O Rei é o Senhor do sábado (Mc 2.23-3.6)
O Rei que se tornou servo: sermões no Evangelho de Marcos • Sermon • Submitted • Presented
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Título: O Rei é o Senhor do Sábado (Mc 2.23-3.6)
Introdução
Introdução
Ao nos apresentar o evangelho de Jesus, quem Ele é e a natureza do seu Reino, Marcos tem nos levado, nas últimas pregações, a ver Jesus perdoando pecados, sentado à mesa com pecadores e celebrando com seus discípulos. Assim, aprendemos que o Reino de Deus não é construído sobre méritos humanos, mas sobre a graça divina que acolhe os necessitados de justiça, que, em resposta, celebram com o Senhor.
Sua divindade é escancarada (Ele perdoa pecados; Ele é o noivo), a natureza de seu novo Reino é revelada, um novo título é apresentado (“Filho do Homem”) e as tensões se intensificam. Agora, ainda tratando da questão dos tempos, o texto nos leva a ver Jesus como aquele que é o Senhor do sábado, apontando para a identidade divida de Jesus.
Exposição
Exposição
1. A ocasião (v. 23)
1. A ocasião (v. 23)
Jesus e seus discípulos atravessam searas ao sábado, colhendo espigas pelo caminho, provavelmente para saciar a fome. Isso era permitido pela Lei como um meio de provisão pessoal (Dt 23.25).
2. A advertência dos fariseus (v. 24)
2. A advertência dos fariseus (v. 24)
Os fariseus interpretam a ação dos discípulos como ilícita, enxergando no gesto uma violação do sábado. Para entender essa objeção, precisamos compreender a função do sábado nas Escrituras.
O sábado, instituído em Gênesis, marca o descanso de Deus após a criação: um descanso de reinado, enquanto o homem descansa em confiança na providência divina. A Lei ordenava o descanso no sétimo dia (Ex 20.8-11; 34.21), extendendo-o aos servos e aos animais. Contudo, a tradição religiosa acrescentou 39 regras sobre como guardá-lo, transformando o que deveria ser descanso em um fardo escravizante.
Jesus já havia realizado obras no sábado, como a cura do possesso em Cafarnaum e da sogra de Pedro (Mc 1.21-31), sem grande oposição. Agora, provavelmente impulsionado pela fama de Jesus e pelos episódios decorrentes da sua afirmação de ter autoridade de perdoar pecados e de se apresentar como o noivo, Jesus parece não apenas ser observado, mas analisado para ser pego em erro.
A advertência dos fariseus não se dá apenas pelo zelo com a lei, mas, pela primeira vez, como fruto de uma tentativa de pegar Jesus em tropeço e acusá-lo - o que ainda vai se intensificar (próximo texto em Mc 3.1-6). Não era como se fosse “se ele se revelar assim vamos crer”, mas “se ele fizer assim, vamos matá-lo”.
3. A resposta de Jesus
3. A resposta de Jesus
a) o exemplo de Davi (v. 25-26)
a) o exemplo de Davi (v. 25-26)
Ao ser perguntado sobre seus discípulos, ele traz os holofotes para si, apresenta argumentos inicialmente em forma de pergunta. Importante destacar que quando Jesus fala “lestes o que dez Davi?”, Ele recorre a algo como “a teologia de vocês não explica isso”.
No argumento de Jesus, Davi e seus companheiros comeram os pães da proposição, destinados exclusivamente aos sacerdotes (1Sm 21.1-6), ao estarem famintos, e isso não incorreu em condenação, embora fosse ilícito. Uma espécie de excludente de ilicitude. Na emergência, a necessidade humana prevaleceu sobre a rigidez cerimonial.
Em Mateus 12.5, no argumento complementar, Jesus reflete que os sacerdotes no templo violaram o sábado ao não descansarem e ficaram sem culpa. Ou seja, mais um ponto a ser explicado pelos fariseus e que deveria faze-los refletir sobre a natureza do sábado.
b) a natureza do sábado (v. 27)
b) a natureza do sábado (v. 27)
O sábado foi mencionado pela primeira vez nas Escrituras em Gênesis. O Senhor, como um Rei, assenta-se ao final de seu trabalho para descansar, contemplar e reger. A partir disso, o homem criado pode também descansar. O sábado não foi criado primeiro, para depois o homem existir em função dele; pelo contrário, o homem foi criado e, então, o sábado foi estabelecido em benefício dele. Em sua natureza, Deus não precisa de descanso, mas, ao criar o homem e descansar, o Senhor estabeleceu um princípio para sua criatura: o descanso é parte essencial da sua mordomia e do seu relacionamento com o Criador (Is 58.13-14).
