Eleição e Predestinação
Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 106 viewsNotes
Transcript
(Agostinho x Pelágio; Calvinismo x Arminianismo)
I. INTRODUÇÃO AO DEBATE HISTÓRICO
A controvérsia sobre eleição e predestinação representa um dos debates mais longos e significativos na história da teologia cristã. Estas doutrinas abordam questões fundamentais sobre a natureza da salvação, o papel da vontade humana e a soberania divina.
1. DEFINIÇÕES PRELIMINARES
A) Eleição:
Refere-se à escolha de Deus de certas pessoas para a salvação antes da fundação do mundo. Esta doutrina está intimamente ligada às questões da soberania divina e da responsabilidade humana.
B) Predestinação:
Conceito mais amplo que se refere ao plano soberano de Deus para todas as coisas, incluindo, mas não se limitando à salvação. Envolve o propósito divino estabelecido previamente para sua criação.
2. RAÍZES BÍBLICAS DO DEBATE
A) Textos Fundamentais:
Romanos 8:28-30
Efésios 1:4-5
João 6:44
2 Tessalonicenses 2:13-14
1 Pedro 1:1-2
II. O DEBATE AGOSTINHO-PELÁGIO (Século V)
1. CONTEXTO HISTÓRICO
Este debate fundamental ocorreu no início do século V, em um momento crucial para a igreja primitiva, quando questões sobre a natureza do pecado e da graça estavam sendo intensamente discutidas.
Pelágio
Era um monge que estava interessado em que as pessoas vivessem de forma moralmente virtuosa. Ele defendia que Deus criou o homem com liberdade de escolha, a qual deveria ser usada para cumprir os propósitos divinos. Ele dizia que cada pessoa vem ao mundo sem propensão para o mal, ou seja, para ele não existe pecado original. Os seres humanos não herdam o pecado de Adão, nem a tendência para ele. Isso porque não seria justo que Deus tomasse o pecado de uma pessoa e atribuísse à outra. Então, por que receberíamos a culpa ou efeito por algo que Adão cometeu? Em Adão, os homens encontram um exemplo negativo do que não deve ser feito.
Ele também argumentava que Deus não exerce influência na conversão da pessoa, ou na sua escolha para o bem. Deus não estaria escolhendo de forma especial ninguém para uma vida de santidade ou para uma predestinação à salvação. Todas as pessoas têm acesso à graça que consiste no livre-arbítrio, e daí é possível uma compreensão de Deus através do uso da razão, a lei de Moisés e o exemplo de Cristo. O progresso em santidade, dessa forma, é meritório, e a predestinação é simplesmente uma previsão da qualidade de vida que as pessoas, através dos seus próprios esforços, viveriam. Ele afirmava que as pessoas poderiam viver sem pecar.
Agostinho
Agostinho escreveu uma resposta a Pelágio e foi o principal inimigo de Pelágio dentro do contexto teológico. O grande debate agostiniano e pelagiano é um dos principais debates na história da igreja acerca da questão da salvação.
Ele respondeu a Pelágio enfatizando o pecado de Adão. Agostinho afirmava que todos os homens eram um com ele, por isso todos pecaram em Adão. Ele acreditava que a alma era originada pelos pais por meio do processo reprodutivo, por causa disso, estávamos “presentes” em Adão e pecamos com ele. Isso significa que o homem nasce com uma propensão para o mal, ele nasce pecador. Depois da queda, todas as escolhas dos homens são inclinadas para o mal. O papel da graça é restaurar a liberdade. Ela devolve a opção de não pecar e de fazer o bem. Essa graça é irresistível, mas não é coercitiva. Ou seja, ela transforma nossa vontade para escolhermos o bem. Não é o homem arrastado contra sua vontade, mas transformado em sua vontade. Deus sabe as condições nas quais optaremos pelo bem que ele quer e produz essas condições no nosso coração. Ou seja, só fazemos o bem, quando Deus fornece a condição sobrenaturalmente a condição para fazê-lo.
Assim, é Deus quem escolhe a quem conferir graça. Ele fez essa escolha na eternidade tendo precisamente o número de pessoas que iria salvar. Tal predestinação não depende de uma visão prévia que Deus teve do que as pessoas fariam, mas é uma escolha de antemão da parte de Deus. Não há injustiça da parte dele porque os condenados apenas recebem o que merecem e os eleitos aquilo que não merecem, pela graça. O mal recebido é um mal merecido. A salvação recebida é uma salvação que não possui méritos nenhum.
Por causa da atuação de Agostinho, a doutrina de Pelágio foi condenada em 431 d.C., no Concílio de Éfeso. As controvérsias sobre a predestinação persistiram durante a Idade Média. Gottschack, por exemplo, defendeu a dupla predestinação onde Deus predestina tanto os eleitos quanto aqueles que serão condenados. Nos séculos XI a XIII vários téologos tentaram conciliar a doutrina agostiana com sua doutrina como Anselmo, Pedro Lombardo, Thomás de Aquino. Na época da Reforma, Lutero e Calvino também defenderam essa ideia. Teodoro de Beza foi sucessor de Calvino e defendeu a dupla predestinação. Jacó Armínio foi aluno de Beza, ou seja, discípulo do sucessor de Calvino, e discordou de sua dupla predestinação. Foram seus postulados estimularam o surgimento dos Remonstrantes. Na remonstrância, houve a organização do arminianismo como uma oposição a Calvino e seus ideais.
