Estudo Bíblico - A Santa Convocação (4)
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SLIDE 1
IGREJA PRESBITERIANA DE APIAÍ
PLANEJAMENTO PASTORAL – ESTUDOS DOUTRINÁRIOS
FEVEREIRO/2024
Rev. Mateus Lages
Tema: A santa convocação - o Culto segundo as Escrituras
Estudos no livro: O Que é um Culto Reformado, de Daniel Hyde.
Dia 05/02: O Culto pactual
Saudação
Oração inicial
Leitura bíblica - Efésios 5.21-33
Como uma comunidade de fé, a Igreja está em um relacionamento de graça com o Deus Triúno. As Escrituras descrevem este relacionamento como um casamento (Ef 5). Como um casamento, possui um caráter legal e íntimo. O que os mantém unidos, apesar de diferentes, é o fato de que nosso casamento é um pacto. Neste pacto, nosso propósito como noiva do Senhor é dar ao nosso amado Deus todo o louvor em pensamento, palavra e ação. Assim, “pactual” é um adjetivo que descreve o culto Reformado. No culto, nós que fomos feitos noiva de Cristo, proclamamos então “as virtudes daquele que [nos] chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9).
Hino 21 - Ao Deus de Abraão
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INTRODUÇÃO
No primeiro estudo aprendemos que o culto a Deus é um ajuntamento solene e uma santa convocação. De modo que quando Jesus ensinou em João 4.24 “Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.”, tenhamos recebido a consciência de que vivemos toda a nossa vida perante o Senhor, mas em certos momentos entramos em sua presença de uma forma especial. Era assim no Antigo Testamento, quando o povo da aliança estava sempre perante o Senhor, mas tinha momentos especiais de encontro com IAVÉ. Esse encontro especial era chamado de ajuntamento solene ou santa convocação. Em Mt 16 Jesus chama de assembleia ou Igreja.
Para hoje, aprenderemos que a motivação para o culto é o próprio Deus Triúno, não porque isso nos traz felicidade, nos preenche, promove a unidade da família, ou traz unidade religiosa à nossa nação ou grupo étnico. Deus se dá a nós em um relacionamento de aliança. Devemos cultuar porque Deus nos ordena louvá-lo e glorificá-lo! Isto é o que a primeira tábua da Lei nos ordena fazer: não devemos ter outros deuses, mas somente ao Senhor; não podemos fazer imagens dele; não podemos fazer mau uso de seu nome; e temos de cultuá-lo no dia por ele designado.
Assim, no mesmo propósito de apresentar as bases do culto Reformado, de tal forma que possamos explicar por que nós temos o culto que temos. Até aqui, vimos que nosso Culto é direcionado somente a Deus e promovidos pelos arrependidos dos pecados, bíblico, no sentido que seja 1) compreensível; 2) saturado pela Escritura; e 3) adorativo. Para hoje aprenderemos que o Culto é pactual, e, nas próximas semanas: evangélico, histórico, alegre, litúrgico, e reverente.
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A partir disso, pensemos no tema de hoje: O Culto Pactual
Em nossa Igreja somos “contemporâneos” ou “tradicionais”? Como vimos na semana passada, nem uma coisa e nem outra, mas bíblicos. Essas são duas categorias bem conhecidas de todos em nossos dias, mas que não são nem bíblicas nem úteis. Qualquer visão de culto que se identifica meramente em referência a uma cultura, tempo ou lugar específicos não são adequada, porque as formas de culto tanto do estilo “contemporâneo” como do “tradicional” são dois tipos de estilos de culto enraizados em preferências, cultura e tempo específicos. Creio que precisamos estar ligados à grande história da Igreja de Cristo. No entanto, esses fatores não devem guiar nossa teologia da adoração. Confessamos crer na suficiência das Escrituras; o que significa ser a Bíblia a nossa única regra de fé e prática, doutrina e ética, porque ela contém tudo o que precisamos como Igreja neste “mundo perverso” (Gl 1.4).
Então, sem visar uma forma de atrair pessoas para Deus baseada no que nossa cultura aprecia, estamos buscando o que Deus mesmo ordena e o que lhe agrada que tenhamos no nosso culto. Assim, devemos ser contemporâneos comunicando o Evangelho de modo compreensível, ao procurar cantar a verdade bíblica, sem esquecer a tradição que existiu antes de nós.
Assim, a mais bíblica classificação para a adoração seria “o culto pactual”, porque a palavra pacto tem significado que envolve um relacionamento formal entre duas partes envolvendo promessas e consequências. Quando começamos a entender esse conceito, começamos a ver que a Bíblia toda é um documento pactual. A Escritura revela que Deus é soberano e pactual. Quando criou o homem, criou-o num relacionamento pactual com ele. Depois que Adão quebrou o pacto original, Deus não abandonou o que havia feito, mas veio para salvar em misericórdia e graça, fazendo um novo pacto – que chamamos “pacto da graça”. Este pacto da graça, que teve início em Gênesis 3.15, continuou com Noé, foi renovado com Abraão em Gênesis 15, e se desenvolveu através da história da redenção até seu clímax em Jesus Cristo. Desse modo, a Igreja da Nova Aliança em Jesus Cristo é a continuação do pacto da graça de Deus desde o princípio da história redentiva.
