Série de Mensagens - 7 Pecados Capitais
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7 Pecados Capitais - Soberba
7 Pecados Capitais - Soberba
Texto base: Lucas 18. 9-14
A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola: “Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava no íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’.
“Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’.
“Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”.
INTRODUÇÃO:
Boa noite,
Graça e paz!
A primeira vez que a Bíblia menciona a palavra “pecado”, encontra-se em Gênesis 4.7, diálogo de Deus com Caim, traduzindo a palavra por “ofensa” ou iniquidade. Podendo trazer também o sentido de castigo ou punição pelo pecado. A conotação aqui é de indiscrição, mal cometido, delitos contra Deus.
No Novo Testamento, a palavra “pecado” já aparece no primeiro capítulo de Mateus, identificado Jesus como aquele que salva o povo do pecado (Mateus 1.21), quando Maria recebe a promessa de que o filho que carregaria em seu ventre se chamaria Jesus e Ele savaria o povo dos seus pecados. A tradução aqui no evangelho de Mateus é “harmatia”, cujo significado literalmente é errar o alvo, uma falha no propósito. O sentido aqui é de não fazer ou transgredir uma ordem, lei ou condição antecipadamente estabelecida.
Segundo a Igreja Católica, os sete pecados capitais são uma lista de vícios ou comportamentos considerados moralmente condenáveis dentro da tradição cristã. Eles são: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça - Esses pecados são chamados de capitais porque são a raiz de outros males e vícios. O termo “capital” tem origem na palavra latina caput, que significa “cabeça”, “parte superior”. A tradição cristã ensina que é importante identificar e combater esses pecados para obter virtude e plenitude espiritual.
O pecado surgiu em algum momento da histótria. Ele não existe desde a eternidade. Deus nunca pecou e nem criou o pecado. Quem pecou foram os anjos e homens e fizeram isso, conforme Wayne Grudem, por escolha voluntária e intencional.
Mas então, qual seria a explicação para a origem dos pecados na vida das pessoas? Em Marcos 7.21-23, há uma passagem que lança luz sobre essa questão:
Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem ‘impuro’ ”.
Em Gálatas 5, Paulo também listou algumas obras da carne, mas não esgotou a lista e nem mesmo construiu uma escala hierárquica quanto a esses pecados. Assim, quando o Apóstolo afirma no verso 21 que: “Aqueles que praticam tais coisas não herdarão os Reino de Deus”, ele nivela todos esses pecados como práticas que deixam alguém de fora do Céu, sem que qualquer uma dessas práticas sejam piores que as outras nesse sentido.
Por outro lado, em alguns momentos, a própria Bíblia dá entender que sim, existem alguns pecados que podem ser considerados piores do que outros. Em 1Coríntios 6.9-16 Paulo apresenta uma lista de pecados que nos impedem de alcançar a herança eterna. No entanto, nesse contexto, o apóstolo faz uma referência específica aos pecados sexuais. Paulo menciona o fato de sermos nós, membros do Corpo de Cristo. E diz que o Corpo de Cristo não é para impureza, mas para o Senhor.
Em 1João 5.16 , vemos a seguinte observação:
Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não leva à morte, ore, e Deus dará vida ao que pecou. Refiro-me àqueles cujo pecado não leva à morte. Há pecado que leva à morte; não estou dizendo que se deva orar por este.
O texto nos leva a crer que sim, existem alguns pecados que são piores que outros. Não cabe em nossa reflexão nos determos a quais pecados João fazia referência, apenas perceber que algum pecado pode ser considerado pior que o outro.
C.S Lewis, apresenta o orgulho como um pecado pior que os outros, pois enquanto estes são distorções de algo bom (como por exemplo, a gula, que é a distorção do ato de comer, que é bom), o orgulho/soberba nasceu do inferno e não tem nada de bom em essência.
A soberba pode ser definida como o orgulho excessivo. É a tendência de se considerar melhor do que as outras pessoas. A soberba é o pecado da pessoa extremamente vaidosa, que pensa e age como se estivesse acima de tudo e de todos. O oposto à soberba é a humildade. Para os católicos, a soberba é o principal pecado ou a raiz de todos os pecados, já que ela faz parte do pecado original, descrito em Gênesis. Deus proibiu que Adão e Eva provassem do fruto da árvore do conhecimento do bem em do mal. Mas Satanás os tentou, dizendo que, se provassem do fruto, seriam semelhantes a Deus, conhecedores do bem e do mal. Querendo ser independentes de Deus, Adão e Eva pecaram.
Toda paráboa é um conto terreno, com um enredo terreno, tratando de questões espirituais. No texto em apreciação Jesus falou de dois homens que tinham posturas diferentes. Tanto o fariseu quanto o publicano, eram judeus de nascença.
O fariseu vem de uma origem que implica 1em separação. Ele se encontrava dentro de uma perspectiva judaica de que não se contaminava e que era santo. Verificando a etimologia da palavra fariseu, aprendemos que ela tem origem em santidade. Esperava-se de um fariseu a preservação da Lei de Deus, da Torá, das festas e dos ritos. É como se os fariseus fossem monges que se separavam e em nome da Lei se achavam mais santos do que os outros.