1. POSIÇÃO DE PELÁGIO
A) Visão sobre a Natureza Humana:
Defendia que os humanos nascem moralmente neutros
O pecado de Adão afetou apenas ele mesmo
Cada pessoa tem a capacidade natural de escolher o bem
A vontade humana é completamente livre
B) Compreensão da Graça:
A graça facilita, mas não é necessária para a salvação
O livre-arbítrio é suficiente para escolher e seguir a Deus
A graça consiste principalmente no exemplo de Cristo e no ensino moral
2. POSIÇÃO DE AGOSTINHO
A) Visão sobre a Natureza Humana:
Afirmava que os humanos nascem em pecado
O pecado de Adão afetou toda a humanidade
A natureza humana está totalmente corrompida
A vontade está escravizada pelo pecado
B) Compreensão da Graça:
A graça é absolutamente necessária para a salvação
Somente a graça pode libertar a vontade humana
A graça é irresistível e eficaz
A eleição é incondicional
3. RESOLUÇÃO HISTÓRICA
O Concílio de Cartago (418 d.C.) e posteriormente o Concílio de Éfeso (431 d.C.) condenaram o pelagianismo, endossando substancialmente a visão agostiniana.
III. DESENVOLVIMENTO MEDIEVAL
1. SEMI-PELAGIANISMO
A) Características Principais:
Tentativa de meio-termo entre Agostinho e Pelágio
O homem pode dar o primeiro passo para Deus
A graça é necessária, mas não irresistível
Cooperação entre graça divina e vontade humana
2. TOMÁS DE AQUINO
Sistematização da predestinação
Ênfase na soberania divina
Compatibilismo entre predestinação e livre-arbítrio
IV. A REFORMA PROTESTANTE E O DEBATE CALVINISMO-ARMINIANISMO
Calvinismo
No quesito sotereológico – porque calvinismo fala de muitas outras coisas que vêm de Calvino - um dos pontos que está intimamente ligado é o acrônimo TULIP – Tulipa em inglês - que corresponde à Total depravation (depravação total); Unconditional election (eleição incondicional); Limited antonement (expiação limitada), Irresistible grace (graça irresistível) e Perseverance of the saints (Perseverança dos santos). Calvino nunca foi um sistematizador das próprias ideias para além daquilo que escreveu nas Institutas. Ele comentou a bíblia e fez vários sermões. As Institutas são uma obra máxima daquilo que Calvino tem a nos dar, mas não parece tanto uma teologia sistemática primordial. Ele nunca escreveu um livro chamado 5 Pontos, porque isso é uma construção posterior de discípulos de Calvino que surgiu basicamente em resposta aos remonstrantes, e isso foi organizado no famoso sínodo de Dort. Ele aconteceu na Holanda, na cidade de Dordrecht em 1618-19. Foi organizado pela Igreja Reformada Holandesa e veio para justamente tentar lidar com essa ascensão da remonstrância com os arminianos. É a partir daí que surgem os famosos cinco pontos do Calvinismo como realmente conhecemos. Eles são muito mais uma resposta ao arminianismo do que uma sistematização do próprio Calvino acerca de suas ideias. A partir do Sínodo de Dort surgem os cânones de Dort, que é o documento que traz a explicação desses cinco pontos.
Calvinistas entendem que a raça humana está totalmente perdida no pecado. O conceito de depravação total significa que todas as áreas do homem foram corrompidas pelo pecado. Não significa que o homem é o mais mal que ele pode ser, nem que é o pior ser humano que pode ser. Depravação total fala da totalidade do indivíduo: a mente, os afetos, os sentimentos, tudo está corrompido e destruído pelo pecado. A cada centímetro cúbico da nossa existência Satanás diz: é meu!, quando não temos Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. Por isso, o homem é incapaz de responder corretamente à graça. Todas as pessoas começam a vida nessa condição de vida, ou seja, há um pecado que é original e faz com que nasçamos nele. Desde a concepção estamos separados de Deus, corrompidos em cada área da nossa existência. A nossa depravação é total. A herança desse pecado pode ser considerada de forma distinta pelos calvinistas. Uns entendem que Adão é o representante federal do homem e uma vez que ele pecou, sua condição de pecador é imputada ao homem. Isso seria uma coisa um pouco mais jurídica. Ele é o nosso presidente. A decisão que o presidente toma recai sobre todo país. Ele é nosso monarca e a decisão tomada por ele afeta todo país. Ninguém diz que o presidente do Brasil cortou relações comerciais com o Irã, mas sim que o Brasil cortou relações comerciais com o Irã, porque o representante federal toma a decisão por todos nós. Outros falam de uma representação seminal. Uma vez que estávamos em Adão e ele é o nosso ascendente, todos nós, então, herdamos o pecado por transmissão. De qualquer forma, todos os homens pecaram em Adão. Quando perguntaram para Calvino se ele pecaria se estivesse no lugar de Adão, ele respondeu: “eu pequei em Adão”. Eu pequei, eu estava lá. Nós estávamos lá pecando junto com Adão.
