O PROCESSO DE MUDANÇA DE NOSSA CONDUTA IRADA: A OCULTAÇÃO PECAMINOSA – Parte I – Págs. 111- 116

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Em nosso último capítulo observamos a ira manifestada. Agora vamos observar a ira oculta, a outra maneira em que a conduta irada se revela. Tal como a ira manifestada, a ira oculta ofende a Deus e arruína relacionamentos.
 
Pecados de omissão ocorrem por todo lado. A ira oculta também precisa ser corrigida e substituída.
 
O que Deus diz sobre a ira subterrânea, do tipo que se retrai no exterior, mas ferve no interior? Quais são as respostas de Deus para ressentimento e amargura? Vamos descobrir percepções em três passagens fundamentais.
 
6.1. TRÊS PASSAGENS BÍBLICAS FUNDAMENTAIS.
 
6.1.1. Levítico 19:16-18
 
A preocupação divina aqui é cultivar e preservar os relacionamentos de amor entre Seu povo. A passagem apresenta maneiras específicas em que o povo de Deus deveria desenvolver e manter sua unidade e precaver-se contra a desunião. Por exemplo, não devemos difamar, magoar ou buscar vingança contra os outros.
 
O versículo 17 nos exorta: “Não guardem ódio contra o seu irmão no coração.” Já vimos no capítulo 3 que a ira começa no coração. Levítico 19 concorda. Esta passagem internaliza a fonte da ira. O ódio começa dentro do coração.
 
O mesmo versículo oferece a alternativa divina: repreender “com franqueza o seu próximo”. Esta expressão hebraica é uma reduplicação intensiva do verbo que literalmente significa “repreender repreendendo”.
 
O verdadeiro amor levanta as questões difíceis. Reconhece a excessiva hediondez do pecado, e sabe que às vezes nada menos que uma confrontação amorosa pode libertar a pessoa dessas garras pecaminosas. Observe as exortações semelhantes em outras partes das Escrituras: Provérbios 27:5,6; Mateus 7:5; 18:15; Lucas 17:3b,4 e Gálatas 6:1a
 
Tudo isso era muito distante da prática de Júlia. Ela raramente expressava suas preocupações para a pessoa com quem tinha um conflito. Ela não abordou questões importantes com sua amiga Abigail, nem com seu pastor, nem com seu chefe. Ela não sabia como, e nem tão pouco queria, levantar certos assuntos com João. E se ele explodir mais uma vez?
 
No entanto, Júlia repreendia tais pessoas secretamente, em seu interior. Ela havia confrontado cada um deles em sua mente, considerado a todos culpados, e executado sua forma pessoal de excomunhão.
 
Ela havia rotulado Abigail como uma amiga desleal. Júlia havia adotado uma atitude de distanciamento e complacência para com seu pastor. Embora seus sermões não fossem muito práticos, pelo menos não eram heréticos. Além disso, tinha livros cristãos e pregadores “nas redes sociais” suficientes para alimentá-la.
 
Ela havia descartado seu chefe – despedindo-o mentalmente – como uma pessoa insensível e injusta. Outros crentes também têm que trabalhar para patrões injustos, não é mesmo? Acho que isso é parte do meu sofrimento como crente.
 
Escolada em versões cristianizadas da teoria da “família disfuncional”, ela já havia registrado seus pais na categoria de “pais abusivos”.
 
1.     O que acontece quando deixamos de lidar adequadamente com o ódio no coração, seja por confrontação ou por perdão?
 
Ele fica cozinhando. Depois começa a borbulhar e a ferver no coração. O que resulta é a vingança e o ressentimento. É por isso que a ordem para repreender em Levítico 19:17 é seguida pela advertência: “Não procurem vingança, nem guardem rancor contra alguém do seu povo...”. (vs.18)
 
A reações de Júlia alistada acima eram vingativas. Sua vingança era oculta, não revelada; encoberta, não aberta. Seus pecados eram de omissão, mais do que de comissão. Sua vingança era “passiva” – passiva externamente, mas bastante ativa em seu coração.
 
O mandamento sobre não guardar rancor em Levítico 19:18 traduz um único verbo hebraico que significa “abrigar” ou “estocar”. Pessoas que guardam rancor mantêm o ofensor e sua ofensa constantemente diante de seus olhos, sempre vivos em seu coração.
 
É precisamente o contrário da maneira com que Deus trata a nós, o Seu povo. Salmo 103:9. Deus não guarda rancor contra o Seu povo. Por causa de Jesus, Ele não mantém Sua ira contra nós nem mantém nossas ofensas perante Seus olhos.
 
Esta percepção começou a incomodar Júlia. Ela jamais compreendera a cruz com clareza. A ideia de que Deus se recusaria a “acusar” e a “guardar a sua ira” contra ela, a despeito de seus muitos pecados, trouxe refrigério ao seu coração.
 
À medida que começou a meditar na postura livre de ressentimentos de Deus para com ela em Cristo, Júlia percebeu quão diferente Dele ela era no trato com outras pessoas.  
 2.     O que deve fazer uma pessoa tão cheia de ressentimento?
 
Deve amar o seu próximo como ama a si mesma (Levítico 19:18).
Isso, naturalmente, não é um mandamento para amar a si mesmo. A Bíblia presume, consistentemente, que já fazemos isso - profunda e frequentemente demais. Em vez disso, o texto nos convoca a amar e servir aos outros da mesma maneira pela qual focalizamos naturalmente em nós mesmos. Mateus 22:36-40
 
3.    Vamos colher uma última percepção em Levítico. Por que devemos repreender e não odiar? Por que não devemos guardar rancor, mas amar a pessoa?
Levítico 19: 16 e 18 pontuam essas ordens com uma poderosa motivação: EU SOU O SENHOR. Palavras simples, mas um lembrete que nos faz pensar seriamente. A presença de Javé, o Rei e Redentor de Israel que guarda as alianças, nos constrangem a uma obediência amorosa.
 
A maior necessidade das pessoas que, como Júlia, ocultam a sua ira é conhecerem o Deus verdadeiro. Precisamos conhecê-Lo como Aquele que não guarda rancor contra nós por causa de Cristo, e que pode nos encher com graça para fazermos o mesmo.
 
Precisamos também conhecê-Lo como o Senhor que, com autoridade real, nos convoca e capacita a amarmos e não odiarmos, e a repreendermos e não nos vingarmos.  
 
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