A Segunda Multiplicação dos Pães e Peixes

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A crençabem Israel era de que os gentios estavam fora do propósito da salvação. A conversão daquela mulher gentia em Tiro foi uma demonstração do erro daquela crença. Talvez o foco dessa viagem foi para que eles entendessem que o evangelho era para todos.
Logobdepois eles partiram para a área chamada de Decápolis, ao sul do mar da GalileiaNessa região havia dez cidades gentias. Mateus diz que multidões vindas de Decápolis seguiam Jesus (Mt. 4:25), e Marcos descreve que Jesus viajou por esse território gentio em muitas ocasiões.
Lá umabenorme multidão veio a Jesus junto ao Mar da Galileia, e Ele curou a todos, de acordo com Mateus 15:29 a 31. E tudo isso foi para demonstrar que Jesus veio chamar homens de todas as tribos, línguas e nações.
E Marcos 8: 1-10 registra exatamente o fim dessa viagem de Jesus com os doze por terras gentias. A partir de Marcos 8: 11 há retorno para a Galileia, perto de Cafarnaum, nos momentos finais do ministério de Jesus na Galileia, antes de Jesus seguir para a Judeia, onde Ele foi preso, condenado, crucificado e ressurreto.
E no mesmo texto temos o registro da segunda multiplicação de pães e peixes. Essa aconteceu na região de Decápolis (dez cidades gentias), que se estendia em ambos os lados do Jordão ao sul do Mar Galileia e na direção norte.
Vimos a primeira multiplicação no sermão sobre Marcos 6:30-44, antes da viagem de Jesus a Tiro e Sidon, ocorrida na região judia ao nordeste do Mar da Galileia, perto da cidade de Betsaida, 
E na segunda multiplicação o contexto era que Jesus estava preparando os doze para pregar o evangelho também aos gentios, foi muito importante ele demonstrar compaixão por uma multidão de gentios, algo que os judeus não conseguiam entender, tal como Jonas não entendia.
Marcos 8 1 Naqueles dias, quando outra vez se reuniu grande multidão, e não tendo eles o que comer, chamou Jesus os discípulos e lhes disse: 2 Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanecem comigo e não têm o que comer.
Jesus diz: “tenho compaixão desta gente”É o único lugar nos quatro evangelhos onde Jesus diz: “Tenho compaixão”, na primeira pessoa do singular.
Há muitas referências à Sua compaixão, porém na terceira pessoa do singular, quando há registro de que Ele sentiu compaixão (Mc. 1:41, 6: 34; Mt. 9:36, 14:14-15, 15:32, 20:34; Lc 7:13).
O texto grego traduzido como “tenho compaixão” refere-se a uma profunda afeição, simpatia, piedade, bondade e compaixão. No sentido que isso tem a ver com a própria natureza de Cristo, como sendo um atributo. Vimos isso quando Lucas escreveu: “graças à entranhável misericórdia de nosso Deus” (Lucas 1:78).
A compaixão é um atributo distintivo do verdadeiro Deus. A compaixão do Senhor Jesus Cristo é compartilhada pelo Pai e pelo Espírito. Ele é o Pai de todas as consolações, o Deus de todas as consolações. O Espírito Santo é Ele mesmo o Consolador. A compaixão divina é um atributo de Deus.
Temos diversas declarações da compaixão de Deus nas Escrituras, tais como em 2 Reis 13:23, 2 Crônicas 36:14-15, Salmo 78:38, Salmo 111:4, Miqueias 7:1, Romanos 9:15 etc. O profeta Jeremias escreveu:
As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade (Lamentações 3:22,23)
“Compaixão” é uma palavra que tem em sua origem o sentido de “sofrer junto com”. A compaixão divina marca todo ministério e toda a vida de Cristo porque é um atributo de Deus.
Nosso Senhor havia saído do frenesi da Galileia há vários meses, e Ele está prestes a retornar. Mas, antes de voltar, Ele fez essa viagem em terras gentias ao redor da área da Galileia, e comunicou aos Seus discípulos e aos gentios que o reino é para judeus e gentios.
O resultado de seus atos de compaixão na região gentia de Decápolis, no final daquela viagem, na segunda multiplicação de pães e peixes, foi que os gentios glorificaram o Deus de Israel (Mateus 15:31).