Interpretando Ef 2;1-3, calvinistas entendem que o homem é totalmente incapaz de se achegar a Deus, necessitando de sua graça para ser salvo. Outro conceito importante do calvinismo é o da soberania de Deus. Deus é livre para fazer o que quiser sem precisar prestar contas a ninguém. Ele não está sujeito a nada que lhe impeça de tomar suas decisões. Deus é o oleiro que faz do barro vasos de honra e de desonra conforme lhe apraz (Rm 9.20-21). Nesse sentido, a eleição é incondicional, porque não depende de nenhuma condição humana. A eleição se manifesta como uma escolha de Deus, especial, em favor do ser humano, que levaria pessoas a se tornarem filhas espirituais e então encontrarem vida eterna. Essa eleição é uma iniciativa do Pai feita antes da fundação do mundo (Ef 1.4-5), para que eles deem fruto (Jo 15.16). Ninguém pode ir a Cristo se o Pai não chamar (Jo 6.44) e todo aquele que o Pai dá vai a Cristo e não será rejeitado (Jo 6.37). Essa escolha não depende da vontade do indivíduo, mas de Deus demonstrar misericórdia (Rm 9.15-16).
Assim, essa eleição não está baseada em mérito algum da pessoa, nem na presciência divina. A eleição também é eficaz, ou seja, quem Deus chamou certamente crerá e permanecerá até o fim. Todos os que foram eleitos serão salvos. Além disso, essa eleição é desde a eternidade passada e incondicional no que diz respeito à realização de uma ação humana específica. É a partir daí que vem o nome monergismo. A ideia é que existe só uma ação (mono) de um só que age para que a salvação ocorra. Não é sinergístico onde dois cooperam (homem e Deus) para que a salvação ocorra. Os Calvinistas são monergistas e não sinergistas. A salvação, a justificação, a redenção dependeria unicamente de um agente, a saber, o próprio Deus operando sua eleição incondicional no coração dos seus eleitos.
Os calvinistas afirmam que a queda removeu a capacidade de exercer a liberdade de forma plena e de tomar decisões que sejam moralmente elevadas em um nível espiritual e de escolha por Deus. Por isso, é importante que Deus intervenha diretamente para que o homem possa escolher o Senhor. Deus decretou a salvação divina para salvar os pecadores.
A ordem dos decretos de Deus
Deus decretou coisas na história. Ele decretou a salvação, a queda, a morte de Jesus, as coisas aconteceram debaixo de um decreto. Deus organizou as coisas de acordo com as teologias calvinistas, de acordo com perspectivas que creem na soberania de Deus sobre a criação. Houve uma queda e houve uma salvação, mas qual é a ordem dessas coisas? A salvação aconteceu porque houve uma queda? Então Jesus apareceu como uma correção dos planos originais de Deus? Ou a queda aconteceu porque já havia um plano de salvação, então de alguma forma Deus fez com que o pecado entrasse no mundo e Deus é o autor do pecado? São assuntos importantes para a teologia e que recebem nomes bem esquisitos - supralapsarianismo, infralapsarianismo, ou ainda sublapsarianismo/mesolapsarianismo.
Lapso significa queda. Lapso, então diz qualquer coisa que diga a respeito da queda do homem em Adão. O pecado entrando no mundo. Lapsarianismo é, portanto, uma doutrina. Então, seriam doutrinas referentes à queda. Essas doutrinas dizem respeito ao decreto de Deus quanto à redenção e à morte de Jesus.
Supralapsarianismo diz que a redenção está acima da queda. Isso significa que o decreto de Deus para a redenção veio antes do decreto da queda. Ou seja, a queda estava sujeita à redenção. Estamos falando disso em um sentido lógico.Não é em um sentido cronológico no ato, mas é lógico no sentido. O supralapsarianismo vai dizer que a redenção está antes da queda em termos lógicos no decreto de Deus. Deus desejava a redenção em Cristo Jesus, por isso ele decretou uma queda para que essa redenção acontecesse.
O supralapsariano tem a vantagem de entender que Jesus é o nosso redentor desde a eternidade e que Jesus não é nosso plano B. Não é que Jesus veio para corrigir um plano frustrado de Deus, mas ele sempre foi o nosso redentor desde sempre e para sempre. O plano de Deus incluiu o seu filho que foi imolado desde antes da fundação do mundo. Já havia um livro da vida do Cordeiro antes mesmo da fundação do mundo. Então, o supralapsariano entende bem o aspecto que Cristo sempre foi o nosso redentor e que a queda não veio fora daquilo que Deus havia visto que aconteceria, ou do propósito de Deus para o mundo.
