O PROBLEMA DA INCREDULIDADE

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Lucas 11.14-32
 
O sermão de hoje estará organizado da seguinte forma: Faremos uma exposição mais extensa do texto, dividindo o sermão em 4 pontos (ou partes), cada um desses pontos corresponderá a uma das perícope contidas entre o versículo 14 e 32.
Ao considerar o estudo e a investigação do texto, percebemos que o tema central é o problema da incredulidade. Na verdade, de todo o restante do capítulo 11, a questão central é a incredulidade. Portanto, é isso que buscaremos expor neste e no próximo sermão.
O que é incredulidade?
A incredulidade (apistia) pode ser definida, simplesmente como o ato de não crer. A incredulidade é uma rejeição temporária ou permanente da fé, se permanente, normalmente ela vem acompanhada de apostasia.
- A incredulidade pode ser religiosa ou secular, nos dois casos, é uma rejeição da verdade, omissão, rejeição dos fatos.
- A incredulidade é um estado de falta de fé, que resulta efetivamente em desobediência, pense, como inúmeras vezes o povo de Israel, carregando um coração cheio de incredulidade se afastou do Deus vivo, desobedecendo suas leis e estatutos.
- A rejeição do Evangelho é evidência de incredulidade, isso é mais do que não crer em alguma doutrina Cristã, ou o fato de rejeitar a comunhão dos santos (reunir-se como igreja). A rejeição do Evangelho é uma rejeição à Cristo, rejeição à sua vontade, portanto um apegar-se ao pecado.
A incredulidade é a rejeição de Deus, uma teimosia e resistência a entregar-se a Ele!
Por que fazemos isso? Por que não nos entregamos a Deus?
Por causa da incredulidade! Em Hebreus 3.12 lemos: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo”.
Nosso Deus é um Deus vivo, mas nos afastamos d’Ele pelo simples fato de não cremos. Muitas vezes, cremos em nós mesmos, cremos que se as coisas estivessem em nossas mãos, elas seriam mais bem administradas; pensamos que se segurarmos nossa vida com nossas mãos, ficaremos mais seguros com respeito a ela.
- Com isso, limitamos Deus com nossas limitações, pois pensamos que se nós não podemos fazer, Deus também não pode. Não confiamos n’Ele, não cremos n’Ele. Isso é incredulidade.
- O maior pecado que podemos cometer é o pecado da incredulidade. Segundo entendo, o pecado mencionado em Hebreus 12.1 é a incredulidade: “Desembaraçando-nos (…) do pecado que tenazmente nos assedia”. (A palavra “assedia”, no grego, tem a ideia de emaranhar, enredar.)
Que pecado é esse? É o pecado da incredulidade. Não cremos no Senhor, por isso não nos entregamos a Ele.
Como tudo isso, que acabei de falar, está ligado ao texto dessa noite?
- A princípio, tenho buscado expor o Evangelho de Lucas, do ponto de vista de Lucas, então, poucas vezes busquei fazer uso dos demais evangelistas para explicar Lucas. Contudo, neste caso, acredito ser interessante entendermos o contexto de Lucas, com a ajuda dos demais evangelistas.
- Lucas em seu relato, a princípio, não é tão claro quanto aos fatos, ele diz: “Mas alguns dentre eles diziam:”. Tanto em Mateus quando em Marcos, o texto faz referências aos fariseus, em Marcos, este texto é intitulado como “A blasfêmia dos fariseus”.
- Inclusive, é neste texto de Mateus, onde Jesus fala que toda blasfêmia será perdoada, só não a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mt. 12.31-32).
- Toda essa explicação, tem o objetivo de te situar no texto, te levando a compreensão, de que Jesus está confrontando a incredulidade, especialmente, dos religiosos, que vendo, não veem, ouvindo, se fazem surdos, o coração não se move, e por isso não se convertem. Ou seja, estamos diante da incredulidade, daqueles que tão facilmente deveriam crer no Salvador.
Vamos ao texto!
