Dores de Crescimento
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Pré-introdução
Pré-introdução
Por mais que uma vez, vi-me a ser constrangido, quebrantado pela Palavra de Deus ao preparar este sermão.
A posição de alguém que expõe, de alguém que prega, é uma posição de muita humildade porque o pregador é, antes de toda a gente que ouve, amassado pela Palavra de Deus. É forjado, aperfeiçoado.
Então, vamos estar atentos e ter um tempo de meditar na Palavra de Deus. Procurar compreender o que Ele nos está a dizer através da Sua Palavra e o que podemos colocar em prática nas nossas vidas.
Outra coisa que vos quero dizer é que pregar tem-me ensinado a sair da zona de conforto. A lidar com situações mais difíceis de gerir. A expor-me em áreas que sinto que não domino. E isso tem servido de lição para mim e penso que devo servir de lição de forma geral para todos nós. É importante não deixarmos que a vergonha ou a insegurança fale mais alto que a noção da importância de servir a Deus.
Vamos orar mais uma vez.
Introdução ao livro de Tiago (contexto)
Introdução ao livro de Tiago (contexto)
Quem é o autor desta carta: É difícil estabelecer com certeza a identidade do autor mas a tradição e os historiadores apontam Tiago irmão de Jesus como o possível autor da carta.
A quem se dirige:
No versículo 1 vemos que o autor se dirige às “doze tribos que se encontram na dispersão” o que se refere, no fundo, aos cristãos que estão espalhados pelo mundo.
Qual o propósito desta carta:
Dois objetivos que conseguimos encontrar nesta carta:
Encorajar os cristãos a passar pelos sofrimentos comuns da época. Ao longo do livro nós vemos diferentes dificuldades. No capítulo 5, Tiago fala sobre a opressão que eles sofriam no trabalho, pelos donos das terras. Fala ainda de doenças nesse mesmo capítulo. Fala sobre ser processados no tribunal pelas pessoas ricas, no capítulo 2. Esta carta vem como um bálsamo, uma motivação a perseverar.
Segundo objetivo era esclarecer algumas crenças a respeito da fé. Nomeadamente, acerca da obras. De desvalorizar as obras por exemplo. Mas aí vou deixar para aprofundarmos quando falarmos do capítulo 2.
Visão panorâmica: Esta carta trata de diferentes temas relacionados diretamente à vida cristã. Exorta a:
Passar com alegria as provações
A resistirem às tentações
A serem praticantes da Palavra e não apenas ouvintes
A terem uma fé ativa
Fala sobre o pecado de uma língua que não se controla; entre outros
Características Especiais:
Embora contenha apenas duas referências diretas ao nome de Cristo, há nela imensas menções dos ensinos de Jesus. Isto inclui 15 referências ao sermão do monte
É uma carta muito apreciada, em grande parte, pelo seu caráter prático, pela sua aplicabilidade ao dia a dia.
Foi uma das primeiras a ser escrita, ou mesmo a primeira do NT.
Introdução do Sermão
Introdução do Sermão
Uma pergunta agora: Quem aqui já teve vontade de chutar o balde?
De dizer, “sabes que mais? já deu”
É algo que nos assiste, à maioria de nós pelo menos. Em algum momento da vida já demos por nós a achar que não valia a pena continuar a lutar, a investir esforço porque não víamos frutos ou simplesmente achávamos que não compensava.
Bem, a Palavra de Deus vem-nos dar uma perspectiva diferente sobre as dificuldades. Vamos ler.
Leitura do texto bíblico: Tiago 1:1-8
Resumo do capítulo 1 de Tiago
Resumo do capítulo 1 de Tiago
Neste capítulo nós vemos então o autor, a falar inicialmente sobre a forma como devemos lidar com as provações (a palavra original é peitamos), uma prova ao nosso caráter. O porquê que temos de lidar com elas. Vamos ainda ver quais são as características necessárias para passarmos pelas provas, como obter essas características e qual a sua utilidade.
Vejam, esta parte inicial já nos dá uma certa coceira. O que Tiago nos está a querer dizer nesta parte inicial do capítulo? Ter toda a alegria quando passarmos por tribulações já parece desde logo algo estranho. É suposto querermos isso?
