O Rei que Atrai e Escolhe (Marcos 3.7-19)
O Rei que se tornou servo: sermões no Evangelho de Marcos • Sermon • Submitted • Presented
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Título: O Rei que Atrai e Escolhe (Marcos 3.7-19)
Introdução
Introdução
Nos últimos capítulos de Marcos, temos visto quem Jesus é e como seu Reino se manifesta. Ele perdoou pecados, comeu com pecadores e celebrou com seus discípulos, mostrando que o Reino de Deus é fundado na graça. Sua divindade brilhou — perdoando como Deus, sendo o noivo prometido — e, como Filho do Homem, Senhor do sábado, Ele provou sua autoridade sobre a criação. As tensões cresceram, mas sua missão avançou. Hoje, em Marcos 3.7-19, vemos Jesus atraindo multidões de longe com sua fama e poder, curando e libertando, enquanto escolhe os doze para estarem com Ele e levarem seu Reino adiante. Vamos explorar como o Rei atrai pela sua glória e escolhe com propósito, formando uma comunidade para sua missão.
Exposição
Exposição
1. A fama de Jesus (versículos 7-8)
1. A fama de Jesus (versículos 7-8)
Após a série de confrontações com os líderes religiosos (Mc 2.1-3.6), poderia parecer que o Senhor buscava algum isolamento. No entanto, Marcos nos surpreende ao destacar a fama de Jesus. O cenário que ele revela é de um Salvador conhecido em muitas regiões: Idumeia, ao sul da Judeia; Pereia, a leste do rio Jordão; e Tiro e Sidom, cidades gentias ao noroeste. A notícia do que Ele fazia se espalhava além das fronteiras de Israel, como vemos também em Mateus 4.25, atraindo pessoas de lugares distantes, judeus e gentios. Como está escrito em Isaías 49.6, Ele seria 'luz para os gentios' — e aqui vemos que o alcance do Reino de Deus, manifestado em Jesus, não se limita a um povo ou lugar, mas já começa a se expandir. Embora o texto inicialmente fale dos judeus nessas regiões, isso aponta para a expansão do Reino além das fronteiras esperadas.
2. As operações miraculosas (versículos 9-12)
2. As operações miraculosas (versículos 9-12)
Decorrente desse conhecimento, uma grande multidão o segue, vinda de diversos lugares. Tamanha era a multidão — ambivalente, pois era ao mesmo tempo oportunidade e impedimento — que Jesus faz uma recomendação aos seus discípulos de ter sempre um barquinho à disposição, para não ser comprimido. Subentende-se que do barco tinha-se um local apropriado para pregar às multidões. Marcos destaca que Jesus curava a muitos — e isso remete à diversidade de tipos de enfermidades que ele curava. Isso tornava a fama de Jesus mais intensa, visto que gerava esperança em pessoas com qualquer tipo de situação. Qualquer profeta com fama de realizar milagres atraía grandes multidões na Palestina judaica, e Jesus parece ter atraído um público maior que a maioria deles. Desde a época de Elias e Eliseu, ao que tudo indica, não tinham sido registrados tantos milagres como os de Jesus, cumprindo Isaías 35.5-6: 'Os coxos saltarão, e a língua dos mudos cantará.' Aqui também entendemos um detalhe do que leva Jesus a recomendar um barco: a multidão que o segue quer tocá-lo.
Tocar Jesus, ao que tudo indica, não era algo raro. Não esteve restrito à conhecida mulher do fluxo de sangue, como vemos em Lucas 8.43-44. Parece que Marcos quer deixar claro a intensidade do ministério de Jesus, em que pessoas o seguem, querem tocá-lo, são curadas, e até os espíritos imundos, ao vê-lo, se prostram e anunciam que Ele é o Filho de Deus. Interessante notar que até aqui, neste evangelho, esse título só é apresentado pelo próprio evangelista ao abrir o seu livro, pelo Pai no batismo, e pelos demônios. É algo que vem se desvelando. É algo que nos estranha estar mais na boca dos demônios do que na boca dos discípulos — afinal, como diz Tiago 2.19, 'os demônios creem e estremecem.' É algo que Jesus intenta que seja bem compreendido entre aqueles que o seguem, tanto que Ele os silencia, mostrando seu controle sobre como e quando sua identidade será plenamente revelada.
3. O comissionamento dos apóstolos (versículos 13-19)
3. O comissionamento dos apóstolos (versículos 13-19)
Depois de atrair as multidões, Jesus sobe ao monte — um lugar que, na Escritura, frequentemente simboliza a presença de Deus e decisões soberanas, como em Êxodo 19.3-6. Ali, Ele chama os que Ele quis, destacando sua autoridade soberana na escolha. Como Ele mesmo diz em João 15.16: 'Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi.’ Não são as multidões que determinam quem estará mais próximo, mas Jesus quem decide. Ele nomeia doze [ou no grego ele fez doze], um número que ecoa as doze tribos de Israel, sinalizando que está formando um novo povo de Deus. Marcos nos diz que eles foram chamados para dois propósitos: primeiro, para estarem com Ele, ou seja, para viverem em comunhão íntima com o Rei; segundo, para serem enviados como apóstolos a pregar e ter autoridade sobre os demônios — uma extensão do próprio poder de Jesus. A lista dos nomes, com destaque para Simão, a quem Ele chama Pedro, e até Judas Iscariotes, que o trairia, mostra que Jesus escolhe com propósito, mesmo sabendo das fraquezas e falhas humanas. Esse comissionamento é o início da comunidade que levará adiante a missão do Reino, sob a direção do Rei que atrai e escolhe.
Aplicações
Aplicações
1. Precisamos aprender a ouvir e a tocar em Jesus.
1. Precisamos aprender a ouvir e a tocar em Jesus.
Assim como as multidões buscavam tocar Jesus e eram movidas por sua fama, nós também somos atraídos por Ele. Mas tocar em Jesus vai além do desespero por milagres; é ouvir sua voz com atenção e fé. Como Ele diz em Mateus 11.28–29 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.”. (ver também Sl 46.10). Ouvir é um exercício difícil — exige que nos doemos sem esperar ganho imediato, que valorizemos o outro e, acima de tudo, que estejamos com Jesus para além do que Ele pode nos dar. Se a fé nos leva a buscá-lo, não desistamos quando o que resta é escutar sua doce voz, pois é na comunhão com Ele que encontramos descanso verdadeiro.
2. Nem todos que dizem que Jesus é o Filho de Deus o amam.
2. Nem todos que dizem que Jesus é o Filho de Deus o amam.
Os demônios reconheciam Jesus como Filho de Deus, mas não o seguiam por amor — sua confissão era forçada, não voluntária (Tg 2.19). Hoje, muitos podem falar de Jesus, citar sua identidade, mas o Rei que atrai multidões também escolhe para que o sirvam com o coração. Nossa fé não está apenas no que dizemos, mas em como vivemos em resposta ao seu chamado. Como Jesus alerta em Mateus 7.21: ‘Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus.’ (ver ainda 1Jo 3.18).
3. Jesus tem um zelo com sua identidade.
3. Jesus tem um zelo com sua identidade.
Jesus silenciava os demônios e escolhia cuidadosamente os apóstolos para revelar quem Ele é (Jo 17.6). Ele não deixa que sua identidade seja distorcida ou proclamada fora de seu propósito. Como igreja, somos chamados a honrar esse zelo, proclamando o Rei em verdade e vivendo como aqueles que Ele escolheu para estar com Ele e cumprir sua missão (2Tm 2.15).
SDG