Porém, tem um problema. O supralapsarianismo parece colocar uma queda como algo inevitável. Como se Deus tivesse forçado a existência da queda de alguma forma. Como se a queda fosse o jeito de Deus fazer a redenção e que somos muito mais vítimas do que causadores da queda. Deus seria mal em fazer isso conosco? Existem problemas um tanto lógicos e emocionais diante do supralapsarianismo.
Existe também o infralapsarianismo. Ele vai dizer que num sentido lógico a redenção está abaixo da queda. Deus preordenou as coisas no mundo e a redenção aconteceu porque houve uma queda. Não é que houvesse uma queda para que houvesse redenção, mas que houve redenção porque houve uma queda. Essa é a visão mais popular acerca da queda. Deus permitiu que a queda acontecesse. Ela aconteceu sem nenhum envolvimento de Deus – digamos assim – ele não é o autor nem o causador da queda. Os homens caíram, porque escolheram pecar. Então por isso houve um redentor prometido. A vantagem do infralapsarianismo é não deixar que Deus seja visto como um ser mal que trouxe o pecado para o mundo. Por outro lado, tem um problema de colocar Jesus como um plano B. Como se Jesus não fosse o propósito e o plano inicial de Deus desde o começo para o mundo.
Como concilar essas duas coisas? O supralapsarianismo com o infralapsarianismo. Daí surgiu uma terceira posição que alguns chamam de mesolapsarianismo ou sublapsarianismo, o qual costuma ser um esforço para conciliar essas duas coisas muito próximo da visão que temos sobre soberania e responsabilidade. Deus permitiu que a queda acontecesse no mundo, decretando essa queda, de forma que os homens são agentes dessa queda e não Deus de forma alguma. A ideia de queda e redenção não teriam prioridade lógica dentro do plano de Deus, mas fariam parte de um todo daquilo que Deus está organizando dentro de um todo na história. Não tem como escolher um em detrimento de outro e dizer que Deus fez um para que o outro acontecesse. A mente de Deus é uma e completa e organizou a história como um continuum dentro de um plano que ele mesmo organizou. Não importa o que está sujeito a que em termos lógicos. Tudo vem dentro do mesmo escopo sobrenatural e de decreto do Deus vivo da criação.
Então, lidando diretamente com a ordem dos decretos temos:
Supralapsarianismo
• Decreto para salvar uns e condenar outros
• Decreto de criar tanto os eleitos quanto os réprobos
• Decreto de permitir a queda de ambas as classes de pessoas
• Decreto de prover salvação somente para os eleitos
Infralapsarianismo
• Decreto de criar os seres humanos
• Decreto de permitir a queda
• Decreto de salvar alguns e condenar outros
• Decreto de prover salvação somente para os eleitos
Sublapsarianismo
• Decreto de criar os seres humanos
• Decreto de permitir a queda
• Decreto de prover salvação suficiente para todos
• Decreto de escolher alguns para receber essa salvação
No fim das contas, tudo isso é teologia especulativa e a relevância disso em termos teológicos para as pessoas geralmente é muito baixa. É o tipo de assunto que entretêm mais do que instrui, que divide em coisas extremamente secundárias mais do que motiva pela compreensão da grandeza do Evangelho. E é um assunto que ninguém deveria bater martelo com muita força, considerando que não é baseado em nenhum texto bíblico específico ou um conhecimento que provém direto da palavra de Deus. Nenhum texto bíblico quis nos instruir sobre isso, mas é um exercício de raciocínio em cima das doutrinas da Escritura, nada mais do que isso. Não deveria incomodar ninguém, mas são termos teológicos que você precisa conhecer, saber o que é esse debate para estar preparado para que, caso ouça, não fique perdido acerca do que significa.
Arminianismo
Você deve conhecer o arminianismo do mundo de internet. Ele está dentro do debate famoso entre Calvinismo e Arminianismo, entre soberania de Deus na salvação ou liberdade humana na salvação. O Arminianismo vem de um homem chamado Jacó Armínio que, em tese, tem a posição contrária ao Calvinismo, mas não é bem assim. Se pensarmos nos extremos opostos do Calvinismo, pensaríamos no pelagianismo. O Arminianismo não é bem um oposto do Calvinismo, mas seja talvez uma posição intermediária entre Calvinismo e Pelagianismo. Por causa disso, alguns chamam o Arminianismo de Semi-Pelagianismo, mas esse é um termo um tanto ofensivo.
Armínio defendeu que todos os seres humanos são pecadores e incapazes de realizar o bem com as próprias forças. Isso parece estar um tanto de acordo com a doutrina da Depravação Total. A diferença é que o arminianismo crê na chamada graça preveniente. Essa graça deixaria o homem hábil para escolher o Senhor mesmo sendo depravado em todas as suas capacidades.
