O Plano de Deus

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Texto 1Tm 2.1-6

Introdução

Estamos diante de um momento muito importante na história da humanidade. A cada novo amanhecer estamos mais perto do grande e esperado dia do Senhor, o dia em que Ele não apenas executará o juízo sobre toda a injustiça, mas também estabelecerá de forma plena o Seu Reinado de Justiça, Paz e Alegria sobre todas as estruturas existentes.
Por isso, falar sobre a perspectiva do Plano de Deus é fundamental para que possamos ampliar nosso entendimento sobre nosso papel neste tempo. Nosso objetivo é criar condições para que as futuras gerações desenvolvam uma fé viva, fundamentada na pessoa do Filho de Deus e sustentada pela verdade das Escrituras.
Estamos trabalhando na série "Fundamentos da Fé", revisitando os aspectos doutrinários mais essenciais da vida cristã. O objetivo é que possamos avaliar nossa vida, realinhar o que está desalinhado com a Palavra, fortalecer o que está correto e rejeitar todo o engano que nos rodeia.
A Cláusula V da Confissão de Fé da Mob declara que:
"Cremos que, desde toda a eternidade, Deus determinou, em sua graça, salvar uma grande multidão de pecadores vindos de toda tribo, língua e nações. Com esse fim, Ele nos conheceu e escolheu. Cremos que Deus justifica e santifica aqueles que, por sua graça, têm fé em Jesus e que, um dia, Ele os glorificará. Em Seu amor, Deus ordena e suplica que todas as pessoas se arrependam e creiam, tendo Cristo como seu Redentor. Cremos que o sacrifício de Jesus visa à restauração de todas as coisas no céu e na terra, reconciliando-se com Deus."
Essa confissão nos aponta para verdades fundamentais sobre a salvação e o desejo de Deus para com toda a humanidade. E é sobre essas verdades que iremos nos aprofundar.

O plano de Deus não é impessoal

Deus deseja que todos sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade - 1Tm 2.4
A declaração de Paulo a Timóteo revela o caráter gracioso de Deus. Ele deseja que todos sejam salvos, e por isso nos chama ao arrependimento e à fé.
Contudo, surge a pergunta: Se Deus deseja que todos sejam salvos, por que muitos serão condenados?
A resposta se encontra na tensão entre a soberania divina e a responsabilidade humana. Deus, sendo soberano, proveu a redenção em Cristo, mas também concede ao homem a responsabilidade de responder ao Seu chamado. O desejo de Deus não é um universalismo fatalista, mas um convite à redenção.
Ezequiel 18:23 confirma essa realidade:
"Vocês pensam que tenho prazer na morte do ímpio? - diz o SENHOR Deus. Não desejo eu muito mais que ele se converta dos seus caminhos e viva?"
Portanto, o conhecimento da verdade é essencial. Mas não um conhecimento meramente intelectual, e sim um conhecimento que transforma vidas e guia nossos passos em justiça.

O Papel do Mediador no Plano Eterno de Deus

Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e a humanidade, Cristo Jesus, homem, que deu a si mesmo em resgate por todos, testemunho que se deve dar em tempos oportunos. 1Timóteo 2.5-6
Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens. Sua mediação não significa que Ele tenta persuadir Deus a nos aceitar, mas sim que Ele satisfez as justas exigências da Lei por meio de Sua vida perfeita e sacrifício vicário.
Por ser plenamente Deus e plenamente homem, Ele é o único que pode restaurar nossa relação com o Pai. Sua obra não apenas garante nossa redenção, mas também nos fornece acesso direto a Deus. Como Davi Stern declara:
"Não existem 'aeons' ou níveis para se alcançar Deus. Não precisamos de santos, sacerdotes ou hierarquias para nos aproximarmos dEle. Deus está perto de todos os que O invocam."
Portanto, qualquer sistema que tente interpor mediadores humanos entre Deus e os crentes é uma distorção da verdade do Evangelho.

