Série de Mensagens - 7 Pecados Capitais - Avareza
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Sete Pecados Capitais - Avareza
Sete Pecados Capitais - Avareza
Texto base: Lucas 18.18-30
18 Certo homem importante lhe perguntou: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” 19 “Por que você me chama bom?”, respondeu Jesus. “Não há ninguém que seja bom, a não ser somente Deus. 20 Você conhece os mandamentos: ‘Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe’.” 21 “A tudo isso tenho obedecido desde a adolescência”, disse ele. 22 Ao ouvir isso, disse-lhe Jesus: “Falta-lhe ainda uma coisa. Venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro nos céus. Depois venha e siga-me”. 23 Ouvindo isso, ele ficou triste, porque era muito rico. 24 Vendo-o entristecido, Jesus disse: “Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus! 25 De fato, é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”. 26 Os que ouviram isso perguntaram: “Então, quem pode ser salvo?” 27 Jesus respondeu: “O que é impossível para os homens é possível para Deus”. 28 Pedro lhe disse: “Nós deixamos tudo o que tínhamos para seguir-te!” 29 Respondeu Jesus: “Digo-lhes a verdade: Ninguém que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pai ou filhos por causa do Reino de Deus 30 deixará de receber, na presente era, muitas vezes mais, e, na era futura, a vida eterna”.
INTRODUÇÃO:
A avareza é um assunto delicado, mas precisa ser tocado, pois se trata de um pecado seríssimo e que precisa ser combatido. O texto que lemos, nos apresenta um jovem avarento.
Mas, o que de fato seria a “avareza”?. Essa palavra tem origem no latim, e seu significado está relacionado ao desejo excessivo de riquezas ou bens materiais, ou até mesmo o desejo apegado a eles. Essa palavra latina vem de "avarus", que se refere à pessoa que é gananciosa ou que tem avidez por dinheiro e bens. Imagine que você é uma criança e que tem uma caixa cheia de brinquedos, e em vez de brincar com eles e emprestar para os amigos, você guarda tudo para si e não quer dividir com ninguém. Isso é o que chamamos de avareza.
Segundo Jesus, a avareza pode impedir que pessoas herdem o Reino dos Céus. O amor exacerbado pelos bens materiais, o desejo desequilibrado por posses, podem fazer com que muitos homens e mulheres se percam ao longo do caminho. A paixão e o amor pelo dinheiro podem ser intensificados como deuses dentro do nosso coração.
A Bíblia vai apontar para a necessidade de identificarmos onde está de fato o nosso tesouro, pois ali, estará também o nosso coração. O combate aos pecados capitais é para que outros pecados de maneira sutil e ardilosa, não se aproveitem da abertura que esses pecados capitais deixam na nossa vida e desviem o nosso olhar e coração da adoração ao único Deus verdadeiro, o qual não tolera que a sua glória seja dividida.
Podemos identificar dois componentes no pecado da avareza: obter o que não temos e preservar o que temos. O problema não está em obter coisas. Como parte da criação de Deus, as coisas em si são boas. A avareza entra em cena quando o desejo pelas possessões temporais se torna desordenado e, a seguir, a idolatria. Muitas vezes, estamos permitindo que as dádivas de Deus substituam o próprio Deus.
Segundo Peter Kreeft: “Quando a criatura é tornada deus, ela se torna um diabo”.
Quando deixo que Deus deixe de ser suficiente na minha vida e passo a depender de outra coisa, no caso as riquezas, como algo essencial, essa coisa se torna meu deus. Colossenses 3.5
5 Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria.
A avareza também traz consigo a questão da competição. A questão não é nem querer ser rico, mas ser mais rico do que o outro. O desejo de ganhar mais dinheiro, para ter uma casa melhor, um carro melhor, poder viajar e desfrutar de conforto não é pecado, a não ser quando se torna cobiça: querer o que pertence ao outro.
Agora pense comigo, uma pessoa que ganha um determinado valor de salário que lhe é suficiente para suprir suas necessidades, querer ganhar mais, simplesmente porquê o seu amigo ou vizinho ganha mais do que você. Ou seja, o salário não é desejado para suprir uma necessidade, mas sim, para obter vitória em uma competição.
Estamos diante de uma história real que traz um grande ensinamento. A Bíblia faz referência a esse jovem como: “Um certo homem importante”. Esse é um termo geral que faz referência a alguém de classes superiores. Muito provavelmente, ele era um dos oficiais a cargo da sinagoga local. Não estamos falando de uma pessoa qualquer, mas de alguém que dispunha de status na sociedade.
A avareza precisa ser combatida, pois quem a possui dá um valor exagerado às coisas materiais. São pessoas que tem dinheiro, mas não são servidas por ele. Elas que servem ao dinheiro. Não confunda boa gestão com avareza. São coisas distintas. Em uma, o dinheiro que nos serve, é ele quem trabalha para nós. No outro caso, a pessoa se torna escrava, refém do seu próprio dinheiro. O dinheiro se torna um fim em si mesmo.
