Série de Mensagens - 7 Pecados Capitais - Inveja
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Sete Pecados Capitais - Inveja
Sete Pecados Capitais - Inveja
Texto base: Lucas 15. 11-32.
INTRODUÇÃO:
Boa noite,
Graça e paz!
Estamos já há algumas semanas estudando sobre os “sete pecados capitais”.
Até aqui, falamos sobre o pecado da soberba ou orgulho. A soberba, dentro dos pecados capitais, foi tratado como o pior pecado, uma vez que foi revelada nas duas principais quedas. A soberba fez com que o anjo de luz desejasse colocar um trono ao lado do trono de Deus, pois este se julgava tão digno de louvor quanto o próprio Deus Eterno. A soberba também foi responsável pela queda do homem no Éden que em seu coração desejou ser como Deus. O oposto da soberba é a humildade, característica essa que está presente em Cristo. Esse é um adjetivo esperado no coração de todo discípulo de Cristo, que mesmo sendo como Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas humilhou-se e foi obediente até a morte de cruz.
Falamos também sobre o pecado da avareza. Nada mais é do que o desejo excessivo pelos bens materiais. A Bíblia vai nos apontar para a necessidade de identificarmos onde está o nosso coração, pois ali também estará o nosso tesouro. A avareza tem o poder de cauterizar a nossa mente, endurecer nosso coração e isso pode nos custar muito caro. Existem pecados que dominam nosso coração e podem nos custar a alma.
E, eu gostaria que vc refletisse um pouco sobre o que você pensa ao ouvir a palavra “pecado”? O pecado é algo terrível, muito grave, e deve ser tratado como tal. A Bíblia sempre tratou o pecado como algo destrutivo e devastador que deve ser tratado por nós cristãos com radicalidade.
A própria palavra pecado deixou de ser falada pelo medo de que as pessoas que os cometem se sintam ofendidas. Até mesmo em algumas igrejas já não se fala mais sobre pecado, pararam de utilizar o termo ou até de confrontar pecados com medo de perder membros.
Talvez você relegue os sete pecados capitais ao catolicismo ou até mesmo a uma teoria milenar ligada à “Teologia do Domínio”, mas antes de ser algo desenvolvido dentro da teologia católica; soberba, ira, luxúria, gula, avareza, inveja e preguiça são pecados que a Bíblia os descreve como tal. Além disso, são pecados que arrastam outros pecados junto, fazendo um “efeito cascata” de pecados.
A passagem que lemos traz um relato muito conhecido. É interessante notar quantos desdobramentos têm essa narrativa. Aqui, encontramos o pecado da inveja. O invejoso dificilmente se reconhece como um invejoso, pelo contrário, ele mascára o seu pecado com outros nomes como admiração, referência… ou dependendo do contexto, escondem o pecado da inveja por detrás de um “senso de justiça”.
Um conceito popular de inveja afirma que ela é a tradução exata de um sentimento destrutivo, maléfico e mesquinho, mas que, infelizmente, está presente nas nossas relações.
30 O coração em paz dá vida ao corpo, mas a inveja apodrece os ossos.
A palavra “inveja”exprime o desejo de possuir o que o outro tem geralmente acompanhado de ódio pelo possuidor. O kit vem completo: Desejo pelo que é alheio, trazendo junto ódio e ranço. Não basta desejar o que é do outro, é preciso sentir ranço. Ao invés de admiração pelo outro, a inveja gera um sentimento de antipatia pelo possuidor daquilo que se deseja. Além disso, a inveja não nos permite definir nossa identidade, pois ela só nos leva a buscar o que se almeja, mas não de fato quem somos.
Muitas vezes, vemos a inveja despontar dentro de uma vida ministerial ou eclesiástica. Inveja entre líderes, porque um possui mais habilidades cognitivas, uma boa oratória, um bom ensino, habilidades musicais, enfim. Dessa forma, a igreja vira um “ringue”de luta.
Existe inveja também dentro das relações matrimoniais. Às vezes, o marido não suporta ver a mulher florescendo ou vice-versa. A inveja nos tira o privilégio de desfrutar os deleites do Senhor.
Tomás de Aquino vai dizer que “A inveja é o desgosto pelo bem alheio”. Ela entra em ação quando precisamos estar de frente para o sucesso ou bem estar de outra pessoa. Primeiramente, nos comparamos e achamos que falta algo, e essa nossa condição desprovida proveniente da auto-estima ferida, nos faz rebaixar por palavras e atos, a outra pessoa ao nosso nível.
Por causa da inveja, somos a geração mais moldada de todas. Queremos aquilo que fica bem no outro.