Parte 1 - v.14 – “De outra feita, estava Jesus expelindo um demônio que era mudo. E aconteceu que, ao sair o demônio, o mudo passou a falar; e as multidões se admiravam”.[1]
- Mateus, vai dizer que Jesus se retirou para um lugar mais deserto, e a multidão o seguiu, com isso ele realizou muitas curas, entre elas, a libertação deste homem, possesso de um espírito surdo-mudo.
- Nenhum dos três evangelistas, propõe identificar esse homem ou dar detalhes desta cura, em todos os casos, o episódio é apresentado de forma resumida.
- O texto de Lucas, parece ter uma ruptura, nos versículos anteriores, Jesus nos ensinou sobre rogar ao Pai, pedir em oração e confiar em sua providência. Agora, de repente satanás entra!
- Além da incredulidade, Jesus nos apresentará as maneiras pelas quais satanás demonstra seu desejo de prejudicar o ser humano.
- Aqui, a própria possessão, tem características de doença, o demônio que aprisiona essa pessoa o impede de ouvir e falar. Aqui, não é o caso de uma deficiência ou doença congênita. O texto nos diz que esse homem tem um espírito imundo que o torna surdo-mudo. O demônio é expelido e o homem passa a falar.
- Esse não é um caso isolado, mas tarde, veremos, no mesmo livro de Lucas, o caso de uma mulher que anda curvada por uma imposição demoníaca, e Jesus a libertará desse possessão.
v.15-16 – “15 Mas alguns dentre eles diziam: Ora, ele expele os demônios pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios. 16 E outros, tentando-o, pediam dele um sinal do céu”. [2]
- Nesses dois versículos temos a abertura para o tema central, que é a incredulidade. Dois tipos homem nos são apresentados nesses dois versículos.
- O primeiro, vê as coisas distorcidamente, mesmo diante do real, dos muitos sinais demonstrados, a incredulidade permanente em seu coração o impede de reconhecer a verdade.
- Esse homem não estranho ao nosso tempo, o que vemos aqui, é um coração perverso, afastado do Deus vivo, que passa interpretar o mundo a seu bel prazer.
- A verdade é aquilo que ele próprio interpreta.
- O segundo homem, não é muito diferente do primeiro. A verdade revelada não é suficiente, a incredulidade a incredulidade lhe deixa uma pessoa inquieta e insaciável.
- Ele quer mais, toda a verdade, todos os sinais, todo o ensino não é suficiente, falta-lhe alguma coisa. Neste caso, ele acredita que o problema é exterior, as coisas externas são a causa da sua insaciabilidade. Mas, na verdade a causa é a própria incredulidade.
-- Observação sobre esses dois tipos de pessoas, ao primeiro, Jesus responderá na continuação do texto. Já o segundo será respondido a partir do versículo 29.
v.17-20 – “17 E, sabendo ele o que se lhes passava pelo espírito, disse-lhes: Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e casa sobre casa cairá. 18 Se também Satanás estiver dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Isto, porque dizeis que eu expulso os demônios por Belzebu. 19 E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes. 20 Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente, é chegado o reino de Deus sobre vós”.[3]
- Acredito que a resposta de Jesus segue uma estrutura lógica. Como Marcos 3.22 mostra, os escribas tinham “descido” de Jerusalém. O grande sinédrio, com seu quartel-general naquele lugar, se viu dominado por preocupação.
- A esse grupo era evidente que Jesus podia expulsar demônios e realizar outras obras de poder. Como ele possuía esse poder? Por esse tempo as autoridades judaicas chegaram a ficar bem conscientes do fato de que em alguns pontos que eles consideravam importantes o ensino de Jesus não estava em harmonia com o deles. Daí teriam chegado à conclusão de que os poderes misteriosos exercidos pelo “profeta da Galileia” eram qualquer coisa, menos um dom de Deus; sem dúvida eram satânicos.
- Certamente seria prudente fazer uma investigação – era o que pensavam. É como se não levassem em conta a possibilidade de que poderiam estar equivocados acerca da fonte do poder do Nazareno. Agora chegaram de Jerusalém para provar sua teoria, a saber, que o que estava ocorrendo na Galileia era obra de Belzebu.
