NÃO TE ENVERGONHES

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2 Timóteo 1.6-14
INTRODUÇÃO
Você se envergonha de ser cristão e de pregar o evangelho?
Muitas vezes eu me senti envergonhado de pregar a palavra ou até mesmo por ser cristão.
Exemplos: questão de sexualidade na escola; questão de sexualidade na faculdade.
Nós nos sentimos envergonhados, porque muitas vezes queremos nos sentir aceitos em ambientes e grupos que não deveriam ser “nossos"! Nós somos crentes e nossa convivência deve ser “santa” (separada - como aprendemos ontem à noite). Isso não quer dizer que não teremos amigos não crentes, mas que nós iremos influenciá-los, ao invés deles nos influenciarem - a ponto de nos envergonharmos do evangelho que nos foi dado.
Hoje consigo entender que esses momentos foram dados por Deus para mim, na circunstâncias que eu estava, para que eu pudesse proclamar, mas, por conta de uma timidez ou de uma vergonha pessoal, deixei de proclamar a verdade da transformação que Cristo fez em minha vida e pode fazer em qualquer um.
Da mesma forma que nós temos tido vergonha ou omitido o fato de sermos cristãos, Timóteo, pelo que vemos nos relatos bíblicos estava em situação parecida.
2. CONTEXTUALIZAÇÃO
Timóteo era o “filho amado” do apóstolo, pessoa notável, filho de um pai grego com uma mãe piedosa judia, foi ensinado desde cedo nas Escrituras, Timóteo deve ter se convertido na primeira viagem missionária de Paulo.
Timóteo tinha um caráter afetuoso - mescla de afeto, fidelidade e timidez. O próprio Paulo admirava os traços de personalidade do jovem.
Timóteo foi chamado novo ao ministério, apesar de ser reservado e tímido, além de suas frequentes enfermidades, estava disposto a deixar tudo pelo evangelho e ser um servo fiel de Cristo até o fim da jornada.
Timóteo foi ordenado para a tarefa da missão do evangelho e na imposição de mãos (Atos 14.23). Timóteo se torna companheiro de Paulo na missão, acompanhando em algumas viagens missionárias.
Em uma viagem de Paulo à Macedônia, o apóstolo envia o jovem tímido Timóteo para admoestar e conduzir os irmãos da Igreja em Éfeso.
Timóteo tinha uma inabalável lealdade à causa do evangelho, mas ainda assim, precisava de um pouco de estímulo na obra, por isso Paulo resolve enviar-lhe esta carta. Timóteo era um cooperador e fazia coisas que exigiam um rompimento com a sua timidez.
O propósito desta segunda carta é solicitar uma visita à Roma, pois Paulo estava prestes a morre e admoestá-lo para persistir na sã doutrina, defendendo-a contra todo e qualquer erro, além de suportar as dificuldades como um bom soldado.
Assim como na primeira carta, na segunda, Paulo demonstra preocupação em relação à preservação da exposição da sã doutrina. Tida como a última carta de Paulo. Mesmo que muitos tivessem abandonado Paulo, ele continua firme, não se envergonhava do evangelho e cria que Cristo estaria com ele.
Nessa perícope que lemos, Paulo está encorajando Timóteo a continuar no ministério da palavra, compartilhando dos sofrimentos, não se envergonhando, mas mantendo-se no padrão das Escrituras. Paulo chama Timóteo, como um amigo mesmo, a servir a Deus com fidelidade.
A admoestação de Paulo para que “reavives o dom de Deus que há em ti” é interpretado como se Timóteo estivesse com menor vigor, menos anseio e até mesmo desanimado. Paulo deve ter percebido que a inexperiência e a timidez de Timóteo estavam impedindo o jovem "pastor” de pregar com ousadia e utilizar o dom dado pelo Espírito Santo a ele.
Apesar de saber que grandes responsabilidades estavam sendo despejadas em Timóteo, Paulo admoesta e reforça Timóteo a fim de que ele exerça seu ministério deixando de lado a timidez, os sofrimentos e qualquer outra coisa que lhe tirem a determinação.
Para tanto, o apóstolo lhe traça quatro atitudes que um cristão deve ter para influenciar sua geração e proclamar fielmente o nome de Cristo.
3. DESENVOLVIMENTO
Então, quero trazer como proposição/verdade teológica AS ATITUDES DE UM CRISTÃO PARA INFLUENCIAR A SUA GERAÇÃO:
I. Desenvolver os dons (6)
Paulo admoesta a Timóteo reavivar o dom (χάρισμα) que lhe foi concedido pelo próprio Deus.
