(1 Co 2:6-16) A Sabedoria que o mundo rejeita

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1Coríntios 2.6–9 “Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória; mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.”
Experimentados. A palavra grega que é traduzida como “amadurecido” ou “perfeito” ocorre em outros lugares das epístolas paulinas e geralmente é equivalente a “adulto”. Adultos são aquelas pessoas que aceitaram o evangelho da cruz de Cristo, experimentaram o poder de Deus na própria vida e aguardam a renovação de todas as coisas como fruto da ressurreição de Jesus.
Não porém a deste século...Falamos a sabedoria de Deus em mistério. Paulo vai estabelecer uma relação muito profunda entre a sabedoria e o Espírito de Deus. A tese de Paulo é simples: quem não possui o Espírito Santo não é sábio. A sabedoria é uma evidência primária da presença do Espírito Santo. Você é uma pessoa sábia?! Ou deseja ser?!
Essa sabedoria a que Paulo se refere não é a sabedoria mundana, que ele chama de sabedoria deste século, sabedoria secular, dos poderosos. Não é a sabedoria dos gregos, dos epicureus e estóicos, não é a sabedoria de Nietzschen, nem a sabedoria do Cortela ou do Luiz Pondé, e vou incluir também os que misturaram essas coisas com o cristianismo: não é a sabedoria, liberal, carnal, das igrejas modernas.
Essa Sabedoria Paulo descreve com um mistério que estava oculto, que Deus preordenou desde a eternidade para nossa glória. Nós já vimos essa linguagem, e Paulo vai falar disso em outras cartas. Essa sabedoria é o Evangelho. É o que Paulo vem tratando até aqui, é a Cruz do Deus encarnado.
2Timóteo 1.8–9 “Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos,”
O que Paulo está dizendo é que ninguém pode compreender o Evangelho sem o Espírito de Deus. Sem o Espírito Santo as pessoas veem o Evangelho como um loucura ou como um escândalo. Elas rejeitam absolutamente a mensagem do Evangelho. Isso pode acontecer de formas variadas. Você pode rejeitas o Evangelho de maneira mais escancarada, hostil, se levantando contra ele, como fazem os ateus, ou os muçulmanos; ou você pode rejeitar de forma mais sutil, acrescentando coisas ao evangelho, como os cristãos fazem, com tradições humanas, como fazem os católicos e os neopentecostais. É por isso, irmãos, que o Evangelho é a única mensagem no mundo que fala de salvação pela graça, pelos méritos de outro, e que esse outro é o Deus eterno que se fez homem. É a sabedoria de Deus, loucura e escândalo para o mundo, mas para nós, poder de Deus e salvação.
Paulo então cita, como de costume, a Escritura. Ele cita Isaías 64:4, como algumas modificações.
Isaías 64.4 “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.”
1Coríntios 2.9 “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.”
Vocês perceberam o que Paulo fez? Ao invés de dizer “nem olhos viram nem ouvidos ouviram Deus além de ti...”, ele disse: “nem olho viram, nem ouvidos ouviram o que tens preparado...”. Paulo mistura Deus e aquilo que faz: “Deus além de Ti” e “O que tens preparado”.
De fato Isaías diz: “...nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.” Numa leitura rápida, a gente pode não perceber que o foco do profeta está não apenas em quem Deus é, mas naquilo que ele faz. Paulo ressaltou a segunda parte, aquilo que Deus faz, o que ele “tem preparado para aqueles que o amam”.
Então, Paulo ressalta outra grande e profunda relação, agora entre a Sabedoria e a Salvação. Sabedoria na Bíblia significa “os atos sábios de Deus na salvação do homem”. A salvação é um milagre para os crente, mas um mistério para pessoas que não têm o Espirito de Deus.
Irmãos, esse grande mistério, como vimos em romanos, é revelado pela pregação da Palavra.
1Pedro 1.10–12 “Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam. A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar.”
A rejeição dessa sabedoria é tão perigosa, tão danosa, que aqueles que a rejeitaram, diz o texto, crucificaram o Senhor da glória. É aqui cabe ressaltar que Jesus é chamado de Senhor da Glória. Ora, quem é o Senhor da glória senão Deus?!
Salmo 24.8 “Quem é o Rei da Glória? O Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso nas batalhas.”
O que a ignorância, a falta da sabedoria, a cegueira nos faz praticar! Terrível é a ignorância obstinada, que rejeita o Senhor da glória. Deixe-me essa parte citando Provérbios.

20  Grita na rua a Sabedoria,

nas praças, levanta a voz;

21  do alto dos muros clama,

à entrada das portas e nas cidades profere as suas palavras:

22  Até quando, ó néscios, amareis a necedade?

E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio?

