esdas 25/02/
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O
PACTO DE ESDRAS: PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS PARA LÍDERES CRISTÃOS[1]
INTRODUÇÃO:
No dia 1º de Janeiro de 2001, a humanidade inaugurou um novo século.
Caracterizado pelo dinamismo, pela tecnologia e pela sofisticação. Uma nova era,
onde tudo deve acontecer simultaneamente e muito rápido.
De acordo com sociólogo Zygmunt Bauman “a modernidade atual é
caracterizada pela fluidez e pela constante mudança, em contraste com a
modernidade sólida do passado, onde as estruturas sociais e instituições eram
mais estáveis e previsíveis”. (Zygmunt Bauman, Modernidade Líquida, p. ?).
E, nas últimas décadas, de fato, a sociedade experimentou uma
volatilidade sem precedentes. E precisou se reinventou de forma intensa e
acelerada, assumindo uma configuração quase que completamente inédita na
história.
Dentro desta nova configuração, as relações humanas se tornaram muito
mais complexas. Criando um cenário bem desafiador para os líderes contemporâneos.
Deixe-me oferecer-lhe um exemplo.
Há alguns dias visitei um ancião da Igreja. Ele parecia
estressado e muito sobrecarregado. Depois de orar por ele, perguntei: Que
desafios o senhor enfrenta como líder da igreja? Ele respondeu: Administrar simultaneamente
uma grande demanda de atividades (envolvendo família, trabalho, projetos
pessoais, etc) e liderar diferentes “perfis” de pessoas da minha congregação.
Esta situação não é muito incomum. Encontrar líderes da Igreja fazendo
um malabarismo para conseguir atender as múltiplas demandas pessoais e
religiosas. A maioria procura orientações sobre como exercer uma liderança mais
eficiente e menos desgastante. Eles estudam livros, buscam materiais na
internet, assistem a palestras de coaching, procuram os gurus da liderança,
etc. Porém, muitos ainda se sentem confusos com tantos métodos e estratégias
disponíveis.
Esta pesquisa aborda alguns princípios essenciais para a liderança
na IGREJA, fundamentados no pacto de um antigo escriba pós-exílico. Será
analisado como ele conseguiu exercer uma liderança transformadora, eficiente e
capaz de deixar um legado para as gerações posteriores, apesar dos desafios que
enfrentou na sua época. Este estudo vai extrair três princípios bíblicos da liderança
de Esdras, o סֹפֵר (sō·p̄ēr),
e mostrar como aplicá-los à liderança da IGREJA.
DESENVOLVIMENTO
Esdras,
sacerdote e escriba
Parece que Esdras havia se tornado uma figura proeminente. Sadrac Meza
diz que “por alguma razão, os judeus o consideravam
o segundo em importância depois de Moisés. Nesta passagem (Esdras 7:1-10) ele
aparece como um homem especial” [1].
Hernandes dias Lopes comenta que “Esdras foi um dos grandes líderes
do período pós-cativeiro babilônico. Ele era levita, da família de Arão (7.1–5)
e versado na lei de Deus (7.6). Ele tinha sobre si a boa mão de Deus e o favor
do rei Artaxerxes (7.6). Era um mestre da Palavra (7.6,10) e também um homem de
oração e jejum (8.21–23)[2]”.
O livro que leva seu nome é dividido em duas sessões. A primeira
parte vai do capítulo 1 ao 6 relatando o decreto de Ciro e o retorno de
Zorobabel. A segunda sessão começa no capítulo 7 e se estende até o final do livro.
Alguns comentaristas acreditam que entre o capitulo 6 e 7 exista um lapso
temporal de aproximadamente 58 a 60 anos[3]
e que a história de Ester tenha acontecido neste período.
O pacto de Esdras
Depois do exílio, Esdras, o sacerdote, voltou da Babilônia levando
consigo os livros de Moisés e dos profetas (Ed 6.18; Ne 9.14,26-30)[4].
Sua jornada até a antiga cidade de Jerusalém durou cerca de quatro meses. Um
período de tempo suficiente para refletir sobre os desafios que enfrentaria ao
chegar à antiga cidade.
