Os Falsos Mestres e Seu Comportamento Desviante
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Transcript
1 Timóteo 6: 3-10
3 Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade,
4 esse é orgulhoso e não entende nada, mas tem um desejo doentio por discussões e brigas a respeito de palavras. É daí que nascem a inveja, a provocação, as difamações, as suspeitas malignas
5 e as polêmicas sem fim da parte de pessoas cuja mente é pervertida e que estão privadas da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro.
Paulo está finalizando sua carta e depois de uma série de instruções de ordem prática, que diz respeito ao modo como a igreja deve tratar os mais diversos grupos que fazem parte da igreja, as viúvas os presbíteros e os servos, agora, ele volta a falar dos falsos mestre que, é uma realidade também na igreja de Éfeso.
Ele já havia abordado esse assunto aqui mesmo nesta carta:
Logo no início da carta, no capítulo 1 versos de 3 a 7, Paulo já havia instruído Timóteo para ele “admoestar certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina”; e no capítulo 4.1-5, ele denuncia um outro comportamentos que era a condenação feita por eles a coisas criadas por Deus.
Agora, ele os caracteriza como os que se desviam da sã doutrina, dividindo a igreja, sendo motivados pela avareza.
É significativo que Paulo inicia sua carta se referindo a eles e aqui, já no final ele volta a falar sobre eles, o que denota a preocupação do apóstolo quanto aos males que poderiam causar na igreja.
Tendo isso em mente, Paulo passa a dar instruções muito importantes sobre a cobiça e a postura de contentamento, sobre a riqueza e a generosidade, ou seja, o lugar dos bens materiais no discipulado cristão.
Comportamento desviante dos falsos mestres
Uma vez mais Paulo dá a entender que há um padrão na crença cristã, que nesse capítulo ele chama de “ensino” (1.3b), “sã doutrina” (v.3), “verdade” (v.5), “fé” (vv. 10, 12, 21), “mandamento” (v. 14) e “o que lhe foi confiado” (v. 20).
O comportamento dos falsos mestres consistia que eles tinham se desviado desse padrão.
Se alguém ensina outra doutrina e não concorda (não adere firmemente) com as sãs palavras,
Outra - diferente ou alguma novidade doutrinária. Um ensino falso porque se desvia do que o apóstolo ensina, que é uma a sã (saudável) doutrina.
Concorda - não adere firmemente.
Para entendermos em que consistia esse desvio precisamos entender o que Paulo caracteriza o que ensina, e ele o faz de dois modos:
O seu ensino é segundo as sadias palavras do nosso Senhor Jesus Cristo.
Aqui, provavelmente, há muito mais do que simplesmente concordar coma as palavras do nosso Senhor Jesus Cristo.
Paulo considera suas próprias palavras como palavras de Cristo. “Quem ouve vocês ouve a mim” - disse Jesus ao enviar os Setenta.
Em Atos 1.1, Lucas dá a entender que Cristo assunto aos céus continuaria a agir e a falar através dos apóstolos. “Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar”.
Com certeza essa era a convicção que Paulo tinha. Ele pode dar ordens e exortar em nome, ou com a autoridade, de Cristo. Ele declarou que Cristo falou por meio dele - 2 Coríntios 13.3 “visto que vocês buscam provas de que Cristo fala em mim. Ele não é fraco quando trata com vocês; pelo contrário, é poderoso entre vocês.”
Então, os ensinos dos falsos mestres estavam em desacordo com os ensinos de Jesus observado também nas doutrinas dos apóstolos.
O maior erro dos falsos mestres em discordar de Paulo era que fazendo isso, estavam discordando do próprio Cristo.
O seu ensino é segundo a piedade (v. 3b), literalmente, “o ensino que corresponde à piedade”.
Aqui, há, então, duas características essenciais da sã doutrina. Ela provém de Cristo e promove a piedade.
Uma sã (saudável) doutrina promove uma vida piedosa.
2. Sentimento que caracteriza os falsos mestres
Orgulho e falta de entendimento e desejo doentio por discussões e brigas.
