O passado deve ficar para trás. (Pt 2)

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Ageu 1.1-7

Introdução:
Ler Primeiro o TEXTO!
Procrastinação é uma palavra de difícil pronúncia para descrever algo que pode ser dito de modo mais simples: a mania de deixar para depois!
Ah, tem uma prova na segunda-feira, mas hoje ainda é sexta, então, na madrugada de domingo, eu resolvo isso! Ah, tem que resolver um problema do trabalho, mas deixa para amanhã! Existe uma alta probabilidade de que essa não foi uma boa decisão.
É notório que temos esse costume de sempre adiar as nossas responsabilidades, já que a tarefa não é bem aquela que eu desejo fazer. Assim, é bem melhor ligar no YouTube e assistir àquele vídeo que eu quero, ou olhar se recebi alguma mensagem no WhatsApp, e só depois eu faço o que devo. Essa tendência de adiar as coisas é uma marca nossa e, por mais que soframos as consequências disso, parece que não aprendemos a lição.
De semelhante modo, os judeus pós-exílicos estavam adiando suas responsabilidades. Havia um propósito original de sua volta para a terra: eles tinham que reconstruir o templo do Senhor, porém a tarefa foi postergada. À luz desse texto, entendemos que Deus não aceita nossa falta de compromisso. Vamos perceber essa ideia no texto.
1. Acusação (1.1-7)
Comentário Geral sobre o livro: A seção do capítulo um deveria ser uma mensagem, mas abordaremos apenas a primeira parte, que abrange os versos lidos.
1. O livro de Ageu tem uma estrutura clara: Nos títulos de cada seção os irmãos podem perceber que contém datas. Partindo delas podemos organizar o livro.
2. Cada divisão se inicia com a data em que a mensagem foi entregue, totalizando quatro mensagens, os versos 12-15 são a exceção ao caso, pois representa a resposta do povo à primeira delas e indicando sua ação à acusação de Deus.
3. No primeiro verso do livro é dada a descrição temporal. Descreve-se o ambiente em que a mensagem foi entregue. O ministério de Ageu se inicia no sexto mês, o que seria equivalente ao nosso mês de Agosto, e ele continuou até o mês de Dezembro em 520 a.C. O tempo do seu ministério foi quatro meses.
4. Além da data, há três pessoas citadas juntamente nesse verso: Dario, Zorobabel e Josué.
5. Em primeiro lugar, apesar do nome parecido, esse Dario não é o mesmo da cova dos leões de Dn 6.
6. Esse que é citado foi o sucessor de Ciro, que havia permitido o retorno do povo judeu a sua terra conforme o livro de Esdras. É importante ler Ageu à luz de Esdras e Neemias, há informações pertinentes para compreender o livro.
7. Zorobabel é o representante civil do povo, e em tempos normais, ele seria o rei pois era descendente de Davi. Mas, em virtude da queda de Jerusalém, ele foi estabelecido como governador da província.
8. Por fim, Josué era o Sumo Sacerdote, que cuidava da parte religiosa do povo.
9. Zorobabel e Josué haviam voltado juntamente com o povo há 16 anos em 536 a.C, e já no segundo ano desse retorno iniciaram a reconstrução do templo, como observamos em Esd 3. 8-13.
10. Naqueles dias começou uma apatia espiritual entre o povo: Os mais velhos, que haviam visto o primeiro templo, choraram recordando os dias de glória antes do exílio. Lembram do belo templo que Salomão havia edificado. Tanto que alegria e tristeza não poderiam ser diferenciada entre eles. Esd 3.13
11. Isso somando-se à perseguição que se iniciou no capítulo quatro de Esdras, fez com que o templo fosse esquecido.
12. O povo que tão rápido havia iniciado a reconstrução da casa de Deus, temeu dar continuidade, e qual foi a consequência disso? A casa de Deus ficou em ruínas outra vez! Imagine uma obra que se iniciou, porém foi abandonada.
13. Se assemelharia muito a algumas escolas que já estão cheia de mato cobrindo todo o espaço, pois não houve retomada do trabalho.
14. Em Esdras 4.24 diz que “Cessou, pois, a obra da Casa de Deus, a qual estava em Jerusalém; e isso até ao segundo ano do reinado de Dario, rei da Pérsia.” Que é exatamente o contexto do início desse livro. Por mais ou menos quinze anos tudo estava entregue, deixado de lado!
