Teologia Aplicada (3)

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IGREJA PRESBITERIANA DE APIAÍ
PLANEJAMENTO PASTORAL – AULA
FEVEREIRO/2025
Rev. Mateus Lages
SLIDE 2

Tema: Teologia Aplicada: a doutrina na vida comum

09/03: É preciso saber elogiar (Tg 4.11-12)
SLIDE 3
Aqui no capítulo 4, Tiago retorna aos pecados da língua, aplicando aos problemas que correm o risco de destruir a comunidade. Mais uma vez ele se dirige aos ouvintes como “irmãos e irmãs” para mostrar que os considera como membros da família de Deus (em contraste com Tg 4.4 - infieis; Tg 4.8 - pecadores).
O que havia lá, e em nenhum outro lugar do mundo, somente lá mesmo, (ironia) eram lutas pelo poder que estavam resultando em discriminação no capítulo 2 (v. 1–13) e com calúnias do capítulo 3 (v. 1–12), pois estes cristãos “caluniam uns aos outros” (katalaleō, o mesmo verbo traduzido por “falam contra” no verso seguinte). Este tipo de discurso inclui muitas formas de ataques verbais — calúnia, falatório, fofoca, zombaria, divulgar boatos, difamar e assim por diante. E essas práticas, irmãos, são chamadas assim na Escritura, toda vez que você fala de alguém para outro, que não ela mesma. O único meio de se abster dessa prática pecaminosa é falando da pessoa para ela mesma. Fora isso, biblicamente falando, não podemos dizer que há possibilidade de falar de alguém para outra pessoa sem sermos inseridos nestes pecados relatados aqui.
Já o desejo do coração pode ser filtrado, mas eaí é sempre com Deus. O ser humano jamais terá capacidade de traduzir uma intenção do coração, mas Deus tem e ele faz isso.
TEXTO DO SLIDE: No caso da Epístola de Tiago, o desejo de destruir a reputação de outra pessoa e voltar os outros contra ela parece ser a intenção daquelas palavras más. Este mau uso da língua sempre foi considerado uma das piores formas de pecado (Ex 23.1; Lv 19.16; Sl 15.3; Pv 10.18; 11.13).
Há uma enorme diferença entre julgar e admoestar os outros. Julgar, por um lado, envolve olhar as pessoas de cima e sentir prazer de apontar suas falhas. Há ausência de amor ou compaixão. Admoestar, por outro lado, envolve ficar ao lado dos outros em amor e tentar restaurá-los ao Senhor (Gl 6.1). É intimamente redentor e ajuda a derrotar o pecado (Hb 3.13). Não há sentimentos de superioridade, nem fofoca ou calúnia. O problema com os leitores de Tiago é o conflito e as lutas pelo poder por trás de tudo isso. A questão aqui é que caluniar e julgar os outros implica virar-se contra a lei e julgá-la. O que isto significa? A lei é clara em relação ao pecado de calúnia (ver acima) e ignorar a determinação da Torá e “pecar deliberadamente” (Nm 15.30) contra ela é julgá-la e considerá-la insignificante. Na verdade, fazê-lo é pecar contra a “lei real” de Deus (2.8). Caluniar voluntariamente os outros é pecar contra as leis de Deus. Eles não estão “cumprindo” a lei, mas “se colocando como juiz” sobre ela, especialmente seu mandamento central de “amar o próximo” em Levítico 19 (v. 18, logo após a determinação de não caluniar no v. 16). Esta pessoa se coloca acima da lei e assim “fala contra”, ignorando a lei. A questão não é apenas a lei (v. 11), mas é que o próprio caráter de Deus (v. 12) está em jogo, pois só ele é o “único Legislador e Juiz”. Portanto, eles não estão apenas ignorando a lei; mas estão substituindo Deus. O único Juiz legítimo é Deus e eles usurparam seu lugar, interpretando a lei a seu bel-prazer. Ao invadir território reservado a Deus, eles estão deliberadamente esquecendo que toda verdade vem dele e a única tarefa adequada deles é aceitar e obedecer. Eles nunca serão “legisladores”; somente Deus pode cumprir essa função (ver Sl 94.2; 1Co 4.5; 2Tm 4.8; Hb 12.23). Como juiz supremo, somente Deus é capaz de “salvar e destruir”, coisa que eles ignoram para seu perigo. Só Deus em Cristo é Salvador (1Sm 4.3; Sl 7.10; 18.2; Lc 19.10; Hb 7.25) e só ele pode destruir eternamente (Sl 5.6; 17.14; Is 11.14; Jr 25.9; 1Co 3.17). Aqueles que se arrependerem e se submeterem inteiramente a Deus serão salvos, enquanto aqueles que continuarem em sua rebelião arrogante, serão destruídos. A conclusão tem uma nota de desprezo: “mas quem é você para julgar o seu próximo?” (ver Rm 2.1; 14.4). O sarcasmo é óbvio. Ao definirem-se como juízes, eles foram julgados pelo verdadeiro Juiz.
SLIDE 4 Assim, o problema por trás desta carta é o uso indevido da língua (3.1–12) que causa conflito e dissensão na igreja (4.1–12). Na primeira parte do capítulo 4, temos um sanduíche, um padrão que chamamos de quiasmo no AT, aqui chamo de padrão ABA:
A) como a amizade com o mundo (4.1–6) e o conflito que isso causa (v. 11–12) só podem ser superados com B) submissão a Deus (v. 7–10).
