(Lv 8) A Ordenação de Arão e seus filhos
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Agora que o tabernáculo foi construído (Êxodo 40) e as ofertas foram descritas (Levítico 1-7), os israelitas podem começar a adoração pública (Levítico 8-10). Como a adoração pública era dirigida por sacerdotes, o capítulo de abertura desta seção descreverá a cerimônia pela qual Arão e seus filhos são ordenados (Lv. 8).
A descrição da cerimônia de ordenação é dividida em sete seções, cada uma terminando com o refrão de que Moisés, ou Arão e seus filhos, fizeram exatamente como o Senhor ordenou a Moisés (vv. 4, 9, 13, 17, 21, 29, 36). Esse refrão apresenta Moisés e Arão como modelos de obediência em questões de adoração, um modelo que os israelitas devem seguir (cf. 10:1-3). Em Hebreus, a fidelidade de Moisés é comparada à fidelidade de Jesus. A comparação é a de um servo, Moisés, à de um filho, Jesus. A fidelidade de um filho é muito maior que a de um servo. Um filho desfruta de um relacionamento familiar e íntimo com seu pai, o que não é verdade no caso de um servo.
Hebreus 3.1–3 “Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus, o qual é fiel àquele que o constituiu, como também o era Moisés em toda a casa de Deus. Jesus, todavia, tem sido considerado digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a estabeleceu.”
1-4a. Preparação para iniciar os ritos
A cerimônia deveria ser realizada na entrada da Tenda da Congregação, quer dizer, diante do Senhor.
Tinham que estar ali junto de Moisés, conforme o Senhor ordenou, Arão e seu filhos, os itens necessários para a ordenação (as vestimentas, o óleo para a unção e um novilho, dois carneiros e uma cesta com pães sem fermento) e o povo (provavelmente representados pelos anciãos. Estando tudo ali conforme o Senhor ordenou, a cerimônia poderia prosseguir.
Israel é convocado a testemunhar o evento, pois não é apenas a instituição de um sacerdote, mas também a instituição de um sacerdócio nacional. A nação caminha tão bem quanto seu sacerdócio.
4b-9. A lavagem de Arão e seus filhos e a colocação das roupas de Arão
6. O objetivo da cerimônia era levar Arão e seus filhos ao mais alto estado de pureza ritual: a santidade. Portanto, o primeiro passo era que eles passassem por um rito frequentemente associado à purificação ritual: serem lavados com água (v.6).
Moisés realizou uma cerimônia de lavagem de pés e mãos. Os sacerdotes devem sempre lavar suas mãos e pés, sob pena de morte, antes de entrarem na Tenda-Santuário (Êx 30.19–21). Usa-se o mesmo verbo para a lavagem das partes de um animal, em Levítico, para remover a contaminação (Lv 1.9, 13; 9.14; cf. Nm 19.7–8). A purificação é obrigatória antes de alguém servir ao Senhor.
7-9. O segundo passo era vestir-lhes roupas especiais. Elas incluem uma túnica, um cinto, uma sobrepeliz (“manto” NVI), uma estola sacerdotal, um peitoral com o Urim e o Tumim, e uma mitra. As roupas especiais dos sacerdotes os identificavam como tendo sido separados pelo Senhor em um estado específico (santidade ritual) para desempenhar uma função específica (aproximar-se do altar sagrado e ministrar no tabernáculo sagrado).
As roupas mais elaboradas do sumo sacerdote o diferenciavam como líder dos sacerdotes.
10-13. A unção do Tabernáculo e de Arão e a colocação das roupas dos filhos de Arão
Tudo o que óleo da unção tocava era consagrado (ritualmente santo). Todo o complexo do Tabernáculo foi consagrado para ser um lugar separado para adoração. Depois de ungir a Tenda, Moisés ungiu os objetos no Pátio, aspergindo sete vezes (purificação completa).
Então Moisés derramou o óleo sobre a cabeça de Arão, separando-o da congregação e também tornando-o o líder dos Sacerdotes. Apenas o Sumo Sacerdote era ungido. Em pouco tempo o título “sacerdote ungido”, um título usado quase exclusivamente em Levítico, deu lugar aos títulos mais conhecidos “sumo sacerdote”, “sacerdote principal” e “chefe dos sacerdotes” (na época de Esdras e Neemias).
Salmo 133.1–2 “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.”
Esse salmo mostra a unção do Sumo Sacerdote como um símbolo da união da Igreja.
13. A seção termina com Moisés vestindo os filhos de Arão. Agora tudo estava pronto para oferecer os três principais sacrifícios da cerimônia de ordenação: a oferta de purificação (vv. 14-17), o holocausto (vv. 18-21) e a oferta de ordenação (vv. 22-29).
14-17. A oferta de purificação é apresentada em favor de Arão e seus filhos
A primeira oferta a ser apresentada era a oferta de purificação (pelo pecado). Arão e seus filhos colocaram as mãos sobre a cabeça da oferta. Os sacerdotes eram tão pecadores e impuros quanto qualquer israelita, e precisavam da expiação de seus pecados.
Hebreus 5.1–3 “Porque todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas concernentes a Deus, a favor dos homens, para oferecer tanto dons como sacrifícios pelos pecados, e é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele mesmo está rodeado de fraquezas. E, por esta razão, deve oferecer sacrifícios pelos pecados, tanto do povo como de si mesmo.”