Exemplo prático: é suposto eu me alegrar numa fila de hospital? É suposto em aceitar o facto de alguém que eu amo estar a sofrer? E se eu for despedido ou tirar uma má nota num exame, devo sorrir?
É isso que vamos descobrir. Vamos entender como é que devemos agir perante cenários difíceis.
Interpretação dos versículos 1-8
Interpretação dos versículos 1-8
Versículo a versículo
v1: Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que se encontram na Dispersão, saudações.
No versículo primeiro vemos aqui algo que já nos capta a atenção. O autor intitula-se de “servo”, a ideia aqui é escravo, alguém que pertence totalmente a outra pessoa. Neste caso, o autor destaca-se como alguém que serve totalmente a Deus.
E no versículo 2, ele diz:
v2: considerem motivo de grande alegria sempre que passarem por qualquer tipo de provação
Detalhe interessante: “sempre que passarem” e não “se passarem”. Isto significa que devemos refletir sobre a nossa ação perante um cenário que irá acontecer. A palavra “provação” vem do grego “peirasmos” que pode significar também teste. A provação em si está naturalmente associada a dor, a sofrimento, a dificuldade.
Aqui à primeira, já parece complicar. Como assim alegrar-me na provação?
O primeiro ponto é que a questão não é amar a prova ou o sofrimento. Não é ser masoquista. Não é gostar de estar mal. A nossa biologia luta contra aquilo que nos causa dano. Por exemplo, quando estamos doente, com febre, o nosso corpo luta contra o vírus. Então, naturalmente nós vamos combater estados de mau estar. Mas, como iremos ver a seguir, é necessário alegrarmos-nos pelo facto de passarmos pelas provações quando elas chegam. Porquê? Porque Deus nos faz entender o propósito de estar a passar por essas mesmas provações.
O versículo menciona ainda “qualquer tipo de provação”, algumas versões vão dizer “várias”. O sentido aqui é de diversas, diferentes. Leva-nos ao exemplo de Jó. Expor diferentes tipos de sofrimentos. O exemplo de Jó serve também para nos constranger. Hoje em dia é comum, perante o sofrimento, a resposta de muita gente ser de se ausentar de Deus. Deixar de orar, de ler a Bíblia, de ir à igreja.
Já temos aqui um grande ponto de reflexão. Precisamos de refletir sobre a nossa reação à provação. Como é que temos lidado com as dificuldades? Temos encontrado significado em Deus, temos entendido o que é a provação produz?
Tiago, diz que devemos ter motivo de grande alegria passar por todo o tipo de provações mesmo que às vezes tenhamos a sensação que estão a vir todas ao mesmo tempo.
A questão, mais uma vez não é ter prazer numa doença em si (ou “ah o meu país está em guerra”), mas saber que no meio de tudo isso, alegrarmo-nos porque Deus está no controlo das nossas vidas e tem um propósito com a provação. Então, se essa é a nossa situação atual, podemos viver a saber que Deus tem um propósito com o que estamos a passar. Podemos passar por isso com alegria.
Esta alegria só é possível com Deus, só é possível com a presença do Espírito Santo nas nossa vidas. Só é possível, entendendo com Deus, o porquê de passarmos pelas provações e qual a sua utilidade. Porque é que isso deve ser motivo de alegria.
O versículo 3 responde-nos ao porquê.
v.3: sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança
Tiago está a dizer que devemos ser alegres por causa daquilo que o sofrimento produz em nós, sempre que passarmos por provações e não apesar do sofrimento. Este é um grande detalhe. Tiago mostra-nos que nos devemos alegrar não pelo sofrimento em si mas por aquilo que o sofrimento produz.
O que é perseverança? Aqui a palavra é “hypomone” que significa uma resistência inabalável, a capacidade de suportar provações ou stress.
Por isso nós nos alegramos. Porque sabemos que o sofrimento produz perseverança, produz esta resistência. Muitas vezes, esquecemos do propósito de passarmos por várias provações. Esquecemos que as provações estão a produzir em nós, perseverança! Estão a moldar-nos dentro do caráter que Deus deseja para nós.