Assim como o Calvinismo, o Arminianismo apresenta variações. Porém, consideraremos aquilo que é comum a todos. Segundo os arminianos, Deus deseja que todos sejam salvos, proporcionando a salvação para todos e deseja que todos venham a se arrepender (2 Pe 3.9; At 17.30). A barreira entre a vontade de Deus e a realização dessa vontade de salvação universal é o livre-arbítrio, o exercício de vontade dos homens em negar a salvação que provém do Senhor.
Na interpretação arminiana encontramos o AT trazendo aos homens constantes convites ao arrependimento (Is 55.1), o convite de Jesus foi sem restrições (Mt 11.28). Encontramos constantemente não apenas Deus esperando que os homens tomem decisão de salvação, mas a vontade de Deus sendo impedida pela vontade dos homens. Jesus teria dito que ele queria atrair, assim como uma galinha atrai seus pintinhos debaixo de suas asas, o povo de Israel, mas isso não aconteceu porque o povo não quis (Mt 23.37- 39).
E uma doutrina básica do arminianismo é que todos são capazes de escolher a salvação, possuindo a possibilidade de satisfazer todas as condições necessárias para poder ser salvo através do convite de Cristo. Para os arminianos, o convite geral e universal à salvação só faz sentido se for possível aos homens que são convidados, atender a esse convite. Dessa forma, o Arminianismo defende uma salvação sinergística. Enquanto o Calvinismo é monergista – um só agindo – a salvação no Arminianismo é sinergista, onde os dois cooperam para a salvação. Homem e Deus são agentes conjuntos na justificação.
Arminianos podem levantar algumas objeções ao calvinismo como:
• Com base em Mt 22.37; 2 Pe 3.9; At 7.51, eles dizem que a Bíblia não apoia o monergismo
• Com base em Jo 3.16; 1 Tim 2.4-5, dizem que o monergismo é contrário à benevolência de Deus
• Dizem que a concepção monergista seria contrária ao amor do Senhor já que forçaria que as pessoas amem a Deus, o que seria contrário à natureza do amor. O amor só seria amor se vier de forma livre.
Segundo eles, a ordem dos decretos divinos de forma lógica seguem uma perspectiva extremamente infralapsariana ou mesmo sublapsariana, nunca supralapsariana. Ou seja, a ordem seria a seguinte:
• Criar todos os seres humanos
• Permitir a queda
• Prover salvação para todos
• Eleger com base na previsão de fé dos crentes
• Aplicar a salvação somente aos crentes
O arminianismo é sistematizado nos cinco artigos da Remonstrância. Eles foram organizados pelos discípulos de Armínio um ano depois de sua morte, ou seja, Armínio morreu em 1609 e a Remonstrância surge em 1610 com os seus discípulos. Eles organizaram, então, seus pensamentos em contraste com os pensamentos de João Calvino, que já tinha morrido há um tempo. Uma vez que existiram os cinco artigos da Remonstrância, surgiram os cinco pontos do Calvinismo no Sínodo de Dort em contraponto a esses cinco artigos da Remonstrância.
Nesses cinco artigos encontramos no primeiro artigo a oposição à doutrina da eleição incondicional, deixando claro que Deus elege aqueles que de antemão percebe que seriam salvos. O segundo artigo defende a expiação ilimitada, dizendo que Deus morreu por todos os homens, ainda que isso se aplique apenas aos eleitos. O terceiro artigo afirma a depravação total. Aqui podemos ter uma confusão: arminianos creem em depravação total, mas adicionam a graça preveniente como uma forma de corrigir isso. O quarto artigo fala da graça resistível, considerando o livre-arbítirio humano de resistir ao chamado da graça de Deus. E o quinto artigo deixa meio em aberto a doutrina da perseverança dos santos, eles não rejeitam a perseverança dos santos, mas falam de um tipo de perseverança condicional que em tese é como rejeitar a doutrina, mas não de forma ferrenha e eles mesmo dizem no documento que mais estudos eram necessários sobre o assunto. Eles dizem literalmente “Isso deve ser assunto de uma pesquisa mais acurada na Escritura”.