E vós, loucos, aborrecereis o conhecimento?

23  Atentai para a minha repreensão;

eis que derramarei copiosamente para vós outros o meu espírito

e vos farei saber as minhas palavras.

24  Mas, porque clamei, e vós recusastes;

porque estendi a mão, e não houve quem atendesse;

25  antes, rejeitastes todo o meu conselho

e não quisestes a minha repreensão;

26  também eu me rirei na vossa desventura,

e, em vindo o vosso terror, eu zombarei,

27  em vindo o vosso terror como a tempestade,

em vindo a vossa perdição como o redemoinho,

quando vos chegar o aperto e a angústia.

28  Então, me invocarão, mas eu não responderei;

procurar-me-ão, porém não me hão de achar.

29  Porquanto aborreceram o conhecimento

e não preferiram o temor do SENHOR;

30  não quiseram o meu conselho

e desprezaram toda a minha repreensão.

31  Portanto, comerão do fruto do seu procedimento

e dos seus próprios conselhos se fartarão.

32  Os néscios são mortos por seu desvio,

e aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição.

33  Mas o que me der ouvidos habitará seguro,

tranquilo e sem temor do mal.

1Coríntios 2.10–13 “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais.”
Deus no-lo revelou pelo Espírito. Então aprendemos que o Espírito é como luz, ele é o nosso guia, e sem ele não teremos nenhum conhecimento que salva a respeito de Deus e de sua obra. Nós podemos ouvir, podemos decorar, podemos receber como uma tradição de nossos pais, mas sem o Espírito não entendemos verdadeiramente, não a ponto de aceitar e confiar. Jesus nos ensinou sobre a pessoa do Espírito exatamente nesses termos.
João 14.16–17 “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.” João 14.26 “mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.”
João 15.26 “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;”
João 16.13–14 “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.”
1João 2.20 “E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.”
Devemos observar atentamente ao que Paulo está promovendo. Ele está falando de certeza, de um conhecimento infalível da verdade. Por que infalível?! Porque não á baseado numa investigação científica; não é algo meramente intelectual ou emocional, é um conhecimento doado, dado de cima, vindo diretamente de Deus como uma bênção dada de graça.
Calvino: “Quanto mais fraco é o intelecto humano para compreender os mistérios de Deus, mais segura é a nossa fé, quando tem seu apoio na revelação do Espírito de Deus”.
Quer dizer: quando mais eu dependo do Espirito Santo e menos de mim mesmo, mas eu conheço a Deus e tenho de quem ele é, e de quem eu sou nele. Isso é a certeza da salvação. É disso que Paulo está falando aqui.
Veja, aquele que a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus, ou seja, o próprio Deus, o Espírito de Deus, esse é aquele que habita no crente. A fonte de toda verdade, a própria verdade, é o que habita em nós. Que segurança! Que consolo!
Vocês entendem, que o coração de Deus está sendo revelado pra nós. O íntimo de Deus, seu Espírito, veio habitar em nós. Os recônditos de Deus, seu lugar mais secretos, quem pode conhecer? Isso é inconcebível, inalcançável. Então, o próprio Espírito de Deus, seu coração, veio até nós e nos revelou seus mistérios. Aquele que sabe todas as coisas, habita em nós. E de todas as coisas que ele sabe, das mais precisas, detalhadas, as mais ricas informações que o Espirito detêm: o nome dos 1 trilhões de galáxias no universo observável, e todas as outras que o telescópio não alcança, com seus 200 sextilhões de estrelas; o nome de cada planta, cada ser vivo no mais profundo dos mares, o núcleo de sua sabedoria, seu tesouro, sua verdade sobexcelente, é a cruz de Jesus. Quem não compreende essa grande obra, não tem o Espírito, e não pode ser salvo.
Como nos empenhamos tanto para saber de tantas coisas, para estudar tantas coisas, pra passar num concurso, pra trabalhar, tantas coisas a repeito da vida alheia, mas sabemos tão pouco a repeito da cruz. Achamos que sabemos muito porque decoramos: “Jesus morreu por mim”. Mas há uma riqueza infinita de glória a repeito da justificação conquistada pela cruz; da adoção, da ressurreição, da imputação, da humilhação e da exaltação de Cristo. Mergulhe nessas verdades se elas são a sua salvação.
Os sábios desse mundo lançam dúvidas sobre a obra de Cristo, sobre sua glória, sobre sua eficácia, sobre sua importância, sobre sua necessidade. Não engula isso. Não caia nessas armadilhas. Não se iluda com pregadores que gastam tempo falando das glórias desse mundo, e pouco falam da glória da cruz. Paulo diz que não temos recebido o espírito do mundo. Esses pregadores têm o espírito do mundo. Cujas esperanças se resumem a esta vida. Eles já receberam a sua recompensa. Paulo diz: “disto também falamos”. Era essa a sua mensagem. Essa é uma característica fundamental da pregação fiel.