Exemplo simples: da compra de uma casa ou viagem de avião na Alemanha!
O que Tiago está a dizer e que parece ousado é que nós não amamos o sofrimento em si mas aquilo que sabemos que o sofrimento produz.
Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;
Curiosidade: Provação era o processo de purificação do ouro.
Nós somos provados pelo sofrimento e somos purificados.
Cada sofrimento, cada provação é uma oportunidade de amadurecer a fé.
Entender que sofrimento produz perseverança tem a capacidade de diminuir a dor pois entendemos o propósito de estarmos a sofrer. Um psiquiatra, que já morreu, chamado Viktor Frankl fala sobre algo parecido no livro “o homem em busca de um sentido”.
Passar pelas provações não tem o objetivo de nos enfraquecer ou destruir mas sim o propósito de desenvolver em nós um caráter cristão.
O Espírito Santo dá-nos a capacidade de lidar com a dor de forma espiritual. Dá-nos a capacidade de cantar louvores num leito de hospital.
A alegria chega-nos de forma sobrenatural.
Precisamos de refletir: Será que nós queremos a alegria nas provações? ou preferimos usar o sofrimento para ficarmos numa zona de conforto? para receber atenção das pessoas?
Alegremo-nos por sabermos que o que passamos está a produzir perseverança. Está a moldar-nos da forma que Deus quer.
4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.
O texto diz-nos que a a finalidade última da perseverança é fazer-nos chegar à perfeição e integridade. Teleios e holokleros
O que significa ser alguém perfeito e íntegro? Ser completo, não falta mais nada, sem defeito, sem mancha. Este é o alvo de Deus para as nossas vidas.
Ou seja, a caminhada em direção à perfeição é consequência de perseverar. E perseverar só é possível com Deus. Só através do que Cristo fez por nós, esta caminhada é possível. O Espírito Santo agora habita em nós, fazendo-nos entender o fruto da provação e alegrando-nos pois estamos a ser forjados, moldados para um caráter que agrada a Deus.
Vamos fazer um apanhado:
1º Ponto importante: Entendemos porque sofremos. Nada está fora do controlo de Deus. Nada bate à nossa porta que não seja permissão de Deus. Ele é o Senhor da tua vida, da minha vida e através Dele, podemos alegrar-nos nas provações pois sabemos que elas servem para desenvolver um caráter cristão em nós.
Temos uma ótima oportunidade para refletir sobre como temos reagido nas provações. Pedir a Deus que nos ajude a passar por elas com grande alegria, entendendo o propósito.
O que é que necessitamos para passar pelas situações com perseverança?
5 Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.
Há uma conexão entre os versículos 4 e 5. Algumas Bíblias têm uma separação mas nós podemos entender a relação. Ele termina o versículo 4 a dizer para não sermos faltos em nada e começa o 5 a exortar que, caso nos falte sabedoria, devemos pedir a Deus. Então, não são coisas diferentes, não tem como separar. É necessário sabedoria para perseverar. A sabedoria vai-nos dar a capacidade de suportar as provações, de saber como agir mediante as circunstâncias. A sabedoria vai-nos capacitar a agir sobre o agrado de Deus.
A sabedoria aqui é sobre saber tomar as decisões corretas no meio da provação. Precisamos de tomar decisões e devemos procurar honrar a Deus.
2º ponto importante: Devemos orar por sabedoria durante as provações. Deus diz para nós pedirmos sabedoria.
Exemplo prático da vida: “ficar” com alguém para lidar com a dificuldade de se sentir só ou carente.
Devemos, em todas as circuntâncias, procurar agir como Deus nos orienta através da Sua Palavra. Isso envolve também uma procura constante por entendimento do que é que agrada e não agrada a Deus.
Como é que eu tomo decisões que honrem a Deus em meio ao sofrimento? Pedindo sabedoria, sabendo que Deus nos dá com generosidade. Ele dá sabedoria a quem pede.
Interessante refletirmos que por várias vezes já podemos ter pedido sabedoria e que mesmo tendo o conhecimento de como agir, escolhemos de forma contrária. Quem é que aqui nunca fez algo deste género? Salomão foi profissional nisto.
Contudo há uma condição na hora de pedir sabedoria.