Em resumo, temos:
1. CALVINISMO
Os Cinco Pontos do Calvinismo (TULIP):
Depravação Total (Rm 3.10-12; Ef 2.1-3; Gn 6.5; Jr 17.9; Jo 6.44; 1Co 2.14):
O pecado afeta todas as áreas da vida humana
Incapacidade total para responder a Deus
Necessidade absoluta da graça regeneradora
Eleição Incondicional (Ef 1.4-5; Rm 9.11-13; Jo 15.16; At 13.48; 2Ts 2.13):
Deus escolhe os salvos independentemente de qualquer mérito
A eleição baseia-se apenas no propósito divino
Anterior à criação do mundo
Expiação Limitada (Jo 10.11,15; At 20.28; Ef 5.25; Jo 17.9; Mt 1.21) :
Cristo morreu eficazmente pelos eleitos
A obra expiatória assegura a salvação dos escolhidos
Propósito definido na redenção
Graça Irresistível (Jo 6.37; Rm 8.30; Fp 2.13; Jo 6.44-45; At 16.14):
O chamado eficaz de Deus não pode ser resistido
O Espírito Santo regenera eficazmente
A graça sobrepuja a resistência humana
Perseverança dos Santos (Fp 1.6; Jo 10.28-29; Rm 8.38-39; 1Pe 1.5; 1Jo 2.19) :
Os eleitos perseverarão até o fim
Segurança eterna da salvação
Deus preserva os seus
ARMINIANISMO
Os Cinco Pontos do Arminianismo:
Depravação Total (com diferença) (Rm 3.23; Ef 2.1; Jo 6.44; Rm 5.12; Tt 2.11; Jo 3.16):
Reconhece a corrupção total
Mas afirma que a graça preveniente capacita todos
Possibilidade de resposta positiva a Deus
Eleição Condicional (1Pe 1.1-2; Rm 8.29; At 13.48; Jo 3.16; 1Tm 2.4):
Baseada na presciência divina
Deus escolhe aqueles que crerão
Elemento de resposta humana
Expiação Universal (1Jo 2.2; 1Tm 2.6; 2Pe 2.1; Hb 2.9; 2Co 5.14,15):
Cristo morreu por todos
Possibilidade de salvação para todos
Eficácia dependente da fé individual
Graça Resistível (At 7.51; Hb 4.2; Mt 23.37; Jo 5.40; 2Pe 3.9):
O chamado divino pode ser resistido
Cooperação necessária entre graça e vontade
Possibilidade de rejeição da graça
Possibilidade de Apostasia (Hb 6.4-6; Hb 10.26-29; 2Pe 2.20-22; 1Tm 4.1; Ap 3.5):
A salvação pode ser perdida
Necessidade de perseverança na fé
Advertências contra a apostasia
V. DESENVOLVIMENTOS MODERNOS E POSIÇÕES CONTEMPORÂNEAS
O panorama teológico moderno e contemporâneo sobre eleição e predestinação apresenta desenvolvimentos significativos e nuances importantes que merecem atenção detalhada. No campo do Calvinismo Modificado, encontramos duas vertentes principais: o Amiraldismo e o Calvinismo Moderado.
O Amiraldismo, também conhecido como Calvinismo de 4 Pontos, foi desenvolvido por Moisés Amyraut (1596-1664) na Academia de Saumur, França. Esta perspectiva mantém a maioria dos pontos do calvinismo tradicional, mas rejeita a doutrina da expiação limitada. O Amiraldismo propõe uma ordem específica dos decretos divinos, começando pelo decreto de criar, seguido pelo decreto de permitir a Queda, o decreto de prover salvação para todos e, finalmente, o decreto de eleger alguns para receber graça especial. Esta visão sustenta que Cristo morreu suficientemente por todos, mas eficazmente apenas pelos eleitos.
O Calvinismo Moderado, por sua vez, representa uma abordagem menos determinista que busca equilibrar a soberania divina com a responsabilidade humana. Esta vertente mantém a supremacia de Deus enquanto reconhece o mistério divino, evitando explicações excessivamente sistemáticas. Há uma maior ênfase na aplicação pastoral e na sensibilidade às questões práticas do ministério.
No campo do Arminianismo, dois desenvolvimentos significativos merecem destaque: o Arminianismo Wesleyano e o Arminianismo Moderno. O Arminianismo Wesleyano, desenvolvido por John Wesley (1703-1791), integra-se à tradição metodista com forte ênfase na santificação. Wesley desenvolveu a doutrina da perfeição cristã, que enfatiza a possibilidade de vitória sobre o pecado consciente e o crescimento contínuo na graça. Há uma forte ênfase no papel do Espírito Santo na santificação e no conceito de graça preveniente, que é universal e anterior à conversão.
O Arminianismo Moderno tem se desenvolvido em diálogo com a filosofia contemporânea, apresentando abordagens mais sofisticadas do livre-arbítrio e novas interpretações da presciência divina. Este desenvolvimento tem focado na responsabilidade moral e no discipulado ativo, valorizando a experiência pessoal no processo de salvação.
O Molinismo propõe o conceito de "conhecimento médio" de Deus, uma forma de conhecimento entre o natural e o livre, que inclui o conhecimento dos contrafactuais. Esta perspectiva busca reconciliar a predestinação com a liberdade humana genuína, oferecendo uma solução para diversos problemas filosóficos relacionados à soberania divina e ao livre-arbítrio.
A Teologia do Processo apresenta uma visão alternativa, reinterpretando a soberania divina com ênfase na relacionalidade e no dinamismo divino-humano. Esta abordagem vê Deus mais como uma influência persuasiva do que coercitiva, enfatizando a liberdade como fundamental e vendo a realidade como um processo contínuo de desenvolvimento.
A teologia ortodoxa tradicionalmente apresenta diversas críticas tanto ao molinismo quanto à teologia do processo, embora em diferentes graus de intensidade, já que o molinismo procura permanecer dentro da tradição teísta clássica, enquanto a teologia do processo representa uma revisão mais radical.