15. Por conta dessa falta de compromisso do povo com Deus, ele levanta o profeta Ageu para repreender os líderes que abandonaram o serviço do Senhor, e focaram em outros propósitos. Procuraram resolver o problema da sua casa própria.
16. De inicio no verso 2, Deus se apresenta como o Senhor dos Exércitos, um modo típico do Antigo Testamento que aparece poucas vezes no Novo. E de modo geral, quando há essa apresentação, algo negativo pode estar envolvido.
17. Além disso, se apresentando deste modo, Deus relembra o povo sua grandeza sobre qualquer nação, e constata que as palavras de Ageu tinham uma fonte divina.
18. Também, é curioso como Deus se refere aos judeus: ele os chama de “este povo”, isso demonstrava que sua comunhão com Deus estava em frangalhos. Deus não estava sendo priorizado naquelas vidas.
19. Deus ao se referir como “Senhor do Exércitos” destaca a quem deveria ser obedecido. Imagine-se como um empregado de uma empresa de lápis, e o gerente diz para você vender hoje toda a produção, mas o dono diz para isso só acontecer amanhã, a quem você obedece? Ao dono.
20. De modo semelhante, Deus deixa claro que ele é quem deveria ser obedecido.
21. Apesar de haver a ordem de parar a construção do templo, o povo deveria ter confiado nos propósitos de Deus. Deus já havia permitido o seu retorno, e a ordem de restaurar sua casa não deveria ser esquecida.
22. Tantas vezes, irmãos, vemos a boa mão de Deus abrindo o caminho à nossa frente, mas recuamos, falhando em confiar nos planos dele. Isso é o que aconteceu aqui. Quem nunca desanimou quando nem todos aprovaram sua ajuda no trabalho de Deus?
23. O povo se viu liberto do cativeiro, e viu Deus despertando o coração de um ímpio para o seu retorno, e, agora, recua, por quê? Porque houve perseguição! E ela os fez esquecer do que Deus já havia feito antes.
24. Se isso já aconteceu com você, lembre que teremos perseguição em nossa vida, em Mateus 5.10-12 diz isso. Mas já saiba desde agora, a benção de Deus não anula os problemas, muitas vezes eles acontecem por permissão de Deus, para provar nossa confiança e compromisso com ele.
25. O povo nesse processo havia falhado e repetiu o mesmo caminho de seus pais, como Oseias já havia alertado antes: eles não estavam sendo povo de Deus.
26. Eles ao serem “impedidos” de seguir adiante no plano original, mudaram o foco. Perceba isso no verso 2, “não veio ainda o tempo da casa do Senhor ser edificada”.
27. A gente ta sendo perseguido, vamos esperar uma condição melhor, e ai sim! Agora vai! Vamos terminar a casa do Senhor.
28. O grande erro disso é que as circunstâncias ideais nunca viriam, e qual seria o resultado dessa passividade? A casa de Deus ficaria arruinada. Deixe a palavra ruínas bem recordada em sua mente.
29. Ainda que, aparentemente, se sentissem justificados, o povo acabou demonstrando qual era sua prioridade, pois moveram todo o esforço para construir a casa de Deus para uma outra obra. Eles priorizaram o quê? Observe o verso 4.
30. Deus questiona-os de modo retórico.
31. Então é tempo de vocês viverem em casas apaineladas? o sentido literal do termo seriam casas cobertas.
32. Mas o sentido principal que a passagem transmite é que eram casas boas, bem-feitas, e isso é o inverso da situação da casa de Deus. Enquanto eles depositaram todo o esforço nesses quinze anos nas suas casas, havia uma obra às traças.
33. Se a casa de Deus não podia ser feita, por que a deles podia?
34. Em outras palavras, era tempo disso? É tempo de se esforçar tanto no bem-estar próprio enquanto a morada de Deus estar em pedaços?
35. A resposta é não! Eles deveriam fazer primeiro a casa de Deus, mesmo que para isso fosse necessário encarar o próprio medo dos inimigos, e não se preocupar com outras coisas.
36. Uma coisa que salta nessa passagem é que aguardamos o tempo ideal para servir ao Senhor.
37. E vamos criando desculpas para não fazer: Mas tem a faculdade, mas eu preciso procurar o meu emprego, mas tem minhas ocupações.