Em Jerusalém, Esdras se deparou com um cenário caótico. Além da
oposição de inimigos ele encontrou um povo desanimado, espiritualmente frio,
convivendo matrimonialmente com povos pagãos e indolentes em relação ao templo
de Deus. Seguramente, eram tempos complicados, tudo havia mudado em menos de um
século e o povo havia iniciado um novo ciclo na sua jornada. Esse tempo exigia
uma ação firme e corajosa. Por isso, ele decidiu fazer um pacto com Deus para
poder contar com Seu auxilio e sabedoria divina.
Esdras havia dedicado a sua vida a estudar, e a praticar a Lei do
SENHOR, e a ensinar todos os seus mandamentos ao povo de Israel. (NTLH Esdras
7:10)
Este texto apresenta três princípios
fundamentais:
Estudar
A PALAVRA DE DEUS (TÔRAH)
O PACTO DE ESDRAS
Viver
Ensinar
PRIMEIRO
PRINCÍPIO: O ESTUDO DA PALAVRA
Esdras era um סֹפֵר (sō·p̄ēr) (Esdras
7:6) ou seja, um cronista ou escriba, versado na exposição dos escritos
de Moisés e dos profetas. Isso significa que ele conhecia profundamente a
Palavra de Deus.
No inicio do capítulo 7, Esdras, é apresentado como “bom conhecedor
das leis de Moisés, dadas pelo Senhor”(v.6). Segundo Ellen White ele “foi
impressionado pelo Espírito de Deus a esquadrinhar os livros históricos e
poéticos da Bíblia e, dessa maneira, tornar-se familiarizado com o significado
e o entendimento da lei”[5]
Em acordo com Ellen White, Sadrac Meza diz que o “desejo dominante [de Esdras] havia
sido estudar a lei divina - seus princípios, instituições, privilégios e
exigências; e agora, por amor e zelo, ele se dedicava, como atividade de sua
vida, ao trabalho de instruir, reformar e edificar outras pessoas”[6].
Dessa forma, as “bênçãos de Deus eram uma resposta ao compromisso
de Esdras estudar (literalmente “buscar”) “a lei do Senhor” e de observar e
ensinar os regulamentos e princípios de Deus. Este é o único texto do AT que
relaciona o verbo darás (buscar) a tôrah (lei)”[7].
É evidente que Esdras praticava o estudo transformador da Palavra
de Deus. Muito além da superficialidade religiosa. E isto lhe garantia força e
sabedoria para lidar com as questões seculares do império persa e religiosas do
povo de Israel.
SEGUNDO
PRINCÍPIO: A PRÁTICA DA PALAVRA
O cativeiro Babilônico foi uma experiência humilhante para a nação
judaica. Eles haviam abandonado a Palavra de Deus e colheram os resultados.
Isso seguramente deixou marcas profundas no coração de Esdras. Por isso, ele
decidiu não apenas se familiarizar com a palavra, mas viver os seus princípios.
“Durante o cativeiro, o conhecimento da vontade de Deus se havia
perdido em certo grau. Esdras reuniu todos os exemplares da lei que pôde
encontrar”[8].
A micro estrutura literário no capítulo 7:10 de Esdras, coloca a
palavra hebraica praticar no centro do versículo.
Sem duvida alguma, ele era um homem consagrado, que tinha como alvo
e ambição de sua vida conhecer a vontade de Deus, cooperar com Ele e ensinar
aos outros a fazer o mesmo. Deus o chamou naquele momento para fazer uma obra
especial[9].
Inspirou gerações e transformou modus de pensar daquele povo.
O mais incrível é que isso só foi possível porque “Esdras não
apenas transmitia a Palavra de Deus, mas também tinha intimidade com o Deus da
Palavra. Era um mestre da Palavra (7.6,10)”[10].
TERCEIRO PRINCÍPIO: O
ENSINO DA PALAVRA
Como era previsto, após aproximadamente 70 anos cativeiro, o povo
judeu havia se misturado com outras nações. Como consequência, muitos de seus
próprios filhos não conheciam as leis de seus antepassados e nem mesmo falavam
a língua materna, o hebraico. Diante dessa realidade, Esdras, foi tomado por
uma profunda preocupação com a identidade e a espiritualidade de povo.
Para Robert Fyall “esta preocupação é o resultado natural dos dois
princípios citados anteriormente: estudar e obedecer à Palavra. Mas, ele
adverte que “o estudo pode facilmente se tornar um fim em si mesmo” e que tanto
o aprendizado quanto a obediência, quando não avançam além de si mesmos, correm
o risco de se tornarem estéreos[11]”.