1- QUANDO A AVAREZA CAUTERIZA A NOSSA MENTE:
Hoje, o que mais vemos são especialistas em finanças que nos garantem o sucesso. É só arrastar para cima e se inscrever nos cursos, lives e canais de transmissão que nos são oferecidos. Essa é a geração que é capaz de acordar às 5 da manhã e tomar banho gelado para destravar a mente, mas não é capaz de chegar no horário do culto e matar a sua carne lutando contra os seus desejos.
A avareza tem o poder de cauterizar a nossa mente. Cauterizar aqui pode ser entendido como o processo de endurecimento ou insensibilidade do coração. Quando uma pessoa se torna excessivamente gananciosa, isso pode nos roubar a sensibilidade e compaixão. Isso pode endurecer a maneira de pensar, tornando a pessoa cada vez mais egoísta e insensível à necessidade dos outros.
O jovem dessa passagem era alguém que estava inteirado das tradições judaicas e da Torá, a qual ele obedecia. As palavras proferidas por esse jovem parecem estar impregnadas de farisaísmo, mesmo não sendo um fariseu. Assim que ele se aproxima de Jesus ele traz uma palavra de bajulação. Aquele jovem chama Jesus de “Bom” Mestre. O termo usado aqui é agathos, que traduzida por bom nesse versículo significa excelente, distinto, literalmente o melhor. Essa não é uma forma usual de se dirigir a alguém no judaísmo, é mera bajulação.
É o que poderíamos chamar de networking nos nossos dias. Aquela pessoa que é capaz de bajular alguém, mesmo não concordando com o seu discurso simplesmente porque lhe é conveniente.
Para os judeus, só Deus tem essa característica e, dessa forma, sabemos que Jesus é bom, porque Ele dispõe da mesma essência que o Pai. No entanto, aquele jovem era desconhecedor da divindade de Jesus. Ele faz uso da palavra “bom” para se referir a um mestre terreno.
Esses versos nos mostram o quão profundamente uma pessoa pode avançar em sua ignorância. Nosso Senhor conhecia a mente daquele homem e deu a ele a resposta que desnudava a sua alma diante de um espelho.
a) - Em primeiro lugar, temos aqui Jesus corrigindo a ação bajuladora desse jovem. Em nenhum momento Jesus nega a sua bondade, atributo este que pertence ao Pai e por isso, está evidentemente presente em Cristo. Jesus sabia que esse adjetivo dado por esse jovem nada mais era do que uma declaração superficial. Se realmente ele cresce nesse atributo como parte da essência de Cristo, ele obedeceria o mandamento que estava para lhe apresentar;
b) - Em segundo lugar, temos Jesus confrontando a postura farisaica do coração daquele jovem. Somos informados de que ele indaga Jesus quanto ao que deve ser feito para herdar a vida eterna. Não sabemos aqui, qual conceito de vida eterna aquele jovem tinha, afinal de contas, muito provavelmente esse ensinamento lhe fora transmitido pelos escribas e fariseus;
Assim como esse jovem, tem pessoas acreditando que podem obter a vida eterna por causa das suas ações. A obediência daquele jovem aos mandamentos apresentados por Jesus nada mais era do que uma obediência vazia e superficial. O que aquele jovem não percebe aqui é que Jesus deseja a verdade no íntimo. Se transgredimos seus mandamentos em nossos pensamentos e corações, somos transgressores, ainda que não de forma aparente.
6 Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria.
A primeira coisa essencial à nossa salvação é sermos livres dessa cegueira espiritual. Os nossos olhos espirituais precisam ser iluminados pelo Espírito Santo. Temos de aprender a conhecer nós mesmos. Nenhum homem que tenha sido ensinado pelo Espírito Santo se verá como um observador da Lei de Deus desde a sua juventude. Pelo contrário, se verá como mau e transgressor da Lei de Deus.
Em termos espirituais e emocionais, a avareza pode afastar a pessoa dos valores mais profundos e levá-la a uma vida de insatisfação constante, onde nunca há o suficiente.
A preocupação de possuir as coisas é o que mais impede as pessoas de viverem livre e nobremente, mais que qualquer outro
fator.
— BERTRAND RUSSELL (matemático, filósofo e ateu).
2- QUANDO A AVAREZA DOMINA O CORAÇÃO:
O desejo que aquele jovem expressou era bom e correto, afinal de contas, ele queria a vida eterna. À primeira vista, não havia razão pela qual esse homem não podia ser instruído no caminho de Deus ou que o impedisse de se tornar um discípulo de Cristo. Mas, infelizmente, existia uma coisa que ele amava mais do que a “vida eterna”. Era sua própria riqueza. Quando convidado a abandonar tudo que possuía na terra e ajuntar tesouros nos céus, esse homem não teve fé para aceitar o convite. O amor ao dinheiro era o pecado que dominava o seu coração.
Existem pecados que dominam nosso coração e que pode nos custar a alma. Muitas pessoas estão dispostas a desistir de tudo por amor à Cristo, exceto por um pecado. Os nossos pecados de estimação que insistimos em cultivar. Herodes ouvia João Batista com boa mente, assim como muitos ouvem a Palavra semana após semana.