Os dons são dados exclusivamente por Deus, porém isso não quer dizer que um dom será dado completo à uma pessoa - Deus não dá nada incompleto. Mas os dons precisam ser desenvolvidos e usados. Basta nos lembrarmos da conhecidíssima “parábola dos talentos”.
O apóstolo compara o dom ao fogo. Neste sentido, pede para Timóteo reacender (ἀναζωπυρεῖν) a chama do dom, despertando-se espiritualmente a desenvolver e a utilizar o dom que lhe foi dado.
Ora, Timóteo tinha de manter a chama do dom acessa a fim de desenvolver os dons e utilizá-los para a glória de Deus.
Há uma clara referência à 1Timóteo 4.14, onde o dom foi outorgado ao jovem, pela imposição de mãos dos presbíteros. Timóteo era comissionado ao ofício da missão.
Para continuar exercendo o ministério, Timóteo deveria manter a chama do dom acesa, pois Paulo sabia que as responsabilidades e o peso do ministério eram grandes, então só com a “chama acesa” Timóteo sobreviveria. E assim ocorre conosco, se nós não desenvolvermos nossos dons, seremos tragados pelo mundo à nossa volta. Era necessário que Timóteo desenvolvesse o dom e mantivesse a chama plena e é necessário que nós desenvolvamos o nosso dom e mantenhamos essa chama acesa.
Somos chamados a desenvolver nossos dons em Cristo, através do Espírito Santo, para a glória de Deus.
Ora, a partir do momento em que recebemos a Cristo como Senhor de nossas vidas, somos dotados com dons. O apóstolo Paulo deixa claro que toda a comunidade cristão é dotada de dons (Efésios 4.7-16) que o próprio Deus capacita e derrama indistintamente a todos os crentes a fim de que a Igreja cresça.
Muitas vezes temos o dom dado por Deus, mas deixamos de desenvolver, ou seja, deixamos a “chama diminuir". A chama de nossos dons vão se apagando, pois não desenvolvemos.
Somos advertidos a desenvolver os dons, mantendo a "chama acesa".
O Espírito Santo precisa nos avivar, afim de que vivamos e ajamos no desenvolvimento natural dos dons.
"Dons espirituais são poderes práticos para demonstrar Cristo” (Packer, 1991, p. 80).
Somos dotados de dons, dados pelo próprio Deus e precisamos desenvolvê-los. E o desenvolvimento dos dons não é um toque de mágica, mas um desenvolvimento constante da piedade e das disciplinas cristãs.
Desenvolvemos os dons orando, jejuando, lendo as Escrituras, meditando nas Escrituras, amando, perdoando, etc.
Desenvolver os dons é uma das atitudes que devemos ter quando somos chamados por Deus. Não há como sermos cristãos e não desenvolvermos os nossos dons. Seremos como aquele “servo mau, negligente e inútil” que não multiplicou os talentos que ganhou de seu senhor.
O desenvolvimento dos dons está atrelado ao natural desenvolver da vida cristã. Ambos andam juntos. Conforme vivo minha vida cristã em piedade, meus dons vão se desenvolvendo.
Então, se você não está desenvolvendo os dons e está com a “chama se apagando” ou “apagada", deve retornar para a vida devocional e à prática da piedade cristã, a fim de crescer e desenvolver os dons.
A primeira atitude de um cristão para influenciar a sua geração é desenvolver os dons.
II. Ser ousado (7)
Paulo reforça que Timóteo recebeu o dom de Deus e que não era um espírito de covardia, mas sim de poder, amor e moderação.
Timóteo e os demais membros da Igreja deveriam ser encorajados a não se acovardarem diante das dificuldades do serviço no evangelho e diante dos falsos mestres que tentavam ludibriar o povo.
Essa passagem é similar ao que Paulo instrui os irmãos em Romanos 8.15 “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.” .
Paulo está evidenciando que Timóteo havia recebido o dom do próprio Deus, deveria desenvolver, mas que o dom dado por Deus vinha acompanhado de um espírito de ousadia, contrário a covardia. Timóteo não deveria cair no “vitimismo” ou no “coitadismo", mas deveria ser ousado a ponto de continuar exercendo o ministério com poder, amor e moderação.
