A Boa Parte - Serviço (Parábola dos 3 servos)

Ewerton Luis
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A Boa Parte - Tema do Ano 2025
Inspirados no relato bíblico de Marta, Maria e Jesus Lucas 10:38-42 , entendemos que a escolha de Maria em buscar a presença de Jesus mostra a prioridade de um relacionamento íntimo com o Senhor – “a boa parte”. Nessa série de mensagens queremos mostrar qual é a boa parte presente nos 3 arcos que formam a identidade da Ponte - Relacionamento, Serviço e Cultura.
Semana passada Déia nos mostrou a Boa Parte de Amar, onde aprendemos como o amor de Cristo pelos seus transformou relacionamentos e nos fez “viver de verdade, por completo”. Hoje vamos olhar para o serviço (falar dos COLETES) usando como foco uma parábola de Jesus muito conhecida (e talvez muito mal usada).

Texto Bíblico: Mateus 25.14–30 (NAA)

14— Pois [o Reino de Deus] será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. 15 A um deu cinco talentos, a outro deu dois e a outro deu um, de acordo com a capacidade de cada um deles; e então partiu.
16 O servo que tinha recebido cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. 17 Do mesmo modo, o que tinha recebido dois ganhou outros dois. 18 Mas o servo que tinha recebido um talento, saindo, fez um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19— Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e fez um ajuste de contas com eles. 20 Aproximando-se o que tinha recebido cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: “O senhor me confiou cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei.” 21 O senhor disse: “Muito bem, servo bom e fiel; você foi fiel no pouco, sobre o muito o colocarei; venha participar da alegria do seu senhor.”
22— E, aproximando-se também o que tinha recebido dois talentos, disse: “O senhor me confiou dois talentos; eis aqui outros dois que ganhei.” 23 Então o senhor disse: “Muito bem, servo bom e fiel; você foi fiel no pouco, sobre o muito o colocarei; venha participar da alegria do seu senhor.”
24— Chegando, por fim, o que tinha recebido um talento, disse: “Sabendo que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e ajunta onde não espalhou, 25 fiquei com medo e escondi o seu talento na terra; aqui está o que é seu.” 26 Mas o senhor respondeu: “Servo mau e preguiçoso! Você sabia que eu colho onde não plantei e ajunto onde não espalhei? 27 Então você devia ter entregado o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.” 28— “Portanto, tirem dele o talento e deem ao que tem dez.
29 Porque a todo o que tem, mais será dado, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30 Quanto ao servo inútil, lancem-no para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.”

INTRODUÇÃO

Infelizmente, antes de falarmos sobre o significado dessa parábola, precisamos falar sobre o que essa parábola NÃO ensina. Isso é necessário porque, principalmente nos últimos anos, esse texto tem sido demasiadamente usado fora do contexto para justificar algumas interpretações (e aplicações) pessoais.
Essa não é uma história que te ensina a como ser rico (onde o medroso não prospera, mas o proativo investe e fica com cada vez mais dinheiro). Jesus não está ensinando capitalismo ou mudança de “mindset” aos seus discípulos. Também não é uma história apenas sobre dons (e como esconder significa não servir na igreja).

CONTEXTO

Para entender a parábola é preciso olhar primeiramente para o contexto maior. No capítulo 24 de Mateus é dito que Jesus sai de Jerusalém, e seus discípulos se aproximam e perguntam:

