2. Quando não possuirmos nada, Deus será nosso tudo (Mt 5.3)

Em Busca de Deus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Introdução

Jesus estava pregando no Sermão do Monte.
O que são as bem-aventuranças? Qual é o seu tema?
Não são princípios gerais de vida.
São realidades do Reino de Deus.
A primeira delas, e que nos introduz nesse Reino é: “bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”.
Vamos meditar nessa preciosa verdade.

1. Desde a queda, o problema do ser humano é o “eu”.

Quando Deus criou o homem, deu a ele uma série de coisas agradáveis e proveitosas sobre a terra. Mesmo assim, havia no coração do homem um santuário intocável: o lugar de adoração e devoção a Deus.
Esse era o padrão perfeito de Deus: por fora, coisas para seu proveito; por dentro, um altar dedicado a Deus.
Nossos problemas começaram quando, antes mesmo de Deus expulsar o homem do santuário do Jardim do Éden, o homem expulsou Deus do santuário do seu coração decidindo pecar. Agora, com um vazio no coração, o homem chama as “coisas” para preencherem esse espaço.
A alma humana tem um sintoma do pecado: “isso é meu”. O problema não é a propriedade privada, mas a possessividade que é pecaminosa e desequilibrada.
Em outras palavras, há dentro de nós um inimigo que muitas vezes toleramos e deixamos viver por nossa conta e risco, enquanto Deus nos orienta em Sua Palavra:
Colossians 3:5–6 NAA
5 Portanto, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena: imoralidade sexual, impureza, paixões, maus desejos e a avareza, que é idolatria; 6 por causa destas coisas é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.
Jesus chamou esse “velho eu” que vive dentro de nós de “vida”: “quem quiser ganhar sua vida, a perderá; quem perder a sua vida, esse a salvará”.
Jesus nos ensina que se permitirmos que esse inimigo viva dentro de nós iremos perder tudo no fim da vida.
Só existe uma maneira eficaz de destruir esse inimigo.
Matthew 16:24 NAA
24 Então Jesus disse aos seus discípulos: — Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
Só é possível destruir esse inimigo na cruz. Não há mais o que fazer com ele. Ou ele vive e morreremos, ou o matamos para viver com Jesus.
Essa necessidade de matar o “eu” é tão séria que Jesus ensinou a primeira bem-aventurança: “apenas os pobres de espírito herdarão o Reino de Deus”.
A. W. Tozer disse o seguinte sobre os pobres de espírito:
“Esses pobres benditos não são mais escravos da tirania das coisas. Quebraram o jugo do opressor, e fizeram-no pela rendição, não por meio da luta. Apesar de livres de todo senso de posse, ainda possuem todas as coisas - ‘pois dele é o Reino dos Céus’”.
Essa questão não pode ser minimizada. Você não pode deixar de crucificar sua velha natureza, se não ela te matará.
Apenas alguém que tenha matado seu velho eu terá um relacionamento real e profundo com Deus.

2. A história de Abraão e Isaque é um exemplo da primeira bem-aventurança.

Abraão era velho quando Isaque nasceu. Isaque lhe era o filho da promessa. Com o passar do tempo, seu filho lhe tornou o ídolo do seu coração.
“Tome seu filho, o único filho, a quem você ama, e sacrifique-o na região de Moriá como holocausto onde eu indicar” (Gn 22.2). Deus estava quebrando o ídolo em seu coração. Não havia meio termo para Abraão: ou deixava seu filho viver, colocando-o acima de Deus, ou o matava em obediência ao Senhor, sacrificando todo seu apego ao filho.
Após ter ouvido a instrução de Deus, Abraão teve a pior noite da sua vida. Então ele tomou uma decisão solene: obedecer a Deus moendo seu próprio coração junto com seu filho sobre o altar. Que agonia! Que prova!
Cedo, de madrugada, Abraão se levanta, pega seu filho, seu animal, a lenha e o cutelo para o sacrifício, e segue na direção que o Senhor ordenou. Ao chegar no alto do monte, Abraão faz os preparativos. A lenha. Isaque. O cutelo. Ao levantar o cutelo para matar seu filho sobre o altar, então o Anjo do Senhor lhe disse: “Abraão! Não estenda a mão sobre o menino. Você não me negou seu único filho; por isso, o abençoarei”. Eis aí o segredo da bênção: matar o eu. Seu eu estava travestido do amor pelo filho. Era um amor desequilibrado, pecaminoso. Abraão precisava sacrificar esse amor e colocar Deus no trono de sua vida. Ele precisava rearranjar seu coração.
Abraão era agora alguém especial. Era agora um homem inteiramente entregue a Deus, totalmente obediente. Abraão era alguém que não possuía mais coisa alguma a não ser o próprio Deus.
Mas ele não era rico? Ele tinha muitos animais, servos e sua família. Ele tinha tudo, mas não possuía nada. Abraão havia passado pela escola de Deus, a escola da renúncia.
Esse é o segredo espiritual: quando não possuirmos nada, Deus será nosso tudo. Seremos os pobres de espírito. Não é sobre bens materiais, mas sobre paixões e amores do coração. Abraão tinha tudo, mas seu coração estava totalmente desapegado de tudo. As coisas haviam sido lançadas fora de seu coração. Agora estava livre delas. Seus verdadeiros tesouros eram interiores e externos.
Não poucas vezes somos incapazes de entregar nossos tesouros ao Senhor por medo, pois eles nos concedem segurança. Às vezes nossa situação é como a de Abraão: um ente querido se tornou nosso maior amor. Nosso cônjuge. Nosso filho. Mas não precisamos ter medo de sacrificar essas coisas no altar do nosso coração. Deus não veio para destruir, mas para salvar. A boa verdade é que nada do que temos está verdadeiramente seguro a menos que estejam confiados às mãos do Todo-Poderoso Deus.

Considerações finais

O cristão que se conhece é capaz de identificar os sintomas da doença da posse em seu próprio coração. Se ele tiver um anseio por Deus forte o bastante em seu coração, ele sabe que precisará fazer algo a respeito disso.
O que ele poderia fazer?

Antes de mais nada, ele renunciará a toda autodefesa diante de Deus e não tentará apresentar nenhuma desculpa.

A. W. Tozer:
“Quem se defende a si mesmo tem apenas sua defesa, e ninguém mais; compareça indefeso, no entanto, diante do Senhor, e você terá como seu defensor ninguém menos do que o próprio Deus”.

Em seguida, ele clamará insistentemente para que Deus retire coisas de seu coração doentio e reine nele com poder.

Uma verdade como essa não é aprendida com memorização, mas com a experiência com Deus. Ela precisa ser vivida para que ganhemos a Deus de verdade.
Não se engane. O velho eu não quer morrer. Ele não cederá. Ele não te obedecerá. Você precisará matá-lo à força. Você sentirá dores. Nossa velha natureza precisa ser tratada com energia, assim como Jesus expulsou os cambistas do templo.

Por fim, o cristão que anseia por Deus renovará seu compromisso diário de viver uma vida crucificada.

Galatians 2:19–20 NAA
19 Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; 20 logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.
O único lugar adequado para nossa velha natureza é a cruz. Quem é o cristão que busca a Deus, que anseia por Deus para que Ele invada todos os cantos tenebrosos de sua alma? Que deseja que Deus inunde sua alma como uma enchente transborda no deserto mais seco e árido de sua pobre alma?
Para ganhar a Cristo, é preciso perder a própria vida.
“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”.
Quando não possuirmos nada, Deus será nosso tudo.
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