OS RESULTADOS DA VIDA CRISTÃ
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INTRODUÇÃO
Quais são os resultados que você espera para a sua vida? O que você espera que aconteça até o final desse ano? E até o final dessa década? E quando você chegar na velhice? Quais são os resultados que você espera da sua vida, seja curto, médio ou longo prazo?
Como cristãos reformados, os resultados que almejamos devem estar pautados naquilo que as Escrituras nos recomendam e que tudo seja para a glória do Senhor.
Todos nós temos projetos, sonhos e esperamos resultados daquilo que planejamos e sonhamos. Só que os resultados que teremos serão frutos de nossas ações -e essas ações estão diretamente ligados com a forma que vivemos.
Lembrando do físico Newton, “toda ação tem uma reação" ou citando a “lei da semeadura” (Gálatas 6.7) “pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará".
Ora, se vivermos em desacordo com as Escrituras, não teremos resultados bons - espiritualmente falando. Se as atitudes não condizem com o que as Escrituras ensinam, os resultados serão trágicos.
Todos esperam bons resultados, mas não sabemos como atingir esses bons resultados. Mas o apóstolo Paulo, numa oração sincera para a Igreja de Filipos, roga a Deus que os resultados na vida desses irmãos sejam os melhores possíveis e também, para ique sso aconteça, traz uma instrução de como deveriam viver dentro da própria súplica. E essa oração se encontra em Filipenses 1.9–11 “E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.”
2. CONTEXTUALIZAÇÃO
Carta escrita pelo apóstolo Paulo, na segunda metade e perto do final do primeiro século, enquanto estava preso.
A Igreja de Filipos foi plantada após uma visão que o apóstolo tem, relatada em Atos, 16, onde vê um homem macedônio pedindo ajuda.
Paulo decide ir Filipos, Deus realiza obras nessa viagem do apóstolo (Lídia e sua família convertidos, jovem adivinhadora curada, carcereiro convertido, etc) e uma igreja é plantada.
Essa igreja se torna uma forte congregação, inclusive financeiramente – sendo financiadora do apóstolo e da igreja em Tessalônica.
Paulo inicia a carta reafirmando sua servidão a Cristo, junto com seu fiel amigo, o jovem Timóteo; logo em seguida, dá graças a Deus por sua vida, pela vida dos filipenses e pela participação de ambos na proclamação do evangelho. A parte que lemos, está dentro das “ações de graças pelos filipenses” e nos apresenta uma oração feita pelo apóstolo Paulo, em favor dos irmãos daquela Igreja.
Os filipenses ainda não tinham alcançado a perfeição, então Paulo ora para que os destinatários desfrutem da plenitude de sabedoria, conhecimento, poder, mansidão, longanimidade, alegria, gratidão e amor. O apóstolo sabia que somente por meio de Cristo os crentes conseguem receber essas graças, por isso ele suplica aquele que pode conceder esses benefícios.
Paulo ora, suplicando que os resultados sobre a vida dos filipenses fossem os melhores possíveis e, junto de sua oração, demonstra o caminho da piedade que os cristãos de Filipos deveriam seguir para que esses resultados glorifiquem a Deus e sejam externados.
3. DESENVOLVIMENTO
Com base no texto que lemos, quero trazer a afirmação teológica/proposição “OS RESULTADOS PRÁTICOS DA VIDA CRISTÔ:
I. Crescer no Amor e no Pleno Conhecimento
"9 E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, 10 para aprovardes as coisas excelentes”
Paulo ora para que o amor dos filipenses aumente cada vez mais, transbordando sem limites (ἀγάπη … περισσεύῃ - amor … abundar/transbordar). Porém, o amor verdadeiro não vive sozinho e o apóstolo também ora pelo “pleno conhecimento e toda a percepção".
Paulo está informando que o amor, por si só, não preencheria tudo aquilo que eles precisavam preencher, mas era necessário que crescessem em um conhecimento pleno, real, amadurecido e espiritual (ἐπιγνώσει).
A instrução é que os filipenses alcançariam a plenitude espiritual e bons resultados práticos se crescessem no amor e no conhecimento. O amor aliado ao conhecimento faria com que aqueles irmãos produzissem uma gratidão e uma devoção ao Senhor sempre crescente.