Entretanto, Esdras entrelaça
o ensino da Palavra, como um cordão de três dobras, ao estudo e a prática, e “assim,
diligentemente proporcionou um conhecimento inestimável naquele tempo...
tornou-se um mestre da lei e das profecias nas escolas dos profetas[12]”.
Ellen White continua sua contribuição a cerca do trabalho de Esdras
quando diz:
“À medida que
Esdras trabalhava para comunicar o que havia aprendido, aumentavam e se
desenvolviam as suas capacidades para o labor. Tornou-se testemunha do Senhor
perante o mundo acerca daquilo que a verdade bíblica é quando revelada na vida
cotidiana do praticante. O exemplo de Esdras, em palavras e atos, levou consigo
o peso da influência, pois o Espírito de Deus estava com ele. Diligentemente
preparou seu coração para realizar a obra que, segundo cria, lhe fora indicada.
Esquadrinhou as palavras que tinham sido escritas a respeito dos deveres do
povo de Deus, e descobriu o solene voto que o povo havia feito, de que
obedeceriam às palavras de Deus, e a promessa da divina bênção aos obedientes[13]”.
Esdras foi capaz de impactar toda uma geração e ainda perpetuar
seus ensinamentos por séculos. Alguns até acreditam que ele tenha sido
responsável por fechar o cânon do Antigo Testamento (Quem?) que temos hoje.
APLICANDO OS
PRINCÍPIOS DE ESDRAS
Em um mundo dinâmico como este, onde as coisas precisam acontecer
rapidamente, muitos ainda procuram um modelo ideal de liderança. Desejam
descobri qual é o segredo para influenciar as pessoas sem comprometer sua saúde
física, emocional e espiritual.
O segredo estar em seguir o exemplo de Esdras, como Ellen White
apresenta, ao dizer:
“Mais de dois mil anos se passaram desde que Esdras preparou “o seu
coração para buscar a lei do Senhor, e para a cumprir” (Esd. 7:10),
mas o lapso de tempo não diminuiu a influência do seu piedoso exemplo. Através
dos séculos, o registro de sua vida de consagração tem inspirado a muitos com a
determinação de “buscar a lei do Senhor, e para a cumprir”. (exaltai-o p. 166)
e ensinar aos outros.
O ministério de Esdras se torna um protótipo para os que vivem as
labutas da liderança. “É um ministério que os retornados precisam agora[14]”.
O povo de Deus ainda enfrenta desafios semelhantes aos do povo judeu após o
cativeiro. Está empenhado em reconstruir os alicerces da verdade, que foram
derrubados e permaneceram em ruínas por muito tempo (Daniel 8:12).
Seguramente, os tempos atuais exigem líderes e membros da igreja
que sigam o exemplo de Esdras: que sejam fortes no estudo, na vivência e no
ensino da Palavra de Deus.
LÍDERES: FORTES
NA PALAVRA
As Escrituras devem ter primazia no coração do líder. Assim ele
conseguirá desfrutar de paz e alegria em sua liderança, pois o esforço pessoal
está unido ao mais sublime livro do conhecimento: A Palavra viva, que é
“eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao
ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os
pensamentos e propósitos do coração”. Hb 4.12.
Para Ellen White “A simples citação da Escritura no púlpito não é
suficiente... Ninguém senão aqueles que foram pessoalmente ensinados por Deus
na dura escola da experiência são qualificados para “expor” a Palavra, de modo
que a luz divina seja lançada sobre os problemas espirituais do crente, pois,
enquanto a Escritura interpreta a experiência, a experiência é muitas vezes a
melhor intérprete da Escritura. Nós mesmos devemos ser consolados, antes que
possamos consolar outros[15]”.
Parece que PINK concorda com Ellen White a dizer:
“Buscar meras noções da verdade, sem um esforço por uma experiência
de seu poder em nossos corações, não é o caminho para aumentar nossa
compreensão das coisas espirituais. Somente está em condições de aprender de
Deus aquele que sinceramente entrega a sua mente, consciência e afeições ao
poder e governo do que é revelado a ele[16]”.
É possível ser um líder de IGREJA sem o poder que emana das
Sagradas Escrituras, apoiado unicamente na sabedoria e métodos humanos. Como
alguns que usam certas passagens da Bíblia para poder influenciar a decisão das
pessoas e alcançar os seus objetivos (2 pd 3:16, Mt 4: 6). Mas,
apresentações, repletas de uma oratória vazia e superficial, demonstram a
necessidade do verdadeiro poder.
