O Evangelho da Supremacia de Cristo (Cl 1.13-23)
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Introdução
Jesus Cristo é o tema central de Colossenses. Ele é o Cristo exaltado, o único caminho para Deus, única verdade absoluta e universal e a única fonte de vida física e espiritual.
As forças do inferno tentam confundir a cabeça
do homem acerca da pessoa e obra de Jesus, visando destruir a dignidade de sua pessoa e a suficiência de sua obra de salvação.
A carta aos Colossenses é uma defesa da supremacia de Cristo contra os ataques de uma seita
gnóstica que misturava elementos da filosofia, do judaísmo, do misticismo e do asceticismo. Os hereges defendiam que os cristãos precisavam de algo mais além
de Cristo.
1. A SUPREMACIA DE CRISTO NA SALVAÇÃO
Paulo explica a salvação como uma operação de resgate (Cl 1.13-14).
1.1. Deus é o autor da salvação
Deus é o autor ou o sujeito desta ação de resgate: “Ele nos libertou”. A salvação é, portanto, um ato soberano e intencional do Senhor. Paulo ensinava claramente que o plano da salvação era iniciativa divina (2 Co 5.18).
Deus liberta, transporta, perdoa e reconcilia pessoas usando a instrumentalidade de outras pessoas. Cada cristão é um ministro da reconciliação ou um embaixador em nome de Cristo (2 Co 5.20).
1.2. A salvação é um Resgate ou Traslado
“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”.
O verbo ῥύομαι rhuŏmai significa salvar, libertar de algum tipo de escravidão ou servidão. A palavra império “εξουσια exousia” significa autoridade ou poder. Deus nos libertou do poder, da autoridade e do domínio de Satanás, o deus deste século (2 Co 4.4.).
Ele nos transportou (μεθίστημι methistēmi remover; transportar). Este transporte é comparado a uma remoção ou migração de um povo, aos uma grande vitória. Esse traslado tem quatro características:
(a) É um traslado do poder de Satanás para o senhorio de Cristo,
(b) do Império das trevas para o reino da luz,
(c)da escravidão para a liberdade (redenção),
(d) da condenação para a remissão dos pecados (Rm 6.20-23).
1.3. O Resgate fundamenta-se na obra de Jesus Cristo
“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.”
Observe que Paulo destaca: “no qual temos a redenção, isto é, ou seja, nossa libertação pelo pagamento de um resgate. Ele pagou o preço da redenção (1 Pe 1.17-21). Deus nos resgatou enviando-nos Jesus (Gl 1.15,16; Ef 1.7). Ele morreu na cruz por nós (Cl 1.22) e ressuscitou por causa da nossa justificação (Rm 4.25).
A obra da salvação é resumida: Deus nos libertou, nos redimiu e nos perdoou. Após explicar a nossa salvação, Paulo apresenta a supremacia de Cristo:
1. A SUPREMACIA DE CRISTO NA CRIAÇÃO
O trecho de Cl 1.15-20 forma uma perícope, ou seja, uma unidade que foi provavelmente um hino cantado pela igreja primitiva. A primeira parte 1.15-17 trata da supremacia de Cristo na criação e a segunda parte 1.18-20, a supremacia de Cristo na igreja ou na nova criação.
1.1. Jesus é a imagem do Deus invisível (Cl 1.115)
Jesus reflete a pessoa de Deus tal qual um espelho. Se alguém quer saber quem é Deus deve olhar para Jesus. A palavra imagem indica duas verdades:
a) Jesus é o próprio Deus (Cl 2.9; Rm 9.5). Ele e o Pai são um (Jo 10.30).
b) Jesus é a revelação perfeita de Deus (Jo 1.18). O Deus invisível é visto em Jesus (Jo 12.45).
