A Cegueira Espiritual dos Fariseus

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Uma parte do texto registra um encontro entre Jesus e os líderes de Israel, a elite religiosa. A outra parte registra o encontro entre Jesus e os discípulos. O texto ilustra dois tipos de cegueira espiritual: A permanente e a temporária.
A cegueira espiritual é uma condição humana universal. Todo ser humano nascido neste mundo, desde a queda, nasceu espiritualmente cego. E essa cegueira é profunda e completa. Esse é o diagnóstico bíblico da condição humana.
A cegueira era uma condição também de Israel, o povo que tinha a Escritura do Antigo Testamento, a Lei, os profetas, as ordenanças, as alianças e a revelação completa de Deus.
Deus falou com Israel de muitas maneiras no Antigo Testamento, mas a religião se tornou apóstata, contrariando toda a revelação de Deus através das Escrituras.
O judaísmo apóstata era tão cego que, mesmo estando diante da luz verdadeira e olhando para ela, não conseguiu entender e enxergar. No julgamento de Jesus, a multidão religiosa cega bradou contra a luz: “Fora! Fora! Crucifica-o! Não temos rei, senão César!” (João 19:15).
A cegueira é uma questão universal, que atinge judeus e gentios. “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça” (Romanos 1:18). Os homens “se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, e o coração insensato deles se obscureceu” (Romanos 1:21).
E aqui Paulo está se referindo a todos os homens, de forma indistinta. E diz:
Porque os atributos invisíveis de Deus, isto é, o seu eterno poder e a sua divindade, claramente se reconhecem, desde a criação do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que Deus fez. Por isso, os seres humanos são indesculpáveis (Romanos 1:20).
O mundo inteiro tem a luz à disposição. No entanto,  não conseguem enxergar, mesmo diante das evidencias  “ainda que conhecessem a Deus” – versículo 21 – “não o honraram como Deus nem deram graças; eles ficaram vazios em suas especulações, e seu coração insensato foi escurecido”.
Corações duros, mentes ignorantes e entendimento obscurecido – é assim que todos os seres humanos são definidos na Escritura. Provérbios 4:19 diz: “O caminho dos ímpios é como a escuridão; nem sabem eles em que tropeçam” (Provérbios 4:19).
Trata-se de uma cegueira espiritual profunda. O Salmo 82:5 diz que os ímpios “nada sabem, nem entendem; vagueiam em trevas”.
As duas primeiras dimensões da cegueira espiritual
O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras. Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus (João 3:19-21)
O primeiro grau de cegueira vem da própria natureza pecadora, porém o segundo grau da cegueira vem do amor que os cegos espirituais têm pelos seus pecados, isso torna a cegueira ainda mais profunda.
A terceira dimensão da cegueira espiritual
Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus (2 Coríntios 4:3,4).
Os ímpios são cegos pela natureza pecadora e amor pelo pecado, e são triplamente cegos por Satanás “para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo”.
Não estamos falando de uma cegueira superficial, mas de uma cegueira profunda. Cego pela natureza, cego pelo pecado e pelo amor a ele, cego por Satanás e seu poder sobre a alma.
Quarta dimensão da cegueira espiritual
Quando Jesus ia chegando a Jerusalém, vendo a cidade, chorou e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos (Lucas 19:41,42).
Esse é o mais triste de todos os aspectos da cegueira espiritual, quando a cegueira não pode ser remediada, quando ela consegue ocultar a luz.
A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles (João: 12: 35-36).
Jesus advertiu Israel e, em seguida, vem uma declaração assustadora: “Estas coisas disse Jesus e…” qual é a palavra seguinte? “… partiu e escondeu-se deles”.
Não era apenas uma nuvem encobrindo o sol, o sol se foi.  “Eu retiro-me, e buscar-me-eis, e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, não podeis vós vir” (João 8:21) Então, um veredicto sobre Israel. Seu Messias havia chegado. O Messias tinha ido. E com exceção de algumas almas fiéis, Israel não creu. Eles viram todas as evidências e decidiram que Cristo deveria ser morto. Para eles, Jesus não poderia ser o Messias.