Aqui vemos dois aspectos: um mais racional - conhecimento - e um mais sentimental - amor. Lembrando que esse amor não é a "paixonite”, mas a decisão de amar.
O apóstolo desejava um bom resultado aos filipenses e, para isso, fazia necessário o crescimento no amor aliado com o pleno conhecimento, fazendo com que os irmãos compreendessem as Escrituras e o evangelho de forma real e aplicassem na vida da Igreja. Era necessário o conhecimento combinado ao amor, para o desenvolvimento do relacionamento do servo para o seu Senhor.
Nós somos chamados a crescer no amor e no pleno conhecimento, para que cresçamos espiritualmente e possamos obter esses resultados práticos.
Devemos ter em mente que quanto maior nosso conhecimento, maior deve ser o nosso amor. Quanto mais teologia recebemos, mais devemos amar a Deus e nosso próximo. Quanto mais conhecemos de Deus, mais compassivos seremos.
Existe uma balela falada que “teologia esfria o crente”. Isso é mentira. Quanto mais de Deus nós conhecemos, mais o nosso amor se desenvolverá e mais piedosa será a nossa vida. A teologia só faz mal para quem é incrédulo. Para quem é crente, a teologia será um combustível para conhecer mais a Cristo. Nosso amor a Cristo e ao nosso semelhante aumentará quanto mais nós conhecermos a Ele.
Como podemos estar diante de um Deus tão grande, que se revela, que fala conosco, que se comunica, que nos salva, que nos perdoa, que nos redime, etc e continuarmos da mesma forma? A teologia deve sempre nos aproximar de Deus. Não pense que o conhecimento das Escrituras te tornará frio, mas fará você ser mais piedoso, mais amoroso, mais fervoroso, etc.
É por isso que Paulo instrui para que cresçam no “amor” e no “pleno conhecimento”. O nosso cognitivo deve ser desenvolvido junto com o nosso sentimental. Nossa percepção racional deve ser desenvolvida junto com nossa compaixão.
É necessário sermos cristãos mais piedosos e, ao mesmo tempo, mais conhecedores das Escrituras.
Paulo está instruindo aos filipenses - e a nós também - que o resultado prático da nossa vida, quando estamos sob a direção de Deus e andando conforme as Escrituras, será crescer no amor e no pleno conhecimento. E esse resultado prático deve ser almejado por todo crente.
Talvez os resultados que temos buscado em nossa vida são focados em coisas terrenas, efêmeras e que logo se despedeçarão. O crente deve buscar resultados práticos que efetivamente demonstrarão Cristo em sua vida e que glorificarão a Deus.
As Escrituras continuam nos informando que o resultado prático de crescer no “amor” e no “pleno conhecimento", nos fará agir segundo as Escrituras em “toda a percepção”. Essa expressão nos traz uma conotação moral, como podemos ver em outras partes das Escrituras. O resultado do “amor” e do “pleno conhecimento” fará com que nossas ações sejam convertidas - não são só as nossas roupas e o nosso linguajar que é crente, mas as nossas atitudes serão crentes, pois o amor e o pleno conhecimento produzem isso.
A Igreja de Filipos precisava saber como agir diante da sociedade, das ofertas, dos problemas, etc, assim como nós precisamos saber como agir no meio desse mundo tão turbulento, por isso, que a vida cristã resulta em amor e no pleno conhecimento, para que vivamos em conformidade às Escrituras e busquemos as coisas excelentes - somos chamados a discernir (δοκιμάζειν) o que é melhor ou as coisas excelentes, para que andemos nelas.
O primeiro resultado prático da vida cristã é crescer no amor e no pleno conhecimento.
II. Ser Sincero e Inculpável
“e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo,”
Paulo ora para que os filipenses fossem aprovados nas coisas excelentes, se tornando sinceros e inculpáveis no Dia do Senhor. O apóstolo desejava que os filipenses tivessem predileção/preferência nas coisas boas do que as coisas más, para se manterem sinceros (εἰλικρινεῖς - sincero, genuíno, puro, transparência límpida) e inculpáveis (ἀπρόσκοποι - irrepreensível, não causa tropeço, sem ofensa).