3. Diga-nos quando essas coisas vão acontecer e que sinal haverá da sua vinda e do fim dos tempos.

Então Jesus começa um sermão escatológico. Escathon = fim dos tempos. Jesus começa a explicar como será o período até a Sua segunda vinda através várias parábolas nos capítulos 24 e 25.
Parábola da figueira = existirão sinais que apontam (mas não dão a data exata) que Jesus voltará.
Parábola do servo fiel e das 10 virgens = Jesus voltará quando menos se esperar
Parábola dos “talentos” = O que fazemos enquanto esperamos
Parábola dos bodes e ovelhas = o julgamento do que fizemos.
Não estamos lendo parábolas isoladas, estamos acompanhando como Jesus ilustra o fim de tudo e como o Reino de Deus pode ser comparado. Hoje vamos nos aprofundar nessa pergunta: o que fazemos enquanto esperamos a volta de Jesus?
Falamos que a Boa Parte é ficar sentado, aos pés do Mestre. É possível fazer isso, literalmente, 24 horas por dia?
Se não é possível, o que é possível então? Olhemos para os detalhes da parábola:

OS “TALENTOS”

o texto começa falando (v.14 e 15) que [o Reino de Deus] será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. 15 A um deu cinco talentos, a outro deu dois e a outro deu um, de acordo com a capacidade de cada um deles; e então partiu.
Apesar de hoje em dia a palavra TALENTO ser muito mais referenciada à dons e habilidades artísticas, o talento era uma unidade de medida de riquezas naquela época. 1 talento significava aproximadamente 36 quilos de ouro ou prata, [IMAGEM] ou 6.000 denários, que era a moeda de uma diária de trabalho. É muito difícil converter para nossas medidas atuais, mas seriam aproximadamente VINTE ANOS de trabalho. O texto fala que um servo recebe 100 anos de salário, o segundo recebe 40 anos, e o terceiro recebe 20 anos de salário. Era muito, mas muito dinheiro.
E essa informação aqui não é financeira, mas teológica: o reino de Deus é feito por um Senhor que é generoso em despejar riquezas aos seus servos. A primeira pergunta que lhe faço é: o que significa riqueza no reino dos céus? Será que significa a mesma coisa aqui na Terra (dinheiro, poder, consumo?)? Ou as riquezas são diferentes?
Efésios 1.3–14 fala sobre toda a sorte de benção espirituais que recebemos mediante Jesus Cristo.
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Antes da fundação do mundo, Deus nos escolheu, nele, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele. Em amor nos predestinou para ele, para sermos adotados como seus filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o propósito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado. Nele temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e entendimento. Ele nos revelou o mistério da sua vontade, segundo o seu propósito, que ele apresentou em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra. Em Cristo fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo. Nele também vocês, depois que ouviram a palavra da verdade, o evangelho da salvação, tendo nele também crido, receberam o selo do Espírito Santo da promessa. O Espírito é o penhor da nossa herança, até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.
Essa é a medida da riqueza que recebemos do reino de Deus, ainda aqui na Terra. Assim como os talentos da parábola, são bençãos que não cabem em uma vida!
Então observamos 3 personagens agindo de formas diferentes às riquezas desse senhor.

O QUE SIGNIFICA GANHAR TALENTOS

v.15 A um deu cinco talentos, a outro deu dois e a outro deu um, de acordo com a capacidade de cada um deles;
Existem duas informações importantes a serem extraídas desse versículo:
Todos os servos receberam ABUNDANTE riqueza para administrar
Cada servo recebeu uma ABUNDÂNCIA diferente, de acordo com sua capacidade.
Uma leitura desatenta pode entender que o terceiro empregado tenha recebido “apenas” um talento, que significaria pouca coisa, mas não! Acabamos de ver que o valor em suas mãos superior a uma vida inteira de trabalho!
Outra leitura equivocada que nós podemos, sem querer, achar que os dons e talentos são presentes dados para nosso uso, como se houvesse uma grande Mega Sena celestial em que a gente entrega a vida a Jesus e ocorre um sorteio: você ganhou o dom de tocar violão! ou você ganhou uma família! Ou ainda você ganhou um carro do ano!
Não! Deus não dá, Ele CONFIA a nós essas coisas. Vejam os versos 20 e 22: 20 Aproximando-se o que tinha recebido cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: “O senhor me confiou cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei.” [...] 22— E, aproximando-se também o que tinha recebido dois talentos, disse: “O senhor me confiou dois talentos; eis aqui outros dois que ganhei.”
Não é para nosso próprio usufruto, mas sim para servir ao nosso Senhor, e às pessoas ao nosso redor. Administrar meus bens, finanças, habilidades, tempo… São formas saudáveis de se fazer bom uso dos “talentos” que o Senhor confiou a nós.
1Pedro 4.10 (NAA)
10Sirvam uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como encarregados de administrar bem a multiforme graça de Deus.
Administrar aqui, é uma palavra que pode ser traduzida como MORDOMO. Ilustração do Alfred: mordomia?
Agora só é possível administrar bem quando conhecemos o dono de todas as coisas

