(Lv 4:1 - 5:13) A Oferta pelo Pecado: Buscando Perdão
Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 82 viewsNotes
Transcript
INTRODUÇÃO: Imagine que você usou um ingrediente na comida e alguém que comeu era alérgico. Apesar de você dizer desesperadamente “eu não sabia”, aquela pessoa acabou parando no hospital. O fato de não saber não impediu o efeito do seu erro. A ignorância não é uma boa desculpa.
Aqui, hoje, vamos aprende a natureza e as consequências do pecado. Estou ensinando aos meus filhos o baby catecismo. Uma das resposta que aninha mais tem dificuldade pra decorar é a da pergunta 13: “O que é pecado?”. A resposta é “Quebrar a lei de Deus”.
Nosso CM diz: Pergunta 24. O que é pecado?
Resposta: Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou a transgressão de qualquer lei por ele dada como regra à criatura racional.
Pergunta 25. Em que consiste o pecado desse estado em que o homem caiu?
Resposta: O pecado desse estado em que o homem caiu consiste na culpa do primeiro pecado de Adão, na falta de retidão na qual este foi criado e na corrupção de sua natureza, pela qual ele se tornou inteiramente indisposto, incapaz e oposto a todo bem espiritual, e inclinado a todo o mal, e isso continuamente, o que geralmente se chama pecado original, do qual procedem todas as transgressões atuais.
Nós somos pecadores!
Hoje nós vamos tratar da quarta oferta descrita no livro de Levítico, mas que é a na verdade a primeira na ordem lógica: A Oferta pelo pecado. Essa oferta era uma oferta obrigatória, diferente das outras três. Nós aprendemos que a ordem lógica dos sacrifícios é: Expiação - Consagração - Comunhão. Na Consagração a ênfase do ritual está na queima completa do animal e sua transformação em fumaça. Na comunhão a ênfase está na refeição pactual. Na expiação a ênfase está na manipulação do sangue, e trata-se de purificação. O sangue da oferta era como um produto de limpeza.
Para entender como funciona a oferta de purificação, é importante lembrar que a Bíblia frequentemente usa a metáfora da impureza para descrever o pecado (Lv 16:30; 20:3; Ez 36:17). O salmista, por exemplo, clama ao Senhor: “Lava toda a minha iniquidade e purifica-me do meu pecado” (Sl 51:2). Podemos nos identificar com essas palavras: o pecado muitas vezes nos faz sentir sujos.
Jay Sklar: Para os israelitas, os efeitos contaminantes do pecado causavam impacto não apenas no pecador, mas também naqueles que estavam associados a ele. Dessa forma, o pecado era como a desonra. Por exemplo, quando as crianças fazem coisas erradas, elas trazem desonra para si mesmas e para a família, especialmente para os pais. De maneira semelhante, os israelitas que cometeram certos erros trouxeram uma desonra contaminante para si mesmos, para sua nação (sua família da aliança) e, especialmente, para o Senhor da aliança. Essa desonra se agarrou à “casa” do Senhor, a tenda do encontro (16:16, 19), assim como a desonra do erro de um filho pode se agarrar à casa dos pais. Era como uma poeira profana que se levantou do ato deles e se depositou no santuário do Senhor. Como ela deveria ser removida? Esta seção fornece a resposta: pelo sangue purificador da oferta de purificação.
A purificação por meio da expiação. Expiação significa a remoção do pecado por meio do sacrifício, e a palavra vem de um raiz que significa “purificar” na oferta pelo pecado esse aspecto é enfatizado.
Nós devemos aprender aqui hoje algumas coisas importantes a respeito do pecado.
Pra que haja perdão é necessário derramamento de sangue. O perdão é sempre oneroso, sempre representa alguma perda pra alguém. Quem perdoa está sendo prejudicado de algum forma. Está abrindo mão do direito à retribuição, ou de receber a reparação. Quando alguém dava uma oferta ela estava tentando consertar as coisas do erro que ela cometeu. Mas essa oferta também apontava pra o fato de que um dia o próprio Deus daria o seu Filho. Ele perderia pra que nós fôssemos perdoados.
A oferta aqui é pelos pecados de ignorância. Isso pressupõe que por mais que você não tenha plena consciência do seus erros, você é pecador. Você precisa pedir perdão por erros que você nem tinha intenção de cometer. Isto é revelador.
