A Fé Robusta da mulher Siro-Fenícia

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Aqui Jesus deixou as terras de Israel e fez uma longa incursão em território gentio. Ele estava no último ano de Seu ministério. Não havia muitos que creram nele. A maioria o rejeitou, os fariseus e os saduceus o odiavam e estavam procurando matá-lo. Mais adiante haveria um clamor por Sua morte. Mas houve alguns judeus convertidos, que levaram a mensagem do Evangelho ao mundo.
Marcos 7 24 Levantando-se, partiu dali para as terras de Tiro [e Sidom]. Tendo entrado numa casa, queria que ninguém o soubesse; no entanto, não pôde ocultar-se.
Tiro e Sidon são duas cidades litorâneas (Mar Mediterrâneo), famosas na história por causa da conquista de Alexandre, o Grande, e igualmente famosas no Velho Testamento, distantes 32 km uma da outra. Eram as principais cidades da Fenícia (ao norte e oeste da Galileia). Ficavam em torno de 80 km do Mar da Galileia.
Jesus seguiu nesta longa e difícil viagem. Marcos nos conta um pouco sobre isso. Ele registra nesses versos a libertação de demônios da filha de uma mulher siro-fenícia. Mais adiante, quando Jesus passa por Decápolis, há mais curas e multiplicação de pães e peixes para quatro mil pessoas de uma multidão de gentios.
Marcos 7:24 diz que Jesus entrou em uma casa. Ele tentou se ocultar para que a multidão não fosse ali, mas a multidão estava lá. A proximidade daquela região com Cafarnaum fez sua fama chegar lá (provavelmente)Marcos 3:8 e Lucas 6:17 registraram que no meio da multidão que seguia Jesus na Galileia havia pessoas de Tiro e Sidon. Talvez essa mulher fosse uma delas.
Sobre Tiro e Sidon, Jesus disse:
Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidon se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. (Mateus 11:21)
Provavelmente essa mulher contemplou milagres que Jesus fez em Cafarnaum e creu. Então Jesus foi para aquele território gentio, uma prévia do que aconteceria quando o evangelho chegasse aos confins da terra. Esta é uma afirmação pessoal de Jesus de que a salvação é para todos os povos.
Marcos 7 25 porque uma mulher, cuja filhinha estava possessa de espírito imundo, tendo ouvido a respeito dele, veio e prostrou-se-lhe aos pés. 26 Esta mulher era grega, de origem siro-fenícia, e rogava-lhe que expelisse de sua filha o demônio.
 
Fenícia era o nome do país, mas sob um general romano, Ptolomeu, que governou lá por um tempo, ele anexou a Fenícia à Síria. Assim, Síria e Fenícia se tornaram uma, e aquela mulher era siro-fenícia. Ela era uma mulher, cananeia, siro-fenícia (que a identificava com os romanos). Ela era estigmatizada pela adoração a Baal e deuses romanos. Na cidade de Tiro morava Jezabel, e foi aí que se originou a adoração a Baal (I Reis 16:30-33).
Então, essa mulher tinha tudo contra ela. Ela era uma pessoa rejeitada, talvez em situação pior que a de um coletor de impostos judeu, que vendia sua alma a Roma para extorquir dinheiro de seu povo.
Então ela vem a Jesus e pede que Ele libertasse sua filha dos espíritos malignos. Uma criança possuída por demônios é uma experiência horrível para uma mãe. 
Ela não estava clamando por direitos, mas por misericórdia. Ela não estava tentando convencer a Jesus de que merecia algo. Ela se prostrou diante dele e pediu compaixão. 
Seu apelo é que sua filha estava cruelmente possuída por um demônio.
 
E qual foi a primeira reação de Jesus?
Após o clamor daquela mulher, há um diálogo interessante entre ela e Jesus.
Marcos 7 27 Mas Jesus lhe disse: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
Jesus quis dizer: os judeus primeiro e depois os gentios. Ele usou uma parábola para explicar isso, como costumava fazer para ensinar. É como uma refeição, primeiros os filhos comem e só depois os cachorros. Há uma prioridade aqui. Isso é tudo que Ele está dizendo.
Na parábola que Jesus contou, aquela mulher era a figura do cachorro. (Muito pesado).
 A palavra grega expressa do texto refere-se a cachorros pequenos que corria pela casa comendo restos. Era usado comumente como um depreciativo.
 
Com essa resposta de Jesus e a reação da mulher podemos aprender muitas lições para nossas vidas.
 
O que sair de nós diante de palavras duras ditas contras nós? De alguém que você foi pedi ajuda?
 As palavras de Jesus foram duras. Mas elas tinham um proposito, revelar para todos o coração daquela mulher.
Em situações assim nosso coração é revelado, o que está em nosso íntimo vem átona. (Lembra do teste que Jesus fez com o jovem rico?)
Você já tentou imaginar se fosse você recebendo de Jesus aquela resposta? Qual seria a sua reação?
Vivemos tempos difíceis, pois nossa geração é muito frágil.
Se aguem passar e não falar com você, você já quer entrar em depressão ou sair denegrindo aquela pessoa.
Veja a que patamar uma fé profunda pode levar uma pessoa. Nossas reações falam muito da nossa fé.
A resposta dessa mãe é espetacular. Revela uma grande humildade e confiança, perseverança.  
 