SÓ NÃO USA SEUS TALENTOS QUEM NÃO CONHECE VERDADEIRAMENTE O SENHOR

24— Chegando, por fim, o que tinha recebido um talento, disse: “Sabendo que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e ajunta onde não espalhou, 25 fiquei com medo e escondi o seu talento na terra; aqui está o que é seu.” 26 Mas o senhor respondeu: “Servo mau e preguiçoso! Você sabia que eu colho onde não plantei e ajunto onde não espalhei? 27 Então você devia ter entregado o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.”
Eu ouvi por muitos anos a frase (quase terrorista) de que você “não pode esconder os talentos do seu Senhor”. Quase que uma coerção para você ‘servir’ à igreja. Mas a verdade é que o texto é mais profundo do que isso. É possível perceber que o erro do 3° empregado é, antes de tudo, não conhecer o seu Senhor, e por isso, agir com maldade e preguiça.
A história começa com um senhor confiando milhões ao seus servos. Há um sinal de generosidade muito marcante aqui. Além disso, a própria tradição judaica recomendava em “casos de um servo estar com os bens do seu senhor, enterrá-los para não ser roubado”. Então o servo se aproveita dessas coisas para sequer se esforçar em uma negociação desse dinheiro todo.
Ele não usa para si, mas também não usa para servir aos outros. E, ao se justificar, diz que o senhor é severo, colhe onde não planta. Em outras palavras, tá chamando o senhor de INJUSTO.
O texto está falando de alguém que teve a OPORTUNIDADE de fazer a coisa certa, e preferiu se omitir. É sobre essa omissão que o senhor o chama de MAU e PREGUIÇOSO.
Em 1963 (numa sexta-feira santa), Martin Luther King é preso por comandar manifestações pacíficas em prol dos direitos raciais, na cidade de Birmingham (EUA). 8 religiosos da cidade enviam uma carta a ele, sugerindo que suas ações são “insensatas e inoportunas”, motivadas por pessoas que estavam com “muita pressa para resolver os problemas sociais da região”.
Luther King na prisão escreve uma carta onde um dos seus pontos de crítica ficou famoso pela seguinte paráfrase:
“Nós nos arrependeremos, no tocante a essa geração, não apenas das palavras e ações odiáveis das pessoas más, como também do silêncio espantoso das pessoas boas.”
Em outras palavras: O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons. A omissão é um pecado igualmente danoso ao Reino de Deus.
Como afirmamos crer em um Deus justo se não temos fome e sede de justiça?
Como afirmamos crer em um Deus gracioso se não derramamos graça aos que estão perto de nós?
Como afirmamos crer em um Deus perdoador se não perdoamos quem nos ofendeu?
Como afirmamos crer em um Deus que habita em nosso coração se não abrimos a nossa casa sequer por uma hora para outras pessoas?
Só é possível não sermos essas coisas se não conhecemos de verdade o Deus a quem temos chamado de Senhor!
Talento é muito mais que habilidade ou “dom”. São as riquezas do reino de Deus que já estão compartilhadas para nós. E o servo mau, preguiçoso foi egoísta… Ninguém ao seu redor teve alguma transformação de vida, ninguém sequer soube que ele era servo desse Senhor. Como você é servo se não serve?