E restou a eles apenas o peso do julgamento, a realidade do castigo eterno, a condenação às trevas eternas. Esta é a cegueira profunda, a cegueira da natureza humana, a cegueira do pecado, a cegueira de Satanás, a cegueira do julgamento e a cegueira do castigo eterno.
Esta é a condição de toda a humanidade:
Há aqueles que estão permanentemente cegos. É uma cegueira eterna, permanente.
Há aqueles que estão temporariamente cegos. É a cegueira é apenas temporária.
E você está em um desses dois grupos.
Vamos voltar ao texto de Marcos e olhar para ele:
            JESUS  condena a incredulidade que ignora a evidência disponível e exige sinais adicionais como se isso fosse marca de piedade (8.11–13).
O primeiro grupo (fariseus e saduceus) é deixado na escuridão. O segundo grupo (discípulos de Jesus) é conduzido à Luz. Os fariseus ficaram na escuridão permanente, os discípulos eram cegos temporários. Ao longo de suas vidas, a luz do Senhor na vida dos discípulos foi cada vez mais brilhante.
A cegueira Permanente
Jesus estava face a face com aqueles que o odiavam. Eles amavam seus pecados, a hipocrisia e sua justiça própria. Eles eram naturalmente cegos, pecaminosamente cegos e satanicamente cegos, e assim julgados como cegos e estarão eternamente nas trevas.
Vimos nos sermões anteriores que a partir de Marcos 7:24 Jesus deixou a Galileia e fez uma viagem por terras gentias. Na volta ele passou por Decápolis, região formada por dez cidades gentias. Nessa viagem ele mostrou a seus discípulos que o Evangelho era para judeus e gentios.
No último sermão, em Marcos 8: 1 a 10, vimos a segunda multiplicação de pães e peixes, que, ao contrário da primeira multiplicação na Galileia (Marcos 6:30-44), agora havia uma multidão de gentios (na região de Decápolis).
Após esse milagre, Jesus, “juntamente com seus discípulos, partiu para as regiões de Dalmanuta” (Marcos 8:10). É uma região perto de Cafarnaum, que Mateus chamou de Magadã (Mateus 15:39).
Então, agora, a partir de Marcos 8:11 Jesus está de volta ao território judeu. E assim que Ele chega, “os fariseus, puseram-se a discutir com ele; e, tentando-o, pediram-lhe um sinal do céu” (Marcos 8:11). Mateus 16:1 registra que os saduceus também estavam ali.
E assim que Jesus chega, os líderes religiosos já estavam prontos para novos ataques. Eles o odiavam porque odiavam a luz e a mensagem de arrependimento, fé e graça. Eles criam na sua autojustiça e que eram merecedores do favor divino em função de seus ritos religiosos. Nada diferente do que temos hoje em nossa sociedade. Só muda a capa.
Características que marcam os espiritualmente cegos
As pessoas que são espiritualmente cegas se sentem à vontade apenas com outras que também são espiritualmente cegas, mesmo que sejam inimigas.
É incrível como universalmente os cegos espirituais odeiam a Luz. Ou seja, pessoas de todas as falsas religiões, embora sejam antagônicas umas às outras em suas religiões, concordam em odiar a verdade.
Os fariseus e saduceus se odiavam, mas se unem em ódio contra a Luz. Isso é característico das trevas, elas se unem contra a luz. Os fariseus eram legalistas e os saduceus liberais, mas se unem no ódio contra Jesus.
Marcos 8:11 diz que eles se aproximaram de Jesus para “discutir” com ele. A palavra grega traduzida como “discutir” tem o sentido de “argumentar”. Era uma disputa para desacreditar Jesus diante do povo. Eles pediram a Jesus um sinal do céu.
