VAMOS PROSSEGUINDO! Filipenses 3.12-16
Você está na corrida mais agonizante da sua vida: não perca de vista a linha de chegada.
A expectativa de Paulo é que os filipenses sigam o seu exemplo de visar exclusivamente Jesus Cristo, rejeitando aqueles que renegam a vergonha da cruz e permanecendo firmes na obediência à luz da sua segunda vinda (3.12–4.1).
1. Exemplo – O testemunho de Paulo é que não há um platô final no conhecimento prático de Cristo, visto que este exige constante e consistente esforço rumo a uma recompensa celestial (3.12–14).
2. Exortação – O pedido de Paulo é que os filipenses não se entreguem à autossatisfação legalista baseada em esquemas que descartam a cruz, mas mantenham-se fiéis a seu Salvador e Senhor, que está preste a retornar (3.15–4.1).
PERFEIÇÃO Qualidade de ser íntegro, cabal, estar completo; sem falta nem deficiência alguma. Há uma perfeição que somente Deus possui, a qual vai muito além da nossa compreensão (
διωκω dioko
5) metáf., perseguir
5a) procurar ansiosamente, esforçar-se com todo o empenho para adquirir
λαμβανω lambano
forma prolongada de um verbo primário, que é usado apenas como um substituto em certos tempos; TDNT - 4:5,495; v
1) pegar
1a) pegar com a mão, agarrar, alguma pessoa ou coisa a fim de usá-la
1a1) pegar algo para ser carregado
1c) pegar o que me pertence, levar para mim, tornar próprio
1c4) pegar para si mesmo, agarrar, tomar posse de, i.e., apropriar-se
εἰς τὸ βραβεῖον τῆς ἄνω κλήσεως τοῦ θεοῦ ἐν χριστῷ Ἰησοῦ.
Aliviado da necessidade de se convencer de que merecia um galardão da parte de Deus, Paulo então pode se dedicar, sem tréguas, à conquista do alvo. O termo “avançando” (gr. epekteinomenos, “estendendo-se”, “esticando-se ao máximo”), mostra a obsessão do homem de Deus na perseguição (gr. diõkõs, “prossigo’ v. 14, também v. 12) do alvo (já visto nos v. 9, 10). O alvo (skopos, “um objeto no qual se fixa os olhos”, “a meta numa corrida”) corresponde ao prêmio descrito simplesmente como a “chamada de Deus em Cristo Jesus”. A figura da corrida serve para destacar que Paulo enxergava nitidamente o alvo, e esperava logo receber o prêmio. Refere-se ao encontro com seu amado Senhor o qual já descrevera como “incomparavelmente melhor” (1.23) do que viver neste mundo de sofrimento e decepção.
τελειος teleios
de 5056; TDNT - 8:67,1161; adj
1) levado a seu fim, finalizado
2) que não carece de nada necessário para estar completo
3) perfeito
4) aquilo que é perfeito
4a) integridade e virtude humana consumados
4b) de homens
4b1) adulto, maturo, maior idade
3a) cuidar dos próprios interesses ou vantagens
3b) ser do partido de alguém, apoiá-lo (nas causas públicas)φρονεω phroneo
de 5424; TDNT - 9:220,1277; v
1) ter entendimento, ser sábio
2) sentir, pensar
2a) ter uma opinião de si mesmo, pensar a respeito de si, ser modesto, não permitir que a opinião que se tem de si mesmo (apesar de correta) exceda os limites da modéstia
2b) pensar ou refletir sobre a própria opinião
στοιχεω stoicheo
de um derivado de steicho (alcançar em linha regular); TDNT - 7:666,1087; v
1) andar numa fila como a marcha de um soldado, caminhar em ordem
1a) metáf. caminhar com prosperidade, acabar bem
2) caminhar
2a) conduzir-se, viver
Ao meditar nesta declaração autobiográfica, não é fácil escapar à acusação íntima de que somos espectadores. Nossas ambições estão mais voltadas para vantagens mundanas do que para prêmios celestiais. Mas Deus é capaz de refocalizar nossa visão e renovar nossa ambição pelo alvo.