O termo “sincero" sugere uma vivência sem hipocrisia, sem falsidade, genuína, pura, verdadeira, sendo dedicada ao Senhor e aos irmãos. O termo “inculpável”sugere uma vivência irreprensível, que não ofende nem ao Senhor e nem ao seu semelhante e não causa tropeços.
Os filipenses deveriam viver como sinceros/puro e como inculpáveis/irrepreensíveis, demonstrando a ação do próprio Deus na vida dos salvos. Este seria o bom resultado da piedade cristã. Viver uma vida diferente de um incrédulo. Se um incrédulo vivia de forma falsa e impura, sendo repreendido e causando escândalo aos seus semelhantes, os cristãos de Filipos deveriam viver uma vida sincera e irrepreensível.
Paulo ora para que os crentes busquem as coisas excelentes, vivendo sem hipocrisia, mas com sinceridade e inculpáveis, seguindoa Cristo. A vida cristã deve ser pura/sincera, com atitudes nesse sentido e deve ser inculpável/irrepreensível, caminhando à sombra de Cristo.
Isso é um chamado à santidade. Chamado a sermos separados e puros em Cristo. Quando Cristo nos converte, somos chamados a viver uma vida diferente. A nossa vida deve ser sincera e inculpável, isto é, nossa vida deve ser santa.
Ora, se fomos salvos por Cristo, devemos viver a vida que Ele nos apresenta. E somente vivendo a vida que Cristo nos apresenta que teremos resultados verdadeiramente bons.
E essa vida sincera e irreprensível tem uma ótica presente e futura. Vejamos que a oração de Paulo aponta para o Dia do Senhor (consumação de todas as coisas). Vivemos em santidade no tempo presente em que Deus nos colocou, mas vivemos nos preparando para o Dia do Senhor. A visão deve ser no presente (ser sincero e inculpável hoje), mas também apontando para o futuro - quando o Senhor nos chamar.
É necessário que vivamos uma vida sincera e inculpável para contagiar o presente momento e para apresentar-nos diante de Deus no Grande Dia.
Esse resultado prático - ser sincero e inculpável - demonstrará ao mundo que Cristo voltará, por isso, devemos viver o presente dessa forma, apontando sempre para o futuro. As pessoas à nossa volta precisam entender que não basta se render a Deus somente no último suspiro, mas é necessário que esse resultado prático de uma vida sincera e inculpável nos acompanhe todos os dias. A santificação do crente começa no primeiro dia de vida e termina quando morremos.
A Igreja deve sempre viver olhando para o alvo, que é Cristo. Porém nos perdemos nas nossas demandas diárias e acabamos deixando de viver de forma sincera e inculpável. Nós negociamos esses princípios, que deveriam ser inegociáveis, para satisfazer o nosso ego e a nossa vontade carnal. Devemos ser “puros e irrepreensíveis” desde já, obtendo esse resultado prático que a Bíblia nos ensina.
Paulo desejava um bom resultado aos filipenses, por isso, fazia necessário que fossem sinceros e inculpáveis. Paulo sabia que, aqueles que pertencem ao Senhor, se tornam pessoas puras, translúcidas, tentam viver uma vida santa e irrepreensível, em Cristo, não dando motivos para escândalos nem envergonhando o nome do Senhor. Assim nós devemos viver, sendo sincero e inculpáveis até quando o Senhor nos chamar.
O segundo resultado prático da vida cristã é ser sincero e inculpável.
III. Produzir Frutos de Justiça
11 cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.
Paulo ora para que no coração e na vida dos irmãos filipenses existisse uma próspera colheita de frutos de justiça - frutos celestiais; bençãos espirituais.
Paulo está fazendo menção aquilo que havia escrito aos Gálatas, sobre o fruto do Espírito. O apóstolo queria que os irmãos filipenses exteriorizassem o fruto do Espírito e os resultados práticos da vida do crente.