Havia uma variedade de animais oferecidos de valores diferentes. E aqui não era apenas levando em conta a renda do ofertante, se ele era rico ou pobre, mas principalmente aqui levava em conta o tamanho do pecado, a partir de 4 categorias: O sumo sacerdote, a comunidade, um líder e uma pessoa comum.
Então aprendemos não apenas o real significado do pecado, como ele deve ser tratado, mas o seu alcance, sua profundidade, e o que ele revela sobre nós.
4.1-2: Ignorância. Aqui no capítulo 4 vamos tratar de pecado por ignorância, que são diferentes do pecados ocultos que serão tratados na primeira parte do capítulo 5. Apesar do exemplo que eu comecei dando na introdução sobre você fazer uma coisa errada e dizer “eu não sabia”, não é exatamente o que significa ignorância aqui. Ignorância aqui seria o oposto de um pecado deliberado, intencional. É quando alguém peca involuntariamente ao fazer o que é proibido em qualquer um dos mandamentos do SENHOR.
Essa distinção é muito importante porque o pecado deliberado é o princípio da apostasia, e pra esse tipo de pecado não havia oferta. Havia pecados cometidos de maneira consciente que requeriam sacrifício, confissão e reparação (Lv 6), mas havia um tipo de pecado para o qual não havia oferta.
Números 15.27–31 “Se alguma pessoa pecar por ignorância, apresentará uma cabra de um ano como oferta pelo pecado. O sacerdote fará expiação pela pessoa que errou, quando pecar por ignorância perante o Senhor, fazendo expiação por ela, e lhe será perdoado. Para o natural dos filhos de Israel e para o estrangeiro que no meio deles habita, tereis a mesma lei para aquele que isso fizer por ignorância. Mas a pessoa que fizer alguma coisa atrevidamente, quer seja dos naturais quer dos estrangeiros, injuria ao Senhor; tal pessoa será eliminada do meio do seu povo, pois desprezou a palavra do Senhor e violou o seu mandamento; será eliminada essa pessoa, e a sua iniquidade será sobre ela.”
O Novo Testamento contém avisos terríveis semelhantes sobre a impossibilidade de perdão em casos de apostasia deliberada.
Hebreus 10.26 “Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados;”
O que aprendemos sobre esse tipo de pecado, da ignorância é que, por causa da nossa condição, todos nós, absolutamente todos nós, das pessoas mais públicas, às mais privadas, das mais ricas às mais pobres, todos nós pecamos, até mesmo sem perceber de imediato. Isso deve nos trazer um grande senso de humildade e vigilância. Devemos sempre orar a Deus pedindo perdão, confessando nossos pecados, como Davi:
Salmo 19.12 “Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas.”
Desconhecer a lei, não conhecer muito bem a bíblia, não te isenta da sua responsabilidade para com Deus. A ignorância não é uma virtude.
4.3-12: A purificação do Sumo Sacerdote.
Nós aprendemos aqui irmãos que alguns pecados são mais sérios do que outros. Essa é uma dúvida comum. Se diante de Deus todos os pecados são iguais. De certo modo, por causa do tamanho infinito de Deus não existe pecadinho e pecadão em comparação à honra infinita desse Deus. Comer um fruto proibido por Deus é suficiente pra te levar ao inferno. Mas quanto aos efeitos dos nossos pecados com relação às outras pessoas, com relação à criação e a revelação de Deus, há sim pecados mais sérios, e existem fatores que agravam ou atenuam o nosso pecado. O pecado de um Sacerdote era o pior pecado e exigia a oferta mais cara e um ritual mais delicado.
Nosso Manual, por exemplo, no Código disciplina, artigo 13, fala dos agravantes do pecado.
§ 2º São agravantes:
a) experiência religiosa;
b) relativo conhecimento das doutrinas evangélicas;
c) boa influência do meio;
d) maus precedentes;
e) ausência aos cultos;
f) arrogância e desobediência;
g) não reconhecimento da falta
Aqui, o principal agravante era a posição do ofensor.
Como era o ritual para o pecado do Sumo Sacerdote.