6 Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.
Se não pedirmos com fé, não iremos receber sabedoria da parte de Deus. Simples assim.
Se duvidarmos somos como a onda do mar. Esta é a primeira comparação que o autor faz a alguém que duvida na ora de pedir sabedoria. Quem já foi a Esposende no Inverno sabe bem o que é isto.
7 Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa;
Entendemos que então, devemos ser constantes da nossa fé. Ter consciência e agir com conhecimento do Deus que nós servimos.
Se nós duvidarmos, não só não receberemos sabedoria, como não receberemos coisa alguma.
De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.
O texto é claro.
8 homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.
A segunda comparação que o autor faz é o versículo 8.
“animo dobre” aqui refere-se a indecisa, do grego “dipsychos”, alguém que tem duas “psiques”, quem estudou psicologia vai ser familiar com este palavra. Alguém que tem duas almas, duas mentalidades diferentes; alguém dividido.
Alguém assim é inconstante, ora é de uma forma, ora é de outra.
Caricatura: Temos o exemplo do Homer Simpson. O caos em pessoa, imprevisível, inconstante, dúbio.
Nós precisamos de ser constantes, confiantes na tomada de decisão e naquilo que pedimos a Deus. Dessa forma, iremos receber sabedoria.
Aplicação Prática
Aplicação Prática
Este texto leva-nos para a forma como nós devemos encarar as dificuldades, o sofrimento, todo o tipo de provações que nos chegam. Sejam elas financeiras, emocionais, físicas. Se eu estiver com dificuldades em encontrar uma casa para morar, ou o dinheiro não está a chegar para o final do mês. Se eu me sentir sozinho, sem amigos, longer da família ou pior, ignorado pela família. Se eu tiver uma dor de costas e não houver fisioterapeutas disponíveis para prestar serviço. Todas essas dificuldades devem ser encaradas com grande alegria pois sabemos que o resultados delas é a perseverança que irá produzir em nós um caráter moldado, um caráter idealizado por Deus para as nossas vidas. Um caráter cada vez mais parecido com Cristo.
A questão que fica é: Como é que nós temos lidado com as dificuldades? Como é que temos reagido no momento da angústia? Será que temos ignorado aquilo que é o objetivo das provações na nossa vida? Será que temos dado lugar a um egocentrismo que nos diz que é sobre nós termos tudo o que queremos e não devemos sofrer? Que cristianismo é esse sermos inchados de coisas terrenas? De sermos cheios de um vazio como diz um jovem poeta.
Precisamos de pedir sabedoria a Deus, para conseguirmos preserverar.
Precisamos apontar os nossos olhos para Cristo. Precisamos procurar ser mais parecidos com Ele e aí a nossa forma de olhar para as provações vai mudar. Já não precisamos de viver lamentando o porquê das coisas acontecer. Mas podemos viver com a confiança que sabemos que tudo o que acontece está a forjar-nos para nos parecermos mais com Cristo. Para o glorificarmos. Exemplo pessoal da rapariga da faculdade.
Malta, precisamos de entender e aplicar isto na nossa vida. O nosso tempo aqui, ele já não é mais para nós mesmos. Gálatas 2:20
logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.
Já não vivemos mais nós mas Cristo em nós.
Devemos olhar para o sofrimento com uma perspetiva espiritual, entender o porquê de ele existir, o que Deus tem feito na nossa vida através dele. Humanamente falando, é fácil? Claro que não. Por isso precisamos de cultivar um relacionamento com Ele. Precisamos que seja o Espírito Santo a nos dar esta perspetiva espiritual sobre o sofrimento.
Conclusão
Conclusão
Existe um propósito de Deus para as provações na nossa vida.
Dois pontos para resumir:
alegremo-nos nas dificuldades pois sabemos que elas produzem perseverança, um caráter que agrada mais a Deus
Devemos pedir a Deus sabedoria para agir corretamente mediante todas as circunstâncias, sabendo que se pedirmos com fé, ele nos dará
Vivamos para a glória de Deus porque através do Seu amor na cruz, hoje temos razões para nos alegrarmos independentemente das circunstâncias.
Que Deus nos abençoe.