Os frutos de justiça devem ser os resultados mais almejados pelo cristão. A vida piedosa que produz frutos de justiça e que exterioriza o fruto do Espírito, vale muito mais do que a vida de ostentação e prazeres que o mundo prega. Vale muito mais produzir frutos de justiça do que produzir dinheiro.
A questão é que, ao produzir esses frutos de justiça, o homem demonstra sua inferioridade e sua miséria, pois ninguém, por si mesmo, consegue produzir esses frutos, mas são feitos mediante Cristo. É Cristo quem nos resgata, coloca no caminho da cruz e nos faz viver de forma diferente.
A expressão usada do grego está no passivo, trazendo a conotação de "estar cheio, pleno, estar preenchido, ser completo” - indicando algo exterior para o interior (πεπληρωμένοι ⸂καρπὸν δικαιοσύνης); e o versículo completa com a expressão “por causa de”, “mediante a” ou “por causa de” (τὸν⸃ *διὰ Ἰησοῦ Χριστοῦ); por isso é importante termos em mente que somente em Cristo conseguimos produzir os frutos de Justiça - e Ele requer que geremos esses frutos e tenhamos esse bom resultado.
Paulo entendeu a importância da salvação de Cristo e afirma que os crentes de Filipos precisavam de Cristo para andarem nas boas obras e produzirem frutos de justiça. A oração do apóstolo demonstra como somos inteiramente dependentes de Cristo e faz com que o nosso ego se desinflame e voltamos ao nosso lugarzinho de escravos de Cristo.
Nós precisamos nos esvaziar de nós mesmos, para estarmos cheios dos frutos de Justiça.
Nunca será você, o que você consegue fazer, o que você tem ou o que você pensa, mas sempre será por Cristo. Os bons resultados e os frutos de Justiça são derivados do próprio Cristo. E isso deve nos fazer cada dia mais estar aos pés da Cruz, lembrando que nada nos pertence, mas tudo é dEle, por Ele e para Ele.
Ainda que cada um de nós seja pobre, não tenha prestígio social e nem possua riquezas notórias, por Cristo produzimos os frutos de Justiça que são a única forma de mudança e transformação eficaz da sociedade.
E os frutos de Justiça que podem mudar e transformar a sociedade, não são produzidos para nossa glorificação, mas para a glória de Deus - é isso que o apóstolo diz em sua oração. O objetivo para que produzamos tais frutos é para glorificar a Deus e tornar o nome dEle grande no meio da sociedade.
Os nossos frutos de justiça não serão para glorificação própria, mas para que Deus seja glorificado e o Seu nome visto através de nós.
Somente andando com Cristo, estreitando nosso relacionamento com nosso Criador e vivendo o processo de santificação, conseguiremos produzir os frutos de Justiça, que Cristo mesmo preparou para que produzíssemos.
A Igreja, como um coletivo, deve produzir frutos de Justiça, em Cristo, para a glória de Deus, alcance dos perdidos e transformação do mundo.
O terceiro resultado prático da vida cristã é produzir frutos de justiça.
4. CONCLUSÃO
Quais são os resultados que você espera da sua vida, seja curto, médio ou longo prazo?
Muitas vezes, estamos presos a resultados temporários, efêmeros e fúteis.
Deus nos chama a produzir resultados verdadeiros e eternos, que possam contagiar a sociedade e proclamar o nome dEle. Deus nos chama a crescermos no amor e no pleno conhecimento, sendo santos, puros e decorosos, produzindo frutos de Justiça mediante Cristo Jesus.
Paulo orou para que o amor deles cresça em discernimento e sabedoria, levando-os a escolher sempre o melhor e a viver para a glória de Deus.
Hoje somos encorajados a termos resultados que glorifiquem a Deus.
Os resultados práticos não tem a ver conosco ou com a nossa condição perante à sociedade, mas tem a ver com o mundo conhecer o a Cristo e ver o poder que Ele tem, através de pecadores redimidos.
Lembrando que OS RESULTADOS PRÁTICOS DA VIDA CRISTÃ são:
I. Crescer no Amor e no Pleno Conhecimento;
II. Ser Sincero e Inculpável; e
III. Produzir Frutos de Justiça.
Que Deus nos abençoe.
Amém!