Deus não chama seus ministros e não os dota de dons para viverem com moleza, mas que avancem com todo o vigor que o próprio Espírito Santo nos impulsiona - por isso era necessário manter a “chama acesa”.
Timóteo poderia ser jovem, com enfermidades, tímido e fraco, mas Deus o moldou e fez forte a fim de que não reinasse nele a covardia, mas a ousadia, para exercer o chamado com poder, amor e moderação.
Coloque-se como Timóteo… você pode ser novo, enfermo, fraco ou tímido, ou então ter todas esses “defeitos” como Timóteo tinha, mas ainda sim, quem governa sua vida não deve ser o espírito de covardia, mas o espírito de ousadia, dado pelo próprio Deus. O Deus que dotou você com dons não quer que você exerça seu chamado de cristão como covarde.
Nós não somos chamados para exercer o ministério covardemente, mas para sermos ousados com poder, amor e moderação.
Não somos nós quem nos capacitamos, mas é o próprio Deus que nos traz a excelência, pelo Santo Espírito.
Vamos tratar rapidamente desses três atributos:
a) PODER: espírito de Cristo que fortalece para o serviço. A força para quem quer servir ao Senhor. Não são as forças naturais, mas a capacitação do próprio Espírito Santo que fazem uma pessoa fraca, tímida e enferma a se tornar ousada e forte. O poder vindo de Deus nos equipa e revelam força tamanha que suporta as maiores dificuldades. Somente a força vindo de Deus pode nos fazer suportar e sustentar. É um poder e uma autoridade moral vindos de Deus;
b) AMOR: o cristão que está impelido pelo Espírito Santo, demonstra serviço amoroso e de abnegação. Servir aos irmãos com amor. Não um amor meloso, mas o amor verdadeiro. Poder isolado endurece a pessoa e o amor isolado amolece, se Timóteo juntasse os dois, estaria servindo de forma dinamica e viva;
c) MODERAÇÃO: autodisciplina requerida a todo cristão. Autocontrole que é fruto do Espírito. Timóteo deveria ser sujeito ao Espírito Santo com sensatez. Deus se torna o guia.
Mesmo que sejamos fracos, novos ou tímidos, Deus não nos concede espírito de covardia, mas de ousadia, para exercermos o nosso chamado e nossos dons com poder, amor e moderação.
A segunda atitude de um cristão para influenciar a sua geração é ser ousado.
III. Não se envergonhar (8-12)
Paulo admoesta Timóteo a não se envergonhar, pois muitas lutas e embates viriam para tentar trazer vergonha e dor. Mas era necessário que não se envergonhasse, mas tivesse orgulho e amor pelo evangelho que proclamava.
Paulo estava encarcerado pelo evangelho e isso não era vergonha, mas orgulho. Timóteo deveria sentir esse orgulho, mantendo-se firme e proclamando o evangelho.
Timóteo não era forte ou corajoso o suficiente para não se envergonhar, mas o Espírito Santo o capacitaria para não se acovardar nem se envergonhar.
Muitos haviam abandonado o evangelho e a pregação por se envergonharem da prisão do “líder” Paulo, mas Timóteo tinha permanecido e deveria continuar.
Aqueles que não se envergonham do evangelho não serão frustrados, ainda que sejam apontados, hostilizados e até mesmo presos. Porqueo poder do evangelho de Cristo supera todas as prisões humanas.
O testemunho de Cristo, o salvador do mundo, tiraria a vergonha de Timóteo e dos crentes e faria com que eles triunfassem, ainda que passando por sofrimentos.
Os sofrimentos chegariam a Timóteo, mas ele não deveria se envergonhar, pois o testemunho de Cristo estaria sendo levado.
Timóteo e nós somos chamados a sofrer e não nos envergonharmos do evangelho de Cristo, porque foi Ele mesmo quem nos chamou e nos chamou.
Foram as obras perfeitas de Cristo que nos chamaram para que o evangelho fosse pregado por nós em nossa geração, então não podemos nos envergonhar.
Somos chamados a ser separados para Deus. Não pertencemos ao mundo pecaminoso que vivemos, mas somos co-herdeiros com Cristo.
Não é porque somos chamados e capacitados por Deus que estamos livres dos sofrimentos, mas os sofrimentos são como alegria para nós, pois glorificam a Deus. E a dores não nos devem fazer envergonhar do evangelho.