Kenneth Matthews: Além da oferta de um animal mais caro (um novilho sem defeito), a extensão do pecado do sacerdote requeria um procedimento especial com o sangue do animal. O sacerdote coletava uma parte do sangue do animal imolado, provavelmente numa vasilha, e levava o sangue para o interior da tenda sagrada… requerer que o sangue fosse levado para dentro do Lugar Santo indicava que a ofensa do sacerdote era tão penetrante que era necessária a purificação da própria tenda. Em outras palavras, o pecado do sacerdote contaminava tanto a tenda sagrada quanto o altar do pátio. E por que os efeitos do pecado do sacerdote iam além do altar, alcançando o interior da tenda? Porque apenas os sacerdotes poderiam entrar na tenda. A pessoa comum era proibida de entrar na tenda. Uma vez dentro da tenda, ele molhava o dedo no sangue e o aspergia sete vezes “diante do véu do santuário” (v. 6). Ele também passava o sangue “sobre os chifres do altar do incenso aromático” (v. 7). Tanto o número “sete” quanto os lugares onde o sangue deveria ser aspergido em frente ao véu e no altar do incenso têm um significado especial. O número “sete” é o número comumente usado na Bíblia para indicar perfeição e completude. Ao aspergir sete vezes, o sacerdote simbolicamente mostrava que a eliminação do pecado havia sido completada, e que a tenda havia retornado ao seu estado de santidade. Ao completar o ritual no interior da tenda, o sacerdote saía da tenda e retornava ao altar [do holocausto] onde o animal havia sido inicialmente sacrificado. Lá ele derramava o restante do sangue “à base do altar do holocausto” (v. 7). A seguir, o sacerdote abria o animal e cuidadosamente separava a gordura dos órgãos internos. A gordura, juntamente com os rins e o redenho sobre o fígado eram inteiramente queimados sobre o altar. Pelo fato de o animal ter sido oferecido por causa do pecado do sacerdote, seria incorreto tirar proveito do seu pecado, comendo a carne do sacrifício, ou utilizando sua pele para produzir artigos de couro. O sacerdote não poderia obter benefícios com seu próprio pecado. Portanto, as partes restantes da carcaça eram totalmente retiradas do arraial e enviadas a um “lugar limpo” cerimonialmente (v. 12).
Jay Sklar: Por causa de seu status elevado, as consequências de seu pecado são mais sérias, e o Senhor poderia reter seu favor de toda a nação (o que eles poderiam experimentar em termos de derrota diante dos inimigos [cf. Josué 7:3-5] ou falta de bênção nas colheitas [cf. 2 Sam. 21:1]; veja mais em 10:6-7). Isso levaria o sacerdote (e os israelitas!) a tentar descobrir se um erro havia sido cometido (veja mais adiante nos vv. 13-14a).
4.13-21: A Purificação de toda a congregação.
Podia ocorrer também de toda a comunidade cair num pecado involuntário e começar a sofrer as consequências daquele pecado sem saber ao certo o porque daquelas coisas estarem acontecendo entre eles. Isso pode acontecer quando um pecado de um indivíduo afeta toda comunidade. Quando aquele pecado não é tratado. Esse é um princípio fundamental que aprendemos aqui: a relação orgânica da comunidade. Não pense que viver a sua vida do jeito que você quiser vai trazer consequências apenas pra você. Esse pecado geralmente ocorria quando o líder da comunidade fazia o povo errar. Todo o povo caía em erro. Todos deviam ser purificados. Como isso acontecia?
Robert Vasholz: A oferta pelo pecado de toda a congregação é igual à oferta pelo pecado do sacerdote - um novilho. Os anciãos impõem as mãos sobre o novilho e o imolam em nome de todo o povo. O sacerdote traz o sangue ao Lugar Santo e tudo, menos a gordura, é carregado para fora do arraial e queimado.
Como é que toda a comunidade poderia saber que estava em erro? Como saber que estamos em pecado? Algumas vezes podemos refletir sobre as consequências do pecado. Será que Deus está nos jugando por algo? Será que temos deixado algo de lado em nossa comunidade, em nossa adoração? Mas a forma primária de saber disso é pela Palavra de Deus.
Aqui o texto passa a deixar claro o efeito da expiação: o verso 20 diz:
Levítico 4.20 “e fará a este novilho como fez ao novilho da oferta pelo pecado; assim lhe fará, e o sacerdote por eles fará expiação, e eles serão perdoados.”
No Antigo Testamento, a palavra aqui traduzida como “perdoar” (tsalach) é utilizada apenas em relação ao perdão de Deus como aquele que pode perdoar. Esse termo nunca é usado para um homem perdoando outro homem. A ideia do perdão é a “libertação” de uma pessoa da culpa trazida pela sua transgressão. Só Deus pode nos libertar assim absolutamente. É algo que homem algum pode dar pra nós. Não eram os animais, as ofertas que traziam o perdão. Na verdade, aquilo tudo era apenas uma sombra. Não era nem mesmo o Sacerdote. Era Deus!