Este zelo, impulsionado pelo amor, explica o pensamento do v. 10. Novamente ele repete a meta da sua vida em Cristo. — 1) Desejava ardentemente “conhecer” a Cristo. Já revelara que conhecer a Cristo Jesus é excelente, uma “sublimidade” (huperechon no grego — v. 8). Creio que caberia uma ilustração aqui.
Um vagabundo que cambaleava ao lado de um rio, caiu nas águas profundas. Não sabia nadar, mesmo se estivesse sóbrio. Passava à beira daquele rio um senhor que ouviu os gritos de socorro. Sem hesitação, o homem distinto pulou nas águas arriscando sua própria vida para salvar o bêbado. Novamente em terra firme, o desgraçado tentou, mesmo com muita dificuldade, externar sua gratidão. “Obrigado, obrigado”, falou sem muita convicção. O homem que o salvara tirou do bolso do paletó gotejante, um cartão de visita. “Se algum dia precisar de mim, vá à minha casa e procure-me”, disse o estranho desprendidamente. Naquela noite, o vagabundo dormiu todo molhado, como sempre, na sarjeta. Amanheceu com frio e faminto, mas não dispunha de dinheiro algum. Mal se lembrava da experiência do dia anterior; porém a fome intensificou sua perspicácia e se lembrou: “o cartão!” Logo encontrou a casa. O que mais o surpreendeu é que era a maior casa e a mais opulenta da cidade toda. Apertou a campainha. Suas roupas rasgadas e imundas o constrangiam, mas o porteiro logo o conduziu à belíssima sala de estar onde aguardaria a chegada do amigo desconhecido. Quando pouco depois chegou o fidalgo, aquele mesmo senhor que apenas horas antes o socorrera das águas ameaçadoras, trazia um sorriso que comunicava um “bem-vindo” genuíno. Assentaram-se e conversaram. “Deve estar com fome! Gostaria de tomar o café comigo?” disse o simpático anfitrião. Queria, e como queria! O café reforçado, como nunca havia saboreado em toda sua vida, matou sua fome. Subitamente o nobre dono da casa indagou se gostaria de tomar um banho. “Quero sim…”. Havia também um terno no guarda-roupas e lâminas de barbear no banheiro. “A casa é sua; não há pressa”, reforçou o benévolo senhor.
“Fique aqui comigo. O quarto de hóspedes está à sua disposição!”. O bêbado tomou seu banho, descansou na cama macia, vestiu-se no terno novo, tentando sempre responder à indagação: “Por que este fidalgo está me tratando assim?”. Em nenhum momento satisfez a sua curiosidade. Foi sinceramente convidado a ficar naquele palácio por quanto tempo quisesse, bondade que não poderia deixar de aceitar, uma vez que nada tinha na vida. Mais estranho ainda era o fato que o amigo tão distinto e bondoso, nada tinha a fazer de mais urgente do que conversar com o vagabundo, agora em vias de transformação radical. Os dias se passaram. Chegaram a ser amigos, e dos mais íntimos. O antigo bêbado, já reformado, buscava servir o nobre com toda sua capacidade. Contava como o tempo mais precioso da sua vida o da comunhão com seu amigo. Conversavam sobre tudo que os interessava.
O estranho chegou a ser “conhecido” já no fim do primeiro dia, mas depois de meses e anos de comunhão, o ex-alcoólatra miserável podia dizer: “estou conhecendo o amigo que me salvou!”.
Este relacionamento representa o sentimento de Paulo. Do auto esforço para fazer o que era certo (tal como o viciado que tudo faz para livrar-se do álcool ou (das drogas), passou a conhecer o seu libertador, e conhecendo-o foi tornando-se gradativamente mais seu imitador (