Todo aquele que dela discorda, portanto, é orgulhoso e nada entende (v. 4), ou em outra tradução, “um tolo convencido”. O que reafirma o que ele disse no início da carta - 1.7 “pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, porém, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais falam com tanta ousadia.”
Ao viver num mundo mental, moral e espiritual de sua própria feitura, ela está completamente alheia à realidade.
Desejo doentio por discussões e brigas - Algo interessante é que Paulo ao descrevê-los como tendo um desejo doentio, evidencia o contraste com a doutrina apostólica que é chamada por ele de “sã”, isto é “saudável”.
3. O que promove os falsos ensinos
Paulo alista uma variedade de sentimentos e comportamentos como consequência do comportamento desviante dos falsos mestres, ou seja, o ensino falso, que não promove uma vida piedosa, que, acabam dividindo a igreja.
Cinco consequências são apresentadas:
Inveja - ressentir-se por causa dos dons dos outros
Provocações (brigas) - ter um espírito de rivalidade e contenda
Difamações - abusos feitos por mestres rivais
Suspeitas malignas - esquecer-se de que a comunhão se constrói com a confiança, e não com a suspeita.
Polêmicas sem fim - O fruto da irritação.
Quando a mente de alguém fica distorcida, todos os seus relacionamentos também ficam distorcidos.
4. O lucro financeiro está na raiz do problema.
A mente depravada dos falsos mestres que se desviam da verdade pensam que a piedade é fonte de lucro. Eles não se interessam propriamente pela piedade, mas somente na medida em que ela demonstre ser lucrativa.
…supondo que a piedade é fonte de lucro (v. 5b)
Os falsos mestres têm amor pelo dinheiro
Paulo não nos diz como os falsos mestres exploravam a piedade para obter lucro naquele contexto. Mas, de fato, sabemos que Éfeso gozava de muita opulência, inflada pelo comércio que o culto a Diana havia trazido à cidade.
Na segunda ida de Paulo para lá, uma artesão que trabalhava com prata e seus artífices foram seus principais oponentes. A venda de santuários de prata da deusa Diana fez com que tivessem um “negócio nada pequeno”, mas agora o seu faturamento estava diminuindo por causa da polêmica travada por Paulo contra a idolatria. (Atos 19: 23-27).
Assim, não é de causar surpresa que sua carta aos efésios Paulo tenha tido que adverti-los contra a cobiça.
A história da raça humana tem sido frequentemente manchada com tentativas de comercializar a religião.
Vamos lembrar de Simão, o Mago, que pensou que poderia comprar dos apóstolos poderes espirituais.
O próprio Apóstolo Paulo achou por bem deixar claro que, diferentemente de muitos, ele não saiu por aí mercadejando a Palavra de Deus para obter lucro.
2 Coríntios 2.17 - Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus. Pelo contrário, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus.
Ele falando aos presbíteros da igreja de Éfeso em outro momento disse: “De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem roupas” (Atos 20.33)
A igreja dos Tessalonicenses disse: “A verdade, como vocês sabem, é que nunca usamos de linguagem de bajulação, nem de pretextos gananciosos. Deus é testemunha disso.” (1 Tessalonicenses 2.5)
Mas esse bom exemplo de Paulo não seguiu adiante. Durante a Idade Média a igreja foi desonrada por causa da vergonhosa venda de indulgências.
Há evangelistas que apelam para “ofertas de amor” que quase nunca é comprovado com relatórios à disposição do público.
Recentemente temos a famigerada “doutrina da prosperidade” onde pregadores prometem, inclusive na televisão, a seus espectadores a prosperidade em sua vida sob a condição de lhes enviarem muito dinheiro.
Com base nesse texto, podemos aplicar três testes em forma de perguntas, com os quais podemos avaliar qualquer ensino.
Esse ensino é compatível com a fé apostólica, isto é, com o Novo Testamento?
Tem ele a característica de unir ou dividir a igreja?
Promove ele a piedade com contentamento, ou promove a cobiça?