4:22-26. A purificação do líder
Kenneth Matthews: Um líder civil… O ritual referente a ele era praticamente o mesmo em vários aspectos, mas diferia de dois modos significativos. Primeiro, o animal requerido dele era um bode, e não o novilho, mais caro. A segunda diferença, o sangue do bode não era levado pelo sacerdote para o interior da tenda sagrada. Em vez disso, o sangue era passado nos quatro chifres do altar principal do pátio. Aprendemos com essas diferenças que o pecado do príncipe do povo não possuía a mesma intensidade de profanação como no caso dos sacerdotes e de todo o povo. O sacerdote e a comunidade eram considerados como tendo um padrão mais elevado, e por isso seus pecados eram mais potentes em corrupção.
Se você exerce alguma liderança, uma de suas responsabilidades envolve refletir sobre as consequências dos seus erros para os que estão sob a sua influência. Seja um político, seja um professor, se um pai e uma mãe. Nós estamos conectados.
Ou quando lhe for notificado (23). O pecado poderia ser descoberto por ele pela notificação. Alguém poderia falar com ele sobre o seu erro. Vamos ver mais na frente que não devemos deixar de advertir aqueles que estão no erro.
24-26. Nesse caso, o restante da carne do animal não é queimado fora do acampamento (veja os vv. 11-12), mas é comido pelos sacerdotes (6:24-30), a quem o Senhor a deu para suprir suas necessidades.
4:27-35. A purificação da pessoa comum.
Kenneth Matthews: Aprendemos a partir desse quarto conjunto de instruções que o Senhor concede sua graça perdoadora às pessoas comuns, individualmente, a despeito da posição que ocupem. O fato de que elas não estão em posição de liderança significa que o animal sacrificado pode ser de menor valor, pois o impacto do seu pecado é menos danoso. Eles deveriam levar uma cabra ou uma ovelha. Observe, porém, que o texto não diz que o pecado da pessoa comum tinha menos importância para Deus, isso porque o mesmo procedimento de imolação do animal e espalhamento do sangue no altar do holocausto era requerido. Pelo contrário, esse é um reconhecimento de que todos, homens e mulheres, pecaram e carecem da graça expiatória.
5.1-13: A Purificação para os pobres e os pecados ocultos
Essa seção começa identificando três pecados [ocultos] específicos que exigem uma oferta de purificação: 1) deixar de dar testemunho (5:1), 2) deixar de lidar adequadamente com a impureza ritual (5:2-3) ou 3) deixar de cumprir um juramento (5:4). Em seguida, descreve três itens diferentes que poderiam ser apresentados como oferta de purificação, do mais caro para o menos caro: animais de rebanho (5:5-6), aves (5:7-10) e cereais (5:11-13).
Kenneth Matthews: Aos pobres era permitido ofertar pássaros, duas rolas ou dois pombinhos (v. 7). Um pássaro servia como oferta pelo pecado, para a purificação de pecados; o outro, como holocausto, expressando dedicação a Deus. Isso nos dá algum vislumbre da família de Jesus, quando nos recordamos de Maria e José levando o pequeno Jesus ao templo em Jerusalém para o ritual de purificação de Maria. Eles apresentaram pássaros como sacrifício (Lc 2.24)… Para aqueles que não pudessem adquirir sequer os pássaros, a oferta pelo pecado era apenas uma medida de “flor de farinha” (v. 11).
Aprendemos que Deus não leva em conta posição social nem quanto ao pecado, nem quanto ao perdão do pecado.
Pecados ocultos
Os pecados especificados aqui são princípios que devemos estabelecer para nossas vidas, quanto à verdade e justiça e quanto à pureza e o culto.
Devemos ter cuidado quando chamados à testemunhar, não dermos ouvidos. Isso quer dizer que não devemos nos omitir quando presenciamos o mal. Devemos ser testemunhos da verdade para preservar a justiça. A casa de Deus é a casa da justiça. Não fuja da sua responsabilidade de testemunhar quando você souber o que aconteceu. Outro ponto parecido que é tratado no verso 4 é o juramento temerário. Tenha cuidado pra não falar precipitadamente. Devemos ser sensatos no uso de nossas palavras, estabelecendo compromissos. Devemos ter o cuidado de cumpri-los. Falar palavras ao vento, sem se importar, acaba nos trazendo culpa. O juramento é o centro de uma aliança. Cuidados com as palavras irrefletidas.