Jesus está demonstrando a razão da Lei, levando seus ouvintes à essência dela — o espírito da lei, como se diz no direito. E ele reforça isso ao perguntar: "É lícito, nos sábados, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou tirá-la?" (Mc 3.4; Mt 12.11-12). Diante do que vê e sente, Jesus exerce misericórdia naquele dia, pois era isso que se cabia no sábado (Mc 3.5; Mt 12.7). O sábado foi criado para beneficiar o homem, não para ser um carrasco.
c) A conclusão: o Filho do Homem é o Senhor do sábado (v. 28)
c) A conclusão: o Filho do Homem é o Senhor do sábado (v. 28)
Jesus declara ser o Senhor do sábado, uma afirmação contundente de sua divindade. Em Mateus, sua declaração é ainda mais impactante: "aqui está quem é maior que o templo" (Mt 12.6). Nesta, que é a segunda vez que aparece o título de autoridade "Filho do Homem", Jesus se apresenta como Senhor sobre todas as coisas (“também”), incluindo a humanidade e o sábado.
Se Davi, o ungido de Deus, foi isento de culpa, quanto mais o Senhor de Davi. E se o sábado existe por causa do homem, quanto mais é lícito para Jesus e seus discípulos colherem espigas no sábado feito por Ele e para os seus seguidores.
Essa revelação intensifica a oposição: fariseus e herodianos, inimigos históricos, unem-se em conspiração contra Jesus. Ele desagrada tanto os religiosos quanto os políticos de sua época.
Aplicações
Aplicações
1. Precisamos aprender a descansar.
1. Precisamos aprender a descansar.
Descansar não é não fazer nada. Mas também não é menos que incluir na rotina um “dar um pause”, descansar do trabalho formal. Precisamos ter tempo de restauro. O sábado nos dá um princípio para o descanso do corpo, da mente e da alma. Um restauro que não é impeditivo de fazer o bem. Descansar é entender que há um Deus de toda a providência e que é Rei sobre todas as coisas. Descansar é desfrutar de Deus, é confiar que Deus continua a trabalhar em nosso favor.
2. Somos chamados para descansar em Jesus.
2. Somos chamados para descansar em Jesus.
Hoje somos chamados para descansar na obra de redenção de Jesus (Hb 4.9). Davi, na terra do descanso, desejava o descanso. O descanso que não era apenas um dia, ou um lugar, mas um estado diante de Deus. Em Cristo alcançamos esse estado. Nele podemos descansar nosso coração outrora ansioso em construir ídolos para si. Nele podemos confiar que nossa salvação está completa.
3. Jesus é o Senhor de todos os dias, não importa a data.
3. Jesus é o Senhor de todos os dias, não importa a data.
Tem cristão que não valoriza determinados dias que possuem valor na cristandade. Por exemplo, o domingo da ressurreição ou as datas de eventos da redenção, como natal e paixão (páscoa). São dias oportunos para disciplinar o coração em consagração, rememorar verdades do Evangelho e para a evangelização. No entanto, os demais dias não são menos especiais (Rm 14.5; Gl 4.10-11). Pelo contrário, o que se busca nesses dias deve dignificar de realçar os demais dias como a prática diária da ética do evangelho.
4. Jesus é o Senhor de todos os dias, não importa como eles são.
4. Jesus é o Senhor de todos os dias, não importa como eles são.
Olhamos para o texto e aprendemos que Jesus é o Senhor sobre os dias, mas para além das datas de um calendário. Ele é o Senhor do tempo e do que ocorre neles. Os dias apontam para Ele. Não importam se são os dias de nascimento ou de luto; os dias alegres ou tristes; os dias coloridos ou os dias cinzentos; os dias irados ou de satisfação; os de sol ou os de densas nuvens; os que estamos bem ou os que estamos mal. Jesus é o Senhor de todos os dias. Ele é a última palavra em nossos dias. Nos conforta saber que ele está conosco em todos. Que Ele nos move com seu Espírito para saber como nos portar em todos. Que Ele seja glorificado em todos.
SDG
