A CRIAÇÃO DO SER HUMANO
O Primeiro Livro de Moisés • Sermon • Submitted • Presented
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Gênesis 1.26-31
Entre tudo o que
podemos falar e aprender com o primeiro livro da Bíblia, uma lição é mais importante do que qualquer outra. O registro escrito das obras da criação, deve nos levar a tomar conhecimento dos feitos de Deus, e estar maravilhados perante o poder da sua Majestade. Com base em seus feitos maravilhosos, devemos edificar a nossa fé.
No sermão de hoje vamos continuar explorando o sexto dia e avançar para o capítulo 2 de
Gênesis, onde o autor descreverá detalhadamente a formação do ser humano.
As quatro perguntas fundamentais da filosofia são:
De onde eu vim?
Para onde vou? Por que estou aqui? Qual é o sentido da vida?
Enquanto povos do mundo estávamos se indagando com tais questões, e buscando respondê-las por meio da criação, buscando determinar, encontrar a origem de tudo. O povo de
Deus na história, sempre teve compreensão dessas perguntas.
Para o povo da fé, está claro, o começo, o fim, o porquê estamos aqui, e o verdadeiro sentido
da vida.
Ter a oportunidade de ler os primeiros livros da Bíblia, enfatiza ainda mais essa questão, nos ajuda a compreender de maneira ainda mais clara a nossa própria história.
v.24-25 – “Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez 25 E fez Deus os animais selváticos, segundo a sua espécie, e os animais domésticos, conforme a sua espécie, e todos os répteis da terra, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom[1]”.[2]
No último sermão nos caminhamos até o sexto dia, e falamos sobre a criação dos animais selváticos.
Deus distingue animais domesticados de animais selváticos.
Um adendo a essa questão, é que alguns acreditam que os animais eram completamente herbívoros, e a maioria dos comentadores, inclusive a própria tradição judaica contraria essa posição.
A expressão “animal selváticos” é encontrada em outros trechos do Antigo Testamento, e em todas as
ocasiões, fazendo referência a animal carnívoros. (Jó 5.22; Sl. 79.2; Ez. 29.5; 32.4 e 34.28).
- Há um outro elemento que nos chama atenção no texto, que é o fato de Deus ordenar “produza
a terra seres viventes”.
- A terra de conta de responder a ordem de Deus, e produzir seres viventes, conforme a sua espécie. Mas, de onde provém que um elemento inanimado tenha vida? Portanto, há nesse aspecto um milagre tão imenso como se Deus começasse a criar, do nada,
aquelas coisas que ele ordenou procedessem da terra. E ele não toma da terra seu material porque dependesse dela, mas para que combinasse melhor as partes separadas do mundo com o próprio universo.[3]
v.26 – “26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa
semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus,
sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que
rastejam pela terra”. [4]
- O que é que podemos destacar aqui?
- O “haja” impessoal (ou seus equivalentes) dos sete atos criativos anteriores é substituído pelo “façamos” pessoal. Somente na criação da humanidade é
anunciada de antemão a intenção divina. A fórmula “e assim se fez” é substituída por uma bênção tríplice. Nestas formas, o narrador põe a humanidad mais perto de Deus do que o restante da criação[5]
nós. Ver também 3.22; 11.7. Têm-se sugerido várias referências para o “nós”. A interpretação cristã tradicional que representa uma pluralidade dentro da deidade conta com algum endosso textual e satisfaz a teologia cristã da Trindade (Jo 1.3; Ef 3.9; Cl 1.16; Hb 1.2). Que Deus é uma pluralidade, é corroborado pela menção do Espírito de Deus em 1.2, e o fato de que a própria imagem é uma pluralidade. Esta interpretação
também explicaria as nuanças no texto entre o singular e o plural.[6]
- Eu prefiro apoiar-me na ideia da Trindade, e ler esse texto de forma muito simples, interpretando que “Façamos o homem à nossa imagem” é uma referência ao conselho eterno de Deus, composto pelo Deus trino, o que inclui o Pai, o Filho e o
Espírito Santo.