15. Como o pecado e a impureza contaminavam a morada do Senhor (ver 4:5-7), Moisés pegou o sangue do sacrifício, o mais poderoso agente de purificação disponível, e foi até o altar de holocaustos (que talvez representasse o tabernáculo como um todo). Ele colocou o sangue sobre as pontas do altar, purificando-o dessa forma (veja 4:5-7) e, talvez, também todo o tabernáculo. Ao fazer isso, ele estava fazendo expiação por ele - isto é, removendo o pecado e a impureza dele - e, assim, 'consagrando-o' novamente para uso sagrado.
18-21. O Holocausto é apresentado em nome de Arão e seus filhos
Em seguida, Moisés apresentou um holocausto para Arão e seus filhos. Ele é queimado em cima do primeiro carneiro oferecido, um holocausto, juntamente com um pão, uma bolacha (um pão pequeno) da cesta de pães. Isto gera um aroma agradável “ao SENHOR”.
22-29. Oferta de Ordenação e oferta movida
A oferta de ordenação era mais um tipo de oferta de comunhão (pacífica): o sangue é "lançado sobre o altar em redor" (v. 24); a gordura é queimada sobre o altar (vv. 25, 28; cf. 3:3-5); a maior parte da carne é dividida entre o oficiante (Moisés; v. 29) e o sacerdote (Moisés; v. 30); a oferta movida é apresentada em nome de Arão e dos filhos; Moisés apresenta a oferta movida (8:22-29). 3:3-5); a maior parte da carne é dividida entre o oficiante (Moisés; v. 29) e os ofertantes (os sacerdotes; v. 31; cf. 7:15-21, 29-34); e qualquer carne que não for consumida em um determinado período de tempo deve ser queimada (v. 32; cf. 7:15-18).
É apropriado que a oferta de ordenação seja um tipo de oferta de comunhão, pois as ofertas de comunhão serviam como refeições que confirmavam uma aliança (veja em 3:11), e o sacerdócio era uma promessa de aliança a Arão e seus filhos (Nm 18:19; 25:13; cf. Jr 33:21; Ml 2:4).
Em suma, depois de fazer expiação por seu pecado e impureza (oferta de purificação) e reconhecer o Senhor como o único digno de todo louvor (holocausto), os sacerdotes agora confirmavam a aliança do sacerdócio que o Senhor estava lhes concedendo (oferta de ordenação).
23-24. Assim como o sangue foi colocado nas extremidades do altar para santificá-lo (v. 15), também foi colocado nas extremidades de Arão e de seus filhos - de cima para baixo - para santificar todo o corpo deles. O lado direito era o lado preferido.
30-36. Consagração final e instruções
Finalmente, Moisés pegou um pouco do óleo da unção e um pouco do sangue e os aspergiu sobre todos os sacerdotes e suas vestes como um último ato de consagração (v. 30). A atenção agora se volta para o que faltava para Arão e seus filhos fazerem. Primeiro, eles tinham que cozinhar e comer a carne e o pão sagrados na entrada da tenda do encontro (v. 31), ou seja, na área do pátio em frente à tenda (veja 1:3). Se sobrasse alguma coisa, ela deveria ser queimada (v. 32). Também era importante que Arão e seus filhos não saíssem dessa área durante a ordenação (vv. 33, 35). Se eles deixassem esse lugar sagrado e saíssem para um lugar não sagrado (qualquer lugar fora do complexo do tabernáculo), estariam desconsiderando a santidade do processo de ordenação e, portanto, correndo o risco de morrer. O processo em si levou sete dias (vv. 33, 35), indicando novamente que a consagração era completa e minuciosa (veja 4:5-7). Além disso, os eventos do primeiro dia - especialmente os sacrifícios expiatórios - deveriam ser repetidos a cada um dos sete dias (cf. Êxodo 29:35-37), enfatizando que a expiação feita por Arão e seus filhos foi totalmente realizada.
A consagração representa uma profunda transformação, um rito de passagem, uma mudança de status. Somos primeiro purificados, e então somos santificados. Como você percebe isso na sua vida? Você foi separado pra o Senhor? Foi purificado da imundícia e então tirado do uso comum, quer dizer, sua vida hoje é pra Deus? Em certo nível, irmãos, devemos entender que o que foi feito aqui na vida de Arão e seus filhos, diz respeito a nós também. O sacerdócio é universal, quer dizer que todos nós devemos ser dedicados ao Senhor. Quando fomos batizados e professamos nossa fé nós comunicamos ao mundo que pertencemos ao Senhor e viveremos pra ele.
A seriedade dessa ordenação nos lembra de um modo especial da ordenação ao ministério no NT. Veja a linguagem de Tiago e Paulo:
Tiago 3.1 “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo.”
1Timóteo 3.2 “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar;”
Devemos lembrar acima de tudo que isso diz repeito a Jesus, nosso grande Sumo Sacerdote. Jesus não precisou fazer purificação pelos seus próprios pecados porque ele não tinha pecado, e ele não precisou de um novo sacrifício porque ele ressuscitou pra nunca mais morrer, e sua oferta é perfeita e eficaz para nos salvar pra sempre. Essa é nossa grande confiança.
Hebreus 4.14 “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão.”
Hebreus 7.26–27 “Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu.”
Cristo é nosso Sumo Sacerdote, ungido com o óleo do Espírito Is61, sem medida, e nós estamos unidos a ele, assim como o corpo e a cabeça de Arão. É assim que o Espírito vem sobre a Igreja: ele escorre pela cabeça e a barba de Arão e desse por suas vestes. Assim podemos cantar: Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos.