Em relação ao molinismo, uma das críticas fundamentais diz respeito à fundamentação ontológica dos contrafactuais de liberdade. Os críticos, especialmente da tradição reformada e tomista, questionam como tais contrafactuais podem ter valor de verdade definido antes da existência das pessoas ou situações às quais se referem. Se estes contrafactuais não são determinados por Deus nem pelas criaturas (que ainda não existem), falta-lhes uma base de verdade adequada. Os calvinistas também argumentam que o molinismo ainda restringe a soberania divina, pois coloca Deus em posição "reativa" às escolhas humanas potenciais, escolhendo entre mundos possíveis com base no conhecimento do que as criaturas fariam, em vez de determinar ativamente todas as coisas conforme sua vontade.
A ortodoxia agostiniana considera que o molinismo supervaloriza o livre-arbítrio humano, subestimando a corrupção total da natureza humana pelo pecado e atribuindo à vontade humana uma capacidade que ela não possui após a Queda. Alguns tomistas argumentam ainda que o conhecimento médio representa uma categoria desnecessária, pois todo conhecimento divino já estaria adequadamente incluído nas categorias de conhecimento natural (necessário) ou livre (contingente). Por fim, existe a preocupação de que a divisão do conhecimento divino em três tipos possa comprometer a doutrina da simplicidade divina, que afirma que Deus não possui partes ou distinções em sua natureza.
Quanto à teologia do processo, as críticas ortodoxas são significativamente mais severas. A negação da imutabilidade divina constitui uma objeção fundamental, pois a ideia central de que Deus está em constante processo de mudança e desenvolvimento junto com o mundo contradiz diretamente a concepção clássica de um Deus imutável. Da mesma forma, a limitação do poder divino presente na teologia do processo, onde Deus não possui onipotência no sentido tradicional, mas apenas poder persuasivo e não coercitivo, contraria frontalmente a visão ortodoxa do poder absoluto de Deus sobre toda a criação.
A forte ênfase na imanência divina e na interrelação de Deus com o mundo, característica da teologia do processo, é frequentemente vista como um comprometimento inaceitável da transcendência divina. A rejeição da doutrina da criação ex nihilo por muitos teólogos do processo, que preferem uma visão onde Deus ordena uma realidade caótica preexistente, contraria a doutrina ortodoxa fundamental da criação a partir do nada. O panenteísmo característico desta teologia, que afirma que Deus está no mundo e o mundo está em Deus, embora Deus seja mais que o mundo, diverge significativamente do teísmo clássico que mantém uma distinção mais clara entre Criador e criação.
Por fim, críticos da ortodoxia frequentemente argumentam que as descrições de Deus encontradas nas Escrituras sagradas são fundamentalmente incompatíveis com a concepção de um ser divino em constante desenvolvimento, com poder limitado ou dependente do mundo para sua própria realização, como proposto pela teologia do processo. Estas concepções aparentam estar em conflito com atributos divinos claramente afirmados nos textos sagrados, como a onipotência, onisciência, eternidade e auto-suficiência.
Tanto o molinismo quanto a teologia do processo surgiram como tentativas de resolver problemas teológicos relacionados à interação entre Deus e os seres humanos, particularmente questões de liberdade e determinismo, mas suas soluções são avaliadas pela ortodoxia como comprometedoras de aspectos cruciais da natureza divina conforme tradicionalmente compreendida.
1. CALVINISMO MODIFICADO
A) Amiraldismo (Calvinismo de 4 Pontos):
Rejeita a expiação limitada
Mantém os outros pontos do calvinismo
Propõe uma ordem lógica diferente dos decretos divinos
B) Calvinismo Moderado:
Ênfase no mistério divino
Menor rigidez sistemática
Busca equilibrar soberania e responsabilidade
2. DESENVOLVIMENTOS ARMINIANOS
A) Arminianismo Wesleyano:
Ênfase na santificação
Doutrina da perfeição cristã
Maior papel do Espírito Santo
B) Arminianismo Moderno:
Maior ênfase no livre-arbítrio
Interpretação mais ampla da graça preveniente
Diálogo com filosofia contemporânea
3. NOVAS PERSPECTIVAS TEOLÓGICAS
A) Molinismo:
Conhecimento médio de Deus
Tentativa de reconciliar predestinação e livre-arbítrio
Ênfase nos contrafactuais da liberdade
B) Teologia do Processo:
Visão alternativa da soberania divina
Ênfase na relacionalidade divina
Reinterpretação da predestinação
VI. IMPLICAÇÕES TEOLÓGICAS
IMPLICAÇÕES DA PREDESTINAÇÃO
Corretamente compreendida, a doutrina da predestinação tem diversas implicações significativas:
1. Podemos estar seguros de que aquilo que Deus decidiu acontecerá. Seu plano será executado, e os eleitos virão à fé.
2. Não devemos nos censurar se algumas pessoas rejeitam a Cristo. Nem Jesus alcançou todos os seus ouvintes. Ele entendeu que todos os que o Pai lhe deu viriam a ele (Jo 6.37) e somente eles viriam (v. 44). Quando tivermos feito o melhor, podemos deixar a questão para o Senhor.