- Dito isso, avançamos
para um outro aspecto desse ato criativo de Deus. É que criando o homem à sua imagem
e semelhança, imediatamente ele atribui função ao ser humano, sentido a sua
existência.
- O texto diz: “tenha
ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”.
[7]
Dessa forma, vale ressaltar que o homem foi criado para assumir algum tipo de ocupação debaixo de toda extensão desse cosmo.
- Vá, e exerça autoridade, domínio – Isso é um claro aspecto da “imagem e semelhança” estampada
no homem.
Imagem [ṣelem]. Fundamental a Gênesis e à totalidade da Escritura é a criação da humanidade à imagem de Deus.42 A expressão “imagem de Deus” é usada unicamente com referência aos seres humanos, e assim os separa
das demais criaturas.
- Enquanto as demais criaturas são criadas “segundo suas espécies” (Gn 1.21,24,25), a
humanidade é feita “à imagem de Deus”. Sendo criada à imagem de Deus, estabelece-se o papel da humanidade na terra e facilita-se sua comunicação com
o divino.
- D. J. A. Clines detalha uma série de característicos do ser criado à imagem de Deus.
- Primeiro, o termo imagem se refere a uma estátua num degrau, pressupondo que o ser humano é uma unidade psicossomática.
- Segundo, uma imagem funciona para expressar, não para descrever; assim, a humanidade é uma representação fiel e adequada, ainda que não um fac-símile (uma gravura, uma
cópia).
- Às vezes, ouvimos que a Bíblia representa Deus antropomorficamente (isto é, como um ser humano).
- Mais exatamente, um ser humano é teomórfico, criado semelhante a Deus para que Deus possa comunicar-se com uma pessoa. Ele deu ouvidos às pessoas para mostrar que
ele ouve o clamor dos aflitos, e olhos para mostrar que ele vê a situação do miserável (Sl 94.9).
- Terceiro, uma imagem possui a vida do ser representado. Quarto, uma imagem representa a presença daquele que é representado. Quinto, inseparável da noção de servir
como representante, a imagem funciona como governante no lugar da divindade.
Hart explica:
“No antigo Oriente Próximo, cria-se amplamente que o espírito de um deus vivia em qualquer
estátua ou imagem do deus, com o resultado de que a imagem podia funcionar como
um tipo de representante ou substituto do deus onde quer que fosse colocada. Costumava-se também no AOP crer que um rei era representante de um deus;
obviamente, o rei governava, e o deus era o governante último, de modo que o rei estaria governando no lugar do deus. Portanto, não surpreende que essas
duas idéias separadas viessem a ser relacionadas, e um rei viesse a ser descrito como uma imagem de um deus.[8]
- A perspectiva hebraica produz uma diferença distinta. Nos textos do antigo Oriente Próximo, somente o rei é a imagem de Deus. Mas, na perspectiva hebraica, isso é democratizado a toda a humanidade. “O texto está dizendo que exercer domínio
real sobre a terra como representante de Deus é o propósito básico para o qual
Deus criou o homem”,48
- Explica Hart. Ele acrescenta ainda: “o homem é designado rei sobre a criação, responsável
diante de Deus, o Rei último, e como tal esperava-se que administrasse e desenvolvesse e cuidasse da criação, tarefa que inclui obra física real”. Finalmente, no contexto de Gênesis, a imagem se refere à pluralidade de macho e fêmea dentro da unidade da humanidade. Este conceito é também distinto da perspectiva do antigo Oriente Próximo.[9]
v.27 – “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”[10]
- Este versículo é o primeiro poema na Bíblia. A mudança para poesia realça a criação divina da
humanidade como a portadora da imagem de Deus. A verdade expressa aqui envolve todo o Gênesis. A única repetição da palavra “criar” (bārā’) intensifica este ato significativo. A humanidade é singularmente formada pela mão de Deus.[11]
v.28 – “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra”. [12]
- Há um tríplice benção neste versículo. Deus os abençoa dizendo: Sede fecundos, multipliquem-se e sujeitem a terra.