Eles tinham uma crença que só Deus poderia fazer milagres celestiais e os demônios só poderiam fazer milagres terrenos. Então eles pedem um sinal celestial.
Eles fizeram isso para tentar JesusEles realmente queriam desacreditá-Lo.
Se Jesus dissesse: “Eu não vou fazer isso”, eles poderiam desacreditá-lo e dizer que seus sinais terrenos eram pelo poder de Satanás.
E eles estavam certo de que se Jesus dissesse que faria o sinal, ele falharia e seria igualmente desacreditado.
Eles realmente precisavam de outro sinal? Um líder fariseu, Nicodemos, havia dito: “sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (João 3:2).
Eles não precisavam de mais sinais, já tinham visto o bastante. 
Jesus já havia operado muitos sinais e maravilhas, das quais não havia explicação humana, mas os cegos espirituais gostam da companhia de outros cegos, e assim as trevas se ampliam, impedindo que possam ver a luz. Não há evidências que satisfaça o homem em profunda e permanente cegueira espiritual.
Os fariseus e saduceus não eram diferentes de Faraó, que diante dos sinais operados por Moisés, seu coração se endurecia. Quanto mais luz brilha sobre as densas trevas do homem em cegueira profunda, mais grave a escuridão se torna.
§  Voltaire, o ateu francês, disse: “Mesmo que um milagre fosse feito no mercado aberto, diante de mil testemunhas sóbrias, eu preferiria desconfiar de meus sentidos do que admitir um milagre”.
A incredulidade sempre encontrará uma maneira de rejeitar a verdade e se afundar ainda mais na escuridão.
§  Woody Allen disse: “Se Deus me desse um sinal claro, eu acreditaria. Como fazer um grande depósito em meu nome em um banco suíço”.
A cegueira que nunca enxergará é aquela que olha apenas para a escuridão em busca de sua comunhão e mergulha mais fundo nessa escuridão quando a Luz aparece.
Na cruz os homens pediram um sinal. (Mateus 27:39-44)
Marcos 8:12 diz que “Jesus, porém, arrancou do íntimo do seu espírito um gemido e disse: Por que pede esta geração um sinal?”.
O texto grego traduzido como “arrancou do íntimo do seu espírito um gemido” é uma expressão de luto. Sua dor foi profunda por causa da incredulidade obstinada. Ele lamentou a ignorância deliberada de seus rejeitadores.
E Jesus disse: “Em verdade vos digo que a esta geração não se lhe dará sinal algum”. O teto grego se refere a uma afirmação imutável, algo que jamais seria dado a eles.
Em Marcos 8:13 registra como Jesus encerra aquela conversa: “E, deixando-os, tornou a embarcar e foi para o outro lado”. Jesus os abandonou, e esse foi o último encontro de Jesus com eles na Galileia. Isso é trágico.
O mundo inteiro está cheio de pessoas assim, que vivem na escuridão. Podem pensar que são espirituais e misticamente conscientes do reino espiritual, mas a verdade é que estão em total escuridão. E elas são destinadas às trevas ainda mais profundas, permanentes e eternas.
 
A transgressão e a incredulidade dos fariseus trouxeram grande tristeza a Jesus. Os piedosos sofrem com o pecado daqueles que estão ao seu redor. O rei Davi disse: Vi os infiéis e senti desgosto, porque não guardam a tua palavra (Sl 119.158). Assim agiram os piedosos no tempo do profeta Ezequiel: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal a testa dos homens que suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela (Ez 9.4). Esse foi o sentimento de Ló: Porque este justo, pelo que via e ouvia quando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles (2Pe 2.8). Assim também era a mente de Paulo: Tenho grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne (Rm 9.2,3). John Charles Ryle diz que não devemos esquecer que a incredulidade e o pecado são a causa da tristeza de Jesus agora como o foi naquele tempo. Os pecados que ainda ferem Jesus são os mesmos que são cometidos todos os dias sem nenhuma reflexão.
 
 
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