dos Apóstolos 17.18 “E alguns dos filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses; pois pregava a Jesus e a ressurreição.”
Escândalo...loucura. Assim, a mensagem do evangelho é escândalo para uns, e loucura para outros. Escândalo para uns que pensavam: “que crime é dizer que Deus se encarnou para morrer”… loucura para outros, que se consideravam sábios demais, e pensavam: “que loucura é basear nossa esperança de vida na morte e fraqueza de alguém”.
Calvino: “não há dúvida de que a razão humana não acha nada mais absurdo do que a notícia de que Deus se tornou um homem mortal; que a vida está sujeita à morte; que a justiça foi velada sob a aparência de pecado; que a fonte de bênção ficou sujeita à maldição; que por esses meios os homens podem ser redimidos da morte e tornar-se participantes da bendita imortalidade; que podem obter a vida; que, sendo o pecado destruído, a justiça volta a reinar; e que a morte e a maldição podem ser tragadas.”
O símbolo do cristianismo é a cruz. A morte de Jesus por nossos pecados é o coração do evangelho, a boa notícia. As pessoas e as igrejas que aos poucos afastam disso para buscar outros métodos de salvação, se consideram mais sábias que Deus. Mas a loucura de Deus é mais sábias que a sabedoria desse mundo, e sua fraqueza mais forte que a força desse mundo.
Mas nós naturalmente nos perguntamos: “Por que Jesus tinha de morrer?” Por que Deus não podia simplesmente nos perdoar, sem cruz? Então nós aprendemos que o perdão envolve sacrifício. Que foi exatamente ao nos perdoar que ele teve de sofrer o dano.
Tim Keller: “Perdoar significa arcar com o custo em vez de obrigar o culpado a assumi-lo, de modo que se possa oferecer amor para tentar restaurar e mudar o inimigo. Perdoar significa arcar sozinho com a dívida do pecado”.
Foi exatamente para nos perdoas que Jesus teve morrer. Na cruz o próprio Deus arcou com a dor, a violência e o mal do mundo.
Algumas pessoas querem dizer que Jesus não morreu de fato para nos salvar, mas apenas para nos dar um exemplo. A morte dele não nos salva efetivamente, é só um bom exemplo de amor que devemos imitar. Mas imagine que alguém diga: “Eu amo muito você e vou provar: a pessoas em seguida se lança no rio e morre afogado”. Será que você diria: “nossa, como ela me amava”. Claro que não. Você no mínimo vai pensar que ela tinha algum problema de sanidade mental. Mas imagine que você cai no rio e alguém se joga lá pra te salvar e acaba morrendo afogado no seu lugar. Então você dirá: “ela gostava mesmo de mim”.
Tim Keller: “O exemplo de Jesus seria um mau exemplo se fosse somente um exemplo. Caso não existisse perigo do qual nos salvar - se não estivéssemos fadados ao pecado e à morte a não ser que fôssemos resgatados por sua morte - o modelo de seu amor sacrificial não seria tocante e transformador de vidas, mas insano. A menos que Jesus tenha morrido em nosso lugar, sua morte não pode ser um exemplo comovente de amor sacrificial.”
Irmãos, muitas pessoas sábias segunda o mundo dizem que Deus é amor, e ele não daria seu próprio filho para morrer. Mas é justamente por isso que ele é amor. E se deixarmos de lado a cruz não teremos um Deus de amor.
1João 4.10 “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.”
O amor verdadeiro é uma troca pessoal. Nós resolvemos carregar o fardo do outro. Você já sentiu isso? Se sentiu cansado, desgastado emocionalmente por causa de alguém? Por causa de um parente doente, de uma pessoa com crises emocionais severas? Por causa dos filhos? Para de fato amar os filhos você precisa perder para que eles ganhem, não é verdade?! Isso é amor.
John Stott: “A essência do pecado está em nós, seres humanos, nos colocarmos no lugar de Deus; ao passo que a essência da salvação está em Deus se colocar em nosso lugar. Nós nos colocamos onde só Deus merece estar; Deus se colocar onde merecemos estar”.
Isso é o evangelho! E é exatamente isso que nos atrai até Deus. Stott disse: “Eu jamais conseguira crer em Deus se não fosse a cruz. No mundo real da dor, como alguém poderia cultuar um Deus imune a ela?” É exatamente porque esse Deus tão grande resolver sofrer por mim que ele chamou mina atenção, que fui atraído por ele. Ele fez isso por mim? Sério?!
Essa é a loucura da cruz. O poder desse mundo é humilhado pela fraqueza da cruz. A sabedoria desse mundo é desprezada pela insanidade da cruz. Na cruz Cristo vence pela perda, triunfa pela derrota, conquista poder pela fraqueza e pelo serviço, chega à riqueza abrindo mão de tudo. Pela Cruz Jesus vira o mundo de cabeça para baixo. Ele nos muda completamente. Pela cruz Jesus estabeleceu uma nova cultura que deixa o padrão desse atordoado. Porque pela cruz nós encaramos o dinheiro como algo que se doa. O poder como algo a ser usado para servir. Porque foi o que Jesus fez. E é assim que ele nos salva dos nossos pecados!
MH: Paulo tinha sido criado no saber judaico; mas a pregação simples de um Jesus crucificado era mais poderosa que toda a oratória e filosofia do mundo pagão. Essa é a soma e a substância do evangelho. Cristo crucificado é o alicerce de todas as nossas esperanças, a fonte de todas as nossas alegrias. E é por sua morte que vivemos. A pregação da salvação de pecadores perdidos por meio dos sofrimentos e da morte do Filho de Deus, se explicada e aplicada fielmente, parece loucura para aqueles que estão no caminho da destruição. Os sensuais, os cobiçosos, os orgulhosos e os ambiciosos veem que o evangelho se opõe às suas atividades favoritas. Mas aqueles que recebem o evangelho e são iluminados pelo Espírito de Deus veem mais da sabedoria e do poder de Deus na doutrina de Cristo crucificado do que em todas as suas outras obras. Deus deixou que grande parte do mundo seguisse os ditames da razão orgulhosa do homem, e os acontecimentos mostraram que a sabedoria humana é tolice e é incapaz de encontrar ou reter o conhecimento de Deus como o Criador. Aprouve-lhe, pela loucura da pregação, salvar os que crêem. Pela loucura da pregação; não pelo que poderia ser justamente chamado de pregação tola. Mas a coisa pregada era loucura para os homens sensatos. O evangelho sempre foi, e sempre será, loucura para todos os que estão no caminho da destruição. A mensagem de Cristo, claramente transmitida, sempre foi uma pedra de toque segura pela qual os homens podem saber em que estrada estão viajando. Mas a desprezada doutrina da salvação pela fé em um Salvador crucificado, Deus na natureza humana, comprando a igreja com seu próprio sangue, para salvar multidões, mesmo todos os que creem, da ignorância, da ilusão e do vício, tem sido abençoada em todas as épocas. E os instrumentos mais fracos que Deus usa são mais fortes em seus efeitos do que os homens mais fortes podem usar. Não que haja insensatez ou fraqueza em Deus, mas o que os homens consideram como tal supera toda a sua admirada sabedoria e força.