O publicano, por sua vez, é uma espécie de judeu que trabalhava para o Império Romano, coletando impostos de seus patrícios em favor do dominador estrangeiro. Por isso, eles eram chamados de traidores. Os judeus tratavam os publicanos como associados aos gentios pecadores. Eles desdenhavam dos publicanos. Andavam com o nariz empinado e diziam: “Esses publicanos se bandearam para o outro lado e são traidores e imundos. Se dizem judeus, mas trabalham para os nossos inimigos”. - Zaquel era um publicano acusado de corrupção, de cobrar mais impostos do que realmente era devido. É como se alguém que hoje trabalhasse para o Estado, servindo à Receita Federal e ao invés de facilitar a vida do brasileiro, ele a dificultasse.
Nessa narrativa, o Senhor trabalha em um momento de disciplina espiritual. Ele toca no ponto certo, pois a disciplina espiritual tem servido para muitos a utilizarem como trofeu, arrotando espiritualidade: Eu oro, eu jejuo, eu pago mais o preço.
Na parábola, Jesus mostra dois judeus que foram para o mesmo lugar: o Templo, para fazer a mesma coisa: orar, mas com atitudes completamente diferentes. Um se achava santo demais e o outro, pecador demais. Um subiu para orar e começou a fazer isso em voz alta para que isso soasse como espiritual. É isso que Jesus está condenando. A soberba faz a pessoa confiar no que ela é e não em quem ela depende. Essa sempre foi a busca do ser humano. Muitas pessoas falam que querem ser livres, mas o ser humano nunca buscou realmente a liberdade e sempre se colocam debaixo da servidão do pecado. O que o ser humano busca desde a queda é a independência e esse é seu grande pecado.
Não se consegue ensinar nada a alguém soberbo. Ninguém consegue conviver com o soberbo, pois este não dá espaço para aprender nada. É alguém que sempre está certo. Não pode ser corrigido, não pode ser confrontado. O seu coração é altivo e trata todo mundo do jeito que quer.
A soberba, dentro dos pecados capitais, foi tratada como o pior pecado, uma vez que foi revelada nas duas principais quedas. No céu, houve um pecado relacionado à soberba, pois lá, um anjo ministrador, uma autoridade da parte de Deus, desejou em seu coração colocar seu trono ao lado do trono de Deus. Ele se achava tão bom que poderia ser igual a Deus. Só que no trono de Deus ninguém é capaz de subir. Diante do trono só se adora! Quem subir, desce!
Caio Fábio denomina essa soberba como síndrome de Lúcifer: “Ele me criou, mas hoje eu existo por mim mesmo”. Foi isso que aconteceu com o Anjo de Luz, que admirou tanto a si mesmo que se projetou como concorrente de Deus. Tem muita gente abrindo concorrência com Deus querendo reinar em seu próprio coração! A soberba do nosso coração é algo que irrita a Deus. Porque a soberba é o estado máximo de prepotência: A pessoa não precisa de ninguém. Ela se basta.
Por causa da soberba casamentos estão sendo destruídos, porque ninguém dá o braço à torcer. Por causa da soberba muitos já perderam grandes oportunidades profissionais. Tem pessoas que Deus nem deixa ser rico, pois o dia que for, saio pisando em todo mundo. Precisamos amadurecer para desprender o orgulho de nosso coração.
O SOBERBO SEMPRE SE VÊ SUPERIOR AOS OUTROS:
O fariseu dizia: “Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens...”- Uma das características do soberbo é que ele sempre se vê superior aos outros. Ele se vê como alguém que é muito mais crente que todo mundo. O orgulho nos faz olhar para nós como alguém melhor do que nós realmente somos.
A oração do fariseu destaca um defeito, tão notável que até mesmo uma criança poderia identificá-lo. Sua oração não demonstrava qualquer senso de pecado ou necessidade. Não continha uma confissão, uma súplica, reconhecimento de culpa insignificância, nenhum pedido de misericórdia e graça. Foi apenas uma recitação orgulhosa de supostos méritos, acompanhada por uma perversa reflexão sobre um irmão pecador. Aquelas afirmações sobre si estavam carregadas de presunção e ausentes de arrependimento, humildade e amor. Em resumo, dificilmente aquilo poderia ser chamado de oração.
Não podemos imaginar um estado de alma mais perigoso do que o daquele fariseu. Nunca os homens se encontraram em uma situação mais desesperadora do que quando a insensibilidade e a indiferença invadem o seus corações. O nosso coração se encontra em uma condição desesperadora quando não reconhecemos os nossos próprios pecados.
O soberbo acredita que o pecado do outro é sempre pior do que o dele. Nunca pede perdão e fica sempre esperando que o outro venha até ele se arrastando. Relacionamentos estão se perdendo, dissolvendo, porque o coração é soberbo.
Aquele fariseu declarava que jejuava duas vezes, enquanto Jesus declarava que ninguém deveria nem saber que você está jejuando. O fariseu menciona suas obras como se fossem créditos diante de Deus. O soberbo cumpre o protocolo da religiosidade, mas não tem compaixão.