O resultado é perceptível: frustração, cansaço, desânimo e uma
liderança enfraquecida. Afinal, a verdadeira autoridade do líder repousa
inteiramente na eficácia da Palavra de Deus. Portanto, aquele que lidera deve
fazê-lo com a Bíblia, não apenas nas mãos e na mente, mas, sobretudo, no
coração, pois é assim que se exerce uma liderança verdadeiramente
transformadora e permanente.
Neste ponto, é necessário recordar as palavras do senhor Jesus
“Está escrito: “Nem só de pão [da sabedoria,
estratégias, e métodos humanos] viverá o homem, mas de toda palavra que
procede da boca de Deus”. (mt 4:4).
Em resumo, da mesma maneira que Esdras, o líder precisa ter
intimidade com a Palavra de Deus.
LÍDERES: FORTES
NA VIVÊNCIA DA PALAVRA
“Mateus 23: 1-36 consiste em
uma extensa denúncia que Jesus faz contra os fariseus. Ele começou
incisivamente dizendo que se deve prestar atenção ao que os fariseu dizem, mas
não fazem[17]”
“Então, Jesus disse à multidão e aos seus discípulos: Os mestres da
lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo
o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que
pregam. (Mt
23: 2,3).
Aqui a expressão mestre da lei no
original grego é “γραμματευς( grammateus ) que pode ser traduzido como escriba ou mestre da Lei[18]”.
Ainda de acordo com o léxico de strong:
“Na Bíblia, [um escriba é uma] pessoa versada na lei mosaica e nas
sagradas escrituras, intérprete, professor. Os escribas examinavam as questões
mais difíceis e delicadas da lei; acrescentavam à lei mosaica decisões sobre
vários tipos, com a intenção de elucidar seu significado e extensão, e faziam
isto em detrimento da religião. Como o conselho de homens experimentados na lei
era necessário para o exame de causas e a solução de questões difíceis, eles
tornavam-se membros do Sinédrio; são mencionados em conexão com os sacerdotes e
anciãos do povo[19]”.
Os mestres da Lei ou os escribas não aparecem apenas no Novo
Testamento. A versão grega do Antigo Testamento (Septuaginta) traduz a palavra
hebraica סֹפֵר (sō·p̄ēr,
Escriba) em Esdras 7:6 para γραμματευς (Grammateus, mestre da lei) indicando que a
função do escriba era a mesma nos dois testamentos da Bíblia.
Seria perfeitamente lógico supor que os escribas, citados por Jesus
em Mateus 23, fossem
herdeiros da dedicação, do exemplo e do legado de Esdras, o antigo escriba.
Que fossem profundos conhecedores, praticantes e professores da
Lei. No entanto, a realidade era bem diferente. Em vez de viverem o que
ensinavam, muitos escribas dos tempos de jesus foram introduzindo símbolos de
hipocrisia religiosa. Por isso, o Senhor alertou: “façam o que eles dizem, mas
não os imitem, pois eles não praticam o que pregam”. (Mateus 23: 2, 3, tradução
livre).
De acordo com W. E. Vine, Merril F. Unger e Willian White Jr. os
escribas “eram ambiciosos de honra (por exemplo Mt 23:5-11), a qual
exigiam especialmente dos alunos, sendo-lhes prontamente concedida, como também
pelo povo em Geral...No seu regime, a devoção era reduzida a formalismo
externo. Só isso era de valor, o que era governado pelo preceito externo. A
vida sob a direção deles se tornou um fardo; eles mesmos buscavam fugir
furtivamente dos próprios preceitos (Mt 23: 16)[20].
Francamente, é muito mais fácil dizer aos outros o que eles devem
fazer. Basta apenas conhecer um pouco sobre a Bíblia e ensiná-los. No entanto, existe
um dilema que líderes da IGREJA se deparam: Viver o que
se prega. Para Ellen White “é possível pregar a Palavra e andar
diretamente contrário a seus ensinos, revelando na vida doméstica e na vida
comercial uma forma de santidade sem o poder[21]”.
Mas, os membros fiéis da IGREJA não seguirão um líder apenas por
sua posição ou eloquência. Pois o impacto verdadeiro vem do exemplo pessoal, do
estilo de vida e da coerência entre a mensagem e o mensageiro.