Essa mãe é determinada. Como Jacó, ela agarra-se ao Senhor sem abrir mão da bênção. Ela não descansa nem dá descanso a Jesus. Essa mulher encontrou vários obstáculos em seu caminho: Sua nacionalidade era contra ela: era gentia e Jesus era judeu. Além do mais, ela era uma mulher, Satanás estava contra ela, porque um espírito imundo havia dominado a sua filha. Os discípulos estavam contra ela, eles queriam que Jesus a despedisse. O próprio Jesus aparentemente estava contra ela. Essa não era uma situação fácil. Contudo, essa mãe não desanimou.
Vejamos:
Foi um teste de humildade para aquela mulher. E ela respondeu de forma incrível.
Marcos 7 28 Ela, porém, lhe respondeu: Sim, Senhor; mas os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças.
Ela não reivindicou direitos e posições, ela não se considerou merecedora de qualquer ato da misericórdia divina. Ela sabia de sua posição de cananeia e gentia.
Ela não ficou nem um pouco ofendida. Ela disse: “mas até os cães podem comer as migalhas que caem da mesa”. Em outras palavras:
Eu sei que não sou judia, que não faço parte do povo da aliança, e que pertenço a um país idólatra e a uma raça idólatra. Mas os benefícios não transbordam do povo da aliança para o resto de nós?
Essa mãe longe de ficar magoada com a comparação, converte a palavra desalentadora em otimismo e transforma a derrota em consagradora vitória.
O Senhor não estava ignorando aquela mulher. Ele estava simplesmente extraindo dela as evidências da verdadeira fé. Tudo que ela declarou são autênticas demonstrações de uma fé genuína. Por isso Jesus lhe disse: “Por causa desta palavra, podes ir; o demônio já saiu de tua filha” (Marcos 7:29).
Aquela mulher estava quebrantada, sabia que não era digna da misericórdia de Deus, chamou Jesus de filho de Davi (reconhecendo-o como o Messias) e de Senhor (reconhecendo sua autoridade suprema). Então, “voltando ela para casa, achou a menina sobre a cama, pois o demônio a deixara” (Marcos 7:30)
É uma bela imagem da fé. Aquela mulher lutou contra as barreiras da religião, rejeitou a idolatria, se humilhou, reverenciou Jesus Cristo como Messias e Senhor e creu plenamente nele. É uma história magnífica da fé.
Duas coisas merecem destaque:
Em primeiro lugar, Jesus elogia a fé daquela mãe (Mt 15.28). A mulher siro-fenícia não apenas teve seu pedido atendido, mas teve, também, sua fé enaltecida.
A fé é morta para a dúvida, surda para o desencorajamento, cega para as impossibilidades e não vê nada, a não ser a confiança em Deus.
Precisamos ver o poder de vir a Deus como somos, e deixá-Lo cumprir Suas promessas aos fracos e impuros. Se a mulher tivesse respondido: "A quem você está chamando de cachorro?", ela não teria recebido de Jesus o que sua filha precisava. Sua humilde e cheia de fé submissão a Jesus trouxe a vitória. "Nada apelou mais ao nosso bendito Senhor do que a fé aliada à humildade ."
 
Akin aplica esta história a nós hoje - Que imagem magnífica de salvação temos nesta história. Sim Senhor, somos todos cães debaixo da mesa, sem direitos quaisquer como membros da família. Reconheço que não mereço um lugar à mesa, mas acredito que há o suficiente até para mim na mesa (as migalhas)! Sei que tens algum para mim. Não mereço, mas preciso desesperadamente. Apenas algumas migalhas serão suficientes. Nisso eu acredito. Então, em graça e misericórdia surpreendentes, nosso Salvador nos levanta, não mais um cão (pecador), mas uma criança (salva), não mais debaixo da mesa, mas agora um membro da família à mesa. · Você está disposto a se ver como o cão que é para que possa ser transformado na criança que pode se tornar?! Seu pecado é maior do que talvez você perceba, mas Sua graça é maior do que você jamais poderia imaginar.
Você reconhece que não é digno de comer do pão que está na mesa do Senhor?
É possível que sua justiça própria lhe impeça de enxergar essa verdade.
Aquela mulher não quis discutir com Jesus quando a sua condição aos seus olhos, ela simplesmente se sujeita e pede conforme a sua condição.
Você tem noção de quem você é aos olhos de Deus? O que você naturalmente? Só lembrando, você não é ouro de Ofir.
Quero finalizar com um relato bíblico bem interessante neste assunto.
2 samuel 9.
O Neto de Saul sabia que não tinha nenhuma dignidade para comer na mesa do rei, assim nenhum de nós somos dignos de comer da mesa do Rei Jesus, somos como um cão morto, somos coxos de ambos os pés.
Reconhecer essa verdade é fundamental para analisar a qualidade de uma fé.
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