Marcos 7:37 diz que as pessoas em Decápolis, ao ver as obras de Jesus por três dias, estavam maravilhadas com Ele. Certamente houve no meio daquela gente muitas profissões verdadeiras de fé.
O milagre da multiplicação
Marcos 8: 1-10 registra justamente o final dos três dias de sinais e ensinos que Jesus fez em Decápolis.
Relembro que na primeira multiplicação de pães, que incluiu também peixes (Marcos 6:30-44), foram alimentados 5.000 homens e  uma multidão estimada em mais de 20.000 pessoas (com mulheres e crianças), na margem nordeste do Mar da Galileia, perto da cidade de Betsaida.
Agora temos a segunda multiplicação de pães, no extremo sul do Mar da Galileia, em uma região gentia conhecida como Decápolis, que estava basicamente sob o domínio da Síria.
Assim como Jesus se compadeceu de uma multidão faminta de judeus na Galileia, Ele também se compadeceu de uma multidão faminta de gentios na região de Decápolis.
Essa multidão estava ali com Jesus por três dias. Eles dormiam no chão. Não havia nenhuma cidade grande por perto, pois as cidades da Decápolis eram distantes umas às outras. Não era como a Galileia, que tinha 240 cidades e vilarejos próximos.
Essa foi a única vez que Jesus esteve naquela área em Decápolis, a fama de Jesus havia se espalhado, aquelas pessoas nunca haviam visto ou ouvido falar de alguém como Jesus. A multidão foi atraída pelas palavras e pelos sinais que Jesus operava.
E assim, aquelas pessoas esqueceram até de comer. Mas após tanto tempo eles estavam muito famintos e Jesus se compadeceu de todos ali. Jesus disse:
Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanecem comigo e não têm o que comer. Se eu os despedir para suas casas, em jejum, desfalecerão pelo caminho; e alguns deles vieram de longe (Marcos 8: 2-3).
Essa é a graça comum, a bondade e compaixão de nosso Deus para com todos, não há nada semelhante em nenhuma religião.
Os discípulos ficaram espantados e perguntaram a Jesus: “Onde alguém poderá encontrar pão suficiente aqui neste deserto para satisfazer esta gente?” (Marcos 8:4). Eles sabiam que era algo humanamente impossível.
Em Marcos 8:6 há o registro que o povo se assentou no chão, indicando que não havia grama ali, era um cenário sem vegetação e distante de cidades.
Quando eles perguntaram sobre “satisfazer esta gente”o original grego diz respeito a uma quantidade de alimentos capaz de saciar completamente a fome, tal como ocorreu na primeira multiplicação onde “todos comeram e se fartaram” (Marcos 6:42).
Provavelmente os discípulos não estavam aflitos quando interrogaram a Jesus, eles devem ter lembrado da multidão que foi alimentada meses atrás. Talvez teria sido uma pergunta com o sentido de: “o que Senhor vai fazer?”, “o Senhor vai saciar a fome dos gentios?”
essa foi mais uma oportunidade de Jesus mostrar aos doze que a salvação era também para os gentios. Toda aquela viagem teve esse propósito, e agora, no final da viagem, jesus faz mais uma demonstração dessa verdade que marcou a grande comissão de pregar a todos os povos, línguas e nações.
E jesus simplesmente pergunta: Quantos pães tendes? Eles responderam: sete (Marcos 8:5). Em Marcos 8:7 registra que havia também alguns peixinhosNa primeira multiplicação havia cinco pães e dois peixes.
Mas agora eles não disseram novamente: “o que é isto para tanta gente?” (João 6:9), como fizeram na primeira multiplicação. Eles estavam cientes do milagre que Jesus poderia fazer ali. E iriam aprender sobre a compaixão de Jesus pelos gentios, pessoas que eles foram treinados a desprezar.
A verdadeira ação começa em Marcos 8:6, quando Jesus mandou o povo se sentar no chão, o mesmo que ele fez na primeira multiplicação, quando ele fez a multidão se assentar de forma organizada.
E então Jesus “tomando os sete pães, partiu-os, após ter dado graças, e os deu a seus discípulos, para que estes os distribuíssem, repartindo entre o povo” (Marcos 8:6).