É necessário entender que há uma relação direta entre a eficácia da
liderança e o profundo relacionamento com Deus. Como diz Jonas Arrais “a vida
deve comandar enquanto a boca persuade[22]”
LÍDERES: FORTES
NO ENSINO DA PALAVRA
Certamente, o líder que se alimenta da Palavra de Deus,
transbordará de grande felicidade. Como diz o profeta Jeremias: “Tu falaste
comigo, e eu prestei atenção em cada palavra. Ó SENHOR, Deus Todo-Poderoso, eu
sou teu, e por isso as tuas palavras encheram o meu coração de alegria e de
felicidade. (Jeremias
15.16
NTLHE) . Desta forma, toda palavra de Deus, cravada no coração do líder não
poderá ser oculta das pessoas. Pelo contrário, a Palavra o preencherá de tal
maneira que do “seu interior fluirão rios de água viva”. (joão 7:38) para todos
ao seu redor.
Como diz Ellen White:
“A graça de
Cristo na alma é como uma fonte no deserto, vertendo para refrigerar a todos, e
fazendo com que os prestes a perecer tenham sede da água da vida. Fazendo esta
obra, é recebida uma maior bênção do que se trabalhamos unicamente para nos
beneficiar a nós mesmos. É trabalhando para disseminar as boas novas de
salvação que somos levados perto do Salvador... De todas as direções vêm
pedidos de auxílio. Deus roga aos homens que ministrem alegremente a seus
semelhantes. Há coroas imortais a conquistar; temos a ganhar o reino do Céu; o
mundo, a perecer na ignorância, tem de ser iluminado[23]”.
Esdras experimentou essa graça de Deus de maneira extraordinária.
Por isso, ele era cheio da Palavra, transbordava de alegria. Ele era servo da
Palavra, vivia seus princípios. Ele era mensageiro da Palavra, ensinava sua
mensagem. Sua liderança foi completamente fundamentada na Palavra de Deus
Seguindo o exemplo de Esdras, o líder dever ser um mestre para
aqueles que estão sob sua influência. Ensinando-lhes a respeito da vontade de
Deus por palavra e por exemplo.
O líder precisa ver “O chamado Daquele que ressuscitou é para que
Seus seguidores cumpram a missão que Ele lhes confiou. Eles têm uma mensagem de
esperança: o Senhor ressuscitou e logo retornará em glória. Isso deve ser
proclamado em todo o mundo enquanto se aguarda Sua gloriosa vinda”[24].
CONCLUSÃO
Esta é a era do dinamismo. Onde as novas tecnologias impulsionam
uma evolução sem precedentes, tornando obsoletas as “novidades” em questão de
dias. Esse cenário força o líder espiritual a se readaptar, obrigando-o a
recorrer frequentemente a “fórmulas prontas” para o desempenho da sua função.
Mas, “o abandono das Escrituras para dar lugar a técnicas seculares é algo,
extremamente, prejudicial”[25].
Diante disso, o líder pode cair na tentação de folhear umas poucas
páginas da Bíblia somente para preparar um sermão sem jamais absorver a
essência da Palavra.
Ellen White diz que “O Livro dos livros tem o maior direito a nossa
atenção. Precisamos não nos satisfazer com um conhecimento superficial, mas
buscar aprender a inteira significação das palavras da verdade, e beber
profundamente do espírito dos oráculos santos. Ler certo número de capítulos
diariamente, ou decorar certa porção sem dar cuidadosa atenção ao sentido do
texto sagrado, é de pouco proveito”[26].
É exatamente neste ponto que Esdras se torna um exemplo para a
liderança da IGREJA. De acordo com Israel Loken, ele foi“um reformador
exemplar, pois o que ele ensinou, ele primeiro viveu, e o que ele viveu ele
primeiro se certificou nas Escrituras. Com o estudo, a conduta e o ensino
colocados deliberadamente nessa ordem correta, cada um deles foi capaz de
funcionar adequadamente em seu melhor: o estudo foi salvo da irrealidade, a
conduta da incerteza e o ensino da insinceridade e da superficialidade.”[27]
Esdras era forte na Palavra. Ele a estudava, vivia e ensinava. Ele
pode ser perfeitamente conhecido como um homem em cuja vida se exemplifica o
impacto de beber profundamente “de toda palavra que procede da boca de Deus” (Dt 8:3,
ARC).