Na parte de abertura desta seção (Tg 4.1–3), Tiago traça a origem da dissensão: a ambição egoísta e a inveja do “antigo eu” (ver Rm 6.6; Ef 4.22; Cl 3.9), que exige para si o que os outros têm. É por isso que as orações deles não estão sendo atendidas, porque, primeiro de tudo, eles não estão orando, mas pensando apenas em prazeres que eles exigem para si mesmos, e segundo, quando oram o foco deles é apenas nestes prazeres e não em Deus. Deus não aceitará essas orações. O resultadodessa prática é uma constatação: eles se tornaram “amigos do mundo” e, portanto, “inimigos de Deus” (Tg 4.4–6). Não é possível ser ambos; seguir os caminhos do mundo é voltar-se contra Deus. Deus, entretanto, é um marido zelozo, que exige que sejamos fiéis em nossas ações, bem como em nossas crenças. Entretanto, como um marido amoroso, ele nos dá a maior força para que possamos superar nossas inclinações mundanas e viver vidas piedosas. A solução é simples e profunda (Tg 4.7–10) — submeter-se a Deus, aproximando-se em pleno arrependimento e, assim, ele dará a força para resistir ao diabo e conquistar as tendências egocêntricas que ele faz crescer em nós. O arrependimento é fundamental e exige um profundo pesar pelo pecado que nos leve a prostrar-nos diante de Deus em plena rendição. Ao nos lançarmos aos pés de nosso Senhor, ele nos levanta e nos permite elevar-nos acima das coisas mesquinhas deste mundo, a fim de glorificar seu nome. Então, ele nos dará a vitória e nos trará glória, uma glória que será eterna. Por isso, a conclusão de Tiago (Tg 4.11–12) deixa claro qual é o problema. Quando eles caluniam uns aos outros, não estão apenas pecando uns contra os outros, mas contra Deus e sua lei. Eles estão se colocando no lugar de Deus como juiz e o substituindo como o “juiz” da lei. Somente Deus pode ser o verdadeiro Juiz da lei, e ele é o nosso Juiz também. Assim, quando se voltam contra as exigências divinas, sentando-se para julgar uns aos outros, estão, na verdade, trazendo o verdadeiro Juiz sobre si mesmos.
TEXTO DO SLIDE: “Corremos o risco de condenar as pessoas ao não elogiá-las”. Elogio e encorajamento são ações opostas à maledicência e ao julgamento condenatório.
SLIDE 5
Vamos ao tema: É preciso saber elogiar (Tg 4.17)
QUADRO NO SLIDE: Elogios mudam comportamentos, elevam a autoestima e autoconfiança, aumentam a produtividade e a criatividade, geram bem-estar e felicidade, reforçam capacidades e valors, afetam positivamente o desempenho e agem diretamente sobre as ações.
Grant Osborne, estudioso do NT, comentando a Epístola de Tiago, diz que encontramos aqui: um ditado cristão primitivo, que passou a ser chamado de “o pecado da omissão”. Ele toma uma verdade teológica básica sobre o pecado e a aplica à soberba e ao desrespeito a Deus por parte desses cristãos mundanos. Há uma boa chance de que ele a acrescente aqui não apenas como uma conclusão a este parágrafo, mas como um resumo geral de todos os “pecados” de sua carta até o momento. É, certamente, um lembrete muito importante de um fato crítico, que o pecado não está apenas nos atos que cometemos, mas também nos atos que devemos fazer, mas não realizamos - isto é, o que você “deve fazer”, mas não faz. Cada um deles (ouvir sem agir, discriminar, falhar em ajudar os necessitados, caluniar e difamar, deixar Deus fora das decisões) conhecemos bem que são exigências divinas, mas em nossa “mundanização” egocêntrica ignoramos em nossas vidas. Provavelmente cometemos este pecado ainda mais regularmente do que pecados evidentes. Este pecado de omissão é bastante claro. Envolve boas ações que você está bem ciente de que Deus exige que você realize regularmente, especialmente aqui o dever se elogiar e encorajar, para que haja bom uso da língua, ou uma ação contrária à maledicência. Dois exemplos bíblicos: o servo que implora por perdão, mas depois se recusa a perdoar (Mt 18.21–35), o rico que se recusa a entregar seus recursos a Deus (Lc 18.18–30). O fracasso em ajudar os outros quando se tem os recursos para fazê-lo é um “pecado de omissão” frequente que cada um de nós comete.
TEXTO DO SLIDE: Faça o bem e não peque. Não podemos perder nossos ouvintes por causa da falta de reconhecimento da importância do elogio e do encorajamento ainda que estejamos certos e amemos a outra pessoa, usemos as palavras certas e adequemos o tom de voz.
Isso quer dizer que se você só critica, no dia em que você elogiar soará falso, agora, se você é um encorajador, no dia que você criticar será ouvido e mais, receberá agradecimento pelas palavras ditas:
SLIDE 6
CONCLUSÃO/APLICAÇÃO
Concluindo, aprendemos que é preciso saber elogiar, que, de modo geral, nos ensinou sobre o pecado do mau uso da língua, bem como a necessidade humana de elogio e encorajamento como um exercício a ser praticado por nós em nossa comunidade de fé, família e demais ambientes para que sejamos cristãos genuínos, mas também pessoas agradáveis de conviver: Ef 4.29.
Saiamos daqui hoje com um dever: criar o hábito de elogiar os que estão ao nosso redor. Isso exigirá de nós maior atenção ao que eles tem de positivo, exigirá humildade e certamente causará muito bem aos que ouvem.
ORAÇÃO FINAL
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