3. A predestinação não anula o incentivo para evangelismo e missões. Não sabemos quem são os eleitos e os não eleitos, portanto, devemos continuar anunciando a Palavra. Nossos esforços evangelísticos são o meio usado por Deus para levar os eleitos à salvação. Se Deus ordena o fim, ele ordena o meio para esse fim também. O entendimento de que missões são o instrumento de Deus é uma forte motivação para a realização da tarefa e nos dá a certeza de que ela terá êxito.
4. A graça é absolutamente necessária. Nada há no indivíduo que persuada Deus a lhe conceder a salvação.
VII. IMPLICAÇÕES PRÁTICAS
As doutrinas da eleição e predestinação, embora profundamente teológicas, têm implicações práticas significativas que afetam diversos aspectos da vida cristã, do ministério pastoral e da missão da igreja. Estas doutrinas não são meras abstrações teológicas, mas verdades que moldam nossa compreensão de Deus, nossa experiência espiritual e nossa prática ministerial.
Na vida devocional do crente, a compreensão destas doutrinas produz efeitos profundos. Quando adequadamente entendidas, elas geram um senso profundo de segurança e gratidão pela graça divina. O crente que compreende sua eleição em Cristo desenvolve uma confiança maior na oração, sabendo que Deus já estabeleceu seus propósitos eternos. Esta certeza não leva à passividade, mas a uma gratidão que motiva à santidade e ao serviço. A humildade genuína floresce quando reconhecemos que nossa salvação é inteiramente obra da graça divina.
No campo da evangelização, estas doutrinas proporcionam uma base sólida para o trabalho missionário. O evangelista que compreende a soberania de Deus na salvação pode proclamar o evangelho com confiança, sabendo que os resultados estão nas mãos de Deus. Isto remove a pressão indevida de "produzir conversões" e permite uma apresentação fiel do evangelho sem recurso a manipulações emocionais. Ao mesmo tempo, mantém-se a urgência da proclamação, pois Deus ordenou que o evangelho seja pregado a todas as nações.
No ministério pastoral, estas doutrinas têm implicações significativas para o aconselhamento, a pregação e o discipulado. No aconselhamento, ajudam a tratar questões de segurança da salvação e dúvidas espirituais. Na pregação, exigem um equilíbrio cuidadoso entre a apresentação de verdades profundas e a sensibilidade pastoral. No discipulado, fundamentam o desenvolvimento da maturidade espiritual e a formação de uma cosmovisão bíblica sólida.
Um desafio particular no ministério é lidar com diferentes visões sobre estas doutrinas dentro da igreja. É necessário promover um ambiente de respeito pela diversidade teológica, mantendo a unidade em Cristo. A apresentação destas doutrinas deve ser feita com sensibilidade pastoral, clareza na comunicação e aplicação contextualizada, sempre buscando a edificação da igreja.
Na vida eclesiástica, estas doutrinas influenciam a adoração, a comunhão e o serviço. Na adoração, levam a uma expressão mais profunda de gratidão pela graça eletiva de Deus. Na comunhão, promovem a unidade apesar das diferenças teológicas. No serviço, fornecem motivação duradoura, baseada na graça divina rather than em resultados visíveis.
Os desafios práticos incluem manter o equilíbrio entre a soberania divina e a responsabilidade humana, entre a certeza da salvação e a necessidade de vigilância, entre a graça e a obediência. Pastoralmente, é necessário saber como tratar dúvidas sobre eleição, orientar sobre perseverança e oferecer conforto nas provações.
Para líderes e congregações, algumas orientações práticas são essenciais. Os líderes devem manter humildade teológica, buscar sabedoria pastoral e promover unidade na diversidade. As congregações são chamadas a cultivar amor mútuo, respeitar diferentes perspectivas e manter o foco na missão. Individualmente, cada crente deve estudar estas doutrinas com mente aberta, buscando crescimento em compreensão e aplicação prática.
A aplicação adequada destas doutrinas deve resultar em crescimento espiritual, fortalecimento da fé, motivação para o serviço, aprofundamento da adoração e compromisso com a evangelização e o discipulado. Quando corretamente compreendidas, elas não paralisam a ação cristã, mas a energizam com base na certeza das promessas divinas.
Em última análise, o objetivo é manter um equilíbrio saudável entre fidelidade doutrinária e sensibilidade pastoral. Estas doutrinas, longe de serem obstáculos, devem servir como fundamento para uma vida cristã vibrante e um ministério eficaz que glorifica a Deus e edifica sua igreja. A chave está em permitir que estas verdades profundas moldem nossa compreensão e prática, sempre com o objetivo de honrar a Deus e servir ao seu povo com sabedoria e amor.