QUANDO DEVEMOS USAR OS TALENTOS? IMEDIATAMENTE!

16 O servo que tinha recebido cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. 17 Do mesmo modo, o que tinha recebido dois ganhou outros dois.
Os talentos não são meus, são do meu senhor. Por isso vou usá-los o quanto antes!
Vejam só: tão logo os outros servos recebem as riquezas, partem para negociá-las, para investi-las. Isso demandava MUITO esforço naquela época. Era necessário comprar terrenos, funcionários para lavrar a terra, para depois colher os resultados. Ambos sabiam que a volta do senhor era factual (independente de quando fosse), então trataram logo de “cuidar na vida”. E imagina esse dinheiro todo entrando na economia local? Quantas pessoas podem ter sido, direta ou indiretamente, abençoadas com essa boa administração dos recursos?
A Graça nos move, é um combustível para irmos compartilhar, multiplicar essas riquezas. E quando nos movemos somos chamados de servos bons e fieis! Somos chamados para, ao fim de todas as coisas, partilhar da alegria do Senhor!
Aqui a gente começa a responder melhor a pergunta chave dessa parábola: O QUE FAZEMOS ENQUANTO ESPERAMOS A VOLTA DE JESUS?
Pra sempre eu quero viver como sacrifício vivo
Pra sempre poder Te dar a minha longa juventude
Viver cada dia como se eu estivesse às vésperas da Tua volta (Banda Resgate)
Deus está te dando hoje essa infinidade de riquezas. Amanhã Ele voltará. O que você fará imediatamente?
Um Senhor que te entrega perdão, espera que seus servos bons e fieis multipliquem perdão;
Um Senhor que te entrega misericórdia espera que você tenha misericórdia de outras pessoas
Um Senhor que te entrega justiça espera que você tenha fome e sede dela;
Um Senhor que te entrega comunhão espera que você multiplique isso
Um Senhor que se entrega por você espera que você se entregue pelas outras pessoas.
Um Senhor que te entrega dons e talentos espera que você sirva aos outros com esses dons e talentos. Mas você precisa fazer isso imediatamente.

CONCLUSÃO: O QUE POSSO FAZER IMEDIATAMENTE?

Serviço é muito mais do que vestir um colete, que estar ocupado com atividades de uma igreja (e não estou dizendo que servir é ruim; mas não é um fim em si mesmo). Sabe o que dá para fazer imediatamente? O próprio texto sugere uma dica:
25:34-40
— Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: “Venham, benditos de meu Pai! Venham herdar o Reino que está preparado para vocês desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; eu era forasteiro, e vocês me hospedaram; eu estava nu, e vocês me vestiram; enfermo, e me visitaram; preso, e foram me ver.” — Então os justos perguntarão: “Quando foi que vimos o senhor com fome e lhe demos de comer? Ou com sede e lhe demos de beber? E quando foi que vimos o senhor como forasteiro e o hospedamos? Ou nu e o vestimos? E quando foi que vimos o senhor enfermo ou preso e fomos visitá-lo?” — O Rei, respondendo, lhes dirá: “Em verdade lhes digo que, sempre que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, foi a mim que o fizeram.”
FOME E SEDE: 6% tem “insegurança alimentar grave” que é quando a comida acaba antes que se tenha dinheiro para comprar novamente.
FORASTEIRO: 261 pessoas são registradas como moradores de ru
ENFERMO: 1.213 leitos hospitalares (com uma boa margem de certeza que a grande maioria está ocupado)
PRESO: 480 vagas prisionais aqui (e temos mais de 1.500 detentos) na cidade
Enquanto igreja, estamos aqui para juntos servirmos à comunidade, às pessoas ao nosso redor. A Boa Parte de Servir está em multiplicar os talentos do nosso Senhor, sermos servos bons e fieis. E queríamos agora relembrá-los de um dos maiores tesouros que Deus nos entregou: o seu próprio Filho. Faremos a Ceia.
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