- Logo que chegaram à cena, passaram a pronunciar seu veredicto: “É por Belzebu o príncipe dos demônios, que ele expulsa demônios”.
Mas quem era Belzebu? Para descobrir a resposta, temos de nos voltar para o Antigo Testamento. Era no caráter de Baal-zebub (2Rs 1.2,6) que Baal era cultuado em Ecron. O rei Ocazias, que enviou mensageiros a perguntar a Baal-zebub se ele se recuperaria dos resultados de sua queda, recebeu a notícia que por causa dessa deslealdade a Jeová ele morreria. As passagens neotestamentárias substituem -zebub por Beel[=Baal]zebul. Belzebu significa “senhor da habitação”. Não é clara a razão para a mudança ortográfica. Talvez não passasse de um acidente de pronúncia popular. Outra explicação é que aqui há um jogo de palavras, porque -zebul se assemelha a zebel: esterco. E assim os que desprezavam ao Baal de Ecron podiam, mediante uma ligeira mudança de pronúncia, escarnecer dele, passando a ideia de que ele não passava de “senhor do esterco”.
- Mas, seja como for, no Novo Testamento o uso de Belzebu é definitivamente no sentido de “príncipe dos demônios”, como prova Lucas 11.15,18. Belzebu é Satanás.
Por isso, o que esses homens estão dizendo é isto: “Quem deu o poder para expulsar demônios não é Deus, mas o diabo”. O relato paralelo de Marcos ainda acrescenta uma segunda acusação, a saber: “Ele tem Belzebu”, isto é, “Ele está possuído de Belzebu, de Satanás.” Cf. João 7.20; 8.48,52; 10.20.
É sem dúvida difícil de entender como o mesmo que se fez carne para curar os oprimidos (At 10.38), para buscar e salvar os perdidos (Lc 19.10), e que, a fim de alcançar seu propósito estava disposto a sofrer agonias que vão além de toda e qualquer descrição e compreensão humanas, foi descrito por esses “especialistas” religiosos como que possuído por Satanás, e que realizava os milagres, inclusive a expulsão de demônios, pelo poder de Belzebu.
- A resposta para isso é claramente a incredulidade.
- v.21-23 – “21 Quando o valente, bem armado, guarda a sua própria casa, ficam em segurança todos os seus bens. 22 Sobrevindo, porém, um mais valente do que ele, vence-o, tira-lhe a armadura em que confiava e lhe divide os despojos. 23 Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha”. [4]
- Nestes versículos, o Senhor nos diz que “o valente” satanás, tende a proteger muito bem “a sua própria casa”, ele busca, de alguma maneira segurança para a realização dos seus feitos.
- Todavia, ele só se mantém assim enquanto permitir o Senhor, que vem, “vence-o, tira-lhe a armadura em que confiava”.
- A tomada da casa do homem forte nos versículos 21 e 22 refere-se a um fenômeno comum no mundo antigo no qual um homem rico com todos os seus servos transforma sua casa em uma fortaleza e seus servos em um exército privado, muito parecido com Abraão com seus 318 servos/soldados em Gênesis 14.13–16.
- Jesus usa isso para imaginar uma guerra espiritual contra Satanás e seus anjos caídos. Esta passagem é mais detalhada que seu paralelo em Marcos 3.27 e retrata Jesus como um invasor mais forte primeiro derrotando e depois saqueando o reino de Satanás, uma imagem incrível para a batalha contra os poderes do mal.
- Os quatro verbos são progressivos, pois Jesus (por ele mesmo — ele não precisa de exército) primeiro “ataca” e depois o “domina”, imaginando exorcismos como atos de força avassaladora que Satanás e seu exército se encontram desamparados para deter. Depois de derrotar completamente os poderes cósmicos, Jesus então “tira a armadura”, uma representação que consiste em tirar todas as armas, como em Colossenses 2.15, quando em sua ascensão Jesus “desarmou os poderes e as autoridades”, fazendo “um espetáculo público deles, triunfando sobre eles pela cruz”.[5]
- Finalmente, Jesus “divide seu despojo”, um conceito difícil de interpretar. A imagem é fácil de entender, pois os “despojos” são tudo o que o general malvado tirou do povo que conquistou. Mas o que é o “despojo” que Satanás roubou forçosamente da humanidade?