No texto em análise, o filho mais moço havia vivido de forma desenfreada, vivendo dos prazeres carnais, até consumir tudo, chegando ao ponto de desejar comer a comida dos porcos. Ele foi curtir a vida. Mas como eu disse anteriormente, essa é uma narrativa com vários desdobramentos e o que nos chama atenção aqui é a forma como o seu irmão mais velho o recebe. São sentimentos como o do filho mais velho que a inveja suscita no nosso coração.
A inveja, se torna um deus dentro de nós e não permite que desfrutemos daquilo que já temos - Um filho deixa de conectar-se na comunhão com o pai, porque está tão preocupado com o que o pai está fazendo pelo outro que nem se importa com o que está fazendo por ele. O filho que estava em casa já tinha tudo, mas não aceitava o pai dar mais uma chance para o que foi embora;
A inveja nos leva ao endividamento - O número de endividados no Brasil cresce assustadoramente. Obviamente, diversos são os fatores que impactam nisso, no entanto, a obsessão por ter o que do outro, tem levado milhares de brasileiros ao endividamento comprando o carro, a moto, a casa, o celular que o outro tem;
A inveja também se utiliza da ferramenta da hipocrisia - Em 1Pedro 2. 1 lemos:
1 Portanto, livrem-se de toda maldade e de todo engano, hipocrisia, inveja e toda espécie de maledicência.
Toda pessoa invejosa é também um hipócrita. Ela elogia, contudo, por dentro, está criticando, pois o seu orgulho não a deixa elogiar sinceramente ,e por isso, age com hipocrisia.
Além da hipocrisia, Pedro também associa a inveja à maledicência, pois a inveja faz com que falemos mal uns dos outros. “Tem cabelo bonito, mas é porca”; “Tem carrão, mas sonega impostos”… - A boca do invejoso só fica amaldiçoando, apontando defeitos, falando do passado. Assim, ainda fomenta a intriga entre pessoas.
Por causa da inveja, um anjo caiu do céu. Por causa da inveja, o primeiro homicídio aconteceu. O invejoso quer ter o que você tem, mas não está disposto a fazer o que você faz, a renunciar o que você renuncia.
Com base no texto do evangelho de Lucas, vamos refletir um pouco sobre esse sentimento no coração do filho mais velho:
QUANDO A GRAÇA DE DEUS NOS INCOMODA:
O filho mais velho é apresentado aqui como indignado que não consegue encontrar alegria com a chegada do seu irmão. Ele se irrita com o perdão oferecido, com a festa, com as músicas… Jesus mostrou o filho mais velho como alguém completamente incapaz de participar da alegria que prevaleceu quando seu irmão mais moço retornou para casa, dando expressão de pensamentos invejosos e impertinentes.
Jesus ao usar essa parábola, citando o irmão mais velho, faz referência aos judeus daquela época. Eles não podiam suportar a ideia de que os gentios - seu irmão mais novo - estivessem participando de seus privilégios. Eles se recusavam a reconhecer os gentios como coerdeiros e participantes de Cristo juntamente com eles.
Por outro lado, o irmão mais velho também pode fazer referência aos fariseus e escribas, que argumentavam contra Jesus porque ele se assentava e comia com pecadores. Reclamavam porque Jesus abria as portas dos céus para os publicanos e prostitutas. Talvez, eles ficassem muito mais satisfeitos se Jesus tivesse limitado a eles o seu ministério e tivesse deixado sozinhos, os ignorantes e pecadores.
O irmão mais velho é uma figura exata de uma grande classe de pessoas que fazem parte do cristianismo de nossos dias. Em todos os lugares, existem milhares que não apreciam o fato de que seja pregado um evangelho gratuito, completo e ilimitado.
A inveja surge quando nós medimos ou comparamos a graça de Deus dispensada sobre a vida do outro com a nossa.
O filho mais velho sentia que suas boas ações eram insuficientes; não eram reconhecidas, o que revela um coração orgulhoso e invejoso.
Muitas vezes, podemos nos ressentir quando vemos outros sendo abençoados, especialmente aqueles que falharam ou erraram. A inveja acontece quando não conseguimos celebrar a graça de Deus na vida dos outros. O convite de Deus é para que não nos sintamos injustiçados, mas que saibamos que a graça é para todos.
Cuidemos para que essa atitude não infeccione a nossa alma. Em parte, ela resulta da ignorância - Começa a surgir no íntimo das pessoas porque não se dão conta de sua própria pecaminosidade; então imaginam que são melhores do que as outras e que ninguém é digno de ser colocado ao seu lado. Mas essa atitude também, surge por falta de amor. Os homens estão tão carentes de sentimentos amáveis em relação ao próximo, por isso, são incapazes de sentir prazer quando outros são salvos.