- Esse é um do texto que testifica o propósito de Deus para homem e mulher, que eles constituam família, sejam fecundos sobre a terra, e governem sobre ela.
- As famílias existem para refletir a imagem de Deus no mundo, para multiplicarem, gerarem
tais imagens de Deus no mundo.
- Deus cria homem e mulher, e os abençoa para que sejam os propagadores da imagem de Deus
no mundo. É por isso que a homossexualidade é um terrível problema, ela deturpa,
mancha, ignora a imagem de Deus ao invés de santifica-la e propaga-la.
- A procriação visa ao casamento. João
Calvino: A intenção de Deus era que a raça humana se multiplicasse pela
procriação, mas não pelo acasalamento indiscriminado, como nos animais
irracionais. Porque ele uniu o homem à sua mulher para produzirem descendência
piedosa, ou seja, legítima. Vejamos a quem neste mundo Deus se refere ao ordenar
que se multiplique e a quem ele restringe a sua bênção. Ele, sem dúvida, não
afrouxa as rédeas de homens e mulheres para que estes não se precipitem em devassidão desenfreada. Antes, começando com a questão de um casamento santo e casto, e prossegue falando da procriação […] Pergunta-se, porém, se fornicadores e adúlteros são fecundos pelo poder de Deus, pois, em sendo assim,
a bênção de Deus também se estende a eles. Respondo que isso é uma corrupção do
plano divino, mas em razão de Deus suscitar descendência tanto da poça de lama como, não menos, da fonte cristalina do casamento, isso tende à destruição generalizada dessas pessoas. Apesar disso, o método puro e legítimo de xcrescimento ordenado por Deus desde o princípio permanece firme como uma lei danatureza, que o bom senso declara ser inviolável.[13]
v.29-31 – “E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. 30 E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez. 31 Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia”.[14]
- “Eis que tenho
dado” – Esse trecho nos ensina que toda as criaturas são totalmente dependentes
da graça de Deus.
- “era muito bom”,
no sexto dia, Deus chega a conclusão de que a obra de suas mãos, tudo o que
fizera “era muito bom”.
Isso manifesta a magnificência de Deus, Deus é eficiente em seus planos, não deixou nada por terminar, nada ficou atrasado ou carecendo de reparo posterior.
Tudo o que criou foi bom, e ao final de sua criação conclui que “era muito bom”.
O capítulo 2 de Gênesis começa relatando o final da criação, com o sétimo dia, onde Deus descasa
de tudo o que criou.
Gn.2.1-3 “Assim, pois, foram acabados os céus e a
terra e todo o seu exército. 2 E,
havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse
dia de toda a sua obra que tinha feito. 3 E
abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra
que, como Criador, fizera”[15]
- Os céus e a terra
foram completados. A afirmação sumária final sublinha que o Criador
executara perfeitamente sua vontade com respeito à primeira tríade.
seu vasto exército.
Isto se refere à segunda tríade.[16]
- O sétimo dia. Distinto dos dias
prévios, o número deste dia é gravado três vezes, indicando sua significação
acima dos demais dias.
- Deus concluiu. Este é o momento
máximo que fica à parte da criação, não seguindo a estrutura dos seis dias
prévios. Nos primeiros seis dias, subjuga-se espaço; no sétimo, santifica-se
tempo. Esse dia é abençoado para o refrigério da terra. Ele convoca a
humanidade a imitar o padrão de trabalho e descanso do Rei, e assim confessar o
senhorio de Deus e sua consagração a ele. Nesse dia cessam de subjugar a terra.