Pedro entendeu isso e repetiu os mesmos termos que o Senhor deu a Israel no pé do monte Sinal quando renovou seu pacto com eles aplicando-os a nós: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (1Pe 2.9; Êx 19.6).
Por isso, a teologia do Pacto não somente define o agir de Deus com o seu povo através da história e une toda a Bíblia como o desdobramento de um único plano redentivo de Deus, mas também conduz nossa religiosidade, no sentido de governar o modo como responderemos a Deus. Assim, o culto pactual é um diálogo entre Deus e o seu povo. Isto significa que Deus fala conosco e nós lhe respondemos. Deus nos diz: “Eu serei o seu Deus” e nós respondemos: “Nós seremos o seu povo”. Deus nos chama à adoração e respondemos em cântico. Deus nos fala a sua Lei, nós lhe respondemos com a confissão dos nossos pecados. Ele nos absolve dos nossos pecados, nós respondemos em oração. Ele nos fala pela Palavra e nos sacramentos, nós respondemos com ação de graças. Isso é o que realmente significa dizer que o nosso culto é pactual.
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CONCLUSÃO/APLICAÇÃO
Concluindo, aprendemos hoje sobre o tema santa convocação, que o Culto Pactual que remete a uma cerimônia de casamento. Este conceito geral de pacto aplica-se particularmente à forma como o povo de Deus cultua, que é uma cerimônia de renovação da aliança. Há muitos exemplos no Antigo Testamento de cerimônias que renovaram a sanção original de um pacto, como em Êxodo 34, Deuteronômio 31.9-13, Josué 24, 2Reis 23, 2Crônicas 15, Neemias 9-10, e Esdras 9-10.
Em Josué 24, por exemplo, lemos o relato de uma renovação do pacto antes da morte de Josué. Esta cerimônia seguia uma forma básica com a qual deveríamos estar familiarizados por causa da nossa ligação com a história da Igreja Cristã: 1) O povo se reuniu (v.. 1), assim como nós o fazemos; 2) Deus falou, relembrando sua história (v.. 2-15), assim como fala conosco por sua Palavra ao longo da liturgia, especialmente no sermão; 3) O povo responde à Palavra de Deus (v.. 16-24) assim como respondemos em cânticos, oração, ofertas, e recitando o credo; 4) O pacto foi renovado com um sinal visível (v.. 25-27), da mesma forma conosco na Santa Ceia; 5) Finalmente o povo foi despedido (v.. 28), da mesma forma como somos despedimos com a bênção.
Esta estrutura básica foi ordenada desde bem cedo na lei em Levítico 1.1-9, onde a renovação da aliança da relação entre Deus e o seu povo veio através do sacrifício (cf. 1Re 3.15; Sl 50.5); 1) Deus chama os adoradores a se aproximarem com uma oferta dos seus rebanhos (v.. 1-2); 2) O adorador confessa seu pecado colocando sua mão sobre a cabeça da oferta, simbolizando uma transferência simbólica de sua culpa para o animal, então o sacrifício era feito e o sangue aspergido para expiação do pecado (v.. 3-5); 3) O animal morto, simbolizando o adorador, era então consagrado sendo oferecido a Deus segundo a sua Palavra (v.. 6-7); 4) A fumaça subia à presença de Deus onde se tornava “oferta queimada ao Senhor”, como uma refeição de comunhão (v.. 8-9); 5) Finalmente, Deus comissiona o adorador para o serviço do seu reino (Nm 6.22-27).
No Novo Testamento, isso é gloriosamente cumprido em Cristo, que faz de nós seu templo (Ef 2), seus sacerdotes (1Pe 2), e de nossas vidas sacrifício de louvor (Rm 12.1-2; Hb 13.15; 1Pe 2). Portanto, o conceito de aliança e sacrifício está no coração do culto bíblico. Dessa forma, aprendemos como nosso culto deve ser ordenado e oferecido através do padrão de renovação da aliança: somos chamados a adorar; confessar nossos pecados; sermos limpos pelo sangue de Cristo; somos consagrados pela “espada do Espírito”, a pregação da Palavra de Deus; celebramos a comunhão; e Deus pronuncia a sua comissão a nós.
Sendo uma cerimônia de renovação da aliança, o propósito do culto não é entreter, atingir emoções, “ser abençoado”, ou fazer o que for possível para alcançar uma grande multidão de pessoas, como dizem as filosofias de culto que hoje abundam nas igrejas; ao contrário, a Escritura claramente ensina que o culto é um encontro com Deus para renovar nossos laços mútuos de comunhão. Ao dizer que o culto é pactual, reconhecemos que nele participamos do mistério da comunhão com o Deus Triuno. Ele é o nosso Deus e nós somos o seu povo, especialmente no culto. Da mesma forma como o Pai, o Filho e o Espírito Santo participam de um laço eterno de amor e comunhão, assim também nós, quando nos achegamos para o culto, somos engajados nessa eterna comunhão com o Pai que não é gerado, através do Filho eternamente gerado, no poder e mistério do Espírito que deles eternamente procede.
Hino 18 - Deus dos antigos
ORAÇÃO FINAL
