Não pule a abertura!
Podemos aprender nesta saudação coisas preciosas as quais não devemos desprezar: a vontade soberana de Deus, a identidade cristã e a paz que resulta da graça de Deus.
Introdução
1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus, 2 graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. -
Paulo inicia a Epístola como de costume, identificando-se e apresentando o que considera o mais importante para seus leitores: a fonte de sua autoridade apostólica; a sua vocação por vontade de Deus: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus” (
A Vontade soberana de Deus na vocação
Percebemos, logo de início um aspecto fundamental do Deus Bendito: sua soberania. Ele como Senhor da igreja é quem vocaciona seus servos, conforme comenta Calvino: “A Deus pertence com exclusividade o governo de sua igreja. Portanto, a vocação não pode ser legítima a menos que proceda dele”.
A vocação de Deus antecede nossa convicção e, ao mesmo tempo, o chamado não cai no vazio; Deus mesmo nos confere esta certeza subjetiva de que foi ele quem nos chamou para seu serviço (
Paulo diz que é “apóstolo de Cristo Jesus” (
Segundo Charles Hodge, a palavra apóstolo é usada em três sentidos especiais no Novo Testamento:
a) Em seu sentido primário de mensageiro (
Santos e Fiéis
Paulo destina sua carta aos “santos” e “fiéis”. Ou seja, os efésios, como igreja de Cristo, são todos santos, separados para Deus. De fato, todos os crentes, sem exceção, foram separados do mundo, da maldição resultante do pecado, para Deus. Pertencemos a ele; já não somos do mundo, conforme Jesus Cristo mesmo declara ao Pai em oração (
Graça e paz
Paulo saúda os irmãos com a “graça” e a “paz”. Mas o que significa graça? Podemos definir a graça de Deus como um favor imerecido, manifestado, livre e continuamente, por Deus aos pecadores que se encontravam em um estado de depravação e miséria espirituais, merecendo o justo castigo pelos seus pecados (
podemos observar que Paulo toma as duas palavras – graça (saúde), que era a saudação dos gregos, e paz, saudação dos judeus – conferindo um sentido teológico: a paz é resultado da graça de Deus. Notemos que, em suas saudações, Paulo nunca inverte esta ordem: a paz com Deus é resultado de sua própria graça. Devemos observar, contudo, que a paz aqui deve ser entendida como o equivalente hebraico שָׁלוֹ (shãlôm), “prosperidade espiritual”. A paz como resultado da graça pressupõe um estado anterior de inimizade. O pecado nos colocou em um estado de inimizade, hostilidade e ódio para com Deus: estávamos separados dele (
Aplicações
1. Devemos ter sempre diante de nós o senso da soberania de Deus.
2. Quando Deus nos chama para seu serviço, nos qualifica para realizá-lo.
3. Deus deseja de nós fidelidade no desempenho de nossa missão.
4. Ainda que não seja sempre algo imediato, a vocação de Deus será sempre acompanhada de certeza.
5. A igreja de Deus é formada por todos aqueles que foram separados por Deus para viverem de forma íntegra: os santos são os crentes em Cristo.
6. A fidelidade de Deus é o modelo que devemos buscar seguir e, ao mesmo tempo, é nela que encontramos o conforto em nossas adversidades.
7. Nossa paz com Deus é uma conquista da graça dele em Cristo Jesus.