Nossa postura de oração diante do Plano Eterno de Deus

Antes de tudo, peço que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças em favor de todas as pessoas. Orem em favor dos reis e de todos os que exercem autoridade, para que vivamos vida mansa e tranquila, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador - 1Tm 2.1
Paulo inicia este trecho enfatizando que a oração deve ser uma prioridade em nossa vida cristã. O termo “antes de tudo” não se refere apenas à ordem de importância, mas ao papel central da oração no cumprimento do plano divino. Oração é mais do que um hábito devocional – é um instrumento poderoso pelo qual Deus age na história.

A Oração como Expressão de Dependência e Fé

A oração é o reflexo de um coração que reconhece a soberania de Deus e se submete a Ele. Não se trata de convencer Deus a fazer nossa vontade, mas de alinhar nosso coração ao Seu propósito eterno. Como disse Andrew Murray:
“A oração é o relacionamento pessoal com o Deus vivo, e na consciente e pessoal comunhão de amor com Ele mesmo, que a oração se inicia.”
Nossa oração deve ser marcada pela confiança em um Deus que nos ouve e responde segundo Sua perfeita vontade. Jesus nos ensinou a orar: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” (Mt 6.10) – essa deve ser a essência de toda oração genuína.

A Importância da Oração por todas as pessoas

Paulo nos exorta a orar por “todos os homens” e, de forma específica, pelas autoridades (1Tm 2.2). Isso nos ensina que a intercessão não deve ser seletiva, limitada apenas a amigos ou pessoas próximas, mas abrangente, incluindo até mesmo governantes e líderes.
O governo civil foi estabelecido por Deus para manter a justiça e a ordem, ainda que seja administrado por pessoas pecadoras e falhas. Orar pelas autoridades não significa apoiar todas as suas decisões, mas interceder para que Deus as conduza segundo Sua justiça, permitindo um ambiente favorável para a pregação do Evangelho. Como Paulo destaca, isso contribui para que vivamos “uma vida tranquila e calma, em toda piedade e seriedade” (1Tm 2.2).

Os Diferentes Aspectos da Oração

Paulo menciona quatro tipos de oração:
1. Súplicas – Expressões de necessidade específicas diante de Deus, reconhecendo nossa total dependência d’Ele.
2. Orações – Voltada ao Pai para ver sua vontade cumprida em todas as coisas, conferindo o que estamos pedindo a aquilo que Deus está fazendo.
3. Intercessões – Ouvir, ver e pedir em favor de outros, assumindo o compromisso com a vontade revelada em oração.
4. Ações de Graças – Gratidão a Deus por Sua bondade e fidelidade, independente das circunstâncias, por tudo o que Ele já fez, está fazendo e irá fazer.
Cada um desses aspectos reflete uma dimensão essencial da vida cristã. A oração não se resume a pedir coisas a Deus, mas envolve gratidão, comunhão e intercessão pelos outros.

O Impacto da Oração no Cumprimento do Plano de Deus

A oração não apenas molda nosso caráter, mas também influencia o avanço do Reino de Deus. A história da igreja está repleta de exemplos de como a oração foi um fator determinante para reavivamentos e grandes transformações. Como Leonard Ravenhill afirmou:
“Nenhum homem é maior do que a sua vida de oração.”
Quando oramos, tocamos o mundo inteiro com nossas intercessões. A oração transpõe barreiras geográficas, culturais e espirituais. Mesmo diante de perseguições e dificuldades, a igreja avança pelo poder da oração.
Aplicação Prática
• Estabeleça um compromisso diário de oração, reconhecendo sua centralidade na vida cristã.
• Ore não apenas por suas necessidades pessoais, mas também interceda pelos perdidos, pelas autoridades e pelo avanço do Evangelho.
• Encare a oração como um meio de alinhar sua vida à vontade de Deus, não apenas como uma forma de buscar respostas.
• Cultive um coração grato, reconhecendo a soberania de Deus em todas as circunstâncias.
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