A pessoa que entende que verdadeiramente foi salva pela graça, permanecerá firme diante de Deus e desfrutará de regozijo quando um pecador se arrepender, pois somos devedores à misericórdia de Deus.
2. QUANDO A INVEJA CEGA O NOSSO OLHAR:
Jesus revela isso ao colocar as seguintes palavras nos lábios do pai do filho pródigo: Lucas 15. 32
32 Mas nós tínhamos que celebrar a volta deste seu irmão e alegrar-nos, porque ele estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado’ ”.
A lição aqui foi transmitida primeiramente aos escribas e fariseus. Se os corações daqueles homens estivesse no lugar certo, jamais teriam murmurado diante do fato de nosso Senhor receber os pecadores.
O filho mais velho não compreendeu a misericórdia do pai, que, ao ver o filho perdido retornando, fez uma grande festa. Ele se enfureceu ao ver a generosidade do pai (versículos 29-30). A inveja o impediu de perceber a alegria do pai pela volta do irmão perdido.
A inveja cega os nossos olhos e nos impede de celebrar por vitórias e benefícios que não estão diretamente ligados a nós. Isso me faz lembrar de Saul e o sentimento que habitou em seu coração ao ver Davi recebendo honra do povo pelas suas conquistas. 1Samuel 18. 6-9
6 Quando os soldados voltavam para casa, depois que Davi matou o filisteu, as mulheres saíram de todas as cidades de Israel ao encontro do rei Saul com cânticos e danças, com tamborins, com músicas alegres e instrumentos de três cordas. 7 As mulheres dançavam e cantavam: “Saul matou milhares, e Davi, dezenas de milhares”. 8 Saul ficou muito irritado com esse refrão e, aborrecido, disse: “Atribuíram a Davi dezenas de milhares, mas a mim apenas milhares. O que mais lhe falta senão o reino?” 9 Daí em diante Saul olhava com inveja para Davi.
Certa vez, um Rei disse a um dos seus valentes : “Um de vocês pode me pedir algo e lho concederei, e cuidarei que o outro ganhe duas vezes mais".
Isso deixou os dois homens em um dilema. O invejoso não quis ser o primeiro a pedir, pois invejava seu companheiro que receberia porção dobrada. Mas o ganancioso também não quis ser o primeiro, pois queria ter tudo, tudo o que alguém pudesse receber.
Aqui está uma lição com a qual todos nós seremos abençoados se a guardamos no coração. Nada deveria trazer mais satisfação do que o bem estar do nosso próximo. Nada deve alegrar mais o nosso coração do que a conversão dos pecadores. Isso causa regozijo entre os anjos nos céus e deveria levar os crentes a se alegrarem na terra.
Quando não conseguimos nos alegrar pelas conquistas dos outros ou pelas bênçãos que recebem, nossa visão se limita e nos afastamos da verdadeira alegria do Reino de Deus.
3. QUANDO A INVEJA ROMPE OS RELACIONAMENTOS:
Jesus termina a parábola sem revelar a resposta do irmão mais velho ao apelo do seu pai. O filho mais velho não conseguia perdoar o seu irmão por seu erro e sua falha, o que o impediu de participar da festa da reconciliação.
O pai, com paciência, responde ao filho mais velho, explicando que ele sempre esteve com ele e que tudo o que o pai tinha era dele (versículos 31-32). A inveja do filho mais velho o separou da comunhão genuína com o pai, que sempre o amou e ofereceu tudo o que tinha.
A inveja nos afasta de nossa relação com Deus. Ao nos concentrarmos nas comparações com os outros, podemos perder de vista o amor e os recursos que já temos em Cristo. A reconciliação com Deus e a compreensão do seu amor são fundamentais para superarmos a inveja. Quando entendemos o quanto Deus nos ama e nos oferece, podemos afastar a inveja e nos alegrar nas bênçãos dos outros.
CONCLUSÃO:
Deus tem uma obra para cada um de nós. Não é necessário querer o do outro, querer a grama mais verde do vizinho. Os últimos dos 10 mandamentos são proibições à cobiça, a desejar o cônjuge do outro, o servo do outro, as riquezas do outro. Entenda que Deus não errou quando te fez. Ele te escolheu e você é amado do Senhor, Deus te deu valor.
Você precisa de perdão por não se amar, por não se aceitar, por não se contentar com seu corpo, seu rosto, com a sua vida. A não se contentar com a maneira como Deus fez você.
Jesus queria tanto nos honrar que Ele deu a vida por nós. Precisamos seguir o exemplo de Cristo e pensar mais no outro do que em nós mesmos. Mais de setenta vezes encontramos a expressão “uns aos outros” no Antigo Testamento.
SOLI DEO GLORIA.