Os vs 5 e 6 dizem que o ofensor deve confessar sua culpa.
Levítico 5.5 “Será, pois, que, sendo culpado numa destas coisas, confessará aquilo em que pecou.”
É a primeira vez que esse verbo aparece na bíblia com esse sentido. A primeiro vez na verdade que ele aparece é Gn 49 com sentido de louvor.
A purificação do pecado e o perdão estão intimamente relacionados à confissão.
Salmo 32.5 “Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.”
Isso é muito importante, irmãos, porque a confissão dos nossos pecados está no coração da certeza de que fomos perdoados. Se fomos perdoados, Somos purificados. Se somos purificados, confessamos nossos erros, porque não temos mais compromisso com o pecado. Isso é fruto do perdão.
APLICAÇÕES
Esse texto tão detalhado, tão precioso, nos ensina muitas coisas.
Primeiro, todos somos pecadores, não importa sua posição. Essa é a nossa natureza. Precisamos de perdão e purificação. A ignorância não nos isenta da culpa, só a graça pode nos livrar da culpa. Por isso seja vigilante pra que você não seja encontrado em erro e se espante dizendo: “eu não sabia”. Saber que estamos sempre cometendo algum erro não deve fazer pensar: “eu sou pecador mesmo, ta tudo bem”; antes, o crente sincero, perdoado, diz: “serei vigilante, pra não cair em pecado”.
Segundo, nós estamos ligados um ao outro por um pacto. E nossas decisões tem consequências importantes para os nossos, consequências boas ou ruins, e você será cobrado por elas. Você líder, você pai, você filho, você chefe, cuidado com seu caminhar, por amor aos outros.
Terceiro, notifique seus irmãos. Testemunhe. Não fuja dessa grande responsabilidade, de testemunhar quando você souber a verdade. Você deve ser um guardião da verdade. Aqui aprendemos a importância da exortação mútua como forma de amor.
Quarto, confesse seus pecados assim que você tiver ciência deles. Não guarde pra si. Ore, peça perdão. Todos os dias ore confessando a Deus seus pecados, e até mesmo por aqueles que você nem perceber que cometeu. E confesse também seus pecados uns aos outros. Não deixe o orgulho arruinar seus relacionamentos.
Douglas Wilson: A confissão de pecados é como se apanhássemos algo que caiu no tapete. Quando alguém aprende a apanhar imediatamente, ainda que mil coisas caiam no chão, a casa ficará sempre limpa. Mas se as coisas só são apanhadas uma vez a cada seus meses, o resultado será a necessidade de um esforço descomunal de limpeza. Há lares desordenados que o responsável pela limpeza não sabe por onde começar. As coisas foram se acumulando uma de cada vez. A confissão de um erro sempre deve acontecer imediatamente. Provérbios 28.13 “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” Nada de bom se consegue ao deixar a confissão para depois. Se alguma coisa caiu no chão agora, deve ser apanhada agora.
Por últimos, irmãos, e mais importante, a certeza do nosso perdão não está em nossos sacrifícios, mas no sacrifício de Cristo. Não é nossa oferta, mas a dele. Não o nosso amor, mas o amor dele por nós. Todos esses sacrifícios não podiam trazer verdadeiro perdão e purificação. Só Jesus e sua obra por nós.
A expressão “oferta pelo pecado” literalmente, em hebraico, é “pecado”. Por exemplo, o verso 3 diz literalmente: “...oferecerá pelo seu pecado um novilho sem defeito ao SENHOR, como pecado.” Isso é importante, porque nos ajuda a entender o que seria talvez o versículo mais importante do NT:
2Coríntios 5.21 “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.”
O texto não está dizendo que Cristo se tornou literalmente pecado, ou pecador, mas ele foi oferta pelo pecado. Mas a identificação de Cristo com o pecador foi tão completa que em outro lugar Paulo diz ele veio “em semelhança de carne pecaminosa”.
É na oferta pelo pecado que compreendemos mais plenamente o que Cristo fez por nós. Ele tomou sobre si nossos pecados, nossa culpa, pra que tivéssemos sobre nós a sua justiça. Não há mais condenação. Há perdão pleno dos pecados. Purificação plena da culpa. Você pode descansar nele.