1.2. Jesus é o primogênito de toda criação (Cl 1.15)
A primogenitura indica que Jesus é o herdeiro de todas as coisas (Gn 25.31) e o escolhido para exercer a mais alta posição de honra. Paulo, no verso 16, apresenta três aspectos desta posição: “Nele, todas as coisas foram criadas. Por meio dEle todas as coisas foram criadas; para ele a criação existe.
1.1. Jesus é pré-existente à criação (Cl 1.17)
Ele não foi criado, Ele é criador. Ele já existia antes da criação (Jo 1.1; 8.58). Antes que houvesse mundo, Jesus já era Deus glorioso (Jo 17.4,5). Isso derruba o conceito panteísta que afirma que Deus é tudo e que tudo é Deus. Jesus é o criador e a criação não é uma extensão da sua pessoa. Ele não teve início e é anterior a sua criação.
2.4. Jesus é o sustentador da criação (Cl 1.17)
A criação é sustentada e preservada por Jesus (Hb 1.3). Toda criação se firma e prossegue em coerência por causa de Jesus. O mundo não é um caos, mas um cosmos. Jesus está no controle e no sustento de todas as coisas (Hb 2.9; Ap 5.1-4). É o filho do amor de Deus que segura em suas poderosas mãos as rédeas do universo e nunca, em nenhum momento, as deixa escorregar do seu controle (Ap 4 e 5). Em suma, Jesus é o auto, primogênito, a referência, o alvo, o agente e o preservador da criação.
1. A SUPREMACIA DE CRISTO NA NOVA CRIAÇÃO (Cl 1.18-20)
A Igreja é a nova criação de Deus. Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura (2 Co 5.17). Paulo apresenta cinco aspectos da supremacia de Cristo:
a) Jesus é a cabeça da igreja – “Ele é a cabeça do corpo, da igreja” (Cl 1.18). Trata-se de uma relação inseparável de Cristo com a Igreja, o seu corpo (Rm 12.4,5; Ef 1.22,23). Jesus é quem comanda a igreja assim como o cérebro comanda o corpo humano.
b) Jesus é o princípio da igreja. “Ele é a causa e razão da existência da igreja, povo de Deus. O corpo não é uma entidade, mas um organismo vivo (1 Co 12.12,13). Jesus é o fundamento da igreja, a sua pedra angular (Ef 2.20).
c) Jesus é o primogênito de entre os mortos – “O primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia” (Cl 1.18). Ele é o precursor de uma nova criação com o objetivo de ter a primazia sobre todas as coisas (1Co15.20).
Jesus disse:
“Porque eu vivo, vocês também viverão”(Jo 14.19).
Por sua ressurreição Jesus Cristo garantiu a ressurreição de todos os seus seguidores.
a) Jesus é a residência de toda a plenitude divina – “Porque aprouve a Deus que, nele residisse toda a plenitude da divindade (poder, atributos e gloria divina) cf. Jo 1.16; Cl 2.3,9.
b) Jesus é o reconciliador de todas as coisas – Por causa do seu sacrifício, Jesus reconcilia o homem com Deus (Rm 5.1), e os homens uns com os outros (Ef 2.16) e a criação com o criador (Rm 8.21).
Em Cl 1.22 Paulo fala do tríplice propósito da reconciliação: Tornar a igreja uma comunidade de pessoas santas, inculpáveis e irrepreensíveis (Cl 1.21,22). Para que isso aconteça, precisamos permanecer firmes na fé (Mt 24.13), alicerçados na rocha (1 Co 3.11), inabaláveis no serviço (1 Co 15.58), não nos afastando da esperança do evangelho (Cl 1.5).
Conclusão
Precisamos urgentemente proclamar o evangelho da supremacia de Jesus Cristo. Ele é o Senhor da redenção, Senhor da criação, e o Senhor da igreja ou da nova criação. Nada foge ao senhorio de Cristo e tudo está sob seu controle, sob seu domínio. Aquele que tem Jesus tem tudo (1 Jo 5.12).