- Jesus é claramente retratado aqui como capaz de entrar na casa cósmica de Satanás à vontade, prender Satanás e tomar seus bens expulsando demônios e devolvendo ao povo de Deus tudo o que ele roubou.
- A maioria reconhece que o “saque” se refere à libertação dos cativos (veja 4.18, 19) e ao retorno das bençãos de salvação (perdão, redenção, vida eterna) que os poderes malignos tentaram tirar do povo de Deus.
- Alguns interpretam que a possessões demoníacas, para satanás é um tipo de armadura, ou seja, ele usa as pessoas como um objeto e utensílio para os seus fins. Essa ideia não é estranha, em muitos meios de magia, chamam-se as pessoas de “cavalos do diabo”.
- No versículo 23, Jesus nos ensina claramente que não existe neutralidade. Quem não é por ele, é contra ele, quem não ajunta, espalha.
Parte 2 - v.24-26 “24 Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, procurando repouso; e, não o achando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí. 25 E, tendo voltado, a encontra varrida e ornamentada. 26 Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem se torna pior do que o primeiro”. [6]
- O “modus operandi” de satanás é descrito neste versículo, que gosta de se alojar onde, outrora, foi um ambiente de paz e tranquilidade, onde houve, em outro momento ordem.
- O espírito imundo só pode voltar onde encontra uma porta aberta, significa um coração dominado pela incredulidade.
Parte 3 - v.27-28 – “27 Ora, aconteceu que, ao dizer Jesus estas palavras, uma mulher, que estava entre a multidão, exclamou e disse-lhe: Bem-aventurada aquela que te concebeu, e os seios que te amamentaram! 28 Ele, porém, respondeu: Antes, bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam”![7]
- Este texto não desmerece ou diminuiu o papel de Maria, apenas da demonstração de seu verdadeiro lugar na história da redenção. Ela foi serva do Senhor, serva de Cristo. Portanto, salva por Cristo e não salvadora dele. Ele foi Senhor dela, e não ela senhora Dele.
- Note, que esse texto desenvolver aspectos da incredulidade desse povo, que diante de tantas maravilhas, quer atribuir prestigio e honra a outros e não ao Deus encarnado.
- A atitude dessa mulher vem para gera mais incredulidade, tirando os homens do caminho da verdade, levando-os a adorar ou venerar outra coisa ou pessoa que não é o verdadeiro Deus.
- A resposta de Jesus é direta e objetiva: “Antes, bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!” – As palavras da mulher não ficam sem uma reposta direta e objetiva.
Parte 4 – v.29-32: “29 Como afluíssem as multidões, passou Jesus a dizer: Esta é geração perversa! Pede sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. 30 Porque, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, o Filho do Homem o será para esta geração. 31 A rainha do Sul se levantará, no Juízo, com os homens desta geração e os condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão. 32 Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas”. [8]
- Nesta quarta parte, Jesus está respondendo à demanda deles, que pedem um sinal (v.16). A resposta de Jesus começa com uma repreensão, chamando-os de uma “geração perversa!”.
- O uso da expressão “perversa” é, neste caso, o sinônimo de incredulidade, como o autor de Hebreus 3.12 nos permite compreender “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo”[9]
- Essa “geração perversa” é “geração incrédula” quando lhe pedem sinal, pedem para que vejam além de tudo o que já foi manifestado e demonstrado. As palavras, o ensino, os milagres, o poder revelado, tudo isso ainda não suficiente para que creiam.
- Entretanto, Cristo lhes dará “o sinal de Jonas”.
- O que isso significa?