Pregar a palavra e ser crente hoje em dia, como nos tempos de Timóteo é considerado loucura ou talvez perda de tempo. Pois o cristão verdadeiro não está atrás de riquezas, de prazeres terrenos ou de autossatisfação, mas vivemos uma vida de abnegação buscando glorificar a Deus. E essa vida, para muitos, pode ser uma “vergonha".
Não se sinta frustrado ou envergonhado porque você não vai pra balada, porque você não fica bêbado, porque você não beija todo mundo ou porque você não tem uma vida sexual ativa antes do casamento. Se sinta orgulhoso de pertencer ao Reino de Amor. Sinta-se orgulhoso, pois Jesus nos salvou e nos chamou para uma missão muito maior que qualquer prazer ou sofrimento.
As tentações para nos envergonharmos e até mesmo para envergonharmos o evangelho que pregamos são muitas e todas essas tentações são muito boas aos olhos carnais. Porém somos chamados com uma santa vocação de viver e guardar a graça que nos foi dada até o fim.
O evangelho nunca foi popular, pois ele humilha o pecador e nenhum pecador quer ser humilhado. Então, o evangelho não será agradável, mas precisamos guardar fielmente esse evangelho, pregar esse evangelho e sofrer de forma corajosa por esse evangelho, para a glória de Deus - guardar, proclamar e sofrer pelo evangelho.
A terceira atitude de um cristão para influenciar a sua geração é não se envergonhar.
IV. Manter o padrão (13-14)
Paulo admoestou que Timóteo vivesse uma vida embasada na verdadeira doutrina - imitando a Paulo que imitava Jesus. Ou seja, o padrão de Timóteo deveria estar centrado em Cristo.
Timóteo deveria guardar a doutrina com sua vida, não como os fariseus e escribas que conheciam a Lei mas não obedeciam. Timóteo deveria viver a doutrina.
A vida de Timóteo deveria expressar o evangelho de Cristo de forma visível.
Ainda, Timóteo é chamado a guardar o bom depósito, ou seja, guardar consigo o que Deus, pelo Espírito Santo, havia lhe concedido. A palavra e a salvação são coisas excelentes demais e Timóteo precisava estar atento à elas.
Como muitos conheciam as Escrituras, mas queriam viver em rudimentos da Lei ou queriam viver na libertinagem (como em Corinto), Paulo chama Timóteo a viver integralmente a sã doutrina, guardando as coisas excelentes recebidas pelo Espírito Santo. Expressar o evangelho de Cristo com a sua vida.
A sã doutrina consistem na fé e no amor que estão em Cristo, por isso, Timóteo deveria experimentar e expressar com sua vida.
Como nós somos chamados a manter o padrão de Cristo. Cristo é o nosso exemplo máximo. Cristo é o nosso padrão.
Assim, o ensino de Paulo deve ser uma regra ou diretriz para Timóteo, da qual este não deve se afastar. Pelo contrário, deve obedecer a essa regra, ou melhor, deve apegar-se a ele com firmeza (eche). E assim deve proceder “na fé e no amor que há em Cristo Jesus”. Isto é, Paulo não está tão preocupado com o que Timóteo deve fazer, mas sim como o modo como ele o fará. As convicções doutrinárias de Timóteo e a instrução recebida de outros, assim como as que reteve firmemente dos ensinos de Paulo, devem ser manifestas com fé e amor. Timóteo deve procurar estas qualidades em Cristo: uma crença sincera e um amor pleno - John Stott.
Timóteo seria exemplo aos outros se moldando à figura de Cristo.
Por isso, o evangelho de Cristo deve estar em nossas vidas de forma a expressar e externar esse evangelho.
Devemos ser padrão como Cristo foi. Devemos infuenciar positivamente nossa geração para a glória de Deus.
A fé e o amor são frutos da união do crente com Cristo e devem ser externados como evangelho.
Nós devemos zelar pelo evangelho no pregar e no viver. Não é só pregar a sã doutrina, mas vivê-la, mantendo o padrão.
A quarta atitude de um cristão para influenciar a sua geração é manter o padrão.
4. CONCLUSÃO
Você se envergonha de ser cristão e de pregar o evangelho?
Não se envergonhe mais.
Nós somos chamados para ousadamente servir a Cristo e a Deus.
AS ATITUDES DE UM JOVEM CRISTÃO PARA INFLUENCIAR A SUA GERAÇÃO:
I. Desenvolver os dons;
II. Ser ousado;
III. Não se envergonhar; e
IV. Manter o padrão.
Amém.
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