Cada líder da IGREJA deve aprender com o exemplo de Esdras. Pois,
sua “história revela como poucas pessoas podem fazer grandes coisas quando são
conduzidas por líderes corajosos, sinceros, altruístas e tementes a Deus”[28][2].
Que estudam, vivem e ensinam Sua Palavra.
REFERÊNCIAS
[1]
Autores: Valmir Teixeira Barros, presidente da Associação Sul Maranhense e Leonardo
Silva da Silva, Pastor Distrital na Associação Sul Maranhense.
[1] Sadrac Meza, “Esdras”, in Comentário Bíblico
Latino-Americano, org. C. René Padilla et al., trad. Cleiton Oliveira et al.,
1. ed. (São Paulo: Mundo Cristão, 2022), 559).
[2] Hernandes Dias Lopes, Bíblia Pregação
Expositiva: Sermões, Estudos e Reflexões, trad. João Ferreira de Almeida, 2a
edição Revista e Atualizada (São Paulo: Hagnos, 2020), Ed 7.28
[3] Comentário
Biblico Adventista do Sétimo Dia, v. 3 p. 394.
[4] Norman
Geisler, Willian Nix, Introdução Bíblica, p. 84
[5] (Ellen White, Cristo Triunfante, p. 184).
[6] Sadrac Meza, “Esdras”, in Comentário Bíblico
Latino-Americano, org. C. René Padilla et al., trad. Cleiton Oliveira et al.,
1. ed. (São Paulo: Mundo Cristão, 2022), 559.)
[7] Comentário Bíblico Andrews: v. 1 p. 790
[8] Ellen White, Cristo triunfante, p. 184
[9] Comentário
bíblico adventista do Sétimo Dia, v. 3 p. 396
[10]Hernandes Dias
Lopes, Bíblia Pregação Expositiva: Sermões, Estudos e Reflexões, trad. João
Ferreira de Almeida, 2a edição Revista e Atualizada (São Paulo: Hagnos, 2020), Ed 7.28
[11] (Robert Fyall, The
Message of Ezra and Haggai: Building for God, org. Alec Motyer e Derek Tidball,
The Bible Speaks Today (England: Inter-Varsity Press, 2010), 106.)
[12] Ellen White,
Cristo Triunfante, p. 184)
[13] Ellen White,
Cristo Triunfante, p. 184)
[14] Esdras: Explicação e aplicação, O regresso Ger
de Koning Traduzido do alemão por Werner Klaes (wklaesQyahoo.com.br): outubrode
2022. P. 52.)
[15] Ellen White, nossa Alta vocação, p. 203).
[16] John Owen). A. W. Pink, A Interpretação das
Escrituras, trad. Camila Rebeca Teixeira, William Teixeira, e Cesare Turazzi,
1a Edição (São Paulo: O Estandarte de Cristo, 2018), 41–42.
[17] COMENTÁRIO
BÍBLICO ANDREWS, v. 3, p. 160)
[18] léxico
hebraico e grego strong, γραμματευς de 1122; TDNT - 1:740,127).
[19] léxico
hebraico e grego strong, γραμματευς de 1122; TDNT - 1:740,127).
[20] Vine, W. E,
Dicionário Vine: o significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e
do Novo Testamento / W. E. Vine; editado por Merril F. Unger, Willian White,
JR.; traduzido por Luís Aron de macedo; 1ª ed. - Rio de Janeiro: Thomas Nelson
Brasil, 2016, p. 611).
[21] Ellen White, Olhando para o Alto, p. 252).
[22] Jonas Arrais,
Procura-se um bom pastor, 1ª ed. casa publicadora brasileira, brasil, 2011, p.
34.
[23] Ellen White, A
Ciência do Bom viver, p. 103.
[24] Comentário bíblico Adrews, p. 256
[25] Augusto Brayner, A Pregação Expositiva Como
Ferramenta do Aconselhamento Bíblico, org. Christopher Vicente (Natal, RN:
Nadere Reformatie Publicações, 2020, p. 22.)
[26] Ellen White, nossa alta vocação, p. 203).
[27] Israel Loken, Ezra & Nehemiah, Evangelical Exegetical
Commentary Bellingham, WA: Lexham Press, 2011), Ed 7.10.
[28] Comentário Biblico Adventista do Sétimo Dia,
v. 3 p. 346.
