Não pule a abertura!

Em Cristo! - Série de exposições em Efésios  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Podemos aprender nesta saudação coisas preciosas as quais não devemos desprezar: a vontade soberana de Deus, a identidade cristã e a paz que resulta da graça de Deus.

Notes
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Introdução

Você já assistiu uma série? Nos últimos anos tem aparecido inúmeras plataformas para você assinar e assim, poder ter acesso aos seus filmes e séries preferidos. Aos mais maduros, as séries são como se fossem “pequenas novelas”, ou um filme com várias partes. Geralmente, cada série tem uma abertura. Tem um vídeo com um fundo musical que de alguma maneira fazem referência ao conteúdo da série que será assistido posteriormente. Só que há um fato curioso sobre essas aberturas é que, por mais bem feitas que muitas sejam, via de regra a aparece um botão para clicarmos e pularmos a abertura e assim passarmos direto ao conteúdo que queremos assistir. Pois bem, sei que às vezes somos tentados a fazer a mesma coisa com as aberturas das epístolas bíblicas. Mas quero que orientar a não fazer isso e a parar um pouco e refletir sobre o que podemos aprender com os primeiros versículos dessas cartas.
Vamos falar sobre a Carta de Paulo aos Efésios. Quando Paulo escreveu esta carta, ele era prisioneiro. Possivelmente estava na prisão de roma quando escreveu esta epístola. Ou seja, suas circunstâncias não eram fáceis, mas mesmo assim, da prisão ela continuava a se esforçar para cuidar das igrejas de Deus.
A Carta de Paulo aos Efésios é dividida em dois grande blocos literários: (1) A parte doutrinária que trata da unidade da igreja (1.1 - 3.21) e a (2) a parte prática, que contém exortações a um modo de vida digno do chamado e a unidade dos leitores (4.1 - 6.20). Em resumo, a carta trata, de uma maneira profunda e sublime, da unidade de todos os crentes em Jesus Cristo, e do modo de vida santo, em Cristo, que deve resultar de tal unidade.

1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus, 2 graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. -

Paulo inicia a Epístola como de costume, identificando-se e apresentando o que considera o mais importante para seus leitores: a fonte de sua autoridade apostólica; a sua vocação por vontade de Deus: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus” (

A Vontade soberana de Deus na vocação

Percebemos, logo de início um aspecto fundamental do Deus Bendito: sua soberania. Ele como Senhor da igreja é quem vocaciona seus servos, conforme comenta Calvino: “A Deus pertence com exclusividade o governo de sua igreja. Portanto, a vocação não pode ser legítima a menos que proceda dele”.

Uma coisa que precisa ficar clara para todos os servos de Deus é que é o Senhor quem nos coloca onde Ele quer para que então venhamos a exercitar o nosso papel. Não somos nós que determinamos isso. O Espírito Santo distribui as capacidades necessárias para o serviço cristão, “como lhe apraz, a cada um, individualmente”. 1 Coríntios 12.11

A vocação de Deus antecede nossa convicção e, ao mesmo tempo, o chamado não cai no vazio; Deus mesmo nos confere esta certeza subjetiva de que foi ele quem nos chamou para seu serviço (

Poder lembrar que é a vontade soberana de Deus que nos coloca em determinadas situações não ajuda simplesmente a entendermos que o chamado para ser um obreiro do evangelho provém de Deus, mas também nos ajuda a perceber que nenhum dos nossos problemas é maior do que o plano de Deus.
Isso é percebido na vida do apóstolo Paulo no presente texto, mas numa situação de prisão, mesmo em circunstâncias difíceis, ele sabia que, por estar dentro de Deus, ele confiava que os planos do Senhor triunfaria, mesmo em meios aos problemas.

Paulo diz que é “apóstolo de Cristo Jesus” (

Segundo Charles Hodge, a palavra apóstolo é usada em três sentidos especiais no Novo Testamento:

a) Em seu sentido primário de mensageiro (

Santos e Fiéis

Efésios—O Deus Bendito: Um Comentário Biblico, Teológico e Devocional “Aos Santos (…) e Fiéis [Crentes] em Cristo Jesus” (Ef 1.1)

Paulo destina sua carta aos “santos” e “fiéis”. Ou seja, os efésios, como igreja de Cristo, são todos santos, separados para Deus. De fato, todos os crentes, sem exceção, foram separados do mundo, da maldição resultante do pecado, para Deus. Pertencemos a ele; já não somos do mundo, conforme Jesus Cristo mesmo declara ao Pai em oração (

Graça e paz

Efésios—O Deus Bendito: Um Comentário Biblico, Teológico e Devocional “Graça a Vós Outros e Paz, da Parte de Deus, Nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Ef 1.2)

Paulo saúda os irmãos com a “graça” e a “paz”. Mas o que significa graça? Podemos definir a graça de Deus como um favor imerecido, manifestado, livre e continuamente, por Deus aos pecadores que se encontravam em um estado de depravação e miséria espirituais, merecendo o justo castigo pelos seus pecados (

Efésios—O Deus Bendito: Um Comentário Biblico, Teológico e Devocional “Graça a Vós Outros e Paz, da Parte de Deus, Nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Ef 1.2)

podemos observar que Paulo toma as duas palavras – graça (saúde), que era a saudação dos gregos, e paz, saudação dos judeus – conferindo um sentido teológico: a paz é resultado da graça de Deus. Notemos que, em suas saudações, Paulo nunca inverte esta ordem: a paz com Deus é resultado de sua própria graça. Devemos observar, contudo, que a paz aqui deve ser entendida como o equivalente hebraico שָׁלוֹ (shãlôm), “prosperidade espiritual”. A paz como resultado da graça pressupõe um estado anterior de inimizade. O pecado nos colocou em um estado de inimizade, hostilidade e ódio para com Deus: estávamos separados dele (

Aplicações

1. Devemos ter sempre diante de nós o senso da soberania de Deus.

2. Quando Deus nos chama para seu serviço, nos qualifica para realizá-lo.

3. Deus deseja de nós fidelidade no desempenho de nossa missão.

4. Ainda que não seja sempre algo imediato, a vocação de Deus será sempre acompanhada de certeza.

5. A igreja de Deus é formada por todos aqueles que foram separados por Deus para viverem de forma íntegra: os santos são os crentes em Cristo.

6. A fidelidade de Deus é o modelo que devemos buscar seguir e, ao mesmo tempo, é nela que encontramos o conforto em nossas adversidades.

7. Nossa paz com Deus é uma conquista da graça dele em Cristo Jesus.

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