Ele simplesmente criou o pão do nada. E ainda “tinham também alguns peixinhos; e, abençoando-os, mandou que estes igualmente fossem distribuídos” (Marcos 8:7). Ele criou peixes do nada.
Ele continuou enchendo as cestas e passando-as as mãos dos discípulos para distribuir. Mateus 15:36 diz que Jesus “tomou os sete pães e os peixes, e, dando graças, partiu, e deu aos discípulos, e estes, ao povo”.
E então “comeram e se fartaram; e dos pedaços restantes recolheram sete cestos” (Marcos 8:8). Todos foram totalmente satisfeitos.
 
Lições aprendidas pelos discípulos
Os discípulos tiveram mais uma amostra da divindade da pessoa de Cristo, indicado por Seu poder criador divino. Eles estavam recebendo uma lição de cristologia, que Jesus é Deus. Em João 14:9 Jesus diz: “Quem me vê a mim vê o Pai”. Ele é o Criador, a Palavra, e sem Ele nada do que foi feito se fez (João 1:3). Na multiplicação de pães e peixes Jesus mostrou Seu poder criador.
Os discípulos também contemplaram a compaixão divina demonstrada por Cristo. E que essa misericórdia alcança judeus e gentios. Eles tiveram mais uma lição da grande comissão de anunciar o evangelho a todos os povos, línguas e nações.
Nessa passagem, observemos quão grandes são a bondade e a compaixão de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele viu, ao seu redor, uma “grande multidão” que nada tinha para comer. Jesus sabia que a maioria o estava seguindo apenas por curiosidade ociosa, e que eles não tinham o direito de ser considerados seus discípulos. Não obstante, quando ele os viu famintos e necessitados, teve compaixão deles e disse aos discípulos: “Tenho compaixão desta gente porque há três dias permanecem comigo e não têm o que comer”.
E a compaixão divina não foi simplesmente manifesta ao alimentar uma multidão, mas em fazer a propiciação pelos pecados de todos aqueles a quem o Pai chamou.
Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo (Hebreus 2:17).
Uma coisa é alimentar uma multidão faminta; outra coisa é pagar a pena integralmente por seus pecados. Uma coisa é saciar a fome de três dias; outra é satisfazer uma alma faminta pela eternidade.
E a compaixão divina não foi simplesmente manifesta ao alimentar uma multidão, mas em fazer a propiciação pelos pecados de todos aqueles a quem o Pai chamou.
Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo (Hebreus 2:17).
Uma coisa é alimentar uma multidão faminta; outra coisa é pagar a pena integralmente por seus pecados. Uma coisa é saciar a fome de três dias; outra é satisfazer uma alma faminta pela eternidade.
Nunca devemos permitir a nós mesmos duvidar do poder de Cristo para suprir todas as necessidades espirituais de seu povo. Ele tem pão suficiente, até de sobra, para todas as almas que nele confiam. Mesmo que os crentes sintam-se fracos, débeis, corruptos e vazios, jamais devem desesperar-se, porque Jesus continua vivo. Em Cristo, há um inesgotável tesouro de misericórdia e graça, para ser utilizado por todos os membros de seu corpo, um suprimento que está sempre preparado para ser concedido a todos que pedirem em oração. “Porque aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude” (Cl 1.19).
Jamais duvidemos do cuidado providencial de Cristo, no que concerne às necessidades temporais de todo o seu povo. Cristo conhece as circunstâncias de seu povo. Ele está familiarizado com todas as suas necessidades. Ele jamais permitirá que eles careçam daquilo que, de fato, é para o bem deles. Seu coração em coisa alguma mudou, desde que ascendeu às alturas e assentou-se à direita de Deus. Continua perfeitamente vivo aquele que teve compaixão da multidão faminta no deserto e que também supriu a necessidade deles. Devemos imaginar que mais ainda ele suprirá as necessidades daqueles que nele confiam. Sim, ele as suprirá, sem falhar. A fé dos que confiam nele talvez seja ocasionalmente provada. Em certas ocasiões, talvez tenham de continuar esperando e venham a ficar mal supridos. Entretanto, o crente nunca será deixado inteiramente destituído. “O seu pão lhe será dado, as suas águas serão certas” (Is 33.16).
 
 
 
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