2. O HUMILDE QUER QUE A VISIBILIDADE SEJA DE CRISTO E NÃO DELE:
Jesus, então cita o exemplo do publicano, que estando em pé, se mantém humilde, para não ser visto. O humilde quer que Cristo seja conhecido. O humilde não procura pelos holofotes, ele sai da luz para que a luz brilhe através dele. Ele bate no peito e geme, sem olhar para o céu, cheio de constrangimento, temor e vergonha. Ele reconhece quem é e clama por misericórdia.
A oração do publicano foi em todos os aspectos oposta à do fariseu. Nosso Senhor selou a curta oração com seu carimbo de aprovação. Ela afirmou: “Este desceu justificado para sua casa...”
Perguntaram para um Presidente dos Estados Unidos: “Você ouviu o que falaram do senhor?”Ele respondeu “É verdade”. Então o repórter perguntou: “Mas o senhor não vai se justificar?”. O Presidente respondeu: “Não, pois eu ainda sou pior do que aquilo que falaram”. O humilde reconhece as suas fragilidades, as suas debilidades, suas limitações. Ele clama por misericórdia, pede ajuda, estende a mão, confessa seus pecados.
A oração do publicano consiste em cinco aspectos que merecem a nossa atenção:
Primeiro, foi uma petição genuína - Uma oração que só contem ações de graça e afirmações, sem qualquer tipo de súplica, é uma oração deficiente. Talvez, pode ser conveniente para um anjo, mas não para um pecador. Somos incentivados em toda a Bíblia a apresentar as nossas súplicas e petições ao Senhor;
Em segundo lugar, a pessoalidade - O publicano não falou a respeito de seu próximo, e sim, a respeito de si mesmo;
Em terceiro lugar, a humildade - Aquele publicano colocou o “eu” no devido lugar. O publicano confessou claramente que era um pecador. Esse é o principio básico do cristianismo: reconhecimento de quem nós somos diante de Deus;
Em quarto lugar, foi uma oração em que a misericórdia era o único desejo. A misericórdia é a primeira coisa que precisamos pedir a Deus ao orar. A misericórdia e a grada divina têm de ser o assunto de nossas súplicas diárias junto ao trono da graça;
Em quinto lugar, foi uma oração proveniente do seu coração - Ele se sentiu profundamente quebrantado ao pronunciá-la. O texto diz que ele bate no peito como alguém que tem a necessidade de expressar sentimentos.
São orações como essa que causam deleite em Deus. Ele não desprezara um coração contrito!
Por causa da soberba, Adão e Eva foram expulsos do paraíso. A soberba também tirou Saul do trono o conduziu à miséria. A humildade levou Davi ao palácio. Jesus declara que aquele publicano desceu justificado para a sua casa. Ou seja, a oração do humilde foi ouvida.
Não estamos no caminho da salvação enquanto não reconhecermos que somos perdidos e colados; estamos arruinados e desamparados.
3. HUMILDADE, UMA VIRTUDE DO CARÁTER CRISTÃO:
Por ultimo, observamos um princípio encontrado com frequência nas Escrituras. Em três ocasiões distintas nos evangelhos, encontramos Jesus proferindo as mesmas palavras. Ele desejava ensinar com insistência que a humildade é uma das mais importantes virtudes do caráter cristão.
A humildade não é o andar simples. Humildade é um estado de espírito e não performance. Essa foi uma virtude de Abraão, Jacó, Moisés, Davi, Jó, Isaías e Daniel. Deveria ser uma virtude preeminente em todos os que confessam servir a Cristo. Nem todos os que pertencem ao povo de Deus possuem dons e riquezas. Apenas alguns são chamados para escrever, pregar ou ocupar lugares de destaque na Igreja. Mas todos são chamados para ser humildes.
Essa é uma lição valiosa para todos nós, especialmente em um mundo onde o egoísmo e o orgulho são frequentemente valorizados. Lembre-se de que a verdadeira grandeza vem da humildade e da modéstia.
CONCLUSAO:
Por natureza, todos somos cheios de justiça pessoal, uma doença hereditária de todos os filhos de Adão. Do maior ao menor, pensamos mais elevadamente do que deveríamos pensar ä respeito de nós mesmos. Em nosso íntimo, bajulamos a nós mesmos, afirmando que não somos tão maus quanto algumas pessoas. Muitos proclamam sua própria benignidade. Esquecemos o testemunho das Escrituras que nos diz que tropeçamos em muitas coisas; Não há ninguém justo sobre a terra que faça o bem e que não peque.
A verdadeira cura para a justiça própria é o conhecimento de si mesmo. Uma vez que os olhos do nosso entendimento sejam abertos pelo Espírito Santo, nunca mais falaremos sobre nossa própria bondade. Se enxergarmos a realidade de nosso coração e o que a santa lei de Deus exige, nossa vaidade pessoal morrerá. Colocaremos nossas mãos à boca e diremos como o leproso: “Imundo! Imundo!
SOLI DEO GLORIA.