38. O que essas palavras demonstram? Prioridades! Não que isso seja mau, mas que para realizar essas coisas você necessite abandonar o trabalho de Deus, indica o quanto você desconsidera o trabalho do Senhor.
39. Recentemente conversando com um irmão, ele comentou sobre quantos esforços fazemos para realizar nosso trabalho secular, e quão pouco esforço empreendemos na obra de Deus.
40. E é triste perceber que isso é verdade, qualquer mínimo empecilho se tornar uma grande montanha em nosso caminho.
41. Tal foi para os judeus, mesmo um rei pagão ter sido favorável não foi suficiente para sua confiança permanecer em Deus.
42. Ao entender isso, conclua que: podemos justificar o nosso pecado! Como o povo não podia argumentar a favor da sua própria displicência.
43. Começando verso cinco entendemos que em virtude dessa falha estavam acontecendo coisas em seus dias.
44. Nos versos de 5-7, há uma estrutura chamada de Emolduramento, que uma seção se inicia com um tema e é fechada com o mesmo tema. Como se fosse um sanduíche.
45. Por isso a expressão “considerai o vosso passado” se repete, o povo deveria refletir sobre o que já havia ocorrido no seu passado.
46. O povo ainda vivia sob a Antiga Aliança, e as consequências descritas no verso seis eram o produto da quebra dela, se antes isso desencadeou no cativeiro, agora, poderia acontecer algo tão ruim quanto?
47. Sim, e já estava acontecendo, as maldições da aliança ainda valiam integralmente para eles. E eles estavam reproduzindo a mesma atitude dos antepassados.
48. Para os irmãos entenderem melhor isso, basta conferir em casa o que Lv 26 fala, há uma boa explanação sobre esse assunto.
49. O que é narrado no verso seis mostra como a decepção era a marca das expectativas do povo.
50. Primeiro, para ajudar na sua subsistência, eles semeavam muito, mas isso se concretizava como uma colheita farta? Não!
51. Eles estavam se alimentando, mas ficavam cheios? Não!
52. Eles bebiam e se vestiam, mas era suficiente? Não!
53. Por último no verso, o salário que eles recebiam era o bastante para seus gastos? Não!
54. Tem uma figura interessante sobre o saquitel furado, o pode ser transposto para nossos últimos como se fosse colocado um dinheiro colocado no bolso, mas ele era furado, o que acontecia com isso? O dinheiro caia pelo caminho.
55. Não há satisfação naquele lugar, e tudo por quê? Lembra da palavra ruínas? Pois é, no hebraico há um jogo de palavras aqui, um certo trocadilho, enquanto a casa de Deus estava arruinada, em ruínas, a condição daquele lugar seguiria o mesmo caminho!
56. Isso traz a seguinte ideia para nós, se não priorizamos a obra do Senhor não podemos esperar que nossa vida siga às mil maravilhas. (Se não priorizarmos Deus, a sua palavra e a sua obra nossas vidas estarão em ruínas)
57. Deus agirá para abrir nossos olhos para o erro cometido, como ele estava fazendo com o povo judeu.
58. O povo empreendeu suas próprias obras, e Deus estava castigando-os por sua falta de zelo.
59. Algo que devemos sair daqui pensando é: qual a nossa prioridade? Meu emprego, meu casamento, minha formação ou Deus? O que é mais importante na minha vida? Essa pergunta deve estar bem clara para você!
Aplicação: Deus procurou advertir o povo da decaída espiritual tão rápida que eles tiveram, ignoraram o tempo de cativeiro e já estavam agindo do mesmo jeito. Eles viveriam frustrados com o que viria, por isso, devemos lembrar de duas coisas:
1 - Se Deus não é o primeiro em nossa vida, nunca estaremos satisfeitos com nada. Você pode correr de mar a mar e nunca achará outra coisa que o satisfaça, pois apenas Deus é capaz disso.
2 - Deus ser o primeiro lugar implica em priorizá-lo e ter disposição para ajudar em sua obra. O que você tem feito para Deus?
Conclusão:
Mas qual foi o conselho que Deus deixou para eles? E a resposta do povo? O que eles farão com a acusação de Deus? Você, lendo o restante do livro de Ageu, descobrirá a resposta, mas deve questionar hoje o que fará com o que foi dito. Tome uma atitude, saia da inércia espiritual e dedique-se ao Senhor no tempo chamado hoje!
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