19 Assim, Herodias o odiava e queria matá-lo. Mas não podia fazê-lo, 20 porque Herodes temia João e o protegia, sabendo que ele era um homem justo e santo; e quando o ouvia, ficava perplexo. Mesmo assim gostava de ouvi-lo.
Existia algo que Herodes não conseguia fazer: romper laços com Herodias. Não podemos ter reservas em nosso coração se desejamos receber algo de Cristo. Precisamos estar dispostos a abandonar qualquer coisa, embora isso nos custe muito.
Pastor, qual o nível de radicalidade do pecado?
29 Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno. 30 E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno.
Devemos estar prontos para arrancar nosso olho direito, a cortar fora a nossa mão, a fazer qualquer sacrifício e quebrar qualquer ídolo. Obviamente, não estamos tratando disso em forma literal, mas para um cristão autêntico nada deve ser mais precioso do que obedecer ao Senhor e sacrificar o que for necessário.
No contexto bíblico, Jesus usou essa linguagem forte para mostrar como é sério afastar-se do pecado. O que Ele queria ensinar era que, mesmo que algo pareça difícil de abandonar ou sacrifique algo valioso, a nossa vida espiritual e moral deve ser mais importante.
Uma pequena fenda/brecha não reparada é suficiente para afundar um grande navio. Um pecado costumeiro, de estimação, ao qual a pessoa se agarra com obstinação é suficiente para lhe fechar a porta do céu.
Meditações no Evangelho de Lucas O Jovem Rico (Leia Lucas 18.18–27)
O amor ao dinheiro, nutrido de forma oculta no coração, é o bastante para levar um indivíduo, que, em outros aspectos, possui moralidade e irrepreensão, ao abismo do inferno. - J.C. Ryle
3. QUANDO A AVAREZA CUSTA CARO:
Jesus faz uma declaração um tanto quanto intrigante: Lucas 18.25. (Ler versículo) - Quando o coração está dominado pelas coisas do mundo, nossos olhos encontram-se vendados e a cegueira é a nossa verdadeira condição espiritual.
25 De fato, é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”.
Jesus está usando aqui uma hipérbole. Nos tempos de Jesus, esse “fundo da agulha” era uma fenda, uma pequena abertura que se tinha na porta da cidade, tão pequena que era impossível passar um camelo por ela. É impossível que um rico encontre em suas próprias forças um caminho que o conduza a Deus. A riqueza e o amor pelos bens podem produzir uma resistência tão grande no coração humano, a ponto deste colocar a salvação de sua alma em jogo.
As riquezas inclinam o coração dos seus possuidores ao orgulho, à obstinação e à autossatisação. Além do mais, os ricos dificilmente são abordados com fidelidade sobre assuntos referentes a suas próprias almas. Geralmente, eles são cortejados e bajulados. Provérbios vai dizer que o rico tem muitos amigos, no entanto, poucas pessoas têm coragem de apresentar-lhes essa verdade.
Isso não quer dizer que não haverá ricos nos céus e sim que não haverá no céus quem amam mais as riquezas que a Deus. Não podemos servir a dois senhores. Quem serve as riquezas não pode servir a Deus.
16 É melhor ter pouco com o temor do Senhor do que grande riqueza com inquietação.
Quando examinamos essa mesma passagem sob a ótica de Marcos, vemos na narrativa que o jovem rico corre até Jesus e se lança aos seus pés. A ideia que temos aqui é de alguém que sofre de uma incerteza, uma inquietação por não ter alcançado aquilo que a sua alma almeja. Certamente, os questionamentos daquele jovem quanto a vida eterna afligiam sua alma. Sua aflição só não era superior ao seu amor pelas suas riquezas.
Quando Jesus parou de falar daquilo em que aquele jovem já se sentia aprovado, Jesus passou a falar daquilo que lhe faltava. A intenção de Jesus não era deixar aquele jovem pobre, mas sim, explicar qual era a riqueza que importa. A questão não era ter dinheiro ou não; mas essência.
O texto diz que ouvindo isto, aquele jovem foi embora entristecido. Seu fardo ainda lhe pesava.
APLICAÇÃO PESSOAL:
Esses cinco passos examinam cada pessoa em relação à avareza:
O avarento deixa de fazer as coisas que gosta para não gastar dinheiro. Mesmo querendo, necessitando ou podendo comprar;
Tem medo de perder o que possui. Sob alegação de que sabe dar valor ao seu dinheiro, este possui um coração endurecido, onde nenhuma ou quase nenhuma generosidade pode ser vista;
Nega auxílio aos outros porque isso lhe custará algo;
Evita fazer uso de objetos para mantê-los intactos. Não confunda zêlo com avareza. Precisamos de uma vida equilibrada;
Se aproveita da bondade alheia para se beneficiar.
CONCLUSÃO:
Jesus identificou a falha daquele homem: sua relação com prioridades, onde o dinheiro era mais importante do que a salvação da alma. Para que sejamos cristãos Deus tem que ser a nossa prioridade. Devemos orar e pedir a Deus que revele o que nos falta e, diferente dele que nos empenharmos a suprir essa falta.
