A Doutrina da União com Cristo no Pensamento de Thomas Goodwin
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A Doutrina da União com Cristo no Pensamento de Thomas Goodwin
A Doutrina da União com Cristo no Pensamento de Thomas Goodwin
Thomas Goodwin, um dos grandes teólogos puritanos do século XVII, dedicou-se profundamente ao estudo da doutrina da união com Cristo, expressa na recorrente frase paulina “em Cristo”. Para Goodwin, essa expressão não é meramente uma figura de linguagem, mas a base da experiência cristã e do plano eterno de Deus para a salvação dos eleitos. Seu comentário sobre Efésios destaca essa verdade como o centro da teologia paulina, revelando um relacionamento profundo e indissolúvel entre Cristo e os crentes.
A União Eterna com Cristo
A União Eterna com Cristo
Goodwin enfatiza que a união dos crentes com Cristo não é um evento momentâneo, mas algo que tem suas raízes na eternidade. Antes mesmo da fundação do mundo, Deus já havia escolhido um povo para estar “em Cristo” (Ef 1:4). Essa eleição não é baseada em méritos humanos, mas na soberana graça de Deus. Para ele, os eleitos não são vistos independentemente, mas sempre em relação a Cristo, que é o meio pelo qual Deus os ama e os abençoa.
Assim, a eleição “em Cristo” significa que Deus nunca considerou os crentes fora dessa relação com Seu Filho. Desde a eternidade, Deus já os enxergava unidos a Cristo, compartilhando de Sua justiça e glória. Essa concepção enfatiza a segurança da salvação, pois, uma vez que Deus escolheu os crentes "em Cristo", essa união jamais pode ser desfeita.
A Redenção e a Vida em Cristo
A Redenção e a Vida em Cristo
Para Goodwin, a obra da redenção é a concretização histórica daquilo que Deus havia determinado na eternidade. Ele argumenta que, ao longo de toda a vida cristã, os crentes existem e vivem "em Cristo", o que significa que tudo o que possuem — justificação, santificação e glorificação — é recebido por meio dessa união.
A redenção realizada por Cristo não é apenas um benefício externo concedido aos crentes, mas algo que eles experimentam internamente porque estão espiritualmente unidos a Ele. Quando Cristo morreu e ressuscitou, Seus eleitos estavam com Ele, de modo que Sua morte foi a deles, e Sua vida agora também lhes pertence. Isso significa que os crentes não apenas recebem os méritos de Cristo, mas participam verdadeiramente de Sua vida.
O Espírito Santo como Penhor da União com Cristo
O Espírito Santo como Penhor da União com Cristo
Goodwin também ressalta o papel do Espírito Santo na união com Cristo. Ele argumenta que o Espírito é quem aplica essa realidade aos crentes, selando-os “em Cristo” (Ef 1:13). Essa presença do Espírito é a garantia de que a comunhão com Cristo é real e efetiva. O Espírito, segundo Goodwin, não apenas capacita o crente a viver de acordo com essa união, mas também serve como um penhor da herança celestial, assegurando que o crente permanecerá "em Cristo" até a glorificação final.
Cristo como Cabeça e os Crentes como Seu Corpo
Cristo como Cabeça e os Crentes como Seu Corpo
Um dos aspectos mais marcantes do pensamento de Goodwin é sua insistência na metáfora de Cristo como cabeça da Igreja e dos crentes como Seu corpo (Ef 1:22-23). Para ele, essa imagem não é meramente ilustrativa, mas reflete uma realidade espiritual profunda. Assim como a cabeça e o corpo são inseparáveis, Cristo e os crentes estão unidos de maneira vital. Isso significa que todas as bênçãos espirituais concedidas a Cristo são também concedidas ao Seu povo.
Essa visão reforça a ideia de que os crentes não podem ser considerados à parte de Cristo. Sua identidade, sua posição diante de Deus e seu destino eterno estão totalmente vinculados a Ele. Portanto, viver “em Cristo” significa desfrutar de todas as riquezas espirituais que Ele possui, pois Deus vê os crentes como estando nEle.
Conclusão
Conclusão
O pensamento de Thomas Goodwin sobre a expressão “em Cristo” revela uma visão elevada da união do crente com o Redentor. Para ele, essa união não é um mero conceito teológico, mas a própria essência da salvação. Desde a eleição eterna até a glorificação final, os crentes existem e vivem “em Cristo”, compartilhando de Sua justiça, vida e glória.
Essa compreensão não apenas fortalece a segurança da salvação, mas também molda a identidade e a experiência cristã. Viver “em Cristo” é viver na certeza de que tudo o que Deus prometeu se cumprirá, pois essa união é inquebrantável e sustentada pelo próprio Deus. Assim, para Goodwin, a frase “em Cristo” sintetiza a grandiosa obra de Deus na redenção e o privilégio inestimável dos crentes de pertencerem a Ele para sempre.