- Ele descansou. Não se faz nenhuma
menção de “tarde e manhã”, talvez porque a ordenança do sábado continue e os
humanos sejam exortados a participarem dele (Êx 31.17) e a olharem para o
descanso sabático eterno e redentor (Hb 4.3–11).
3. abençoou o dia sétimo. Ele é infuso
com o poder procriador. A bênção e a santidade do dia sétimo são singulares ao
relato bíblico da criação. “De fato, o conceito de uma semana de sete dias é
singular a Israel”.
e o santificou. O sétimo dia é a
primeira coisa na Tora à qual Deus comunica sua santidade, e assim o separa
para si (Êx 20.11). Outros deuses criadores construíram templos como sinal de
sua vitória sobre as forças selvagens do caos; Deus, porém, em vez disso,
institui o repouso sabático. Este será o santuário temporal no qual o povo de
Israel pode descansar de seus labores, a cada semana, com seu Deus.[17]
v.4-6 – “4 Esta é a gênese dos céus e da terra quando foram criados, quando o Senhor Deus os criou. 5 Não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo havia brotado; porque o Senhor Deus não fizera chover sobre a terra, e também não havia homem para lavrar o solo. 6 Mas uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo”. [18]
-
Contianuamos...
[1] Almeida Revista e
Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Gn
1.25.
[3]
João Calvino, Gênesis,
org. Waldemir Magalhães, trad. Valter Graciano Martins, 1.a Edição,
vol. 1, Série Comentários Bíblicos (Recife, PE: Editora CLIRE, 2018–2019),
56–57.
[4] Almeida Revista e
Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Gn
1.26.
[5] Bruce K. Waltke e Cathi J.
Fredericks, Gênesis,
org. Cláudio Antônio Batista Marra, trad. Valter Graciano Martins, 1a
edição, Comentários do Antigo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura
Cristã, 2010), 74.
[6]
Bruce K. Waltke e Cathi J. Fredericks, Gênesis,
org. Cláudio Antônio Batista Marra, trad. Valter Graciano Martins, 1a
edição, Comentários do Antigo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura
Cristã, 2010), 74–75.
[7]Almeida Revista e
Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Gn
1.26.
[8]
Bruce K. Waltke e Cathi J. Fredericks, Gênesis,
org. Cláudio Antônio Batista Marra, trad. Valter Graciano Martins, 1a
edição, Comentários do Antigo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura
Cristã, 2010), 76–77.
[9]
Bruce K. Waltke e Cathi J. Fredericks, Gênesis,
org. Cláudio Antônio Batista Marra, trad. Valter Graciano Martins, 1a
edição, Comentários do Antigo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura
Cristã, 2010), 77.
[10]Almeida Revista e
Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Gn
1.27.
[11]
Bruce K. Waltke e Cathi J. Fredericks, Gênesis,
org. Cláudio Antônio Batista Marra, trad. Valter Graciano Martins, 1a
edição, Comentários do Antigo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura
Cristã, 2010), 78.
[12]Almeida Revista e
Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Gn
1.28.
[13]
John L. Thompson, Timothy F. George, e Scott M. Manetsch, Gênesis 1–11,
trad. Marcos Vasconcelos e Vagner Barbosa, 1a edição, Comentário
Bíblico da Reforma (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2015), 116.
[14]Almeida Revista e
Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Gn
1.29–31.
[15]Almeida Revista e
Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Gn
2.1–3.
[16]
Bruce K. Waltke e Cathi J. Fredericks, Gênesis,
org. Cláudio Antônio Batista Marra, trad. Valter Graciano Martins, 1a
edição, Comentários do Antigo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura
Cristã, 2010), 78.
[17]
Bruce K. Waltke e Cathi J. Fredericks, Gênesis,
org. Cláudio Antônio Batista Marra, trad. Valter Graciano Martins, 1a
edição, Comentários do Antigo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura
Cristã, 2010), 79.
[18]Almeida Revista e
Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Gn
2.4–6.