1Coríntios 2.14–16 “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo.”
O homem natural… homem espiritual. O homem natural é aquele que pertence a esse mundo e é dominado pelo espírito desse mundo. O homem espiritual é o que pertence a Deus, e é dominado pelo Espírito de Deus.
Judas 19 “São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito.”
Romanos 8.5–9 “Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.”
Os não espirituais, carnais, são os que estão sempre insatisfeitos. São cobiçosos, gananciosos, sempre dominados por grandes coisas, querem o mundo inteiro. São murmuradores, sempre caindo no pecado, não têm domínio sobre a língua, não oram, não leem a bíblia, não louvam, não amam a igreja, não amam o culto. São mais amigos do mundo e das riquezas, do que amigo de Deus. Se sentem desconfortáveis na igreja, mas muito confortáveis entre os incrédulos. Os não espirituais são os que a Deus no momento que lhes convém, que o buscam quando acham que precisam dele, que se relacionam com Deus a distância, que o horam com os lábios, mas não com o coração. Os não espirituais odeiam ser repreendidos, detestam a pregação, e querem ser acariciados, bajulados, reconhecidos.
Quem são as pessoas espirituais, irmãos? É muito simples e fácil de perceber. Aqui eu quero que vocês aprendam um conceito que nós volta e meia repetimos aqui na igreja: piedade. Quem são as pessoas piedosas? São as que amam a Palavra de Deus e a leem. São as quem sabem como precisam da oração, e buscam a oração, que ainda que seja, sabem como precisam orar. São as pessoas que amam falar sobre Jesus, e aguardam a sua vinda. Não esqueceram da sua promessa de que ele vai voltar. São que estão vigilantes, sempre preparados. São os que lutam contra o pecado, que não fazem a sua própria vontade, e mortificam a carne, não se entregam aos vícios, às vaidades, à sensualidade, à cobiça, ao materialismo, mas que vivem moderadamente, que amam a igreja, o culto, o domingo, que louvam ao Senhor - que amam louvar ao Senhor. Os espirituais, piedosos, são os que não controlados pela ira e pela lascívias, mas pelo Espirito de Deus. São os que se arrependem quando pensam, falam ou praticam o mal. Os espirituais são os o que amam ao Senhor e são guiados por ele.
Paulo diz que o espiritual julga todas as coisas, mas não é julgado por ninguém. A RC traduz assim: discerne bem todas as coisas.
Kistemaker: De Deus ele recebe sabedoria sem limites. Consequentemente é capaz de examinar todas as coisas criteriosamente e de exercer a liderança num mundo submetido à escuridão do pecado. “É somente o homem espiritual que tem esse conhecimento firme e são dos mistérios de Deus, que realmente distingue a verdade do erro, o ensinamento de Deus das invenções humanas e é muito pouco iludido.” Para o crente, as Escrituras são uma luz em seu caminho e uma lâmpada para seus pés (Sl 119.105). Ele sabe que na luz de Deus ele vê a luz (Sl 36.9). Em vista da unção da pessoa espiritual com o Espírito Santo, ela tem conhecimento da verdade (1Jo 2.20). Assim, é capaz de distinguir a verdade do erro, o fato da ficção e a autenticidade do fingimento.
Não quer dizer que o crente sabe tudo de tudo, mas ele é sábio, e não pode ser enganado, não por muito tempo. Ele avalia as coisas espiritualmente, à luz da Palavra de Deus.
...o crente não pode ser julgado por descrentes; eles são incapazes de julgar um crente espiritualmente. O crente é julgado com base na Palavra de Deus. Afinal, são as Escrituras, e não regras e regulamentos humanos, que julgam o homem espiritual com respeito ao seu destino eterno.
Nós temos a mente de Cristo. Essa relação do Espírito com o crente é profunda de tal modo que Paulo faz uma declaração surpreendente: “nós temos a mente de Cristo”. Que coisa impressionante! Que possamos ora: “Senhor, dá-nos a tua mente”. Que possamos pensar os pensamentos de Deus; que nossas decisões, sejam suas decisões; que nossas palavras, sejam suas Palavras; que tudo o que somos e queremos ser, esteja submetido à Palavra de Deus, às Sua vontade, ao Seu Espírito; e assim sejamos um com ele. Dessa forma, não seremos enganados, iludidos, nem atraídos por esse mundo fadado ao fracasso e à destruição. Você pode começar a identificar na sua vida, quando você perceber que Cristo é tudo pra você, e a obra dele pelo pecador é nossa única esperança, digna de toda confiança. Amém!
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