- Há dois significados possíveis para isso: por um lado, poderia se referir à pregação de Jonas de arrependimento e julgamento a Nínive (3.4–10); sua mensagem de desgraça iminente é a mesma de Jesus para os israelitas de seus próprios dias. Por outro lado, poderia ser o sinal da ressurreição — o resgate de Jonas da morte seria uma antecipação da ressurreição de Jesus.
- Com a ênfase na obediência “à palavra de Deus” no versículo 28, o primeiro faz mais sentido aqui. O segundo parece ser sustentado em Mateus 12.40, mas não há indício de ressurreição em Lucas.
- Jesus está chamando aqui para o arrependimento e avisando seus ouvintes sobre o próximo julgamento.
- A razão do sinal de Jonas é que Jonas é um sinal tipológico realizado em Jesus como Filho do Homem (11.30). Quando Deus enviou Jonas aos ninivitas, sua pregação trouxe arrependimento. Deus agora está enviando o Filho do Homem ao povo de Israel, mas sua pregação desencadeia apenas rejeição e oposição.
- Portanto, o Filho do Homem é um sinal de julgamento para uma nação que se voltou contra ele, que reverteu a reação dos ninivitas a Jonas.
- Cristo detalha dois juízes que irão condenar Israel no último julgamento. Ambos são gentios, portanto, isso prepara para a missão universal em Lucas.
- Os gentios respondem corretamente à pregação de Jesus, enquanto que o povo judeu não responde. O primeiro juiz, “a rainha do Sul” (11.31), também conhecida como a rainha de Sabá, “veio dos confins da terra [do sul da Arábia] para ouvir a sabedoria de Salomão”. Em 1Reis 10 e 2Crônicas 9 ela veio com uma enorme caravana carregada de luxos e interrogou Salomão com todas as perguntas difíceis, depois lhe deu muitos itens valiosos como presentes.
- Como um gentio que ouve e responde fielmente à sabedoria de Salomão, ela permanecerá no último julgamento e “condenará” o povo judeu da época de Jesus, porque “agora alguém maior que Salomão está aqui”, e eles o rejeitaram.[10]
Conclusão
Concluo esse sermão, voltando a questão do início, sobre a questão da incredulidade que permeia o coração dos homens, conduzindo-os a dar aos outros a glória Deus.
Como podemos fugir, nos livrar da incredulidade?
Concluo com três lições: considerar, ser constrangido pelo amor e sossegar.
1 - Considerar o quê? Hebreus 3.1 diz: “Considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus”. O motivo pelo qual não nos entregamos ao Senhor é porque não O consideramos. Consideramos a nós mesmos, nossas circunstâncias, os outros, e quando consideramos tudo isso, mas não ao Senhor, descobrimos que estamos mais e mais emaranhados, agarrando a tudo cada vez com mais força. Mas se aprendermos a considerar a Ele, o Autor e Consumador da nossa fé (12.1), se nós apenas O virmos, se virmos Aquele que é invisível, então todas essas coisas visíveis não permanecerão em nosso caminho. Nosso problema é que vemos todas as coisas visíveis, e elas nos cegam, não nos permitindo ver Aquele que é invisível. Quando Jó viu a Deus, quando a glória de Deus lhe apareceu, ele disse: “Agora os meus olhos Te veem”. Logo que viu, ele se entregou completamente a Deus. Não havia mais perguntas nem necessidade de explicações, porque o próprio Deus é a explicação.
Abraão foi capaz de entregar, entregar e entregar, e essa vida de entrega tornou-se cada vez mais profunda. E quando se tornava progressivamente mais profunda, ela se tornava também cada vez mais elevada. A razão é que o Senhor da glória lhe aparecera. O mesmo ocorreu com Moisés, que foi capaz de desprezar as riquezas do Egito – riquezas que podem ser comparadas com as dos Estados Unidos hoje – e estava disposto a carregar o vitupério de Cristo com seus irmãos escravos. Ele não temeu a Faraó, pois viu Aquele que é invisível (11.24–26).
O que precisamos é ver o Senhor e considerá-lO! Nosso problema é que falamos muito sobre Ele, ouvimos muito sobre Ele; mas será que O vemos na mesma proporção? Quando O consideramos e vemos em nosso espírito Aquele que é invisível, não há nada mais lógico, mais racional, mais fácil do que entregar-nos a Ele! Não fazer isso será tolice. Mas isso não é algo que podemos fazer por convencer-nos a nós mesmos que devemos nos entregar. Você precisa considerá-lO e vê-lO! Uma visão d’Ele é tudo de que você precisa, e todas as coisas cairão por terra, sem importância. Entregue-se a Ele![11]
2 - “Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.14–15).
Como precisamos ser constrangidos pelo amor de Cristo! Na vida cristã, o sentimento de obrigação não é suficiente, pois ela não sustenta a vida cristã. A vida cristã é vivida na esfera e na atmosfera do amor. A menos que sejamos constrangidos pelo amor de Cristo, não seremos capazes de nos entregar a Ele. Você pode até dar a Ele alguma coisa, mas se não for motivado pelo amor, nunca poderá entregar-se ao Senhor! O motivo que levou Cristo a morrer na cruz foi o amor, não foi obrigação. Isso não foi exigido d’Ele, mas o amor O constrangeu a fazer o que fez! Precisamos ser constrangidos pelo amor de Cristo! Sempre que perdemos nosso primeiro amor, tudo se torna exterior, superficial, rotineiro. Perde todo o valor espiritual. Precisamos ser constrangidos pelo amor de Cristo![12]
3 - Em Salmos 131.2, está escrito: “Fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo”. Eu gosto do salmo 131, pois é um lindo salmo. Mas ele é um salmo incomum; é sobrenatural. Ele começa assim: “SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim” (v. 1). Isso não é natural. O que é natural é nosso coração ser soberbo, nossos olhos serem altivos, exercitarmo-nos em grandes assuntos e em coisas maravilhosas demais para nós. Isso é natural! Não importa quem sejamos! Não importa o que sejamos! Mesmo o homem mais humilde do mundo, o mais pobre, o mais iletrado, naturalmente o coração dele é soberbo. Não diga que você é humilde. Nosso coração é tão ímpio a ponto de nos enganar sobre isso. Só Deus nos conhece realmente, e Ele sabe que nosso coração é soberbo, nossos olhos, altivos, e que todos gostamos de lidar com assuntos maravilhosos demais para nós e com grandes assuntos. É isso que somos.[13]
Que Cristo nos conduza a crer!
SDG.
 
[1]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 11.14.
[2]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 11.15–16.
[3] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 11.17–20.
[4] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 11.21–23.
[5] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 320.
[6] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 11.24–26.
[7] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 11.27–28.
[8] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 11.29–32.
[9] Stephen Kaung, “Vida de Entrega Total”, in O Homem que Deus Usa: Nada Mais Trágico do que Chegar ao Fim da Vida e Saber que Tomamos o Caminho Errado, trad. Délcio Meireles, Alessandra S. Mendes, e Francisco Nunes (Curitiba: Publicações Pão Diário, 2000), 26.
[10] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 324.
[11] Stephen Kaung, “Vida de Entrega Total”, in O Homem que Deus Usa: Nada Mais Trágico do que Chegar ao Fim da Vida e Saber que Tomamos o Caminho Errado, trad. Délcio Meireles, Alessandra S. Mendes, e Francisco Nunes (Curitiba: Publicações Pão Diário, 2000), 26–28.
[12] Stephen Kaung, “Vida de Entrega Total”, in O Homem que Deus Usa: Nada Mais Trágico do que Chegar ao Fim da Vida e Saber que Tomamos o Caminho Errado, trad. Délcio Meireles, Alessandra S. Mendes, e Francisco Nunes (Curitiba: Publicações Pão Diário, 2000), 28.
[13] Stephen Kaung, “Vida de Entrega Total”, in O Homem que Deus Usa: Nada Mais Trágico do que Chegar ao Fim da Vida e Saber que Tomamos o Caminho Errado, trad. Délcio Meireles, Alessandra S. Mendes, e Francisco Nunes (Curitiba: Publicações Pão Diário, 2000), 29.
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